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Faleceu Padre Mário de Oliveira | 8 de março de 1937 | 24 de fevereiro 2022

padre mário

É de coração partido que noticiamos o falecimento do nosso amigo Padre Mário de Oliveira. Como costumavas dizer " Abraços "

Deixamos um vídeo da série "A nossa Atualidade à Luz da Fé e da Teologia de Jesus" com que honraste o Baião canal. 

 

Nacional | José Afonso 23 de fevereiro de 1987

Zeca Afonso 2022

A 23 de fevereiro de 1987, morre, em Setúbal, o cantor e compositor português José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, mais conhecido pelo seu diminutivo familiar: Zeca Afonso.

Breve resumo sobre a sua vida e obra

José Manuel havia nascido em Aveiro, a 2 de agosto de 1929. Oriundo de uma família burguesa, vive nesta cidade os seus três primeiros anos de vida, altura em que o seu pai o leva para Angola por ali ter sido colocado como delegado do República, o que lhe permite adquirir uma profunda ligação ao continente africano.

Aqui permanece até 1937, altura em que vai viver para a então Lourenço Marques, após uma curta passagem por Aveiro.

Em 1938, volta a Portugal, ficando a viver em Belmonte, na casa do seu tio Filomeno que desempenhava o cargo de Presidente da Câmara. É nesta localidade que termina a instrução primária e se vê obrigado, segundo as suas próprias palavras, a vestir o traje da Mocidade Portuguesa.

No ano seguinte, os seus pais vão viver para Timor, tendo Zeca Afonso sofrido, durante três anos, com a falta de notícias dos seus progenitores, cativos pelo exército Japonês que havia ocupado aquela ilha.

Frequenta o Liceu Nacional D. João III e, de seguida, a Faculdade de Letras de Coimbra, onde integra o Orfeão Académico e a Tuna Académica, começando a revelar ter boas qualidades no campo da música e ser um dotado intérprete da canção de Coimbra.

O ambiente universitário desta cidade académica, com inúmeros opositores ao Estado Novo de Salazar, haveria de condicionar a sua vida futura, transformando-o num cantor de intervenção.

Pautado por grande simplicidade, casa-se, com a oposição dos pais, com Maria Amália, uma humilde costureira, continuando a sua vida académica que o leva novamente a Angola e a Moçambique, integrando o Orfeão e a Tuna Académica da Universidade de Coimbra.

Cumpre, entre 1953 3 1955, o serviço militar obrigatório em Mafra e em Coimbra, altura em que grava o seu primeiro disco, Fados de Coimbra.

Inicia, pouco depois, uma carreira como professor de Francês e História em diversas escolas portuguesas.

Em 1956, divorcia-se de Maria Amália. Haveria de casar-se, em segundas núpcias, nos anos sessenta, com Zélia, natural da Fuzeta.

Em 1963, termina a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, com uma tese intitulada Implicações substancialistas na filosofia sartriana.

Nesse mesmo ano, são editados os primeiros temas de carácter vincadamente político, Os Vampiros e Menino do Bairro Negro. Integrando o disco Baladas de Coimbra, estas canções viriam a tornar-se símbolos de resistência anti-Salazarista.

De 1962 a 1968, grava 49 temas com o seu amigo guitarrista Rui Pato, iniciando uma extensa série de espetáculos por todo o País, utilizando sempre as suas canções como uma arma contra a ditadura de Salazar.

A sua canção Grândola, Vila Morena, viria a ser escolhida para senha do Movimento das Forças Armadas de 25 de Abril de 1974.

Fonte: O LEME

NOTA DE IMPRENSA | Caminhada Maskarilha em Ancede – 27 de fevereiro

Programa Municipal de Caminhadas inicia com a Cami

“Programa Municipal de Caminhadas” dá

primeiro passo com iniciativa solidária

A promoção de um estilo de vida saudável, através da prática de atividade física é uma das prioridades do Pelouro do Associativismo e Desporto, com o intuito de melhorar a condição física da população, independentemente da faixa etária.

Assim sendo, o Município de Baião lança uma nova iniciativa, o “Programa Municipal de Caminhadas” que, para além de estimular hábitos saudáveis, possibilitará aos participantes conhecer os encantos e recantos de todas as freguesias.

A primeira etapa do “Programa Municipal de Caminhadas” realiza-se no próximo dia 27 de fevereiro, a partir das 9h00, em Ancede e vai designar-se Caminhada “Maskarilha”.

Trata-se de uma iniciativa solidária, cuja organização é da responsabilidade da Associação de Desenvolvimento Local e Rural de Ancede e da União de Freguesias de Ancede e Ribadouro, que conta com o apoio da Câmara Municipal.

A iniciativa é alusiva ao Carnaval, sendo convidados os participantes a trazerem uma máscara alusiva a este período festivo.

Os donativos angariados terão como finalidade a compra de uma cama articulada para a população de Ancede e Ribadouro.

O percurso tem início e chegada na Área de Lazer de Ancede e Ribadouro, e cada participante pode caminhar ao seu ritmo durante uma extensão aproximada de 10km.

Será uma manhã passada nos belíssimos trilhos romanos, com vista para o rio Douro.

