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BAIÃO CANAL | Jornal N.º 18 - Outubro 2021

BAIÃO CANAL | Jornal N.º 18 - Outubro 2021

Aristides de Sousa Mendes | O cônsul que ajudou a mudar a história e colocou o nome de Portugal no mundo!

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Aristides de Sousa Mendes (18 de Julho de 1885 – 3 de Abril de 1954) foi um prestigiado diplomata português que salvou 30.000 vidas do Holocausto, emitindo-lhes, freneticamente, vistos que se destinavam quer a indivíduos, quer a famílias. De 16 a 23 de Junho de 1940, Aristides de Sousa Mendes desobedeceu às ordens impostas pelo ditador Salazar, guiando-se pelos ditames da sua consciência moral interior. Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches nasceu no dia 19 de Julho de 1885 em Cabanas de Viriato, nas imediações de Viseu. Filho de Maria Angelina Ribeiro de Abranches e do juiz José de Sousa Mendes, formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra ao lado do seu irmão gémeo César, quando tinha 22 anos de idade. Em 1908 casa-se com a sua prima Angelina, com quem viria a ter 14 filhos. Começou a sua carreira diplomática muito jovem e em 1910 tornou-se cônsul de Demerara na Guiana britânica. Trabalhou como cônsul na Guiana Britânica, em Zanzibar, no Brasil (Curitiba e Porto Alegre), nos Estados Unidos (São Francisco e Boston), em Espanha (Vigo), no Luxemburgo, na Bélgica e, por último, em França (Bordéus). Era um homem de família e um patriarca que jamais se separou da sua mulher e filhos, proporcionando-lhes educação académica, assim como aulas de pintura, de desenho e de música. Um dos seus filhos afirmou um dia: “Tínhamos uma verdadeira orquestra de câmara em nossa casa e convidávamos pessoas, com regularidade, para assistir aos nossos concertos. Tocávamos Chopin, Mozart, Bach, Beethoven, entre outros.”

Segunda Guerra Mundial

Durante a Segunda Grande Guerra, sob a ditadura de Salazar, Portugal era uma nação alegadamente “neutra”, ainda que de forma bem evidente e não oficial, fosse pró-Hitler. O governo português emitiu a perversa “Circular 14” a todos os seus diplomatas, negando refúgio seguro aos refugiados, incluindo explicitamente Judeus, Russos e apátridas. Mas houve um homem que desafiou estas ordens terríficas e que ergueu a voz da sua consciência, salvando 30.000 pessoas de uma morte certa. Aristides Sousa Mendes foi severamente castigado por Salazar que lhe retirou o seu cargo e lhe negou qualquer forma de garantir um sustento, o que se revelou trágico, uma vez que Sousa Mendes tinha 15 filhos, que foram colocados numa lista negra e que foram impedidos pelo regime de ingressar no ensino universitário. À medida que recrudescia a ameaça nazi e a perseguição de milhares de Judeus por toda a Europa se intensificava, assumindo contornos cada vez mais assustadores, milhares de refugiados judeus, em Bordéus, reuniam-se em frente aos consulados de Portugal e de Espanha, em busca de vistos para escapar a uma morte certa. Espanha negou os vistos aos refugiados judeus e a única esperança residia no consulado português.

A 16 de Junho de 1940, o cônsul português em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, encontra-se com o rabino Kruger que escapara a uma Polónia ocupada. Promete-lhe fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para persuadir o governo de Lisboa, liderado por Salazar. Nessa noite, acolhe o rabino Kruger em sua casa. Na manhã do dia 17 de Junho de 1940, Lisboa nega os vistos aos refugiados judeus, mas de forma inesperada, Aristides de Sousa Mendes informa o rabino que irá emitir os vistos, pois sabia que os refugiados estavam condenados a morrer nos terríficos campos de concentração nazis. A casa da família – Casa do Passal, situada em Cabanas de Viriato, Viseu – foi devolvida ao banco e eventualmente vendida como forma de saldar dívidas. A Associação Judaica de Lisboa foi a única a ajudar a família Sousa Mendes, providenciando alimentação e assistência médica. Aristides de Sousa Mendes morreu no dia 3 de Abril de 1954, mas lutou pela justeza dos seus feitos até ao seu último suspiro.

O cônsul insubordinado

De 17 a 19 de Junho, o cônsul português trabalha incessantemente na emissão de vistos, juntamente com dois dos seus filhos, sem parar sequer para comer. Nesses três dias, foram emitidos 30.000 vistos, contrariando as ordens expressas do ditador António de Oliveira Salazar. Por sua vez, os consulados portugueses de Bayonne e Hendaye haviam obedecido a Salazar, mas Aristides de Sousa Mendes dirige-se pessoalmente a essas cidades e são emitidos mais vistos. Estava consciente das consequências dos seus feitos, mas havia seguido os ditames da sua consciência moral. A 24 de Junho de 1940, Aristides de Sousa Mendes recebe um telegrama de Salazar, ordenando-lhe que se apresentasse em Lisboa para explicar o seu acto de desobediência. Não só Aristides de Sousa Mendes foi despedido, como também lhe foi negada qualquer reforma, após 30 anos de carreira diplomática. Os seus filhos foram proibido de ingressar no ensino universitário e a família Sousa Mendes rapidamente perderia a Casa do Passal. A Comunidade Judaica de Lisboa providencia à família abrigo e alimentação, ajudando alguns dos seus filhos a mudar-se para os Estados Unidos ou para o Canadá. Morre a 3 de Abril de 1954 na miséria.

A memória de Aristides de Sousa Mendes

O primeiro reconhecimento veio em 1966 de Israel que declarou Aristides de Sousa Mendes “Justo entre as Nações”. Em 1986, o Congresso dos Estados Unidos emitiu uma proclamação em honra do seu acto heróico. Mais tarde foi finalmente reconhecido por Portugal, tendo o Presidente da República de então, Mário Soares, apresentado desculpas à família Sousa Mendes e o Parlamento português promoveu-o postumamente à categoria de embaixador. O rosto de Sousa Mendes apareceu impresso em selos em vários países.

“Que mundo é este em que é preciso ser louco para fazer o que é certo?”, Aristides de Sousa Mendes

 

https://www.centerofportugal.com

 

O futebol português, com sotaques | Aníbal Styliano

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Em qualquer ponto do Mundo, o futebol permite comunicar com emoções, com sorrisos e gestos.Há diversos países onde o Português é idioma partilhado: espaço de lusofonia, memória, futuro valioso e imparável.

O futebol dos países onde se fala português tem história, dificuldades, alegrias e protagonistas comuns, dribles, desmarcações, golos, fintas, simulações, passes, cortes, remates e defesas que são vividas, recordadas e sonhadas em português, com sotaques…

É um futebol vencedor: títulos mundiais e continentais (com seleções e com clubes), botas e bolas de ouro, inúmeros troféus e distinções coletivas e individuais, com importantes contributos do futsal e do futebol de praia.

Como língua e como futebol, com semelhanças mas também divergências, com história e com futuro, esperamos que superem fronteiras e reduzam distâncias, com afeto.

Partilhando ideias e conceitos, metodologias e estratégias, planeamentos e projetos, cada um dos países da lusofonia preserva as suas especificidades.Há uma matriz com identidade conservando raízes próprias.

O drible em África é magia, no Brasil é arte, em Portugal é paixão, em Timor é sonho de liberdade e, mesmo nos diversos locais onde o português é falado, é também memória com passado comum, cooperação, alegria, desafio e caminho para o encantamento do golo!

No futebol que fala português reside um potencial singular que pode contribuir para a evolução qualitativa da modalidade, com a liberdade do talento, com as condições que facilitam génios, sem complexos mas apego aos pormenores que nos distinguem.

Há na nossa língua, um imenso estádio de entendimento, um sentir matizado e profundo que conquista o título da amizade como exemplo solidário… Golo maior é impossível.Das vitórias, sinais de memórias; das medalhas, raiz; da língua, um mundo para saborearum futebol livre.

Tenhamos confiança no futebol que fala português.

A “Sodade” de Cesária Évora é aquela que nos preenche e nos une como destino irrecusável: do passado, do futuro, essencialmente do presente, num processo emotivo como só emportuguês se consegue entender e sentir.

Além da competência, a facilidade de adaptação dos treinadores que falam português é presente e reconhecida, em inúmeros locais, como destino de povos que ajudam a construir a casa global, fraterna.

