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BAIÃO CANAL | Jornal N.º 16 - Setembro 2021

BAIÃO CANAL | Jornal N.º 16 - Setembro 2021

OBLIQUIDADES (6) | Jaime Milheiro

OBLIQUIDADES (6)                                                                                        JAIME MILHEIRO

  

Jaime Milheiro Eterno aprendiz do que desejava  ser, inúmeras vezes pensei que teria  razão antes do tempo, numa presunção que aparentemente me iluminava.

Já em miúdo perceberia  bem e depressa. Antecipava  situações e problemas  sem nada   resolver, numa atitude  difícil de explicar e de estancar mas  que  me seria  útil   por certo, porque  me diminuiria  o medo  do desconhecido que no subsolo lhe jazia.

A questão do produzido nem se punha…

                                              

                                               (Sentindo-me obviamente

                                               o melhorzinho da minha rua…)

 

até me dar conta que nas agendas de crescimento de toda a gente isso acontece...

e que todas as ruas são estreitas, curtas e sinuosas, mesmo as auto estradas a caminho do oriente.

 

Sem vacina, sem remédio, sem farmácia,   todos os seres humanos nessa mesma argúcia se situam e nessa mesma infantilidade se  enaltecem,   comparando-se com as peças do vizinho que não conhecem nem possuem, mas que desejam conhecer e possuir.

Devemos felicitá-los por isso, ainda que múltiplos  caprichos e contorcionismos possam sobrepor-se...

 

                                               (Vi há dias um senhor com gravata

                                                 na fila da vacina...)

 

e ocasionais veleidades  se  recomendem ou apascentem.

 

Todos seremos únicos e brilhantes até deixar de o ser (a data da saída é que pode variar), salvo em circunstâncias disruptivas ou   ladainhas depressivas…

 

                                               (Os outros serão sempre favorecidos,

                                               só nós é que mereceríamos...

                                               “o meu filho  na escola  não aprende

                                               porque a professora não presta”...)

 

carimbando a natural competitividade da espécie. 

 

Na visão geral das coisas, nos caminhos ascensionais, nos patamares sociológicos, nos horizontes  profissionais,   inúmeras vezes  isso também  me aconteceu.

Como toda a gente senti que a minha estimadíssima intenção  de melhoria pessoa e colectiva irremediavelmente se  confinava nas morosidades programadas, nas resistências à mudança, nas  manobras subterrâneas, nas preguiças sustentadas...

 

                                               (Os ingratos não quereriam nem perceberiam,

                                                o balanço  ficaria para  mais tarde… )      

 

alegremente ofuscando a minha própria ingenuidade.

 

Significa isto que todos os seres humanos se embrulham na ilusão do significativo, mesmo  que não façam coisa nenhuma. E que jamais  se detêm, mesmo   coxeando na bengala do adiamento.

Será impossível bloquear-lhe os seus   sentimentos de percurso e  as suas  aspirações de futuro...

 

                                               (Apesar dos discursos improváveis                                                 

                                               e das circunstâncias irrealizáveis… )

                                                            

assentes na incontornável misteriosidade  interna que os promove.

 

Pela minha parte, tantas vezes  isso me  aconteceu que sem remédio foragi.

Fui pescar camarões na Lapónia e pouco  depois já me encontrava na ilha de Páscoa  a grelhar gambuzinos no pão de ló da madrinha, para mais tarde  desfolhar rabanadas  no Natal da África do Sul, sempre à maneira de quem espera  as sopas de burro cansado na madrugada que há-de vir.

Tudo  isso enquanto retirava catotas   do nariz e as  enrolava nos dedos, até que a minha avó chegasse e porcalhão me chamasse, querendo com isto acentuar que...

 

                                                (Haverá sempre  posturas inacabadas

                                                                trajectos por definir

                                                               indecisões retomadas

                                                               fantasias por assumir…)

 

e que ninguém acaba antes de acabar, mesmo que se obrigue a bisbilhotar ornitorrincos entre os  jacarés das Berlengas.

Jaime Milheiro

 

HISTÓRIAS AVULSO | Jaime Froufe Andrade

Jaime Froufe Andrade

 

(A pandemia pôs-nos à espera do futuro. Parados pelo vírus, talvez seja tempo para percebermos o que deixámos para trás. É essa a proposta de Histórias avulso)

O pássaro de Eucísia 

Aquela manhã de endoenças e nevoeiro baixo marcou-me. Tatuou-me a memória. Foi num olival, em Eucísia. Nessa aldeia de nome mágico, do nordeste transmontano, encarei um pássaro surpreendente, de cor indefinida. No alto da cabeça, exibia uma crista punk... 

Apareceu-me por entre o silêncio das oliveiras, pousou num ramo, à altura dos meus olhos  e começou a mirar-me. Fê-lo com aquela atenção que se dedica a um amigo que não se vê há muito tempo. Manteve-se assim, tranquilo e persistente, ao alcance da minha mão. Sempre a olhar-me nos olhos. Fixamente. 

Nessa sua linguagem sem som senti que estava  a transmitir-me uma mensagem. Pisquei os olhos, incrédulo. O pássaro-mensageiro respondeu com outro piscar. A cena repetiu-se uma e outra vez. Assim, nos mantivemos, um diante do outro, com o tempo entre parênteses.

A iniciativa da despedida foi sua. Ergueu-se no ar e afastou-se lentamente, acabando por desaparecer, sumido pelo nevoeiro. Eu, preso ao chão. Aquela criatura alada levava consigo algo de mim, sem eu conseguir saber o quê.

Retenho ainda a imagem perturbadoramente viva do pássaro de Eucísia. Como se a sua partida estivesse ainda por acontecer.  

Jaime Froufe Andrade (jornalista/escritor)

 

MARIA ODETE SOUTO | Ainda sobre a pandemia e a escola – avaliar o quê e para quê?

Maria Odete Souto

A avaliação é um dos aspetos fundamentais da escola e do ensino aprendizagem. Arrisco-me a dizer que será até um dos aspetos mais importantes de todas as coisas e, por isso, da vida. Para conhecermos e agirmos em conformidade precisamos sempre de avaliar, projetar, reavaliar, até para antecipar consequências e prevenir.

Na escola usamos três tipos de avaliação: a avaliação diagnóstica, a avaliação formativa e a avaliação sumativa. As duas primeiras andam de mãos dadas e não têm, obrigatoriamente, que se traduzir em classificações. São absolutamente importantes e determinantes no sucesso dos/as alunos/as, no desenvolvimento de competências, capacidades e espírito crítico, no aprender a aprender. A avaliação sumativa, não deixando de ser importante, tende a reduzir o/a aluno/a a um número, o que já de si é muito complicado e, sobretudo, presta contas externas do desempenho de professores/as, alunos/as, famílias e escola. E quanto a isto, deveremos ser muito cautelosos/as nas formas como se colhe esta informação e no uso e na análise que dela é feita.

Sempre tive a ideia que mais importante que a sindicância que outros/as possam fazer de nós, do nosso ser e do nosso agir, é a nossa capacidade de refletir sobre a nossa agência, o nosso desempenho e o nosso ser que são fundamentais. Daí que tente, sempre, junto dos meus alunos e das minhas alunas incutir-lhes isto. Por essa razão valorizo imenso as suas reflexões e a sua autoavaliação e muitas vezes lhes cito Frida Kahlo quando diz: “Não quero que pense como eu, só quero que pense.”