A inscrição é gratuita, mas obrigatória, para efeitos de seguro e pode ser efetuada até às 12h00 do dia 26 de fevereiro, na seguinte ligação:

https://forms.gle/mkVEmPyGKJAaKo587

COMO FUNCIONA O PROGRAMA MUNICIPAL DE CAMINHADAS

Cada participante irá receber um “Passaporte”, onde serão registadas as caminhadas efetuadas. Quem efetuar 90% das caminhadas propostas no plano, será contemplado com um cartão com 10 entradas grátis nas valências desportivas do Município (Hidroginástica, Banhos Livres ou Fitness).

Os caminhantes serão ainda convidados a fotografar pontos de interesse dos percursos que, posteriormente, serão divulgados nas plataformas digitais do Município.

A perspetiva é que estas iniciativas possam decorrer em todo o território, contando para isso com a colaboração de quem melhor conhece estes locais - os representantes das associações e das juntas de freguesia.

Para informações adicionais enviar email para pm.caminhadas@cm-baiao.pt

 

 

 

 

Nacional | António Aleixo no dia de aniversário (18 de fevereiro de 1899 – Loulé, 16 de novembro de 1949) aqui o recordamos

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Acho uma moral ruim
trazer o vulgo enganado:
mandarem fazer assim
e eles fazerem assado.

Sou um dos membros malditos
dessa falsa sociedade
que, baseada nos mitos,
pode roubar à vontade.

Esses por quem não te interessas
produzem quanto consomes:
vivem das tuas promessas
ganhando o pão que tu comes.

Não me deem mais desgostos
porque sei raciocinar...
Só os burros estão dispostos
a sofrer sem protestar!

Esta mascarada enorme
com que o mundo nos aldraba,
dura enquanto o povo dorme,
quando ele acordar, acaba.

António Aleixo

Nacional | Mais de 25% das mulheres já foi vítima de violência por parte do companheiro

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Redação, 17 fev 2022 (Lusa) – Mais de 25% das mulheres entre os 15 e os 49 anos já sofreu violência por parte do seu parceiro ao longo da vida, segundo um estudo publicado na quarta-feira pela revista Lancet com dados entre 2000 e 2018.

Este tipo de violência sexual e/ou física começa cedo e já é frequente em faixas etárias mais jovens, uma vez que os dados revelam que 24% das mulheres entre 15 e 19 anos já sofreram violência pelo menos uma vez.

O estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) inclui dados até 2018, pelo que não há números sobre a incidência no período da pandemia de covid-19.

Ainda assim, “as investigações demonstraram que a pandemia exacerbou os problemas que conduzem à violência pelo parceiro, como o isolamento, a depressão e a ansiedade e o consumo de álcool, para além de reduzir o acesso aos serviços de apoio”, disse Claudia Garcia, da OMS, autora principal do relatório.

O estudo aponta que 27% das mulheres entre os 15 e os 49 anos sofreram violência física e/ou sexual por parte do seu parceiro masculino ao longo da sua vida, de acordo com estimativas da OMS baseadas nas respostas de dois milhões de mulheres de 161 países.

No último ano em que decorreu o estudo (2018) uma em cada sete mulheres (13%) sofreu violência por parte dos seus parceiros.

O documento chama a atenção sobre os elevados níveis de violência contra as mulheres mais jovens, que Lymarie Sardinha, outra das autoras, classifica de “alarmante”, já que a adolescência e o início da idade adulta “são etapas importantes da vida nas quais se constroem as fundações para relações saudáveis”.

Por regiões, as estimativas indicam que África contava com a maior quantidade de mulheres vítimas de violência ao longo da sua vida (33%), seguindo-se a Oceânia (30%), Ásia (27%), América (25%) e Europa (20%).

“Estes resultados confirmam que a violência contra as mulheres por parte dos parceiros masculinos continua a ser uma questão de saúde pública mundial”, destacou Claudia Garcia, que alertou que os Governos não estão em condições de erradicá-la até 2030, como definido nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

As autoras pedem, também, que “se invista urgentemente em intervenções multissetoriais eficazes e que se reforce a resposta de saúde pública” para fazer frente ao problema após a pandemia.

Em Portugal, morreram 23 pessoas por violência doméstica em 2021, 16 mulheres, duas crianças e cinco homens.

Os números representam uma quebra face a 2020, com menos nove vítimas mortais registadas devido a este crime.

Em 2021, as forças policiais receberam 26.511 ocorrências, menos 1.108 do que no ano de 2020, o que representa uma quebra de 4%.

No final do ano passado a Polícia de Segurança Pública (PSP) revelou que reportou mais de 215 mil casos de violência doméstica desde que este crime passou a ser público, há 20 anos.

IMA //RBF

Lusa/fim

Rita Diogo | A importância de manter as memórias coletivas

Rita Diogo

A 27 de janeiro assinala-se o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, passaram 77 anos da libertação do campo de concentração e de extermínio de Ausschwitz – Birkenau, na Polónia.

 

"Arbeit macht frei"  é a frase em alemão que significa "o trabalho liberta". A expressão é conhecida por ter sido colocada nas entradas de vários campos de extermínio do regime nazi durante a Segunda Guerra Mundial, como em Auschwitz , onde a inscrição foi feita por prisioneiros com habilidades em metalurgia e foi ali erigida em junho de 1940.