Superando dificuldades, são muitas dezenas os treinadores (e jogadores) que, para além dos mais famosos, continuam a fazer trabalho fantástico ao serviço do futebol, mesmo sem a atenção dos holofotes mediáticos, em todos os Continentes e nos lugares mais recônditos. Temos em comum um desafio enorme para superar: ser exemplo de entendimento e de partilha, com transparência e solidariedade. O futebol que se exprime em português, tem em si mesmo o destino do sonho dos miúdos descalços, a jogar com bolas de pano improvisadas, em espaços de terra aos socalcos, libertando a imaginação, a criatividade e construindo momentos que se tornam eternos.

 

Aníbal Styliano (Professor e Comentador)

PJ faz maior apreensão de cocaína dos últimos 15 anos

Noticia LUSA:

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veleiro com cerca de 24 metros foi localizado e intercetado em pleno Oceano Atlântico e estava a ser utilizado no transporte de elevada quantidade de cocaína, segundo um comunicado da PJ, hoje divulgado.

 

Durante a operação, que decorreu nos últimos dias, foram detidos três homens, todos estrangeiros, sobre os quais recaem fortes suspeitas de integrarem uma organização criminosa transnacional dedicada ao tráfico de grandes quantidades de cocaína entre a América Latina e o continente europeu.

De acordo com a PJ, na embarcação eram "transportados um total de 183 fardos de cocaína com um peso bruto total estimado que ascende a cerca de 5,2 toneladas, tratando-se da maior apreensão deste tipo de estupefaciente realizada em Portugal nos últimos 15 anos e uma das maiores realizadas em toda a Europa".

No comunicado, a PJ adianta que a operação "Maré Branca" foi realizada nos últimos dias através da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes em conjunto com a Unidad de Drogas y Crimen Organizado do Cuerpo Nacional de Polícia de Espanha e com a participação da Marinha e da Força Aérea.

Os suspeitos serão presentes à autoridade judiciária competente para primeiro interrogatório judicial de arguido detido e aplicação de medidas de coação.

A PJ adianta ainda, com base em elementos recolhidos no decurso da investigação, que a droga agora apreendida se destinaria a ser distribuída por diversos países europeus, entrando no velho continente através das costas da Península Ibérica.

Esta operação contou também com o apoio e participação do Maritime Analysis and Operations Centre -- Norcotics (MAOC-N), com sede em Lisboa, da Drug Enforcement Administration (DEA) dos Estados Unidos da América e da National Crime Agency do Reino Unido.

Jaime Froufe Andrade | Afinal, quem és tu?

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Com o jornal fechado, noite alta, António Valdemar convida-me para um copo. Eu, um jovem estagiário acabado de chegar à capital. Ele, o todo poderoso chefe de Redacção da delegação em Lisboa de O Primeiro de Janeiro. Há boas marés e essa parecia não enganar.

 

Acabámos no Bairro Alto, num restaurante de noctívagos. À entrada do estabelecimento, Valdemar estica o pescoço, orienta-se. Depois avança resoluto. Acerca-se de um grupo de jornalistas que o saúdam animadamente. Arrastam-se cadeiras para caberem mais duas. 

 

Fiquei sentado ao lado do grande Baptista Bastos! Por ser ali um desconhecido, um corpo estranho, sou brindado, durante breves instantes, com olhares de curiosidade. Baptista Bastos, o BB, conforme era conhecido, não se dá a esse trabalho, ignora-me. Rapidamente, todos retomam a conversa. Aqui não sou ninguém, depressa percebi. 

 

Foi a minha vez de os observar. Estes bons malandros revelam-se fantásticos. Em ritmo acelerado, vão produzindo frases, sentenças, piadas, curtas anedotas, juízos críticos, conceitos… Ao mesmo tempo, vão dando destino apropriado a tremoços, amendoins, camarões, búzios, navalheiras e goles de cerveja. 

 

Formam orquestra bem ensaiada, ninguém se atropela. O maestro é o exuberante BB. Ele é o único que pode interromper os outros, privilégio da sua condição de príncipe, príncipe do jornalismo, é certo, mas príncipe.

 

Quero entrar na roda da conversa, mas não consigo. Sempre que me ocorre dizer alguma coisa sou ultrapassado por outro mais lesto. De facto, aqui não sou ninguém, penso resignado. 

 

A meio de mais uma das suas brilhantes elucubrações, Baptista Bastos interrompe-se a si próprio, encara-me e pergunta: Afinal, quem és tu?  Desta não estava eu à espera. Preparado para me apresentar, ouço BB dizer: Deixa lá, não interessa…

 

Ferido por este tiro à queima-roupa, finjo ter escapado ileso. No meio da risada geral, arvorei pose de quem é superior a patifarias pequeninas…

 

Mais adiante, um camarada suspende a história que está a contar. Apercebeu-se de que BB se voltara de novo para mim. Desta vez, ele mostra-se diferente. Quer, de certeza, desfazer o mau efeito da brincadeira anterior. Em tom cordato, pergunta: Diz lá então quem és tu...Olha, não digas. Não interessa. Furioso, ouço nova risada síncrona daquela boa malandragem. O BB é o BB, mas vai pagá-las...

 

Com o dia a raiar lá fora, na altura de se fazer contas aos comes e bebes e de se iniciarem as despedidas, BB volta-se para mim pela terceira vez. Agora não me apanhará ele desprevenido. A dúvida é se lhe responderei com o clássico manguito ou lhe farei gesto pior.

Baptista Bastos mostra-me o seu sorriso maroto, pisca-me o olho.  E nada me pergunta.

Jaime Troufe Andrade (jornalista/escritor)

Baião | Tomada de posse dos eleitos para o mandato autárquico 2021/2025

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Sob guarda de honra  dos Bombeiros Voluntários de Baião e dos Bombeiros Voluntários de Santa Marinha do Zêzere...

Tomaram posse; Paulo Pereira (segundo mandato como presidente de câmara) e os vereadores do PS: Filipe Fonseca, Anabela Cardoso, Henrique Gaspar, José Lima, Paulo Portela e Célia Azevedo do PSD.

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Tomaram ainda posse os novos membros da Assembleia Municipal: 

Armando Fonseca, Cláudia Madureira, Manuela Miranda, Paulo Ferraz, Ana Raquel Azevedo, Ana Marta Silva, Fernando Pereira, António Carvalho, Carminda Monteiro, António Magalhães, Rui Pedro Pinto, Maria Neli Mota, José Matos Teixeira, Francisca Pinheiro Guedes, Ademar Rodrigues, Cristina Sequeira, Luís Teixeira, José Magalhães, Manuel Monteiro, Nuno Sá Costa e Isabel Ferreira.
Integram este órgão os 14 presidentes de Junta do concelho: Daniel Guedes (Ancede e Ribadouro), David Monteiro (Campelo e Ovil), Rui Monteiro (Frende), António Bento (Gestaçô), Paulo Eurico Moreira (Gôve), Joaquim Pereira (Grilo), António José Fonseca (Loivos da Ribeira e Tresouras), Luís Pereira (Loivos do Monte), António Vieira (Santa Cruz do Douro e São Tomé de Covelas), Luís Miguel Pereira (Santa Leocádia e Mesquinhata), Manuel Pereira (Santa Marinha do Zêzere), António Jorge Rodrigues (Teixeira e Teixeiró), António Carneiro (Valadares) e André Ribeiro (Viariz).

 

 

Rita Diogo | Dia Mundial da Saúde Mental

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10 de outubro – Dia Mundial da Saúde Mental

No passado dia 10 de outubro foi assinalado o Dia Mundial da Saúde Mental. Sabemos bem que a saúde é bem mais do que a ausência de doença e que não existe saúde sem saúde mental. Chavões como estes são repetidos, boa vontade é apregoada, fala-se em promoção da saúde mental e em literacia em saúde mental. Até no Plano de Recuperação e Resiliência se propõe concluir a reforma da saúde mental com uma verba de 85 milhões de euros! Apesar disto, os números referentes à doença mental continuam assustadores. A doença mental persiste escondida no universo de quem padece e dos mais próximos. Continua-se à espera que passe, que não deixe sequelas e que por milagre se acorde bem no dia seguinte.

Numa publicação da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, são referidos números bem preocupantes.