No final deste segundo período letivo deixei-lhes o seguinte desafio.

“Estamos no final do segundo período letivo, um período atípico e estranho, que nos empurrou, de novo, para o ensino à distância.Vivemos há um ano num contexto pandémico que nos obrigou a mudanças imensas com custos para as vidas das pessoas, das famílias e das escolas. E, por isso, com custos nas vossas vidas, enquanto alunos/ase enquanto pessoas.Também, por certo, ao nível das aprendizagens. Por tudo isto, porque é importante que sejamos capazes de refletir sobre as coisas e formar opinião sustentada, porque neste final de período, nós professores/as, temos que avaliar e classificar o aproveitamento de cada aluno/a e do grupo/turma, e porque a vossa autoavaliação é muito importante, aquilo que vos proponho é que façam uma reflexão pessoal sobre a circunstância vivida, o vosso e, porque não, o meu desempenho, as dificuldades que sentiram e, por último, o nível que acham que merecem.”

E acreditem, vale a pena lê-los/as e escutá-los/as. É importante que isso se faça. E precisamos todos/as de refletir muito sobre aquilo que eles e elas têm para nos dizer. Desde alunos/as que referem que foi bom ir para casa porque “precisava de me recolher em mim”, até aos que assumem que se deitaram às 6 horas da manhã porque ficaram a jogar, aos que se queixam de sofrimento, solidão, desânimo, aos que nem “se ligavam”, sabe-se lá o porquê…temos uma panóplia de circunstâncias e experiências vividas, com mais ou menos conforto, com mais ou menos sofrimento, com mais ou menos apoio, que nos devem interpelar a todos/as. E, portanto, que nos deve fazer pensar que sentido faz estarmos a fazer uma avaliação sumativa, nesta altura, e a atribuir níveis. Partilho convosco, desde já porque a menina em causa e a mãe me autorizaram a fazê-lo, e depois porque é um discurso na primeira pessoa. Trata-se de um excerto da autoavaliação feita pela  minha aluna Ana Carolina Gaspar, uma menina de 13 anos que frequenta o 8º ano. E fala assim: “Neste segundo período aconteceu tudo de novo, voltamos para casa, voltamos paras as aulas online, mas desta vez diferente: mais aulas, mas horas em frente a um computador, mais presos, mais sozinhos.Os primeiros tempos foram os piores ter que voltar para casa, depois de nos voltarmos a habituar a estar com pessoas todos os dias. Não sentia vontade de fazer nada, não consegui ser produtiva, era sempre a mesma rotina de não fazer nada. Depois vieram as aulas, com um horário praticamente igual ao das aulas presencias e, na minha opinião, não é por temos mais aulas que vamos aprender mais até porque toda gente sabe que não é a mesma coisa estar na escola ou estar em casa. Se estamos numa situação diferente eu acho que o horário deveria ser diferente, porque às vezes um professor atrasa, e temos de ir a correr buscar os livros para chegar a tempo, e se não chegarmos a tempo já somos penalizados, porque “como estamos em casa” devemos chegar a tempo. Depois vamos para as aulas e temos que participar, claro que temos, mas há dias em que estamos tão cansados mentalmente que não nos apetece fazer nada e isso é compreensível.Somos crianças que foram fechadas em casa, proibidas de contactar com outras pessoas, estamos a sentir muitas coisas ao mesmo tempo.É claro que vamos ter dias assim por isso acho que,às vezes, os professores poderiam ter mais consideração em relação a isso.

Por essas razões eu não consigo ter noção do que realizei este período se a minha participação foi boa ou não, a única coisa que eu sei fiz sempre todas as tarefas, e tentei participar sempre que sabia... “.

Obrigada, Carolina, por escreveres e dizeres o que o sentes e refletires sobre as coisas desta forma tão clara, tão humilde e tão profunda. Bem hajas, por isso. Que orgulho tenho em ti! Da mesma forma o agradecimento é extensivo aos/às outros/as alunos/as que também o fizeram. E foram muitos/as. Cada um/a à sua maneira porque são pessoas diferentes e carregam vidas, saberes e experiências diferentes.

São crianças, minha gente! São crianças privadas do direito a ser crianças, a brincar, a conviver. Privadas de escola, na sua verdadeira essência. Cansadas, desgastadas, tal como os adultos. Mas são crianças.

Que sentido faz estarmos a fazer uma avaliação de final de período, com um nível atribuído em pauta, num contexto destes? Será que com isto não estamos todos/as, mas todos/as a desgastarmo-nos ainda mais e a acentuarmos ainda mais as desigualdades e as injustiças? E a aumentar o desânimo e a desmotivação? E que sustentação temos nós professores/as na avaliação atribuída?

Está na lei, desde há muito tempo, que um aluno pode ser avaliado em dois momentos de avaliação num ano, em situações excecionais. Para os mais leigos nesta matéria, por exemplo, se um professor for colocado muito tardiamente, pode não avaliar por falta de elementos de avaliação. E não há prejuízo nenhum para o aluno.

Foram feitas avaliações no primeiro período e, em meu entender, só deveriam voltar a ser feitas no final do terceiro período. Mesmo assim, a sabermos que tudo isto é atípico, anormal e excecional.

E, por favor, não me venham com discursos que se recuperam aprendizagens com mais aulas ou mais tempo letivo, ou mais não sei o quê no período de férias. Ou que as crianças vão ter que aprender mais e mais rápido.

Férias são férias e as pessoas precisam de descansar. As crianças e os jovens são pessoas.

E precisamos de saber, todos/as, que estamos todos/as diferentes, que nada será como antes e que precisamos de repensar muitas coisas, muitas práticas e muitos preconceitos.

Precisamos de devolver a alegria e os afetos às crianças. E o resto constrói-se, com o esforço de todos/as.

Dizem que Páscoa é amor. Amem-se muito, com cuidado e esperança!

 

Maria Odete Souto

 

 

 

 

 

Rita Diogo | O poder de um ecrã para os adolescentes

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Finalmente, as escolas do 2º, 3º ciclo e secundário vão voltar às suas atividades presenciais. Este momento é aguardado com enorme expectativa por muitos adolescentes, pais e professores. Chegará ao fim mais um longo período com aulas online. Espera-se que se recuperem as rotinas, o acordar mais cedo, o vestir das calças de ganga e o calçar das sapatilhas. Espera-se que volte o contacto, olhos nos olhos, entre colegas e amigos com que apenas se conversou por vídeochamadas. Espera-se que se recupere o gosto pela aprendizagem e que volte a motivação escolar. Sabemos que será um retomar daquilo que nunca se deveria ter perdido: a Escola na sua plenitude e as rotinas que uma vida ativa proporciona.

Estes dois longos meses, seguiram-se aos meses de março, abril, maio e junho do ano passado, em que os hábitos e a vida dos adolescentes foram virados do avesso, sem que ninguém o tivesse pedido. As atividades ao ar livre foram reduzidas a meia dúzia de momentos. O desporto escolar, o desporto federado, a prática desportiva em geral ficaram em suspenso. As atividades artísticas, as oficinas de teatro que existem por esse país fora, a aprendizagem da música tiveram apenas aprendizagem online. Para tantos e tantos jovens que tinham atividades extraescolares como estas, passaram a existir tempos mortos, ao longos destes dias.