 

Os relatos sobre o que aconteceu em Auschwitz são imensos, vários e sobejamente conhecidos: os prisioneiros chegavam, eram escolhidos para trabalhar no campo ou eram enviados diretamente para a morte (destino mais provável de idosos, crianças, grávidas e doentes); os que se queriam a trabalhar eram despidos, os cabelos rapados, e todos foram despojados dos seus bens e da sua intimidade. Era-lhes entregue uma farda (quem não recorda o livro e o filme “O rapaz do pijama às riscas”), que tinham que vestir durante inverno e verão, dormiam em camaratas sobrelotadas, comiam apenas uma refeição por dia, composta por um litro de água e um pedaço de pão.

Hoje, o campo de concentração é um museu e um memorial que honra as memórias das cerca de um milhão de pessoas que ali morreram à mão das forças nazis, e que recebe cerca de dois milhões de visitas anualmente.Manter viva a memória do que se passou no maior campo de extermínio construído pelas forças alemãs é o objetivo. Fazem-se exposições temporárias, garante-se que tudo o que foi encontrado então está em perfeitas condições de conservação, e é mostrado a todos os visitantes, exige-se silêncio e que se pense sobre o que ali aconteceu. “Para que a tragédia não se repita”, repetem os guias.

Mashoje ainda há quem duvide do dizimar de seres humanos durante aqueles anos, dentro daqueles campos de concentração. É imperioso construir memória coletiva. Passaram 77anos e quando passarem outros 77 anos?

Com o número de sobreviventes do Holocausto a reduzir-se drasticamente, restam agora os seus relatos escritos, as imagens que perduram na memória e as visitas guiadas por pessoas que fazem questão de lembrar todos os que ali passam que a liberdade é um bem muito efémero. Não deixou de haver genocídios porque houve o Holocausto. Continuam a matar-se pessoas porque são diferentes, porque são minorias, porque são ciganos, porque são homossexuais, porque são mulheres, porque são de cor diferente. Os genocídios acontecem contra pessoas cuja condição não é uma escolha e são perpetrados por pessoas comuns (os traços de psicopatia não são avaliados a atalho de foice, a influência cega de grandes manipuladores sobre gente simples é tão conhecida, ou não…). O termo genocídio não existia antes de 1944, ele foi criado como um conceito específico para designar crimes que têm como objetivo a eliminação da existência física de grupos nacionais, étnicos, raciais e/ou religiosos. Visto assim friamente, escrito desta forma crua, é incrivelmente assustador e repudiante para a maioria de nós.

O instrumento decisivamente socializador da memória é a linguagem. Ela reduz, unifica e aproxima no mesmo espaço histórico e cultural várias imagens que guardamos e que ouvimos. De resto, as imagens que guardamos não são, embora pareçam, criações puramente individuais. São representações, ou símbolos, sugeridos pelas situações vividas em grupo pelo indivíduo. A linguagem é elemento fundamental na socialização da memória. A memória é a capacidade de recordar dados e acontecimentos. O conceito de memória coletiva refere-se a todos os aspetos que fazem parte do legado de uma comunidade. Este termo está relacionado com os fenómenos associados à opinião pública e expressa o quadro social da memória compartilhada.A literatura, o cinema, a música, a arte e a formação escolar deverá permitir ter uma ideia aproximada do que ocorreu em outras épocas da humanidade.

É fundamental guardar, passar para as gerações vindouras, todos os eventos que aconteceram e que marcaram para sempre a existência da humanidade. Falar sobre eles, escrever sobre eles, formar conteúdo fiel aos factos, usando a linguagem como elemento socializador da memória. A libertação em Auschwitz aconteceu há 77 anos, não podemos negar, não podemos ignorar, não podemos não acreditar, não podemos ser indiferentes, não podemos repetir em menor ou em diferente escala. PARA QUE NUNCA SE REPITA!!!!

Ato de crueldade e crime hediondo ocorrido em Baião

Como é possível o ser humano cometer estes atos de crueldade contra um ser indefeso que não faz mal a ninguém?

ATENÇÃO: Informamos que esta notícia contém imagens que podem ferir a susceptibilidade dos leitores mais sensíveis, em particular os amigos dos animais.Baiao Gato enforcado em Ervins_3_2022.jpg

É horrível!

Foi encontrado um gato enforcado no lugar de Ervins, União de Freguesias de Campêlo e Ovil  

Desde 2014 que os maus-tratos a animais de companhia são considerados crime, podendo incorrer em pena de até dois anos de prisão.

ATENÇÃO: Informamos que esta notícia contém em baixo imagens que podem ferir a susceptibilidade dos leitores mais sensíveis, em particular os amigos dos animais.

 

A Lei n.º69/2014, de 29 de Agosto, com entrada em vigor a partir de 01 de Outubro de 2014, criminaliza os maus tratos a animais de companhia, punindo com pena de prisão até um ano ou com pena de multa até 120 dias quem, sem motivo legítimo, infligir dor, sofrimento ou quaisquer outros maus-tratos físicos a um animal de companhia. Se porventura destes maus tratos resultar a morte do animal, a privação de importante órgão ou membro ou a afectação grave e permanente da sua capacidade de locomoção, o autor pode ser punido com pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias. O abandono, colocando desta forma em perigo a alimentação e a prestação de cuidados ao animal, é igualmente punido com pena de prisão até seis meses ou com pena de multa até 60 dias. 