No mundo:
• 12% das doenças em todo o mundo são do foro mental, valor que sobe para os 23% nos países desenvolvidos.
• As perturbações por depressão são a terceira causa de carga global de doença (primeira nos países desenvolvidos), estando previsto que passem a ser a primeira causa a nível mundial em 2030, com agravamento provável das taxas correlatas de suicídio e parasuicídio.
• Cinco das dez principais causas de incapacidade e de dependência psicossocial são doenças neuropsiquiátricas: depressão (11,8%), problemas ligados ao álcool (3,3%), esquizofrenia (2,8%), perturbação bipolar (2,4%) e demência (1,6%).
• Apenas um quarto dos doentes com perturbações mentais recebe tratamento e só 10% têm tratamento considerado adequado.
• As doenças e as perturbações mentais tornaram-se, nos últimos anos, na principal causa de incapacidade e numa das principais causas de morbilidade nas sociedades.

Em Portugal
• Mais de um quinto dos portugueses sofre de uma perturbação psiquiátrica (22,9%).
• Portugal é o segundo país com a mais elevada prevalência de doenças psiquiátricas da Europa, sendo apenas ultrapassado pela Irlanda do Norte (23,1%).
• Entre as perturbações psiquiátricas, as perturbações de ansiedade são as que apresentam uma prevalência mais elevada (16,5%), seguidas pelas perturbações do humor, com uma prevalência de 7,9%.
• As perturbações mentais e do comportamento representam 11,8% da carga global das doenças em Portugal, mais do que as doenças oncológicas (10,4%) e apenas ultrapassadas pelas doenças cérebro-cardiovasculares (13,7%).

Surpreendidos? Acredito que sim!

Apesar destes números, o Plano Nacional de Saúde Mental não teve a repercussão desejada no acesso das pessoas às respostas na área da saúde mental, sendo parcos os recursos humanos e comunitários para intervir na doença mental. Os recursos humanos em saúde mental têm uma distribuição muito assimétrica, com escassez de pessoal particularmente acentuada em algumas regiões do país, sobretudo profissionais não-médicos, essenciais à constituição das equipas multidisciplinares em saúde mental. Se não forem alocados os necessários recursos humanos e financeiros para a concretização da prestação de cuidados de saúde mental na comunidade, esta pode estar ameaçada. As dificuldades de articulação entre os serviços de saúde mental e os cuidados de saúde primários ainda são uma realidade, dificultando a referenciação. A prestação de cuidados continuados em saúde mental ainda é muito limitada e assimétrica, sendo necessário expandir rapidamente as respostas nesta área, orientadas pelos princípios da universalidade e equidade.
Embora os problemas de saúde mental afetem várias áreas da vida pessoal, familiar e profissional das pessoas e a pandemia tenha chamado a atenção para a necessidade de investir seriamente na promoção da saúde mental, em Portugal, sofrer de uma doença mental ainda está associado a um forte estigma e discriminação, presente em todas as esferas da sociedade. Este estigma e discriminação contribui para que as pessoas não recorram ao tratamento de que necessitam. O estigma surge associado a crenças erradas sobre a saúde e a doença mental e assenta, muitas vezes, na perspetiva de considerar a doença mental como uma fraqueza de carácter. Em algumas situações, o maior estigma é aquele que cada um impõe a si próprio, tendo vergonha e sentindo-se culpado. Encontrar alguém na sala de espera de um consultório de psicologia ainda é muito embaraçoso! Ainda se vem a uma consulta de psicologia em segredo, para que não se saiba.

A dor psicológica tem inúmeras linguagens e expressões, o sofrimento não é sentido nem vivido da mesma forma por todas as pessoas, o adoecer psicológico é interno mas tem inúmeras vezes manifestações externas. Falemos de saúde e de doença mental tal como falamos da saúde e doença física. Que o assinalar deste dia, seja mais do que tem sido, que seja uma oportunidade para combater este estigma e ao preconceito, que seja um momento para se reivindicar um maior investimento, com menos assimetrias territoriais potenciando o acesso aos cuidados necessários com equidade e justiça social.

Rita Diogo (Psicóloga especialista em Psicologia e da saúde)

 

Natércia Teixeira | As cores vibrantes…do Outono

natercia teixeira.jpg...Iniciamos a caminhada encosta abaixo.
A manhã terminava serena...o Verão também.
O Outono chegava e com ele um novo ciclo...da natureza e da minha vida.
Cores vibrantes desfilavam aos nossos olhos e contrastavam com a decadência que o calendário anunciava...tons fortes de castanhos avermelhados e laranjas dourados rodeavam-nos...o tapete de folhas caídas era uma mensagem briosa da terra que se vestia a preceito para um fim anunciado...uma homenagem à passagem do tempo e da vida; a que se viveu e àquela que se seguirá.
Seguíamos o trilho, eu caminhava atrás de ti e observava-te…pensava nas implicações da minha decisão...aquele não era o momento para falar sobre isso, a minha preocupação era chegar a casa o mais depressa possível por causa do Eros.
Chegámos à margem do Paiva em poucos minutos e continuamos até tua casa...pouco tínhamos conversado e nada sabia sobre os teus planos para as próximas horas, pelo que achei por bem perguntar:
  -  Preciso de ir... pensas fazer o quê?
  - Acompanhar-te.
A resposta apanhou-me desprevenida.
  - A casa?! e depois, voltas cá ou segues para Lisboa?
  - Minha querida…não tenciono regressar a Lisboa sem ti!
Sem tempo para argumentações, aquiesci.
  - Está bem Emanuel...vamos conversar sobre isso depois, agora tenho mesmo de ir.
  - Temos! deixas o carro e eu levo-te.
Anuí:
  - Fazemos como quiseres...
  - Muito bem...gosto dessa atitude...obediente.
Um sorriso provocador bailava-te no olhar... arqueei as sobrancelhas e revirei ostensivamente os olhos enquanto passava à tua frente em direção ao portão da casa. 
Senti um puxão no cabelo que me deteve e soltei um grito.
A tua voz zombeteira ecoou nas minhas costas:
  - Tinha de te parar! e não grites!  Estavas a ir tão bem!
Encarei-te, mas fui incapaz de me zangar...o teu ar de menino travesso, travou-me o ímpeto e fez-me sorrir...estavas claramente a meter-te comigo...e a divertir-te com isso.
Apressei-te:
  - Mexe-te que não tenho tempo para brincadeiras!
  - E quem disse que estou a brincar? 
Encolhi os ombros e suspirei.
A resposta não se fez esperar:
  - Tenho mesmo de te ter por perto para te disciplinar!
Entrei para o meu carro a tempo de não me desmanchar a rir.
Precisava sair da frente da tua entrada para te deixar passar.
Feito isto, fechamos o portão e partimos rumo a minha casa.
Era quase hora de almoço quando chegamos, o Eros recebeu-nos à porta em euforia.
Tinha conseguido aguentar imensas horas sozinho, mas estava no limite da tolerância.
Apressei-me a descer as escadas com ele à trela.
Dei-lhe tempo e liberdade para esticar as pernas e enquanto isso ponderava sobre a conversa que iriamos ter.…uma dualidade de emoções contraditórias, atormentavam-me.
Depois de quase meia hora na rua, o Eros quis regressar a casa.
Escutei a tua voz da entrada...parecias algo exaltado ao telemóvel.
Quis dar-te privacidade e fui diretamente para a cozinha alimentar o Eros.
Uns minutos decorridos e a conversa que estavas a ter terminou.
 O silêncio instalou-se na casa.
Achei por bem dar-te uns momentos a sós e fiquei sentada à mesa da cozinha a ver o Eros comer.
Sem que tivesse dado pelos teus passos...estavas parado atrás de mim.
Puxaste uma cadeira e sentaste-te à minha frente...parecias irritado e tenso.
  - Está tudo bem? Perguntei
A resposta saiu rápida e segura:
  - Sim…vai ficar.
De chofre, atirei para o ar:
  - Vou contigo para Lisboa!
Tinha planeado escolher a hora certa para ter aquela conversa...tinha planeado uma longa e extensa introdução...uma explicação pormenorizada sobre as minhas condições...tudo o que saiu foi uma única frase...descontextualizada.
Olhaste-me.…não parecias surpreendido… mas o teu olhar, discretamente, iluminou-se.
  - Claro que vens! é onde pertences.
Aquelas palavras...diretas ao coração...arrepiaram-me.
Tinhas tocado o mais profundo desejo e motivação da minha alma, o fundamento da minha decisão, aparentemente incoerente e alucinada: a busca da realização do desejo primordial de pertença.
Foi a minha vez de te olhar…nos olhos e na alma e buscar a confirmação que era em ti que morava um pedaço de espírito compatível com o meu…que o reconhecia e aceitava tal como era.
Aceitar acompanhar-te pressupunha acreditar nisso...acreditar também que as afinidades que nos uniam, ultrapassariam sempre as diferenças.
Estranhamente invadia-me uma sensação de calma...o nervosismo da minha atabalhoada comunicação tinha desaparecido e as minhas reservas e apreensões apresentavam-se agora esbatidas naquele salto de fé.
Em silêncio...com os meus pensamentos, devo ter passado a ideia de estar inquieta e angustiada com a decisão.
A pergunta surgiu, para me apaziguar:
  - Confias em mim?
Limitei-me a encarar-te…desconheço a resposta que viste no meu olhar.
Envolveste-me num abraço...nele senti-me segura…em casa...rumo a um mundo que queria sentir como meu.
Da janela avistava uma cerdeira a perder as folhas...também ela em fase de transformação...como eu, a iniciar um ciclo...como eu, vestida das cores vibrantes do Outono da vida.
 