Os nossos jovens tiveram que se adaptar a várias mudanças na sua vida, concretamente à escassez de alternativas de ocupação dos seus tempos livres, em confinamento, nas suas casas. Aqui surgem os ecrãs, os telemóveis, os tablets, os computadores, a internet. Sabemos que os hábitos de leitura são reduzidos entre os jovens e, por isso, perdem terreno para as tecnologias. Sabemos o quanto o ser humano é “poupadinho”, poupa energia e escolhe o mais fácil e o mais disponível. Quem tem filhos observou nestes confinamentos um aumento do uso das tecnologias e dos ecrãs. Quem trabalha com jovens e adolescentes conhece o seu gosto por jogos de computador ou de consola, com maior preferência dos rapazes, e pelas redes sociais, com maior preferência das raparigas. Não me parece adequado diabolizarmos a internet e o seu uso cheio de potencial de conhecimento e informação. Também não me parece conveniente esquecermo-nos que, em muitos casos, a internet e os ecrãs são a única companhia que muitos jovens têm. É fundamental percebermos os riscos do uso excessivo dos ecrãs a par destes benefícios. Raro é o adolescente que não tem o seu telemóvel, quase sempre com acesso à internet, tendo os amigos (reais ou virtuais) ao alcance de um toque no ecrã, tendo um jogo a pedir que se carregue no “start”, havendo notificações das redes sociais a piscar a toda a hora. O que aconteceu neste confinamento? Ora, os adolescentes passaram o tempo letivo em frente ao computador a ter aulas por “zoom”, “teams” ou outra plataforma digital qualquer. A seguir ao tempo letivo e nos intervalos entre aulas não saíram da sala de aula e foram até ao recreio passear com os amigos. Ficaram nos seus quartos a falar com os amigos através de vídeochamadas, ou a fazer “scroll” nas redes sociais, ou a jogar. No final das aulas não tiveram que vir até casa, não foram apanhar o autocarro, nem vieram a pé ou no carro dos pais. A vida das crianças e jovens circunscreveu-se entre o quarto e a sala, dando uma volta até à cozinha. Foram assim estes meses. O acesso digital é interessante, imediato, de grande gratificação, com reduzido controlo social ou parental para a maioria dos jovens e, por isso, escolhido para passarem várias horas. Alguns estudos indicam tempos máximos de exposição a ecrãs: até aos dois anos não é aceitável tempo algum; entre os 2 e os 3 anos será aceitável até 30 minutos; entre os 3 e aos 5 anos até uma hora e entre os 6 e aos 12 anos até duas horas. Podemos inferir que quando se consegue fazer cumprir estes limites na infância, mais facilmente um jovem adolescente irá aceitar limitações ao seu tempo perante um ecrã. Parece difícil começar a estabelecer limites, deste e de outros tipos, na adolescência. As regras e os limites são uma construção familiar, evolutiva, adaptada a cada fase do desenvolvimento. Isto tem de estar presente no pensamento de qualquer pai e de qualquer mãe. Sabemos que por cada hora que uma criança passa em frente ao ecrã perde cerca de 50 minutos de interação com os pais. No caso dos adolescentes, a panóplia de interesses é mais vasta e a perda de atividades e ações será maior quanto mais o tempo passado em frente aos ecrãs.
Assim, cabe sempre aos pais e aos cuidadores/educadores a tarefa de limitar o tempo de utilização das tecnologias, pois proibir não parece ser uma boa solução. Há que estabelecer um horário que alterne com outras atividades de contacto social e com os pares, de lazer, de contacto com familiares e com a natureza, por exemplo.

Na minha opinião, devemos conseguir manter a proximidade com os jovens que nos permitam sermos ouvidos por eles, em momentos difíceis como será o regresso à escola presencial. Devemos contribuir para a consciência de que o ensino online, assim como o aumento do tempo de exposição a ecrãs foi um tempo de exceção. Com a saída de casa, com o regresso ao espaço escolar, com o contacto com os amigos prevê-se um regresso à “normalidade”, às rotinas estruturantes, ao intercalar entre tempo de lazer e tempo de estudo, entre as atividades escolares e as extraescolares, mas sobretudo, prevê-se uma necessária redução do tempo passado em frente aos ecrãs. Se tal não acontecer teremos sinais de alarme: redução do rendimento escolar com dificuldades de concentração, sono irregular e má higiene do sono, baixa resistência à frustração, impulsividade, agressividade, isolamento social, evitamento do tempo em família e, a longo prazo, poderemos ter configurações comportamentais e emocionais de dependência de ecrãs, perturbações ansiosas e/ou depressivas.

Rita Diogo ( psicologa )

TEMPO | Natércia Teixeira

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Não conheço nada tão voluntarioso como o tempo.

Está à nossa disposição, dá-nos liberdade para o usar como entendemos…com quem entendemos.

Funciona como um contrato que nos acompanha tacitamente pela vida, com cláusulasa cumprir e “letras pequeninas” a dar conta aos distraídos que vem com prazo de validade.

O tempo, faz de nós o que fazemos com ele.

Podemos escolher tê-lo como aliado ou como carrasco.

Pessoalmente aprecio quem não se sente refém dele, quem não o torna num muro de lamentações e quem consegue faze-lo render muito para além das rugas.

Este episódio foi-me contado:

Um médico, depois de observar um paciente, um Senhor já de alguma idade e antes de  prescrever a medicação que seria a finalidade da consulta,interrompeu o atendimento devido a de uma chamada que considerou prioritária.

O homem, visivelmente inquieto, ia perguntando ao médico por gestos e meias palavras se demorava muito a dar-lhe a receita porqueprecisava ir embora…e olhava ansioso o relógio que trazia no pulso.

A situação prolongou-se por alguns minutosaté que o Senhor comunicou ao médico que teria de ir embora ou perderia a hora da visita.

Pressionado e agastado o médico interrompeu o telefonema e questionouo paciente:

“ Mas qual é a pressa Sr. João?!

Chega tarde à visita…ou nem vai… qual é o problema?

  O Senhor sabe que a sua mulher tem alzheimer…ela não se recorda de nada, nem se lembra

  de si!”

O homem já de pé encolheu os ombros e encarou o médico:

” É verdade Sr. Doutor….ela não se lembra…mas lembro-me eu!”

Consta que o médico suspendeua chamada e ficou em silêncio a digerir aquela resposta enquantoelaborava a prescrição e que no mesmo instante que a entregou ao paciente, ele seimpulsionou para a porta do consultório, com uma jovialidade que terá feito supor a quem assistiu àquele arroubo de energia, que a consulta daquele clínico valeria bem cada minuto de espera.

Muitas podem ser as considerações a tecer relativamente à situação em si, pouco me parece tão claro como a importância que alguns momentos podem ter.

A frase de Saint-Exupéry:

“Foi o tempo que dedicaste à tua rosa, que fez a tua rosa tão importante” ecoou-me na mente quando escutei este relato.