 

ATENÇÃO: Informamos que esta notícia contém em baixo imagens que podem ferir a susceptibilidade dos leitores mais sensíveis, em particular os amigos dos animais.

 

Baiao Gato enforcado em Ervins_2_2022.jpg

Procedimento mais adequado para denúncia de maus tratos a animais: 

Qualquer cidadão que testemunhe maus tratos a animais, tem o dever de denunciar a situação à Autoridade policial da área, a qual toma conta da participação/ocorrência, desloca-se ao local, avalia os indícios, identifica os infratores e impede se for o caso qualquer ato de violência , abuso ou negligência.

Mediante a situação, a Autoridade policial elabora o respetivo Auto de Notícia, remetendo o documento aos Serviços do Ministério Público, o qual agirá em conformidade com o determinado na Lei.


Contactos:

A PSP recebe denúncias e ajuda a esclarecer questões através do telefone 21 765 4242 e do email defesanimal@psp.pt

A GNR tem disponível a linha SOS Ambiente e Território através do número azul 808 200 520 e da página disponível aqui

Baiao Gato enforcado em Ervins_1_2022.jpg

A criminalização da violência contra animais de companhia, bem como do abandono, não tem sido propriamente dissuasora: nos últimos anos têm vindo a ser abertos cerca de 2000 inquéritos por crimes contra animais de companhia, à média de mais de cinco por dia. Destes, nais de 1200 foram relativos a crimes de maus-tratos e  cerca de 800 foram de abandono de animais (2020). 

 

Declaração Universal dos Direitos do Animal

Preâmbulo

Considerando que todo o Animal tem direitos. Considerando que o desconhecimento e desrespeito desses direitos conduziram e continuam a conduzir o homem a cometer crimes contra a natureza e contra os animais. Considerando que o reconhecimento por parte da espécie humana do direito à existência das outras espécies de animais constitui o fundamento da coexistência das espécies no mundo. Considerando que o homem comete genocídios e que existe a ameaça de os continuar a cometer. Considerando que o respeito pelos animais, por parte do homem, está relacionado com o respeito dos homens entre eles próprios. Considerando que faz parte da educação, ensinar, desde a infância, a observar, compreender, respeitar e amar os animais.

PROCLAMA-SE O SEGUINTE:

Princípios gerais

Artigo 1º

Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.

Artigo 2.º

a) Todo o animal tem o direito a ser respeitado.
b) O homem, enquanto espécie animal, não pode atribuir-se o direito de exterminar os outros animais ou de os explorar, violando esse direito;
tem a obrigação de empregar os seus conhecimentos ao serviço dos animais.
c) Todos os animais têm direito à atenção, aos cuidados e à protecção do homem.

Artigo 3.º

a) Nenhum animal será submetido a maus tratos nem a actos cruéis.
b) Se a morte de um animal é necessária, esta deve ser instantânea, indolor e não geradora de angústia.

Artigo 4.º

a) Todo o animal pertencente a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático, e a reproduzir-se.
b) Toda a privação de liberdade, incluindo aquela que tenha fins educativos, é contrária a este direito.

Artigo 5.º

a) Todo o animal pertencente a uma espécie que viva tradicionalmente em contacto com o homem, tem o direito a viver e a crescer ao ritmo das condições de vida e liberdade que sejam próprias da sua espécie.
b) Toda a modificação desse ritmo ou dessas condições, que seja imposta pelo homem com fins comerciais, é contrária ao referido direito.

Artigo 6.º

a) Todo o animal que o homem tenha escolhido por companheiro, tem direito a que a duração da sua vida seja conforme à sua longevidade natural.
b) O abandono de um animal é um acto cruel e degradante.

Artigo 7.º

Todo o animal de trabalho tem direito a um limite razoável de tempo e intensidade de trabalho, a uma alimentação reparadora e ao repouso.

Artigo 8.º

a) A experimentação animal que implique um sofrimento físico e psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de experimentações médicas, científicas, comerciais ou qualquer outra forma de experimentação.
b) As técnicas experimentais alternativas devem ser utilizadas e desenvolvidas.

Artigo 9.º

Quando um animal é criado para a alimentação humana, deve ser nutrido, instalado e transportado, assim como sacrificado, sem que desses actos resulte para ele motivo de ansiedade ou de dor.

Artigo 10.º

a) Nenhum animal deve ser explorado para entretenimento do homem.
b) As exibições de animais e os espectáculos que se sirvam de animais, são incompatíveis com a dignidade do animal.

Artigo 11.º

Todo o acto que implique a morte de um animal, sem necessidade, é um biocí­dio, ou seja, um crime contra a vida.

Artigo 12.º

a) Todo o acto que implique a morte de um grande número de animais selvagens é um genocídio, ou seja, um crime contra a espécie.
b) A contaminação e destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio.

Artigo 13.º

a) Um animal morto deve ser tratado com respeito.
b) As cenas de violência nas quais os animais são vítimas, devem ser proibidas no cinema e na televisão, salvo se essas cenas têm como fim mostrar os atentados contra os direitos do animal.

Artigo 14.º

a) Os organismos de protecção e salvaguarda dos animais devem ser representados a nível governamental.
b) Os direitos dos animais devem ser defendidos pela Lei, assim como o são os direitos do homem.