In Grãos de Pimenta Rosa
Natércia Teixeira
Pimenta Rosa: benefícios para a saúde e como consumir

 

BAIÃO | Autárquicas 2021 | Paulo Portela dirige-se aos baionenses antes da tomada de posse que ocorre este sábado

PSD Baião Paulo Portela 2021.jpegCaras e caros baioneses
Pela primeira vez, desde que decorreram as eleições autárquicas, me dirijo a vós.
Espero que estejam de boa saúde e de bem com as vossas vidas.
A primeira palavra é para agradecer.
Agradecer a todos aqueles que participaram no ato eleitoral, que saíram de casa, participaram e cumpriram com o seu dever cívico que é votar.
A segunda palavra é para o Partido que ganhou as eleições.
Já o fiz em privado ao seu mais alto responsável concelhio, mas faço-o, novamente, de forma pública,
desejando os maiores sucessos, até porque o seu sucesso será o de Baião e o de todos nós.
Depois, quero agradecer a todos aqueles que votaram em nós, que nos deram a sua confiança.
A confiança para sermos, nos próximos quatro anos, a oposição que Baião precisa.
E é especialmente para todos quantos confiaram neste projeto, que quero desde já informar que irei tomar posse sábado dia 16 outubro, assim como a minha colega e companheira de missão Célia Azevedo, para as funções para as quais os Baioneses nos elegeram.
É assim que sabemos estar na vida pública e só em situações muito excecionais não o faríamos.
Quem nos conhece e quem em nós confiou sabe que honramos os nossos compromissos.
Obviamente que o resultado obtido não foi o resultado desejado, nem sequer aquele que eu e todos estávamos à espera, mas em democracia o povo é quem manda, é quem faz as escolhas, é quem decide os destinos de uma freguesia, um concelho, um País.
Mas não podemos nem devemos ignorar os números destas eleições autárquicas.
Números que revelam não só o crescimento do PSD, mas também, uma progressiva perda de confiança dos Baionenses no partido que está no poder.
Estas eleições autárquicas, para esta coligação “Com Determinação por Baião”, tinham em discussão alguns motivos fundamentais pelos quais nos batemos e que são sobejamente conhecidos pelos baioneses, porque fizemos questão de os partilhar com todos ao longos destes últimos meses.
Quando nos propusemos com a nossa candidatura, para sermos alternativa ao anterior e futuro executivo socialista, tínhamos dois objetivos:


O primeiro, um projeto para Baião: queríamos e queremos que o concelho fosse e seja, uma referência regional e nacional.
Desde que se faça diferente mais e melhor! Para isso basta ter visão, ambição, sonhos concretizáveis e livres de interesses pessoais, promessas e compadrios.


Colocar as pessoas em primeiro lugar.
Porque todos os baioneses são iguais.
Foi por este lema que nos batemos tão intensamente. As pessoas primeiro acima de tudo e de todas coisas.
Queríamos - e queremos - no futuro fixar os nossos jovens em Baião, atraindo inclusive os que já estão fora.
Queremos garantir melhores condições de vida aos nossos idosos.
Queremos melhorar com outras dinâmicas e ofertas sociais as condições de vida de quem reside no nosso concelho, captando inclusive pessoas de fora para virem viver para Baião.
Queremos criar condições para que as nossa empresas sediadas em Baião cresçam, criando assim postos de trabalho.
Queremos um concelho socialmente e economicamente muito mais desenvolvido e atrativo.


Acreditamos e temos a certeza que tudo isto é possível desde que haja vontade e capacidade de inovar fazer diferente mais e melhor.
Tínhamos outro objetivo: Contribuir para credibilizar a política.
Os políticos, classe na qual me incluo, hoje têm muita falta de credibilidade, por isso a taxa de abstenção é enorme, e embora Baião tenha estado a abaixo da média nacional nestas eleições, há um caminho longo a percorrer, de encontro dos políticos com os eleitores.
Tentamos credibilizar a política ao longo da nossa campanha eleitoral com várias atitudes que tomamos e que acreditamos e continuamos a acreditar que credibilizam a política.
Por opção própria, não quisemos funcionários da autarquia nas nossas listas.
Não por questionarmos o seu valor, longe disso, mas porque entendemos que devíamos preservar a sua independência e deixá-los fazer o trabalho para o qual foram contratados, servir os cidadãos de forma exemplar.
Para eles, uma palavra especial, principalmente para aqueles que embora tenham opção política o que é ótimo, não a manifestaram mantendo sempre intacta a sua independência.
Não quisemos ter connosco dirigentes de qualquer direção de associação, IPSS ou instituição pública do concelho, para que as mesmas estivessem livres para desenvolver a sua atividade de forma desprendida.
São estas entidades que fazem mover o concelho e por isso têm que estar de forma livre e espontânea, sem estarem sujeitas ao poder político.
Tendo nós a certeza de que os dirigentes que se envolveram de alguma forma no projeto político vencedor do partido socialista têm agora uma responsabilidade acrescida perante os associados das instituições que fazem parte.
Na nossa campanha, não fizemos promessas vagas e que sabíamos, não iríamos poder cumprir.
Não prometemos empregos, favores ou obras, nem tão pouco exercemos qualquer tipo de pressão ou chantagem para conseguir que os baionenses que fizessem parte das nossas listas.
Quem participou nas nossas listas, é livre, politicamente, são pessoas que não devem nada a ninguém e que estão hoje disponíveis para fazerem o que entenderem, e isso é o meu maior motivo de orgulho.
A principal meta que nos propusemos alcançar, ganhar as eleições, não conseguimos.
A maioria dos baionenses fez a sua escolha e votaram inequivocamente noutro projeto político.
Agora, temos o dever, enquanto oposição, de fiscalizar e de fazer com que seja cumprido por aqueles que obtiveram resultados positivos e foram eleitos para governar o nosso concelho, as suas promessas eleitorais.
No que diz respeito à credibilização da política vamos ter as mesmas opções:
Não pressionar, não prometer, não fazer o que entendemos não ser correto na vida pública.
Vamos fiscalizar o projeto mais votado, as medidas, as promessas, denunciar o que entendemos não ser correto na atividade de governação de qualquer dos órgãos autárquicos bem como todas as atitudes ou factos que achamos serem eticamente reprováveis… é esse o dever da oposição.
Tenham os baionenses presentes que vamos ser uma oposição séria.
Não vamos criar obstáculos à governação e à implementação de medidas que o projeto político que ganhou as eleições se comprometeu implementar, mas iremos estar atentos às movimentações aquilo que entendemos que devemos denunciar… mesmo enquanto oposição, iremos fazer diferente mais e melhor.
Enquanto tivermos esta forma de estar na política, desprendida, sem interesses pessoais, é assim que vamos fazer.
O nosso projeto de credibilizar a política não foi o escolhido, é certo, mas a democracia permite-nos poder continuar a denunciar, elogiar, discordar, concordar…
Mas temos todos ter que ter a noção que se os políticos falham, não cumprem promessas, está ao alcance de cada um poder mudar e exigir a mudança e a credibilização.
Contudo, considero que para além dos políticos, também os cidadãos, terão de mostrar coerência e verticalidade nas suas opiniões.
Muitos foram aqueles que nos últimos anos manifestaram desânimo e desacordo com o poder instituído, fazendo-o até em locais públicos com comentários que muitas vezes roçavam a deselegância e o insulto, a quem liderava a governação do nosso concelho.
E desses, percebemos que foram muitos também os que na hora das eleições, marcaram presença em listas políticas ou de apoio aos que até ali, tanto criticavam, colocando talvez os seus interesses pessoais acima dos interesses do nosso concelho e da Sociedade da qual fazem parte.
Demonstrando que afinal tudo está bem e que a mudança não é bem-vinda.
Como referi, para que o nosso concelho e a nossa Sociedade evolua não podemos exigir apenas aos Políticos credibilidade e honestidade.
Também a nós Cidadãos se exige coerência, personalidade e verticalidade quer nas nossas opiniões quer nas nossas exigências e atitudes.