A verdadeira recompensa pelo que damos de nós, não está no reconhecimento dos outros, está no que guardamos dessas ações para nós mesmos.

Aquele homem, não consigo imaginar quão sofrido, não espera qualquer retorno pelo que fez ou pelo que dá…dá, porque como muito bem disse não se esqueceu.

Provavelmente não esqueceu o tempo em que partilhou sorrisos, o tempo que passou a escrever cartas, o tempo em que dançou, as músicas que escutou, o vinho com que brindou.

Não esqueceu as noites de insónia em que teve quem o ouvisse, os momentos em que precisou de um medicamento e alguém lho trouxe, os dias em que teve um miminho qualquer em cima da mesa para lhe aquecer a alma.

Provavelmente…percebeu cedo que a mais simples das cláusulas do tempo é despende-lo no que realmente importa e que as “letras pequenininhas” do contrato são os grãos de areia na ampulheta do tempo…vão inexoravelmente um dia, ficar todos de um só lado.

Acredito que as memórias são presentes que o tempo nos deixa para que os pedacinhos de vida que partilhamos com aqueles que amamos se eternizem.

Julgo serem elas, que quando chegamos aos nossos derradeiros “grãos de areia” nos aconchegarão e farão companhia…penso que nesse ponto, não ter o que lembrar seja o preço das clausulas mal cumpridas.

Isso e perceber que se nos escapou o valor do que nos desenha um sorriso e nos anima a correr para um lugar qualquer.

 

Natércia Teixeira

CONSULTÓRIO JURÍDICO | Serviços Públicos Essenciais | José Carlos Martins

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A Lei nº23/96 de Julho entretanto actualizada várias vezes, veio criar no ordenamento jurídico alguns mecanismos destinados a proteger o utente dos serviços públicos essenciais.

Antes demais, importa referir quais os serviços públicos abrangidos pela presente lei:

- Serviços de fornecimento de água;

- Serviços de fornecimento de energia eléctrica;

- Serviços de fornecimento de gás natural e gases de petróleo liquefeitos canalizados;

- Serviços de comunicações electrónicas;

- Serviços postais;

- Serviços de gestão de resíduos sólidos urbanos;

- Serviços de transporte de passageiros;

A lei supra referida consagra um princípio geral, que, como iremos demonstrar, grande parte dos prestadores do serviço não cumpre;Refere a Lei nº23/96, no artº.3, que o prestador do serviço deve proceder de boa fé e em conformidade com os ditames que decorram da natureza pública do serviço, tendo igualmente em conta a importância dos interesses dos utentes que se pretende proteger. Na prática não é bem assim.

Logo no artº4, a Lei nº23/96, prevê um dever que provavelmente nenhum prestador cumpre, que é o dever de informação. O prestador do serviço está obrigado a informar de forma clara e conveniente, o utente das condições em que o serviço é fornecido e prestar-lhe todos os esclarecimentos que se justifiquem. Está também o prestador do serviço obrigado a informar directamente, de forma atempada e eficaz, os utentes sobre as tarifas aplicáveis pelos serviços prestados, disponibilizando-lhes informação clara e completa sobre essas tarifas. Mais uma vez, nós sabemos que na prática não é assim, a EDP, as Águas do Norte ou qualquer outro não informam previamente sobre as tarifas aplicáveis. Assim como, tentar entender as facturas da eléctricidade ou da água, é uma aventura.

A prestação do serviço não pode ser suspensa nem pré-aviso adequado, salvo caso fortuito ou de força maior. Em caso de mora do utente (falta de pagamento), que justifique a suspensão do serviço, esta só pode ocorrer após o utente ter sido advertido, por escrito, com a antecedência mínima de 20 dias, relativamente à data em que ela venha a ter lugar. Esta advertência, para além de justificar o motivo da suspensão, deve informar o utente dos meios que tem ao seu dispor para evitar a suspensão do serviço, e, bem assim, para a retoma dos mesmos.

É proibida a imposição e a cobrança de consumos mínimos, assim, como, é proibida a cobrança aos utentes de qualquer importância a título de preço, aluguer, amortização ou inspecção periódica de contadores ou outros instrumentos de medição dos serviços utilizados. É ainda proibida a cobrança de qualquer outra taxa que não tenha uma correspondência directa com um encargo em que a entidade prestadora do serviço efectivamente incorra, com excepção da contribuição para o audiovisual.

No próximo artigo irei comentar alguns dos abusos dos prestadores de serviços, bem como os meios de defesa que os utentes têm ao seu dispor.

José Carlos Martins (advogado)

DUAS DE LETRA | Lourdes dos Anjos

Lourdes dos Anjos

DÊ-ME A SUA BENÇÃO, MADRINHA!

Para meus padrinhos, os meus pais escolheram os dois irmãos mais novos da minha mãe.
O meu tio Alberto, um homem giraço, muito alto e muito engraçado e a minha tia Preciosa, pequenota, amante do trabalho , adoradora das suas santíssimas vaquinhas que tratava com esmero como se fossem crianças e a quem dava nomes de gente.
Ele partiu cedo para terras do tio Sam mas escrevia-me meia folha de carta que chegava dentro dos envelopes dirigidos à minha mãe e que terminavam sempre com a mesma frase: "um abraço do meu tamanho para uma afilhada "piquena" mas muito linda.Não arrelies a tua mãe , não refiles senão ela "ZAPA-TE"
Lembro-me que aos 10 anos, ofereceu-me um rádio de bolso que era um furor nestas bandas.Aos quinze comprou-me uma"escrava" em ouro que ainda é o meu luxo.Quando casei ofereceu-me uma panela de pressão americana e uns bolívares com que comprei um quadro a óleo que adoro.
Uma pequena grande fortuna que guardo religiosamente
Quando se despediu da vida, tinha-me á cabeceira junto de duas das suas 3 filhas.
Pediu-me para me chegar muito pertinho dele e , sem ninguém contar voltou a dar-me a benção como tinha feito na pia batismal da igreja do Bonfim quase 60 anos antes.
Despediu-se dizendo-me que o meu coração era maior que o meu corpo mas nada se podia fazer...era um defeito de nascença.
Rimo-nos e alguns minutos depois ele partia para junto da mulher que sempre amou , a minha tia Florinda e do resto da família que devia esperá-lo num jardim qualquer com um coreto no meio onde se ouvia tocar a BANDA DE SALREU
A minha madrinha, lutou contra todos os rituais do seu tempo e deu "água pela barba" ao meu avô que queria um mundo correto e limpo feito por si e para os seus.
A minha madrinha, a Preciosa, nunca casou mas decidiu sair de casa, aos 26 anos para se juntar com um homem livre, viúvo, que tinha filhos da idade dela.Era a sua escolha.Estava decidida.E FOI...foi fazer a sua vida sem algemas nem grilhões de"parece mal" ou "o povo fala"
Naquele tempo, foi um escândalo social que fez com que a maioria dos familiares a "esquecessem".
Era muito pecado e nossa senhora não perdoava tais desmandos sem rezas sem promessas mais novenas mais umas esmolas chorudas no dia da procissão.E ela era avessa a essas tretas...
Foi relativamente feliz como a maioria dos mortais.Lutou até tombar no campo de batalha.
Morreu como viveu... verdadeiramente amada por uns poucos e censurada por muitos outros .Incompreendida.Senhora do seu nariz e do seu caminho. 
AMOU-ME COM TODAS AS FORÇAS DA SUA ALMA.
AMOU-ME TANTO COMO AMOU A MINHA MÃE...EU SEI.
ESPERA-ME DE BRAÇOS ABERTOS E QUANDO ME VIR CHEGAR VAI CHAMAR-ME :"MINHA MENINA, MINHA REFILONA, SUA ATREVIDOLA"... 