Este texto definitivo da declaração Universal dos Direitos do Animal foi adoptado pela Liga Internacional dos Direitos do Animal e das Ligas Nacionais filiadas após a 3ª reunião sobre os direitos do animal, celebrados em Londres nos dias 21 a 23 de Setembro de 1977.
A declaração proclamada em 15 de Outubro de 1978 pela Liga Internacional, Ligas Nacionais e pelas pessoas físicas que se associam a elas, foi aprovada pela organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) e posteriormente, pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O texto da declaração e o seu emblema são publicados com autorização da Liga Portuguesa dos Direitos do Animal.

Nacional | Custos de construção de casas novas disparam 8,5% – é a maior subida desde 2008

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Os custos de construção de habitação nova terão subido 8,5% em novembro de 2021 face ao mesmo mês do ano anterior, sendo este o maior aumento homólogo desde agosto de 2008 – foi, nesse mês, também de 8,5%. Em causa estão dados relativos ao Índice de Custos de Construção de Habitação Nova (ICCHN), divulgados esta quinta-feira (6 de janeiro de 2021) pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
 
“Em novembro, estima-se que os custos de construção de habitação nova tenham aumentado 8,5% em termos homólogos, mais 1,2 pontos percentuais (p.p.) que o observado no mês anterior. O preço dos materiais e o custo da mão de obra apresentaram, respetivamente, variações homólogas de 9,4% e de 7,3%”, lê-se no boletim do INE.


Segundo o instituto, “o custo dos materiais contribuiu com 5,4 p.p. para a formação da taxa de variação homóloga do ICCHN (5,1 p.p. em outubro) e a componente mão de obra contribuiu com 3,1 p.p. (2,2 p.p. no mês anterior)”. 

No que diz respeito à variação em cadeia, os custos de construção de habitação nova aumentaram 1,6% num mês, ou seja, em novembro face a outubro, tendo os custos dos materiais e o custo da mão de obra aumentado 0,8% e 2,8%, respetivamente.

“As componentes materiais e mão de obra contribuíram com 0,5 p.p. e 1,1 p.p., respetivamente, para a formação da taxa de variação mensal do ICCHN (0,5 p.p. e 0,2 p.p. em outubro, pela mesma ordem)”, conclui o INE.

Fonte: Idealista

BAIÃO | Ancede | Acidente doméstico provoca vitima mortal

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D. Maria José, como era conhecida, proprietária do café O Jardim, em Ancede, faleceu hoje após queda nas escadas em sua casa, tendo sofrido graves ferimentos na zona da garganta.

A vitima foi assistida no local pela viatura de suporte imediato de vida (de cinfães) e pelos Bombeiros de Baião que a transportaram   para o hospital de Cinfães, onde viria a falecer.

A equipa de Baião canal apresenta condolências à familia e amigos

REGIÃO |Paredes, homem detido por tentar matar cunhado

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Um homem foi detido esta sexta-feira em Paredes, distrito do Porto, por homicídio na forma tentada e de dano contra o seu cunhado. O detido, de 69 anos, abalroou na tarde de quinta-feira o cunhado, que seguia de mota, com o seu carro.

A vítima foi arrastada "dezenas de metros" e acabou por escapar com vida, depois do carro em que seguia o suspeito ter parado devido aos danos provocados.

Segundo o comunicado da PJ, o motivo terá sido  uma "retaliação por a vítima, seu cunhado, ter apresentado queixa contra si nas autoridades municipais".

O homem é reformado e não tem antecedentes criminais.

Fonte: Noticias ao minuto

 

NACIONAL |Homem constituído arguido por comércio de espécies protegidas

 

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Comando Territorial de Lisboa da GNR constituiu arguido, esta quarta-feira, um homem de 46 anos por crime de danos contra a natureza. As diligências decorreram em Loures, informa um comunicado a que o Notícias ao Minuto teve acesso.

De acordo com a GNR, tal ação surgiu no decorrer de uma investigação que teve início em agosto de 2021 e através da qual foi possível apurar que o indivíduo comercializava, através de plataformas online, espécies protegidas selvagens da fauna ou da flora.

No decorrer das diligências, a GNR acabaria por dar cumprimento a um mandado de busca em armazém. E, no âmbito da mesma, foram apreendidas diversas aves, nomeadamente 27 lugres (Spinus spinus), 30 tentilhões-comum (Fringilla coelebs), 11 pintassilgos (Carduelis carduelis), sete cardeais-tecelão-amarelo (Euplectes afer), três bicos-de-lacre-comum (Estrilda astrild), um verdelhão (Chloris chloris), um tentilhão-montês (Fringilla montifringilla) e um pintarroxo (Carduelis canabina).

Após a apreensão, as aves foram entregues ao Centro de Recuperação de Aves Silvestres da Câmara Municipal de Lisboa "para observação, recuperação e posterior libertação no seu habitat natural", lê-se no mesmo comunicado. Já o suspeito foi constituído arguido, após os factos terem sido comunicados ao Tribunal Judicial de Loures.

Na mesma nota, a GNR deixa um alerta: "quem capturar, destruir ou eliminar exemplares de espécies protegidas da fauna ou da flora selvagens, com recurso à utilização de meios e processos não autorizados, incorre num crime de danos contra a natureza e é punido com pena de prisão até cinco anos".