Caras e Caros Baionenses,
Pessoalmente, continuarei a fazer a minha vida profissional da forma como me sempre me conheceram.
Com muita intensidade e inovação.
Continuarei ativo na vida pública e onde achar que devo intervir, vou intervir.
Continuarei a dizer o que penso, de forma livre.
Contem comigo, contem connosco.
Estaremos disponíveis para ouvir e acolher quem quiser estar connosco.
Continuaremos sempre com as mesmas convicções:
“AS PESSOAS SÃO O MAIOR PATRIMÓNIO DA VIDA”
E QUE
“NÃO HÁ DEMOCRACIA SEM LIBERDADE E RESPONSABILIDADE EM TUDO O QUE FAZEMOS NA VIDA”
OBRIGADO E FELICIDADES PARA TODOS

NOTA DE IMPRENSA | Grande Prémio de Baião

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Rashed Al Qemzi venceu o Grande Prémio de Baião

O piloto dos Emirados Árabes Unidos, Rashed Al Qemzi venceu o Grande Prémio de Baião, prova a contar para o Campeonato do Mundo de Motonáutica F2.

O campeão do Mundo de 2017 e 2019 dominou o fim de semana e depois de ter alcançado a pole position, controlou a corrida do início ao fim, no entanto sempre com o piloto português Duarte Benavente constantemente no seu encalce.

O campeão em título terminou a pouco mais de 2 segundos de Al Qemzi.

Destaque ainda para a presença do público que acorreu em massa tendo preenchido por completo as margens do Rio Douro.

Pode consultar a classificação aqui:

https://time4.racing/round/uim-f2-world-championship-2021-grand-prix-of-portugal-i/results

CONSULTÓRIO JURÍDICO | Serviços Públicos Essenciais 2 | José Carlos Martins

José Martins.jpg

Na sequência do nosso anterior artigo, vamos comentar alguns dos abusos dos prestadores de serviços e quais os meios de defesa que os utentes têm ao seu dispor.

Em primeiro lugar, é necessário analisar o artº.10 da Lei nº23/96, de 26 de Julho. Nos termos desta norma legal, o direito ao recebimento do preço do serviço prestado prescreve no prazo de seis meses após a sua prestação. Se, por qualquer motivo, incluindo o erro do prestador de serviços, tiver sido pago valor inferior ao que corresponde ao consumo efectuado, o direito do prestador ao recebimento da diferença, caduca dentro de seis meses após aquele recebimento.

O prazo para a propositura de acção judicial pelo prestador do serviço, para cobrança de valores em dívida é de seis meses após a prestação do serviço.

Apesar do que está previsto na lei, o comportamento dos prestadores de serviços é completamente diferente. Assistimos aos prestadores de serviços, devido, na maior parte das vezes, devido ao seu mau funcionamento interno, a instaurar acções para cobrança de valores muito após o prazo de seis meses previsto na lei.

Nestes casos, resta aos utentes apresentarem a respectiva contestação aos processos judiciais, invocando a prescrição.

Mais grave ainda, é o facto dos prestadores dos serviços públicos essenciais se recusarem a celebrar novo contrato com utentes que tenham dívidas antigas, mesmo sabendo que as dívidas já prescreveram.

Neste caso, a solução é propor uma providência cautelar em tribunal, pedindo que o prestador seja obrigado a celebrar o contrato, alegando a prescrição da dívida.

José Carlos Martins (Advogado)

Arquivo

 

OBLIQUIDADES (3) | Jaime Milheiro

Jaime Milheiro

“Assim falava Zaratustra”

Em dois mil e vinte e um

Naquela manhã de  Sol

Que dentro de si raiava:

“Vivo num País desgraçado, cheio de patifes e de aldrabões. A minha rua foi completamente ocupada por eles, no meu escritório todos os dias os aguento, esta gentalha não tem cabeça nem emenda.

Vigaristas, ladrões, espertalhaços, trafulhas, é o que mais há em Portugal.

Por este andar nunca deixará de haver, embora nesta altura tudo esteja bastante pior…

 

                                   (Excepto, obviamente, em minha casa,

                                   onde todos somos digníssimos cidadãos,

                                   cumpridores impolutos, virtuosos  pagadores…)

 

nesta  traficância a que nos conduziram.

Malfeitorias sem nome, prevaricações insolentes, degradação de hombridade, acumulação de funções, embusteiros encartados, por toda a parte  se notam  sem que  ninguém  disso cuide...

 

                                   (Excepto, obviamente, na minha família,

                                   onde todos os primos e primas

                                   se solidarizam com o que os pais  ensinaram,

                                   altamente preocupados com os destinos da Pátria e da Nação….)

 

nesta calamitosa condição política  que nos impuseram.

Roubalheiras sem vergonha, mentirolas sem maneiras, denegação de princípios, total ausência de considerações éticas e morais, na comunicação  pululam e nos comícios se cultivam…

 

                                   (Excepto, obviamente, naquilo que participo

                                   e nas drogarias  do meu  comando,

                                   irrepreensíveis nos ócios e negócios…)

 

nesta miserável proposta social  em que nos engolfaram.

 Exposições grosseiras, palavrões à mistura, aberturas sem cuecas, mulherio de alterne, extravagâncias baratas, em todas as localidades fizeram escola,  até nas autarquias e nas paróquias, num completo atentado à decência e numa absoluta falta de respeito pelos outros...

 

                                   (Excepto, obviamente, nas que frequentamos

                                   e nos  grupos com quem lidamos,

                                   plenos de regras e  de bons preceitos…)

 

sem nunca rolarem cabeças.

 Tanta corrupção cansa-me. Este país cansa-me. Nem me merece.

Até o nosso querido Bispo à tardinha  lamenta, quando dialogamos. 

Mas, apesar de tanto sofrimento, não posso esquecer as tarefas da manhã:

             tratar da borla para o espectáculo de logo à noite

arranjar maneira de esconder a procedência do meu novo carro

orientar as chefias para   desembaraçar-me das  multas

despachar  os produtos fora de prazo antes que alguém repare

dirigir  as encomendas para o concurso da  minha filha e  acelerar a inscrição do Mateus no Partido, não vá o sacana do  Mendes  ultrapassar-nos

desencantar mais processos contra os queixosos daquelas pequenas coisas que não me  correram bem, esperando que tudo  prescreva

inventar  umas historietas para o que o farsante do Antunes me pague o dobro pelo  contrabando  que lhe cedi….

devolver ao agente a Catarina do escritório...

                                              

                                   (Não tenho mais pachorra para  esta gaja,

                                    boazona  mas  de nariz  empinado

                                   se calhar nem percebeu ao que vinha,

                                   e nunca  assinamos contrato, obviamente….)

 

não vá  alguém adiantar-se na compra daquela herdadezita do vigarista do Figueiredo (tem um palacete lindíssimo) que está à rasca com  as dívidas da família.

Chegou o momento  certo de o liquidar, em termos que a minha esmerada educação  não  permite aqui reproduzir…

 

sempre desejando óptima Saúde para todos, na Paz do Senhor, obviamente!”

Jaime Milheiro (psicanalista)

Arquivo

 

Francisco Chico da Emilinha | INVERTIDOS….

chico da emilinha

Mais uma vez roubado ao Chico da Emilinha!