E ficará à espera da minha resposta :"diz lá o que  me queres minha chalada..."
Para já devem estar todos reunidos, como uma verdadeira alcateia, falando de perdão, de honestidade, de ANJOS e matando saudades e fazendo projetos...para a santa festa de receção aos novos elementos de "cachopos velhos" que ainda ficaram cá em baixo
ATÉ BREVE MINHA GENTE...
SOSSEGUEM E "PORTEM-SE COMO DEVE SER" PARA NÃO VOS EXPULSAREM DAÍ.
TENHO MUITAS SAUDADES DO VOSSO COLO, DOS VOSSOS BEIJOS, DO VOSSO AMOR.
HOJE, APENAS ME FALTAM AS LÁGRIMAS.
MAS, OS ANJOS NÃO CHORAM!

Lourdes Dos Anjos

O DOMADOR DE PALAVRAS | Eduardo Roseira

Eduardo roseira

Mário Viegas, actor de génio e coragem

            Qual tipo “dois em um” e de forma a evocar o dia Mundial do Teatro que se comemorou a 27 de Março e o Dia das Mentiras no dia 1 de Abril, quero falar-vos de uma pessoa que a brincar, a brincar, levou a vida a sério, daí que lhe dedique este poema de Brecht, antes de falar dele:

 

“Há homens que lutam um dia e são bons
Há outros que lutam um ano e são melhores
Há outros que lutam muitos anos e são muito bons
Mas há os que lutam toda a vida.
Esses são imprescindíveis.”

            Há vinte e cinco anos, no dia 1 de Abril de 1996, fazia madrugada e um tipo que tinha nascido em Santarém, em 1948, resolveu pregar-nos uma partida própria do Primeiro de Abril.

 

            Para alguns, ele era um tipo assim a atirar para o “esquisito”, pois sempre foi ligado a fazer CENAS; PEÇAS e outras coisas que tais e às vezes até fazia FITAS.

 

            Porque não era gajo para andar só, não esteve com meias medidas e “arranjou” uma…. duas…. três… COMPANHIAS.

 

            Concerteza que não foi pelas CENAS, FITAS, PEÇAS ou mesmo até pelas COMPANHIAS que passados estes anos após a sua morte, poucos, muito poucos, são os que dele se lembram, ou será que se sentiram magoados com um gajo que resolveu morrer no dia das mentiras,….se calhar é verdade. Foi por isso?!...

 

            Era um de Abril, já lá vai um quarto de século, que muito ao seu jeito de “bom/mau da fita”, o actor Mário Viegas resolveu pregar-nos uma partida de Abril e rumou destino a outras paragens, sem se despedir cá da malta.

 

            Mário Viegas, actor, declamador, Homem de coragem, fundou três COMPANHIAS de Teatro. No palco interpretou, entre outros, Beckett; Tchekov, Beckett, Pirandello, Beckett, sempre Beckett, se a memória não me atraiçoa, pelo menos sete vezes o seu adorável Beckett.

            Interpretou alguns dos mais importantes papéis em peças de Baal, Hamm, Krapp, Vladimir, Wang, entre outros. Encenou peças de Eduardo de Fillipo, Bergman, Tchekov, Strindberg, Pirandello, Peter Shaffer e Beckett – sempre e inevitavelmente, Beckett!

            Viegas adorava – e revia-se – tanto no estilo dramático do autor de “À Espera de Godot” que chegou a encenar oito peças deste Prémio Nobel.

 

No cinema, fez uma dezena e meia de filmes, estreando-se com “O Funeral do Patrão” de Eduardo Geada, mas os seus maiores sucessos foram “Kilas, o Mau da Fita” de Fonseca e Costa, “A Divina Comédia” de Manoel de Oliveira e “Afirma Pereira” de Roberto Faenza, onde contracenou com Marcelo Mastroiani, também já desaparecido.

 

            Fez também muita rádio e televisão, onde se destacaram os programas de poesia. Poesia que amou, disse e divulgou, tanto a de autores estrangeiros como especialmente a de poetas da lusofonia. Para além de a divulgar, ensinou-a.

 

            E foi na madrugada do Dia das Mentiras – O actor Mário Viegas morria na Unidade de Infecto-Contagiosas do Hospital de Santa Maria em Lisboa.

            António Mário Lopes Pereira Viegas era natural de Santarém, onde nasceu em 10 de Novembro de 1948.

 

Amante da Poesia, Mário Viegas gravou cerca de duzentos poemas em catorze discos, onde o podemos ouvir dizer Luís de Camões, Cesário Verde, Camilo Pessanha, Almada Negreiros, Fernando Pessoa, Jorge de Sena, Alexandre O’Neill, Pablo Neruda e muitos outros.

Tendo assumido a responsabilidade de divulgar poetas e humoristas, tais como Mário-Henrique Leiria, Luiz Pacheco e Pedro Oom.

Além-fronteiras, Viegas deuespectáculos em Moçambique, Macau, Espanha, Bélgica e Holanda.

 

Um episódio caricato marca o ano da Revolução de 1974:

- Filipe La Féria e Mário Viegas decidem levar à cena a peça “Eva Péron” de Copi, no Teatro da Feira da Ladra. Durante os ensaios Viegas é chamado à Embaixada da Argentina, onde lhe disseram que este país ameaçava cancelar as exportações de carne de vaca e de milho, caso a representação se concretizasse. “Por motivos de interesse nacional”, a estreia de “Eva” foi cancelada e a companhia dissolveu-se.

 

O seu percurso foi alicerçado no seu imenso amor pela cultura, o que lhe granjeou diversos prémios de prestígio e popularidade da imprensa. Em 1993, a Câmara Municipal de Santarém atribuiu-lhe a Medalha de Mérito da Cidade, em 1994 o então Presidente da República, Mário Soares, ordenou-o Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, enquanto a Câmara Municipal de Lisboa, deu o seu nome, com ele ainda vivo, à sala-estúdio do Teatro de S. Luiz.

 

Apesar de tudo, passados vinte e cinco anos sobre a morte de um “actor de absoluto génio”, poucos tem sido os que fazem por recordá-lo. Até porque, como Viegas disse um dia:

“- Dos poemas, dos escritores, ficam os livros editados, as palavras escritas; dos actores fica a memória, mas essa morre com as pessoas!”

 

As próximas palavras são dirigidas a ele:

            - Mário, agora que andas a fazer cenas noutras paragens, espero que me ouças bem:

         - Olha, deixa-te de merdas! Fica sabendo que ainda restam por cá muitos gajos com memória que não se esquecem de ti e dizem mesmo, que quando fizerem parte do teu “novo círculo eleitoral”, vão votar em ti, assim tu te candidates!