Fonte: Noticias ao minuto

NACIONAL | Há 5 milhões de créditos sem beneficiar do fim de comissões bancárias

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Em janeiro de 2021, os contratos de crédito deixaram de estar sujeitos ao pagamento de comissões bancárias pelo processamento das prestações. Esta medida permitiu aos consumidores pouparem um total de 15,6 milhões de euros em comissões que seriam pagas aos bancos se a lei não mudasse, considerando que foram celebrados cerca de 705 mil novos contratos de crédito ao consumo ou à habitação em 2021.

Mas a alteração à lei que conseguimos após pressionarmos o Parlamento excluiu 13 milhões de contratos de crédito que já existiam na altura. Segundo as nossas estimativas, 5,1 milhões de contratos ainda estavam a suportar este custo no final de 2021, representando um encaixe total de 119,3 milhões euros em comissões por parte dos bancos. No caso do crédito à habitação, por exemplo, serão quase 2 milhões os contratos cujos titulares continuarão a ser sacrificados, por dezenas de anos, com um encargo, entretanto, proibido por lei.

Depois de exigirmos o fim comissões bancárias abusivas para todos os créditos, numa carta aberta enviada ao Parlamento, este remeteu-se ao silêncio.

Perante a insensibilidade dos deputados, pedimos a intervenção da Provedoria de Justiça. Mas esta entidade defendeu que a banca pode “cobrar as comissões que entenda”, criticou a “intenção do legislador” de limitar o valor das comissões bancárias, e acusou-o de se “intrometer” na “liberdade contratual” e na “autonomia privada”.

Num futuro que se adivinha difícil para muitas famílias, defender o equilíbrio e a igualdade para suportar o lado mais forte da equação é incompreensível.

Não abandonaremos os milhões de consumidores excluídos e injustiçados, nem baixaremos os braços até que todos os titulares de créditos tenham o mesmo tratamento à luz da lei.

 

 

Consumidores excluídos pagam quase 3 mil euros em comissões

Consideramos uma enorme injustiça que quem já tenha um crédito em vigor fique refém de uma comissão bancária que o próprio Parlamento considerou ilegal. 

Estes consumidores terão de continuar a pagar às respetivas instituições de crédito uma comissão que não corresponde a nenhum serviço, ou seja, uma comissão abusiva. 

Num crédito à habitação, por exemplo, os titulares pagam, em média, 2,65 euros mensais, um montante que aumentou 55% nos últimos oito anos. Caso esta tendência se mantenha, ao fim de 30 anos, os consumidores terão pago quase mais 3000 euros do que quem contrate créditos a partir de agora, nas mesmas condições e com os mesmos prazos.

https://www.deco.proteste.pt/acoes-coletivas/comissoes-abusivas

 

 

NOTA DE IMPRENSA | BAIÃO É O PRIMEIRO MUNICÍPIO PORTUGUÊS CERTIFICADO COMO DESTINO TURÍSTICO SUSTENTÁVEL

Baião é o primeiro concelho português certifica

O Município de Baião foi certificado com o “Galardão Prata” EarthCheck como destino turístico sustentável, uma certificação internacionalmente reconhecida e validada pela organização internacional Global Sustainable Tourism Council(GSTC).

Baião é o concelho “mais verde” do distrito do Portocom 68 por cento do seu território coberto por áreas verdes e floresta e torna-se assim o primeiro município português a obter esta distinção como “Destino Turístico Sustentável”.

 

ANÁLISE E MELHORIA DE INDICADORES

O processo relativo a Baião foi iniciado em 2018 e resulta de um extensotrabalho de recolha e análise de informação referente a três anos, tendo culminado com uma auditoria feita pela entidade internacional “EarthCheck”, uma Organização Não Governamental de referência na área.

Pelo meio, em dezembro de 2019, o município recebeu a medalha de bronze pelo seu processo de benchmarking, num evento que decorreu nos Açores por altura da certificação daquele arquipélago, que se tornou o primeiro arquipélago mundial certificado como Destino Turístico Sustentável.

Esta auditoria mostra a evolução do concelho em vários indicadores ambientais, económicos, culturais e sociais e faz a comparação com outros territórios igualmente certificados. A metodologia detrabalho, permite o alinhamento com aquilo que de melhor se faz a nível mundial, assim como a identificação de boaspráticas ao nível do desenvolvimento sustentável em territórios que desejam desenvolver o seu potencial turístico de forma integrada e equilibrada.

Foram analisados diversosindicadores como os consumos energéticos, incluindo a utilização de energias limpas, os processos de tratamento de resíduos (quantidade de resíduos enviada para aterro e resíduos enviados para reciclagem), o tratamento das águas, as áreas verdes, mas também indicadores associados àsegurança, à economia e à cultura.

 

UM PROCESSO CONTÍNUO

Esta certificação é um processo contínuo, que implica objetivos concretos de melhoria assentes num Plano de Ação a cinco anos que integra um conjunto de obras, ações e projetos transversais e complementares que visam a valorização sustentável de ativos turísticos. O foco da implementação desta certificação centra-se num equilíbrio entre 4 pilares: ambiental, social, cultural e económico, numa abordagem de desenvolvimento integrado no qual todos os ativos e atores do território devem ser mobilizados para um desenvolvimento sustentável.