INVERTIDOS….
Os papeis? ? Não dará coisa boa…
16:15 h hora da consulta e o paciente não falha, passa uma hora e o paciente, que não costuma ficar impaciente, num hospital, nas finanças, num banco, até num banco de jardim se preciso for, resolve ir bater à baiuca 115.
Truz truz !
Faxavor!
Abro a porta e digo:
Vim atrasado ( disfarcei) era só para saber se estava cá Snr Doutor, sem problema obrigado.
Regresso à sala e espero que apareça o M1122 sala 115, mais três quartos de hora, mas nada de mais, quem lá estava também precisava da atenção do Médico, convêm pensar nos outros, pois quando lá estamos, não gostamos de ser atendidos a correr. PORTANTO CALMA.
Lá aparece o nº mágico no ecrã e siga, vamos lá a tratar do assunto.
Dá licença Snr Doutor ?
Entre, entre, desculpe lá….. H EI HEI HE I calma lá, eu só cá vim, pois podia acontecer que o Snr Doutor não tivesse vindo e eu ficava ali a secar o resto da tarde, quanto à demora, foi o foi e foi, porque preciso foi, vamos ao que interessa e nada a desculpas.
~
Levava uma embrulho de exames - análises – e sei eu lá que mais – era tanta merda de que nada percebia, que até afligia um gajo, fora eu outro.
Diz-me o DOUTO:
Pode guardar isso, não preciso, tenho aqui tudo.
Começamos mal Doutor, não fosse o respeito que me merece, deitava já isto tudo fora, ainda por cima nada me diz, nem percebo um boi, tirando a última linha –
- Não apresentam as células tal e tal sinais de malignidade—
Riu-se e predispôs-se a explicar-me do que nada percebo.
Comecemos por perceber para que serve o Pâncreas… e tau-tau.tau.tau- começa para ali com uma lenga lenga, de que não estava a gostar nada e ia escorregando na cadeira,,,,
Da-ssse eu queria era ouvir o tal de
NÃO APRESENTA MALIGNIDADE.
Desenha um circulo num papel, assim mais ou menos do tamanho de uma moeda de 2 cêntimos
Ora bem, pelo goela abaixo vai um tubo até ao estômago, por dentro desse vai um mais fininho que perfura o estômago e como o Pâncreas está ali encostado tira uns bocadinhos para análise – Assim temos as tais células que não apresentam malignidade
Perceber o que me dizia eu estava, mas algo e ao mesmo tempo me custava muito estar calado, pois percebia que o gajo queria dizer mais qualquer coisa e não se desamerdava e eu a ficar fodido.
CONTINUANDO
Imaginemos agora uma moeda de 2 €
Sendo o processo de recolha o mesmo, apanha umas células ali juntinho, mas isso não quer dizer que as do outro extremo não sejam más.
Tá a perceber ?
Completamente e não estou a gostar, na medida em que tenho a sensação que me quer dizer algo e não se desengoma, mas continue faz favor senhor Doutor.
Pois pelo que entendo está-me a dizer que as análises, exames e biopsia que fiz até agora e nada será mais ou menos a mesma coisa, sem saber que o que tenho me é prejudicial, ou é mais uma daquelas coisas que se nos apegam e vão com a malta até os bichinhos ou o fogo tratarem do assunto, dando-me a entender que não há outra hipótese de obter uma resposta concreta e definida como outra coisa qualquer. Eles não sabem, nem sonham…. E eu muito menos
Não, não, não é isso, até porque há a possibilidade de uma operação, que essa sim tira todas as dúvidas.
Então estamos à espera de quê ? Siga para a operação !
Calma, calma, isso também tem problemas!
Já disse que calma tenho, mas a paciência, já ma tiraram.
Sabe, tem o Pâncreas uma função específica e conjunta com muitos ou todos os órgãos, como já expliquei, ora sendo mexido numa operação, que até pode passar por cortar algum bocado que esteja menos bom, vai seguramente afectar outros órgãos e maleitas neles existentes, pelo que tem aqui no seu relatório, pode ser prejudicial ao tumor que tem no Pulmão, até o Cancro da garganta pode vir a ser revertido, para alem, de outros problemas que podem despontar depois da operação, mas como o tumor tem 13m/m é coisa pouca, nem chega a um centímetro. Veja melhor Snr. Doutor, olhe que 10 m/m são UM CENTÍMETRO
Aqui chegado, se há outra expressão PORTUGUESA melhor do que
ORA FODA-SE
Para definir esta situação, agradeço me informem……… mas é melhor não.
Lá acabamos depois de muitas perguntas, que mais pareciam um jogo, já o Homem feito Doutor suava, me responder:
- Há sempre a hipótese de ir-mos acompanhando a evolução disto assiduamente, pelo que lhe vou receitar uma TAC especifica, assim como umas análises também especificas e vamos SEGUINDO o assunto.
OK Snr Doutor, tenho então de acrescentar à minha caderneta mais uma especialidade a que vou andar perseguido, passando a dezoito ou dezanove, tenho de ver melhor, ficando com a sensação de que mesmo seguido nunca saberei se a coisa é MÁ, ou não adianta nem atrasa,,,, convenhamos que não é nada agradável, mas vou fazer por esquecer isso.
Espero não demorar muito…
 
Chico da Emilinha

...

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A seleção portuguesa de futsal sagrou-se campeã do mundo da modalide, ao vencer a Argentina na final do Mundial por 2-1.

A equipa das quinas já tinha feito história ao garantir a passagem à final, mas agora acaba de conquistar o título, que junta ao de campeã europeia (conquistado em 2018).

Pany Varela bisou por Portugal num jogo muito equilibrado.

Portugal, que tinha como melhor resultado de sempre na competição o terceiro lugar alcançado em 2000, na Guatemala, tornou-se o quarto país a erguer o troféu, depois de Brasil, Espanha e Argentina, juntando o título mundial ao europeu, que conquistou, também pela primeira vez, em 2018, na Eslovénia.

Jaime Froufe Andrade | Histórias avulso | Manhã encantada II

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Manhã encantada

Vivemos próximo um do outro. Os nossos encontros são frequentes. Saudamo-nos, saudamo-nos até com vivacidade, mas nunca paramos. Ligado à cidade, a tudo, a todos, o Germano não tem tempo para conversa fiada. Tem mais que fazer. Passo rápido, andar citadino, corre entre assembleias, entrevistas, visitas guiadas, palestras.

   Da última vez, não chego a saber porquê, obriguei-o a parar para um aperto de mão. Mas logo me arrependi e até me despedi: Adeus, adeus sócio, sei que estás com pressa. O Germano olhou a biqueira dos sapatos, puxou a orelha, a orelha direita, tique muito seu quanto tem de tomar decisões rápidas, e !!! propôs: Vamo-nos sentar?  

A pressa sumiu-se como água da chuva pelos bueiros do Porto. Senta-se devagar, braços estirados ao longo das costas de um banco no jardim do Marquês, cabeça reclinada para trás a mirar a copa das árvores. E vai falando. Disserta sobre o céu, os pássaros, as casas, os bichos, a gente que passa. 

Silencioso, oiço. Momento raro, para quem me conhece: afinal não é todos os dias que este vosso repórter está com um Doutor Honoris Causa da Universidade do Porto. Sinto que ele resgata a usura utilitarista dos dias de hoje, surpreende e partilha os valores essenciais da vida. Sou testemunha de como este velho mago do tripeiro burgo está a transformar uma vulgar meia manhã num tempo suspenso sem começo nem fim, uma manhã encantada. 

 

Texto publicado no livro o Homem com GENTE ATRÁS - Tributo a Germano Silva, colecção Memória Perecível, da AJHLP-Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto

OS PEQUENOS TAMBÉM SÃO GRANDES | Aníbal Styliano | Saudades do futuro!

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Ao longo de décadas, fomos assistindo ao desaparecimento de clubes por todo o país,por incapacidade financeira, por falta de apoio e de legislação adequada. O número efetivo de praticantes federados, no total das diversas modalidades, no nosso país, deveria envergonhar os governantes!

Foram vários os clubes que chegaram a atingir a principal competição profissional do nosso futebol, cobrindo quase todas as regiões do país, que desapareceram ou estão em vias de extinção ou “modernização”, com as SAD que afastam os adeptos do convívio natural com quem dirige os clubes, por ação de ilustres programadores para quem a bola “atrapalha”, embora eleitos em processos onde a democracia é palavra desvalorizada.

A tendência é para destacar os mais poderosos, desviando as atenções da coragem, esforço e determinação de inúmeros clubes de formação que raramente são indicados como essenciais. Identificados, com exigência de certificação (?), mas sem apoios substanciais: mais uma historinha para adormecer.O tempo ditará as suas decisões… o panorama não deixa grandes expectativas.