         Um abraço e até um dia destes!...

         - Ah, já me esquecia, não gastes o “GIN TÓNICO” todo, guarda algum para nós.

 

            Agora, peço-vos que imaginem a ironia e os gestos, como se estivéssemos a escutá-lo a dizer este poema:

 

                                      FÁBULA

 

                                  O lobo foi ter

                                com a galinha

                                 e disse-lhe:

 

                      “Devíamos conhecer-nos

                        melhor para vivermos

                      com amor e confiança.”

 

                     A galinha achou bem

                        e foi com o lobo.

               Foi por isso que as suas

                penas ficaram espalhadas

                         por todo o lado.

 

Mário Viegas, mais do que actor e declamador, foi um verdadeiro “Domador de Palavras”!

 

Eduardo Roseira

 

PROVA DE VIDA | Arnaldo Trindade

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MÃOS

Olho as minhas mãos
Vejo a Bacia do Amazonas
zonas por mim ignoradas
por não ter tido a dita
das ditas visitado
São de um azul venial
que deveria ser vermelho
mas não são mais
do que as mãos de um velho
 
Porém, minha alma é jovem
Corro e pulo de contente
e ainda ferro o dente
no bom que o mundo tem
pois gosto de escrever
Meu universo é a Literatura
da vida a forma mais pura
 
Arnaldo Trindade
 
 

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SÓ HÁ DUAS ESTAÇÕES
 
em Setembro acaba o Verão
Olho o mar que nunca acaba
no ar avoa uma canção
melodia ao ritmo da vaga
 
De Setembro morno a Dezembro sem calor
contemplo a lareira ,única companheira
tristes os frios dias ,sem amor
fim da canção da vida inteira
 
Só fica recordação do passado
no rítmico crepitar do fogo
memória melodia em jogo
 
Só há duas estações
na vida como no amor ,as canções,
as da chegada e da partida.
 
Arnaldo Trindade

OS PEQUENOS TAMBÉM SÃO GRANDES | Do virtual para o real | Aníbal Styliano

 

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A realidade virtual prepara-se para ultrapassar velozmente a realidade natural. As pessoas desde que nascem vão superando fases de crescimento a nível físico, emocional e civilizacional. Saltar uma etapa, por vezes, pode criar um desenvolvimento sem alicerces estruturados.

Da criança ao adulto não se podem ultrapassar fases de crescimento, mas manter um percurso contínuo, crescente,sem uma fusão num mesmo patamar. Os pais, por variadíssimas circunstâncias, ou opção sem resistência, reforçam uma abertura total, mesmo que a precocidade de alternativas possam ter efeitos complexos. Para já, a necessidade de cada um criar horários e tarefas, ou se aprende cedo ou talvez nunca. Para superara falta de tempo e de paciência (disponibilidade) por cansaço, os adultos cedem à liberdade total das novas tecnologias. Sem dúvida uma grande aquisição e futuro. Contudo, as plataformas digitais oferecem jogos onde as mortes, as destruições, a violência para vencer o jogo, transportam para património mental de cada um, valores e atos que acabam por fazer parte do quotidiano “natural”. E do virtual para o real a distância pulverizou-se. Num jogo virtual perdem-se vidas mas podevoltar-se ao início. O mundo real não permite essa renovação. Também por isso, à medida que dependências ou modas se instalam, a violência entre jovens e adultos aumenta, as frustrações e o bullying crescem sem haver a coragem de mudar para construir estabilidade. Com idades tão díspares, a perceçãodacapacidade para distinguir o certo do errado,pode ter consequências virais. O futebol de formação é outro universo com mais-valias. No desporto jovem pode residir um complemento eficaz, desde que os treinadores entendam a sua função.Tivemos a felicidade de ter excelentes treinadores nos escalões de formação, recordando muitos e destacando como “representantes” de muitos outros, Artur Baeta, António Feliciano, Óscar Marques, Jaime Garcia…

Integrar clubes da região é decisão acertada, para evitar, aos mais pequenos, deslocações inadequadas que sobrecarregam pais, inclusivamente em termos monetários e nem sempre fomentando amizades duradouras, porque circunstanciais.A proximidade reforça valores erotinas de aprendizagem, solidariedade no jogo e fora dele, pertença a um grupo com identidade própria.

A liberdade de escolha implica sempre responsabilidade esclarecida. Ver o futebol (ou outro desporto qualquer) como estratégia de complemento de formação está certo. Mas sem exigências, interferências de pais que encaram os filhos como cautela de lotaria ou raspadinha premiadade milhões, quando a principal preocupação poderia ser a oportunidade de criar amizades e fortalecer a personalidade. No desporto, os jogos começam a horas marcadas e não quando apetece. Por outro lado, numa falha, não podemos voltar ao início como no jogo do telemóvel.É preciso cooperar para tentar vencer. Os jogos duram o seu tempo próprio e no fim, sem frustrações nem grandes exageros, cumprimentar adversários, árbitros e regressar ao balneário. Ouvir as indicações do treinador, refletirsobre o que se fez e no que se podia fazer, pensando como treinar para conseguir melhorar.

O desporto é um espaço de crescimento e um reforço de estrutura mental de organização.

Quanto à ação dos pais no acompanhamento dos filhos, algumas sugestões:

  1. Em vez de ficarem a assistir ao treino (influenciando o filho) seria preferível, juntar os pais ou outros familiares e fazerem uma caminhada até ao fim do treino.
  2. Não dar indicações, pois o treinador é que tem essa função.
  3. Não criar pressão sobre o jovem.
  4. No fim, perguntar sempre como correu e deixar falar o jovem; saber se gostou do treino, se está contente e integrado.
  5. Dar tempo para o jovem falar espontaneamente, sem ser interrompido. Ter confiança na família que lhe permite espaço para dizer o que pensa em liberdade, sempre com responsabilidade.

Dessa forma, os clubes revelam a sua Alma e nessa área o S.C. e Salgueiros é um dos grandesespecialistas.

 

Aníbal Styliano (Professor, Comentador)

 