Todos os anos serão realizadas auditorias que permitirão alcançar patamares de certificação cada vez mais elevados. Pretende-se contribuir para um concelho amigo do ambiente numa filosofia na qual os ativos culturais, ambientais e paisagísticos sejam dinamizadores do tecido económico e social beneficiando toda a comunidade.

 

COMPROMISSO COM A SUSTENTABILIDADE

“Estamos empenhados em fazer de Baião um território de referência como destino turístico sustentável. Queremos ser reconhecidos como uma terra de boas práticas ambientais onde a atividade económica do turismo é encarada como um recurso para o bem-estar das pessoas, em respeito e equilíbrio com as nossas tradições e a natureza.

Não queremos ser certificados apenas por ser, mas sim pela importância deste processo. Sabemos do potencial turístico do concelho. É vital sermos um concelho amigo do ambiente, porque isso significa um maior bem-estar para os baionenses e contribui para posicionar Baião como um destino atrativo para turistas que procuram locais acolhedores, seguros e ambientalmente sustentáveis”, refere o presidente da Câmara Municipal, Paulo Pereira.

“O perfil do turista tem vindo a mudar. Hoje estão mais conscientes das problemáticas ambientais e sensibilizados para a mudança. No futuro, ou o turismo é sustentável ou deixará de existir. É isto que defendemos para Baião: um projeto de desenvolvimento turístico, gerador de riqueza para todos, mas no qual exista uma pegada ecológica responsável e responsabilizadora de todos”, acrescenta Paulo Pereira.

 

O Diretor Executivo (CEO) e fundador da organização EarthCheck Stewart Moore nota que Baião passa a integrar um movimento global de destinos sustentáveis que querem fazer a diferença.

“A EarthCheck pode ajudar a construir a reputação de Baião como um território na linha da frente em termos de sustentabilidade, tanto para os visitantes como para a comunidade local. Gostaria de dar os parabéns à equipa do Município de Baião pelo esforço e dedicação que colocaram em medir indicadores e avaliar a sua prestação e compará-las com as melhores práticas neste domínio.

Vários destinos em todo o Mundo estão a reconhecer a necessidade de abraçar a causa da sustentabilidade. Apenas quando um território compreende totalmente a sua pegada ambiental e social e consegue o envolvimento da sua comunidade local pode tomar decisões informadas sobre como planear e gerir o seu futuro. É importante compreender que não podemos gerir algo que não conseguimos medir”, conclui Stewart Moore.

 

TERRITÓRIOS SUSTENTÁVEIS SÃO CADA VEZ MAIS PROCURADOS

Num contexto internacional em que as alterações climáticas provocadas pela atividade humana irão condicionar exponencialmente a atividade humana e em que o turismo é encarado como uma importante ferramenta de desenvolvimento para as comunidades, importa que territórios com elevado potencial turístico,como o de Baião, adotem medidas e ações concretas e responsabilizadoras que permitam um equilíbrio entre o turismo como fator gerador de receitas, o ambiente e as comunidades.

São cada vez mais os territórios que têm avançado neste processo de certificação um pouco por todo o mundo, apostando num turismo de qualidade capaz de atrair turistas e visitantes exigentes,que buscam experiências autênticas em locais que evidenciem práticas sustentáveis entre o ambiente e as comunidades.

 

ENVOLVIMENTO DA COMUNIDADE     

O contexto pandémico que atravessamos tem dificultado este processo, mas nos próximos anos, deverá registar um novo impulso, de acordo comoplano de ação já existente.

Um dos objetivos do Município de Baião é promover um maior envolvimento de escolas, associações, empresas e da população do concelhonesta causa, e fazer evoluir os seus eventos mais emblemáticos para “eventos verdes” ou “eventos ambientalmente responsáveis” abraçando o lema “Verde é o novo Destino/Green is the new Destination”.

 

Conheça aqui o processo de certificação de Baião como Destino Turístico Sustentável - https://baiaosustentavel.pt/

 

EXEMPLOS DE POLÍTICAS AMBIENTAIS DESENVOLVIDAS PELO MUNICÍPIO DE BAIÃO

– Criação de um serviço gratuito de Recolha de Monstros Domésticos;

– Criação de um serviço gratuito de Recolha de Resíduos de Construção de Demolição;

Aquisição de terrenos florestaisem locais estratégicos e de elevado valor ambiental, ecossistémico e/ou cultural, o que contribuirá para um território mais resiliente e ordenado;

–Elaboração de projetos de engenharia ambiental para a criação de percursos pedonais ao longo dos rios Ovil, Teixeira e Douro e outras linhas de água;

–Substituição do sistema de iluminação pública do concelho por um sistema mais eficiente e com menos emissões de CO2 (tecnologia LED);

– Realização de ações de reflorestação (14 290 árvores plantadas no mandato 2017-2021);

–Promoção de ações de voluntariado juvenil para defesa da floresta e proteção ambiental (projeto “Patrulha Baião”, em parceria com o IPDJ);

Repovoamento dos rios Ovil e Teixeira com a colocação de trutas;

– Criação de uma Rede Municipal de Oleões – conta atualmente com 22 oleões;

– Ampliação da Rede Municipal de Ecopontos – conta atualmente com 118ecopontos (parceria com a RESINORTE);

– Distribuição de 3000 sacos de reciclagem aos cidadãos (parceria com a RESINORTE);

– Gradual renovação da frota automóvel municipal com a aposta em veículos elétricos.