Num passado recente, havia dirigentes, mas desconheciam-se os “investidores nacionais e internacionais”. O mundo globalizou-se, as fronteiras pulverizaram-se e a distância (e também os princípios) acabou. Embora numa União que se designa Europeia, em vez de caminhar para a Europa dos cidadãos, avança-se para egoísmos nacionais. O futebol revela também esse caminho, bastando analisar o que se passa com os clubes milionários para os quais não há limites, para já. Começam-se a vislumbrar riscos de falências mas há sempre criativos que “inventam a lâmpada” de um novo e jovem craque, que a publicidade cobrirá com investimentos imparáveis, até um dia… Recorde-se que o futebol é o principal elevador social para sair da pobreza: basta ser escolhido por um grande clube e pronto! Ao passo que a saída da pobreza está calculada, para as famílias mais carenciadas, num prazo de 5 gerações. Assim se constroem “especificidades” que subvertem a concorrência.

Nesta nova normalidade, surgem dirigentes que se acham acima das leis e investidores para os quais a bola é incontrolável e que não conhecem, nem querem saber, pormenores legais: se for entrave, muda-se a legislação. Especialistas trabalham com toda a sua competência e empenho para superarem limites, barreiras, num circuito sem obstáculos, para os interesses dos investidores. “A FIFA é ingovernável” afirmou há anos atrás Poiares Maduro. Hoje, quem tutela o futebol, encara-o essencialmente como negócio, mesmo como indústria global. Com a publicidade e o marketing, controlam e centralizam as atenções nos clubes poderosos, mesmo que alguns corram para se afastarem dos riscos de incumprimento, enquanto se aproximam inconscientemente do precipício. Jovens de regiões interiores têm como ídolos não os jogadores dos clubes onde fazem jogadas únicas, golos fantásticos e defesas brilhantes, mas antes o tal jogador que custou muitos milhões, que vive num palácio imaginário e se esquece que o amanhã pode ser brutal. Os dramas humanos são mais do que os golos e recordes dos melhores jogadores do mundo… Por isso, o clubismo deve começar na proximidade. Só o que se conhece ganha sentido. O resto pode ser uma enorme desilusão assim como uma utopia ao serviço de quem trata o futebol apenas como negócio. O futebol é herança da Humanidade e espaço intemporal de memórias que agrega gerações. Começar pelo meio onde se vive é o primeiro passo para evitar quedas e alienação que podem deixar marcas graves. Não é o dinheiro que faz o futebol ser apaixonante, apenas os jogadores e a bola o conseguem fazer, com o apoio dos treinadores e a paixão dos adeptos.

 

Aníbal Styliano (Professor e Comentador)

Paulo Esperança | NUNCA PENSEI

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Sei (sabemos) bem que vivemos num mundo dito globalizado em que os
sounbites marcam a chamada informação.
Também sei que esse mundo é desumanizado, não tem sentimentos,
explora apenas o crime, a violência, as pequenas histórias e o mal dizer.
A pandemia de covid 19 veio trazer às sociedades actuais questões,
interrogações, comportamentos que ninguém, obviamente, estaria à
espera. E que ninguém sabia (provavelmente ainda não saberá) como
poderia reagir.
Sou do tempo de fugir à polícia que carregava no Festival dos Coros em
Abril de 1973 na Faculdade de Ciências no Porto. Sou do tempo em que,
depois do 25 de Abril, a polícia carregava “forte e feio” quando se
ocupavam casas…simplesmente porque havia casas sem gente.
Sou do tempo em que as chamadas forças armadas eram vistas como
exemplo de instrumento colonial. E eram!
Mas também sou do tempo em que desde o posto de comando da
Pontinha com Otelo e outra gente boa e Salgueiro Maia no Largo do
Carmo, desapareceu um regime que tinha apodrecido e não percebeu que
o podre não regenera.
Apesar da sua adesão ao 25 de Abril tenho de confessar que policia, forças
militarizadas, tropas, nunca foram a minha praia.
Provavelmente os cabelos brancos e os custos de muitas derrotas sofridas
podem ser causadores do adocicar do sentido crítico.
Hoje, de facto, considero que será extremamente difícil às polícias lidarem
com gente –como aconteceu há dois meses- que vai para Porto Covo e
vilipendia e agride de forma gratuita tudo o que lhe aparece à mão.
Hoje, de facto, tenho alguma dificuldade em entender como se podem
fazer ajuntamentos “à balda”, sem qualquer tipo de precaução, no Largo
de Santos em Lisboa ou na Cordoaria no Porto sem que haja intervenção
das chamadas forças da ordem.
E digo isto porque na situação actual ainda estamos a falar de saúde
pública em que todos ainda temos de ter cuidados para que não
precisemos de fazer recuos.
Nos caminhos que temos vindo a viver atravessou-se, naturalmente, a
pandemia. Ninguém, repito, ninguém, sabia o que aí viria e como se
defender dela.

Apareceu uma task force com problemas iniciais em que um homem da
armada surgiu como responsável.
No seu trabalho apareceram os negacionistas, os oportunistas, gente sem
princípios humanitários perante os seus concidadãos.
Manteve-se seguro, ouviu as pessoas, deu a cara, afirmou-se, exigiu
quando era tempo de o fazer.
Retirou-se na espuma dos dias, sem alarido ou clamores quando entendeu
que o seu desígnio estaria cumprido. Pessoalmente tenho dúvidas que
esteja mesmo cumprida porque parece-me que há alguma leviandade ao
achar-se que a batalha está ganha. Mas isso não será culpa do vice-
almirante!
Repito: nunca pensei ter de tirar o chapéu a um militar…mas agora tenho
de o fazer. Simplesmente porque numa causa civil ajudou todo um país a
ter possibilidade de morrer menos. E isso para mim…é exercício de
cidadania!

Rita Diogo | Tomar decisões, um processo racional ou emocional?

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Num dia normal, cada um de nós toma um grande número de decisões, das mais simples às mais complexas. Na maioria das vezes, nem refletimos sobre este processo, decidimos e está feito! A decisão não é um fim em si mesmo, pode dizer-se que é apenas uma etapa, pois uma decisão colocada em prática cria uma nova situação, que pode gerar outra decisão ou processos de resolução de problemas. Uma tomada de decisão é iniciada por uma situação de frustração, interesse, desafio, curiosidade ou irritação.

A tomada de decisão diz respeito ao processo de escolha de uma opção entre várias, isto dito de forma bastante simples. Na verdade, a tomada de decisão é um dos processos mais complexos da neuropsicologia. Sabemos que, em termos neuropsicológicos, podemos considerar que a tomada de decisão se refere a um processo cognitivo de escolha que envolve análises emocionais e racionais de nossas experiências passadas, considerando os riscos e suas implicações para o presente e para o futuro. Assim, quando tomamos uma decisão, analisamos aspetos distintos de cada escolha em relação aos possíveis resultados finais, sendo que estes aspetos podem ser a valência dos resultados (ganho ou perda), a sua magnitude (grande ou pequena), o tempo para ter o resultado esperado (imediato ou não) e a probabilidade de o resultado acontecer (alta ou baixa). O conhecimento sobre os processos que nos fazem tomar decisões é de extrema importância para compreendermos os mais variados aspetos do comportamento, desde comportamentos típicos e saudáveis aos comportamentos psicopatológicos.
Durante muito tempo, as teorias explicativas da tomada de decisão consideravam que todos os processos de escolha seriam conscientes, deliberados e tenderiam a buscar o máximo de satisfação e os melhores resultados possíveis, considerando que nossas escolhas são feitas de modo racional. No entanto, tudo isto foi sendo questionado devido à emergência de estudos e análises psicológicas e neurocientíficas. Atualmente, temos a noção de que tomada de decisão inclui componentes motivacionais, emocionais e ecológicos. Sabemos, pois, que as emoções ajudam-nos a definir as nossas escolhas, muito para além de uma análise meramente racional. Se pensarmos na quantidade de vezes que ingerimos alimentos não saudáveis, mesmo sabendo que nos farão mal, facilmente percebemos.
Podemos conceptualizar a nossa análise em função da racionalidade e da intuição. A diferença entre racionalidade e intuição está na quantidade e qualidade de informação de que dispomos, por um lado, e das opiniões, sentimentos e vivências, por outro. Quanto maior a base de informação, mais racional é o processo. Quanto maior a proporção de opiniões e sentimentos, mais intuitivo se torna. A racionalidade e a intuição são atributos humanos complementares e não concorrentes.
O processo de tomada de decisão é uma atividade passível de erros, pois ela será afetada pelas características pessoais e perceção de cada um. Na tentativa de minimizar esses erros e chegar a um melhor resultado, devemos efetuar um processo organizado e sistemático. Sugere-se para tal algumas etapas: Identificar um problema existente, enumerar alternativas possíveis para a solução do problema; selecionar a mais benéfica das alternativas; implementar a alternativa escolhida; reunir feedback para descobrir se a alternativa implementada é capaz de solucionar o problema identificado.
Decidir implica ponderar a informação existente, num determinado espaço de tempo. Distinguir a informação plausível daquela que é tantas vezes enviesada é fundamental e uma tarefa igualmente complexa.
Há poucos dias fomos chamados a votar. Votar em eleições democráticas não é mais do que um processo de tomada de decisão. Como sabemos, a abstenção nas eleições portuguesas continua a ser elevadíssima. Fica a questão, porque será se declina esta tomada de decisão tão importante, tão fundamental?