PCP | Um pouco de História Universal

PCP

Decorre este ano o 150º aniversário do início da Comuna de Paris que foi formada como resultado do primeiro levantamento e revolução liderada pela classe trabalhadora, na história da humanidade.
Esta nova classe foi o produto da revolução industrial no modo de produção capitalista, sobre o qual Marx e Engels falaram pela primeira vez com mais destaque no Manifesto do Partido Comunista, publicado em Março de 1848.
Antes da Comuna de Paris, as revoluções na Europa e na América do Norte tinham como objectivo derrubar monarcas feudais e colocar a classe capitalista no poder político, enquanto o socialismo como ideia e objectivo começava a ganhar credibilidade entre a intelectualidade radical, tendo sido Marx e Engels os que primeiro identificaram a classe trabalhadora como o agente de mudança revolucionária, ou seja, aqueles que não possuíam meios de produção excepto a sua própria força de trabalho.
A Comuna de Paris verificou-se como resultado imediato da guerra franco-prussiana que foi iniciada por Luís Bonaparte, sobrinho de Napoleão, que havia tomado o poder num golpe de estado, por não concordar com a governação em curso.
Ele governou autocraticamente a França nas duas décadas seguintes que foram de excepcional expansão económica para o capitalismo na Europa e na América em que as recessões económicas foram poucas, distantes entre si e relativamente moderadas.
A França transformou-se de uma economia agrícola atrasada numa economia industrial em crescimento rápido, graças a Luis Bonaparte que lançou uma série de obras públicas e projectos de infraestrutura destinados a modernizar cidades francesas e Paris emergiu como um centro financeiro internacional em meados do século XIX, pois possuia um banco nacional forte e vários bancos privados agressivos que financiavam projectos por toda a Europa e no Império Francês em expansão, em que o Banque de France , fundado em 1796, se tornou numa poderosa instituição bancária central..
Com a orientação de Bonaparte, o governo francês coordenou várias instituições financeiras para financiar grandes projectos, incluindo o Crédit Mobilier , que se tornou uma agência de financiamento poderosa e dinâmica para grandes projectos em França, nomeadamente uma linha transatlântica de navios a vapor, iluminação a gás das vias públicas, um jornal, o sistema de metro de Paris, o aumento das linhas ferroviárias em oito vezes e a duplicação da sua produção de minério de ferro.
A população cresceu 10% e muito mais nas cidades, que então se tornaram centros urbanos da nova classe trabalhadora industrial; em 1855 e 1867, foi inaugurada uma exposição mundial em Paris a fim de rivalizar com a anterior Grande Exposição Britânica de poder industrial em 1851 e a cereja neste bolo de crescimento aconteceu quando Ferdinand de Lesseps organizou a construção do Canal de Suez.
No entanto, a política de guerra de Bonaparte e o projecto de redesenhar Paris com a contribuição do arquitecto Haussmann foram demasiado caros, a dívida nacional da França aumentou consideravelmente e a indústria francesa viu-se sob crescente competição internacional, principalmente britânica.
Neste contexto, entre 1848 e 1870, o défice do sector público triplicou, situação a que David Harvey chamou de «keynesianismo primitivo», tendo começado a perder força e obrigando o governo a recorrer à monetarização da dívida, na esperança de que isso continuasse a estimular o investimento e o crescimento.
Karl Marx chamou a isto «o catolicismo da base monetária e o protestantismo da fé e do crédito» , transformando o sistema bancário no «papado da produção», ou seja, em termos actuais a financeirização da economia que levou à recessão económica de 1859 a 1868, antes da guerra franco-prussiana que se tornou o catalisador da ascenção da Comuna de Paris, acompanhado pela desigualdade de riqueza e de rendimento que disparou no momento em que a classe trabalhadora se expandiu e as tensões sociais começaram a intensificar-se.
Bonaparte, em sua arrogância, precisava de uma guerra para desviar a luta de classes em casa e restaurar a hegemonia económica da França na Europa continental e pensava que o exército francês era superior ao da Prússia de Bismarck, mas subestimou o poder económico e militar alemão liderado pela Prússia, o que levou os franceses à derrota e humilhação,à captura de Bonaparte que abdicou e fugiu.
O governo burguês republicano tentou lutar, mas acabou por negociar um desfavorável acordo de paz, enquanto o exército prussiano sitiava a população faminta em Paris, situação que levou a Comuna de Paris, um conselho de delegados operários dos distritos, a surgir para tomar o poder político em nome da população.
Este texto não pode cobrir todos os eventos e temas nos curtos 72 dias em que a classe trabalhadora de Paris governou por meio de suas próprias estruturas democráticas, enquanto o governo burguês fugiu para Versalhes e exortou os prussianos a esmagar a Comuna, que não sobreviveu por muito tempo completamente isolada no País, tendo sido eliminada de forma sangrenta pelas forças do governo de Versalhes.
No entanto, outro poderia ter sido o defecho se tivesse sido assumido o controlo das alavancas financeiras do capital, nomeadamente, o Banque de France, opinião que dez anos após o esmagamento da Comuna, Karl Marx apontou ao afirmar que a Comuna de Paris poderia muito bem ter sobrevivido se o Banque de France tivesse sido conquistado e acrescentou que «Além de ser simplesmente a insurreição de uma cidade em circunstâncias excepcionais, a maioria da Comuna não era de forma alguma socialista e não poderia ser, não estavam reunidas as condições para tal, mas com um pouco de bom senso, porém, ela poderia ter obtido de Versalhes um compromisso favorável a toda a massa do povo, o único objectivo alcançável na época».
Olivier Lissagaray, animador literário, jornalista republicano e conferencista francês que participou na Comuna de Paris, comentou que «Todas as insurreições sérias começaram capturando a coragem do inimigo, a sua caixa registadora. A Comuna foi a única que se recusou. Permaneceu em êxtase diante do dinheiro da alta burguesia que tinha nas mãos».

PCP Baião

 

 

 

JSD | A ESCOLHA CERTA PARA CONSTRUIR O PRESENTE E PREPARAR O FUTURO DE BAIÃO

JSD

Assistimos, no passado dia 12 de março, à apresentação por Rui Rio do empresário Paulo Portela como escolha do PSD Baião para lidar a equipa às próximas autárquicas de outubro de 2021. O Paulo Portela é reconhecidamente um social-democrata, um trabalhador nato, um aguerrido apaixonado pelo seu concelho de Baião e um lutador preparado para enfrentar as batalhas políticas. É, claramente, o líder certo capaz de chamar a si e reunir uma equipa vencedora, apto para inverter este ciclo de estagnação da governação socialista que em inúmeros pontos tem sido negativa para o desenvolvimento do nosso lindo concelho de Baião.
Atualmente, o interior do país atravessa grandes desafios, nomeadamente a desertificação que é um fenómeno que se faz sentir há décadas, à medida que a população se foi concentrando nos centros urbanos do litoral. A falta de oportunidades de emprego e de perspetivas de desenvolvimento leva os jovens, e não só, a abandonar os locais onde nasceram, acreditando que podem encontrar um futuro melhor fora de Baião.
Temos de aprender com o exemplo de alguns países da União Europeia (UE) no que à criação de apoios diz respeito e adaptar ao nosso território, quer a nível nacional quer a nível local. Longe vai o tempo em que as mulheres portuguesas tinham mais bebés que as francesas. Em 2017, segundo o Banco Mundial, a França era o país mais fértil da UE com uma média de fecundidade de 1,92% e Portugal com apenas 1,36%. Um outro bom exemplo é a Holanda, onde os cuidados de saúde são a chave principal. Neste país há médicos de família para todos e, por isso, a prevenção é constante. Se quisermos falar em novas oportunidades para a economia podemos falar no exemplo da Polónia. Nos anos da crise, entre 2008 a 2014, a Polónia registou uma evolução da produção industrial em cerca de 18% enquanto, que, Portugal registou uma evolução negativa de 13%. Hoje, a Polónia, é uma pequena potência industrial e a economia cresce todos os anos e muito se deve, é certo, ao custo de mão-de-obra mais barato, mas não só. Adotou uma estratégia de reforço da ligação entre a ciência e a tecnologia para criar novas oportunidades de produção.
Adotar e criar planos de apoio ao desenvolvimento à escala local é possível? Claro que é.
Recentemente no podcast da JSD de Baião, o Dr. Paulo Fernandes, presidente da autarquia do
Fundão, explicou a estratégia adotada pelo seu município para se afirmar como um exemplo no desenvolvimento económico e social nas regiões de baixa densidade. E o investimento passa pela Educação, Inovação, Empreendedorismo e Cultura.
No início de 2020, na região norte, eram 22 as autarquias que implementavam planos de apoio
para a fixação de famílias e jovens nos seus territórios. E à semelhança destes municípios,
também, Baião pode contribuir para ajudar Portugal a melhorar os vários índices de
desenvolvimento. Basta existir vontade política! Concluindo, o Paulo Portela, pela sua experiência pessoal e empresarial é a pessoa mais que indicada para liderar os destinos do nosso concelho e devolver a Baião o que tem vindo a perder ao longo destes largos últimos anos: o desenvolvimento. É, com toda a certeza, um líder que fará mais e melhor por Baião.
João Pedro Monteiro
Vogal na Assembleia de Freguesia de Campelo e Ovil
Secretário-geral da JSD de Baião