MARIA ODETE SOUTO |Da cultura do individualismo à desumanização da escola e da vida.

Odete Souto

Vivemos tempos muito estranhos. Parece que um mostro nos vai engolindo lentamente sem que consigamos parar para pensar, refletir e agir de uma forma consciente, responsável e sustentada E isto é tanto mais grave quanto temos responsabilidades acrescidas nos nossos papeis sociais.

Sinto-o, todos os dias, na escola. Sou professora, não sou mãe. Mas lido e trabalho com os/as filhos/as dos/as outros/as e tento, todos os dias, criar empatia e pôr-me no lugar do outro. E questiono-me, observo, penso e, claro, ajo. Mas faço-o sempre, de acordo com aminha consciência. E é um esforço medonho. É remar contra a maré.

Nestes tempos estranhos há escolas e práticas para todos os gostos. Desde os que acham que é possível fazer “um ensino misto, online e presencial”, colocando câmara na sala de aula para  que, quem teve que ficar em casa, possa assistir à aula, um verdadeiro “bigbrother”, até aos que, como eu, acha que a aula se constrói com aqueles sujeitos e aquele professor, que o ato de aprender se inscreve na relação, no afeto, na curiosidade, na mediação e orientação, no vínculo que se cria e que não é apenas cognitivo, mas que se inscreve num compromisso relacional, ético, afetivo, emocional… É uma tarefa hercúlea, mas que, para mim, faz sentido.

Claro que vivemos todos em contexto pandémico. São tempos estranhos que já duram há tempo demais. É meu entendimento que o vírus não atacou só a parte física, mas que nos empurrou para uma “verdadeira esquizofrenia coletiva”.

No início foi o possível. E todos desregulamos tudo. Sabemos. E não sei se poderia ter sido de outra forma. Era importante manter contactos, perceber como estavam, agilizar, ajudar… e fez-se de tudo. Misturou-se vida pessoal com vida profissional, facultaram-se contactos pessoais ao cão, ao gato e ao periquito, recebeu-se, respondeu-se e fez-se contactos a qualquer hora do dia ou da noite e a qualquer dia da semana. E ficou. Passou a ser norma.

Pela minha parte, como não embarco de qualquer forma, passado o primeiro impacto, posicionei-me e tentei autorregular-me e resistir.Não faço aulas presenciais e online. Aliás, não acredito na eficácia disto e não ando cá para “entreter meninos”, nem tenho o dom da ubiquidade. Gosto demasiado deles.

Sejamos claros e conscientes. Se os alunos estão em isolamento profilático, de duas uma: ou estão sintomáticos e têm com que se entreter; ou não estão e têm um tédio tremendo. Mesmo assim, têm uma classroom onde têm todos, confinados ou não, materiais e tarefas, se quiserem e puderem aceder. É que nem todos têm a mesma circunstância e, aquilo que estamos a fazer, com estas práticas, é cavar ainda mais o fosso que já existia. Deixemo-los em paz e, entretanto, regressam. O mesmo se aplica aos professores. Recuso-me a fazer tal coisa. Ou bem que estou com uns, ou bem que estou com os outros. E como já atrás referi, se os que estão em casa estão “com sintomas” têm com que se entreter. Respeitem-nos! Desde quando alguém doente, por um período curto de tempo, precisa de escola em casa? Haja senso…

Eu sei, eu sei, que os pais querem o melhor para os filhos e acham que estão a perder aprendizagens. E pressionam. Eu sei que muitos professores e muitos diretores acham que não se podem perder aulas. Eu sei que estamos todos a ser engolidos pelo monstro… Mas é importante parar e refletir.

O maior drama não está nas aprendizagens escolares que não se fazem, mas nas questões morais, de relacionamento e de saúde mental. E vão-se contando os suicídios, as depressões, as agressões, a indiferença… Em nome de todas as Amélie, Rose… e tantos e tantas jovens que têm desistido de viver nas últimas semanas, parem para pensar. Por favor e enquanto é tempo.

E não posso terminar esta minha reflexão sem falar do episódio da morte do fotógrafo René Robert, que tombou, desmaiado, numa rua de Paris e sucumbiu, ao frio, perante a indiferença de todos. Terá sido socorrido nove horas depois e o alerta terá sido dado por um sem-abrigo. Terá morrido de hipotermia. Dá que pensar…

Esta é a verdadeira pandemia que iniciou antes do covid 19 e que se prolongará na era pós covid: a indiferença, a desumanização, a falta de empatia, a competição desenfreada, o individualismo...Triste mundo este! Urge reverter este caminho e não custa dinheiro, não endivida, mas faz-nos todos melhores pessoas.

Com Mia couto, acho que “é preciso remar contra toda essa corrente. É preciso mostrar que vale a pena ser honesto. É preciso criar histórias em que o vencedor não é o mais poderoso. Histórias em que quem foi escolhido não foi o mais arrogante mas o mais tolerante, aquele que mais escuta os outros.»

É preciso construir pontes. É preciso voltar às coisas simples e humanizar. E isto faz-se com tempo e disponibilidade, com diálogo igualitário, com reflexão e partilha.

 

Maria Odete Souto