Rita Diogo (Psicóloga especialista em Psicologia Clínica e da Saúde)  

DUAS DE LETRA | Lourdes dos Anjos | A JUSTIÇA JÁ FOI CEGA MAS AGORA VÊ BEM...

Lourdes dos Anjos

 

DUAS DE LETRA - lourdes dos anjos
A JUSTIÇA JÁ FOI CEGA MAS AGORA VÊ BEM...FOI OPERADA ÁS CATARATAS
E COMO É MODA DIZER..."NESTA MATÉRIA" ESTAMOS CONVERSADOS...

Vamos ao que interessa...na Bairrada, santa terra abençoada pelo
leitãozinho assado e pelo bom vinhinho gaseificado, uma besta quadrada
com vinte unhas que até vestia calças, violou uma filha durante seis
longos anos.
Começou quando a miúda tinha dez anos e terminou  quando ela completou
dezasseis .
Terminou? Não sei se terminou.Apenas soubemos que alguém denunciou o
sofrimento desta menina escrava de seu pai, que foi selváticamente
agredida durante mais de 3650 dias.
E depois da denúncia o que decidiu o senhor juiz? O senhor juíz
decidiu que o animal de vinte unhas que até vestia calças devia
aguardar julgamento em liberdade.GRANDE JUÍZ!
Claro que o caso não é filho único .Temos tido conhecimento de muitas
decisões semelhantes e parece que pouco ou nada é feito para defender
estas crianças das garras dos seus algozes.
Se fizessem tal habilidade a uma das meninas que amo , juro que fazia
justiça sem código civil, nem penal, sem demoras nem esperas...Eu sei
bem o que fazia...ARMAVA- ME EM JUÍZA DE PLENO DIREITO
Mas, como ia dizendo ...os senhores juízes, na sua grande maioria
recorrem a esta profissão porque não entraram nos meandros dos grandes
escritórios de doutores da nossa praça e é uma chatice ser advogado e
andar a perder o seu tempo e a gastar o seu latim com processos de
merda que nem atam nem desatam e não dão azeite para o molho...
Vai daí copiam umas tretas, lêem uns livros de ficção científica bebem
umas pingas, pagam uns copos e
entram no CEJ e ...TOMA LÁ...CERTINHO E DIREITINHO...VESTE O CAPOTE
PRETO E SIGA PRA BINGO.
Este pessoal que nada sabe de vidas, é gente que se encostou a
partidos políticos ou grupos secretos que por aí andam de vento em
proa e ei-los  cheios de pujança e cagança a debitar sentenças
terrívelmente absurdas que ofendem o cidadão que lhes paga os
vencimentos mais o subsídio chorudo para a renda de casa.
C' ést la vie en rose neste Portugal cinzento que vive tempos tão
blakes no mundo da justiça , da verdade e da igualdade de direitos .
E falar de justiça é também falar de LIBERDADE ou FALTA DELA.
E falar de direitos humanos é também falar de escroques que não
merecem a sopa que comem na cadeia e que é paga por todos nós.
E falar de PAZ E FUTURO é também falar de tantos sortudos a quem
pagamos principescamente para estarem alapados na AR e nos
departamentos sociais que se dizem "da proteção de menores" para quem
todos os dias são dias de relax , descompressão laboral, de
atabalhoados telefonemas cujo teor principal é falar de caroços de
azeitona deitadas
ao lixo no último fim de semana passado na "QUINTA do VALE do ALHO"
junto da piscina onde os senhores do poder lavam os pézinhos...
E falar destas coisas, enjoa-me, enoja-me revolta-me os fígados
E já agora agradeço que me informem a direção certinha  do senhor
Rendeiro porque lhe quero mandar os parabéns  pela sua hunestidade e
amore a PURTUGALE
Enfim,para as minhas velhas maleitas eu sei que já não há remédio...e
para o meu mau feitio também não há melhoras
Nesta matéria estamos cunbersados.
VIVA PORTUGAL JUSTO E LIVRE ... e deus nos dê saúdinha da boa, carago!

Lourdes Dos Anjos

 

MARIA ODETE SOUTO | No rescaldo das eleições

Odete Souto

Já não sou eleitora em Baião e, pela primeira vez, engrossei os números da abstenção. Em 47 anos de Democracia é a primeira vez que me demiti de exercer este direito. Somos circunstâncias e as minhas levaram-me a ponderar e achar ser inadequado fazer cerca de 800 Km (ida e volta) para exercer o direito de voto, ainda para mais, para votar em pessoas e projetos que desconhecia. Por isso, e só por isso, não votei.

No entanto, sendo o voto um direito que custou tanto a conquistar, parece-me, também, um dever, em nome da Democracia e em nome de quantos e quantas deram a vida pela conquista deste e doutros direitos. E interrogo-me sobre a elevada taxa de abstenção, os motivos que levam tantos cidadãos e tantas cidadãs a demitirem-se de participar. E preocupa-me muito esta demissão, como me preocupa a falta de debate político sério. Quando assisto a debates na Assembleia da República, aquela que é a casa da Democracia, coro de vergonha pelo desrespeito e a falta de decoro de grande parte dos deputados. A Política é uma atividade nobre, se vivida e praticada com nobreza.

Quando paro para refletir sobre esta realidade, este alheamento da política e da participação ativas, nas eleições e não só, parece-me que as razões são complexas. Desde logo, a falta de líderes credíveis, o descrédito na política partidária, a mediocridade, a corrupção, o compadrio, os interesses instalados e as dependências económicas e financeiras. E o medo. E os bufos que espeitam por todo o lado e que se sujeitam a papéis que fazem lembrar o tempo da “antiga senhora”. E o espírito de submissão. E a falta de palavra. E a pobreza. De espírito, de cultura e económica. E preocupa-me esta situação, pese embora o facto de estar no outono da vida.

Parece-me que a minha geração tem muitas responsabilidades. Por um lado, criou “meninos de ouro”, príncipes, sem lhes passar as experiências vividas, medonhas em alguns casos. Crescemos muito rapidamente em termos económicos, mas a cultura não acompanhou este crescimento.

Além disso, não posso deixar de pensar que há razões bem mais profundas que nós fomos esquecendo de questionar e que nos conduziram aqui, nomeadamente a escola e o currículo escolar. Pergunto-me, por exemplo, quantas pessoas conhecem a Constituição da República Portuguesa? Ou quantas leram os escritores clássicos? Ou conhecem a Declaração Universal dos Direitos Humanos ou a Convenção dos Direitos da Criança? E sim, a iliteracia e a incultura são grandes. E isso não ajuda.

Paulatinamente e ao longo de décadas, foram-se retirando do currículo escolar, disciplinas fundamentais. Por exemplo, a Filosofia ou a Introdução à Política, a Psicologia, a Sociologia... E foi-se aceitando que isto seriam saberes secundários. E foi-se esquecendo que é fundamental refletir, pensar, construir o seu próprio conhecimento, pois só isto é libertador. Fomos formatando… E chegamos aqui.

Além disso, temos uma comunicação social péssima e as redes sociais, com o imediatismo que têm, retiram qualquer tempo e lugar para o pensamento e para leitura. Passamos a “googlar” e buscar, sem crítica e sem análise de qualquer tipo.

Não sei que caminho isto leva. A desilusão que paira nos rostos do cidadão comum ao ouvir e ver a incompetência do Estado em muitas situações, a precarização do trabalho e a luta pela sobrevivência a qualquer preço, a falta de perspetivas de grande parte dos e das jovens não auguram grande futuro. Mas o futuro faz-se hoje, aqui, já, e, por isso, é tempo de fazer acontecer.

É preciso manter a esperança, sem espera. É preciso arrojar, na escola como na vida, e tentar inverter este caminho. E, porque não, repensar os currículos e repensar o sistema. E não estou a falar só do sistema educativo.

Façamos acontecer.

 

Maria Odete Souto

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