DGS Avisa, Crianças e idosos devem ficar em casa por causa das poeiras do Norte de África

poeira

 

A Direcção-Geral da Saúde aconselha crianças, idosos e doentes com problemas respiratórios e cardiovasculares a permanecerem em casa enquanto se mantiverem no ar as poeiras vindas no Norte de África, desaconselhando a prática de exercício ao ar livre.

Num comunicado disponibilizado no site, a DGS lembra que esta massa de ar do Norte de África que está a provocar uma “fraca qualidade do ar no continente” deve permanecer durante esta quarta-feira, mas o seu efeito pode ser enfraquecido com a ocorrência da chuva prevista para algumas zonas do país, reduzindo as concentrações de partículas no ar.

“Este poluente (partículas inaláveis -- PM10) tem efeitos na saúde humana, principalmente na população mais sensível, nomeadamente nas crianças e idosos, cujos cuidados de saúde devem ser redobrados durante a ocorrência destas situações”, lembra a DGS, aconselhando a população em geral a evitar esforços intensos e a prática de exercício do ar livre.

Deve ainda evitar-se “a exposição a factores de risco, tais como o fumo do tabaco, e o contacto com produtos irritantes”, sublinha a autoridade de saúde, que diz que, pela sua vulnerabilidade aos efeitos deste fenómeno, além de cumprirem as recomendações para a população geral, as crianças, os idosos e os doentes com problemas respiratórios crónicos, principalmente asma, ou problemas cardiovasculares devem permanecer no interior dos edifícios e, se viável, com as janelas fechadas.

“Em caso de agravamento de sintomas contactar a Linha Saúde 24 (808 24 24 24) ou recorrer a um serviço de saúde”, acrescenta a DGS.

No seu site, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) diz que, com a aproximação de uma nova depressão no final do dia de hoje, com previsão de chuva a partir do dia 1 de abril, a concentração de poeiras tenderá a diminuir.

“Ainda durante o dia 31 deverão verificar-se elevadas concentrações de poeiras, diminuindo gradualmente ao longo do dia”, acrescenta.

Fonte: Publico/Lusa

INFORMAÇÃO | Censos 2021: Processo arranca já no dia 5 de abril e as resposta devem ser submetidas entre o dia 19 de abril e 5 de maio

INE está a recrutar 11 mil recenseadores para fazer os "Censos 2021"Nunca abra a porta a desconhecidos!

Todas as pessoas envolvidas nos trabalhos de recolha junto da população são do conhecimento das respetivas Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais e estão munidas de um documento específico de identificação (indicando as funções que exercem nos CENSOS 2021).

Informamos que já estão em curso as ações de preparação para o XVI Recenseamento Geral da População e o VI Recenseamento Geral da Habitação, abreviadamente designados por CENSOS 2021 e cuja realização surge após uma rigorosa análise e avaliação da viabilidade por parte do Instituto Nacional de Estatística, I.P. (INE) que definiu um Plano de Contingência de modo a garantir a qualidade da execução dos CENSOS 2021 e acautelar os riscos para a população e estrutura de recolha que a operação comporta no atual contexto epidemiológico.

Este ano, o Plano de Contingência para os CENSOS 2021 inclui, entre outras medidas, uma estratégia que reforça a opção pela recolha de informação através da internet. O Processo de Recolha inicia-se com a distribuição pelos Recenseadores de uma carta, entre o dia 5 e 18 de abril, com um código e password únicos em todos os alojamentos habitacionais do território nacional, para resposta preferencial através da internet. Os Recenseadores para além da distribuição das cartas prestarão todas as informações e apoio necessário ao seu preenchimento.

Entre os dias 19 de abril e 5 de maio, é necessário responder às questões no portal através de um dispositivo com acesso à internet. No final, é só selecionar “Entregar”.

Este Plano de Contingência assenta nas seguintes linhas gerais:

  • Uma estratégia que reforça a opção pela resposta aos Censos através da Internet, com apoio à população através de uma linha telefónica, permitindo uma abordagem de resposta fácil, segura e rápida para os cidadãos. No atual contexto epidemiológico este modo de resposta reveste-se ainda de maior relevância, tendo também em conta que anula ou reduz ao indispensável os contactos, em número e duração, entre recenseadores e a população.
  • possibilidade da resposta telefónica, dirigida essencialmente a grupos da população com maior dificuldade na resposta pela Internet ou impedidos de contacto presencial, nomeadamente por razões de saúde pública;
  • O reforço dos mecanismos de controlo do trabalho de campo e de validação da informação recolhida num contexto de crise pandémica, nomeadamente através da integração de informação administrativa;
  • O cumprimento de um Protocolo de Saúde Pública para a preparação e execução dos Censos 2021 no âmbito da pandemia COVID-19 (versão de 12/03/2021) que permite assegurar a aplicação das normas sanitárias estabelecidas pelas autoridades de saúde. Este protocolo segue as orientações técnicas da Direção-Geral da Saúde (DGS) e integra recomendações específicas para a preparação e realização da operação censitária, estando sujeito a atualização em função das orientações tutelares e das autoridades de saúde, tendo em conta a evolução da situação epidemiológica.

A participação da população nestes recenseamentos, para além de obrigatória nos termos da legislação, é, sobretudo, um direito de cidadania e um ato cívico fundamental para o conhecimento do País e para a implementação de políticas publicas e privadas adequadas aos seus interesses e necessidades.

Todas as informações sobre os CENSOS 2021 estão disponíveis em www.censos.ine.pt
Qualquer informação adicional poderá ser solicitada desde já através do endereço eletrónico censos2021@ine.pt 

Conheça o Programa de Ação para os Censos 2021 onde apresentamos a visão integrada das principais atividades a desenvolver no âmbito da operação censitária, as linhas de orientação em matéria de variáveis a observar, os programas de comunicação e difusão e os principais vetores do Plano de Contingência para a realização dos Censos 2021 no âmbito da COVID-19.

Censos 2021: Programa de Ação dos Censos 2021 (pdf)

Censos 2021: Kit de materiais de comunicação (zip)

Censos 2021: Os Censos vão às escolas  (zip)

Legislação

Os Censos são enquadrados por legislação nacional e internacional.

Consulte aqui toda a informação: