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BAIÃO CANAL | Jornal N.º 16 - Setembro 2021

BAIÃO CANAL | Jornal N.º 16 - Setembro 2021

OS PEQUENOS TAMBÉM SÃO GRANDES | Aníbal Styliano

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Final da época e recomeço

 Campeonatos resolvidos, férias para relaxar, reforçar laços familiares, mantendo cuidados alimentares e de movimento sem pressão, diversão quanto baste e o tempo a fugir a grande velocidade. Como um banho “sagrado” junto dos mais próximos, a confiança cresce. Manter a coerência e tentar sempre avançar com qualidade, seriedade, intensidade, lealdade e rigor. Seja nos campeonatos distritais, no campeonato de Portugal, nas diversas ligas nacionais, sabe-se que só se pode dar o máximo. No futebol não há lugar para amuos, mas podem surgir momentos tristes e é nessas alturas que a amizade se torna invencível. Da época finda importa reter as aprendizagens mais úteis, os lances que temos de aperfeiçoar e aprender a “ler o jogo” cada vez melhor. Pensar rápido permite antecipar alternativas e as memórias gestuais fazem-nos companhia. Mas o futebol tem de ser acompanhado de outros sabores. Ler, ver jogos, falar com família e amigos ajuda a postura mais alinhada e a cabeça mais livre.

O que mais complica é a simplicidade aparente do jogo. Visto da bancada parece fácil o passe certeiro; ao nível do solo, a dificuldade torna-se real. Se o treinador se mantém, há rotinas que ajudam a passar para nível superior, caso não seja assim, importa adaptar com rapidez, questionar ocupação espacial e criar dinâmicas diversificadas para alterar projeto de jogo em campo. Ao contrário da escassez de referências, a componente técnica é essencial e merece trabalho intenso. Quando a bola e o jogador formam uma unidade é mais fácil atingir objetivos. A cultura tática, a organização posicional e preenchimento de espaços, a atacar e a defender, quanto mais ampla, mais opções para sair com perigo para o adversário e reduzir o risco para a nossa equipa. A disponibilidade e as capacidades da dobra é essencial para manter a coesão da equipa. Mas o futebol exige mais. São imprescindíveis as compensações, a leitura, o filme, a escrita a tecnologia, e outras atividades, para aumentar a capacidade de se surpreender e criar rotinas de sucesso, como aptidões de decisão. Decifrar o jogo do adversário, identificardinâmicas, descobrir pontos fortes e mais fracos, ou até adivinhar os lances porque repetitivos, permitem maior velocidade e um compromisso entre a razão, a inteligência e a realização. Mas nada é linear. Por vezes, parece que desaprendemos e nada sai como queríamos. Há fases assim e para as superar só com mais trabalho, melhor relação com a bola, criando novas saídas e passes mais longos, desde que exemplares.

Como um relógio, a equipa tem várias peças, diferentes umas das outras, mas complementares e a funcionar em conjunto como uma única realidade. Todos têm de compreender essa exigência. Por vezes, há momentos de descontrolo, de falta de ligação que não devem ser continuados, mas travados a tempo. E assim, começa a época. Mecanismos apurados, vontade no máximo, o plantel é vasto e a luta pelo lugar, deve ser intensa, séria. Não arranjar desculpas mas criar soluções. Estar sempre preparado para entrar (ou sair) em qualquer momento. No futebol jovem a presença das famílias pode ser um apoio à equipa mas também um problema que afasta. Por isso, na primeira sessão, o mister deve reunir com os familiares e indicar os processos e as regras a seguir. Coerência no que se diz e honestidade no que se faz. Na formação joga-se para treinar e melhorar, nos escalões seniores treina-se para jogar e vencer. Claro que a vitória tem um sabor único que nos abre um sorriso agradável. Porém, das derrotas ou empates, retiram-se elementos fundamentais para construir um modelo de jogo cada vez melhor e mais eficaz. Começar no clube da proximidade pode ser uma vantagem, que ajuda a entender a finalidade do jogo e da amizade em grupo. E os clubes mais humildes são campeões nisso, porque acarinham, aceitam, motivam sem desvalorizar e assim impedem desistências e abandonos lamentáveis. Foi com diretores atentos aos pormenores e às reacções de cada um que aprendemos a intensificar a vontade de aperfeiçoarpara nos tornarmos jogadores. Foi nos escalões de formação que construímos raízes de amizade que ainda hoje se mantém e que são importantes porque nasceram connosco. Foram tantas as aventuras, inclusive alguns sócios que nos davam prendas por cada golo (dinheiro) e que partilhávamos com toda a equipa, ajudando a alegrar a cara do dono do café onde o dinheiro se transformava em bolos…E mesmo antes do almoço. Só não gostávamos quando o adversário se atrasava muito e os árbitros, após o tempo de tolerância, queriam dar o jogo por concluído com a nossa vitória por falta do adversário e nós pedíamos aos árbitros que esperassem mais um pouco, porque o que mais queríamos era jogar. E conseguimos muitas vezes a atenção dos árbitros e o jogo, apesar de atrasado acabava por se realizar. Nada é tão mau como ganhar por falta de comparência, não tem gosto, apenas desgosto.

Mas esse já é outro episódio.

 

Aníbal Styliano (Professor e Comentador)

A ÓPERA | Cómica e Buffa | Por Manuel Cardoso.

ParadelaA ópera séria, já tratada aqui em artigo anterior, é a que melhor se enquadra na classificação de ópera lírica, e no seguimento desta desenvolver-se-iam a Ópera Cómica e a Ópera Buffa. É resultado da decadência daquela, que estas duas variantes se desenvolveram no séc. XVIII acabando por sobrepor-se-lhe, salvando assim o respeito do teatro lírico.

É conveniente todavia não confundir ópera cómica, onde o termo cómico tem um sentido muito amplo. Que se diferenciava na origem da grande ópera séria, pelo tema e pelo estilo, cuja ligeireza justificava um uso mais abundante da fala, e a ópera Buffa toda ela cantada.

A ópera cómica, é pois aquela em que a palavra declamada, e o canto se alternam, e cujos assuntos a despeito dessa classificação, “cómica” nem sempre são muito alegres. ( Ver Flauta Mágica de Mozart).

Teve a sua origem em Roma, tomando de seguida nomes diversos, consoante as regiões, opéra comique em frança; Singspiel na Alemanha; Zarzuela em Espanha. 

Em Portugal pela mesma ocasião houve uma tentativa semelhante de ópera cómica portuguesa a “Burleta”. Foi uma estreia promissora mas sem continuidade, apresentada por uma série de 8 pequenas peças com texto de António José da Silva (1705-1739), inicialmente destinadas a fantoches e mais tarde representada por cantores no teatro do Bairro Alto (Lisboa).

 A ópera buffa nasceu e desenvolveu-se em Nápoles no Séc. XVIII e só depois se divulgaria pela Europa, é inteiramente cantada e genuinamente italiana, mesmo quando transportada para a Europa. 

Recebeu o nome do “buffo” (bufão) que era dado aos antigos atores cómicos populares, (ao estilo dos palhaços de circo) por se apresentarem com as bochechas inchadas de modo que ao levarem bofetadas bufassem, provocando divertimento no público.

 
 

"Comedia harmonica" su testo attribuito a Giulio Cesare Croce. Introduzione in inglese di Timothy Knapman

Manuel Cardoso (Paradela)

O Inferno é canja, duro é aguentar o Paraíso | Natércia Teixeira.

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Observava, com uma atenção forçada, o gelo picado dissolver-se lentamente no copo… à procura de alguma inspiração.

No palato, o gosto fresco da hortelã…entre os dentes, cristais de açúcar mascavado que ao dissolverem-se aveludavam o gosto ácido do limão e o travo amargo do rum.

Precisava escrever.

A imagem de fundo do portátil aberto em cima da mesa devolvia-me uma realidade que precisava aceitar. 

Pensei no meu amigo.

Precisava de escrever…

Mas não sobre isso…não hoje e não já.

Raios de sol, filtrados pelas folhas das tílias que cresciam frondosas junto ao rio, incidiam na mistura verde menta depositada à minha frente…a mesma cor do olhar da minha saudade.

Precisava escrever.

Olhei em redor…Agosto e a esplanada vazia, até a brisa desconfortável estava fora do contexto.

Duas mulheres surgiram no meu angulo de visão e apesar da distância considerável que ainda nos separava ouvia distintamente a voz de uma delas, o que me fazia antever o término do propósito, já que ideias nem as chegara a ter.

Aproximaram-se…uma ao comando, qual militar a dar instruções ao soldado raso, provavelmente surdo, instou a companheira a ocupar a mesa à minha frente.

- “Vamos! Senta-te aí!”

Maldisse a minha sorte…mais uma distração.

Todas as mesas desocupadas, um vírus que para além da saúde nos compromete a criatividade e aquelas duas almas não encontram melhor sítio para se instalar que “coladas” a mim, numa esplanada vazia.

Suspiro instintivamente…melhor tentar encontrar o génio noutras paragens.

Fechei o computador e continuei, indiscreta a escutar o monologo do duo:

- “Deixa lá…isto é um inferno…o tempo uma porcaria…e isto do Covid é outra…tenho uma amiga que é médica, o marido é juiz…cheios de dinheiro, os pais riquíssimos, com uma grande moradia na Foz…os filhos formados…a rapariga é engenheira, muito bem na vida…o rapaz é qualquer coisa das artes…sabes como é esse pessoal das artes…mete-se no que não deve…arranjou uma qualquer com um filho…um desgosto…não bastava o marido que se deixou levar pela sopeira… uma vergonha…de tão boas famílias…riquíssimo…com a sopeira!! a minha amiga ficou de rastos…tão boa rapariga…e bonita…um grande desgosto…agora desleixou-se…está gordíssima…somos muito amigas… 

…gosto desse vestido branco…tenho um…não, dois…já nem sei bem…um é assim parecido…da Massimo Dutti…ou Cortefiel, não me lembro…o tecido desse parece jeitozinho…foi caro?...temos de ir às compras a ver se te animas…e não te metas noutra…sempre o cão…sempre o cão…nem podias sair para lado nenhum…

…isto aqui está uma tristeza…parece a minha sala de jantar à noite…vazia…

…o meu…outro que se deixou levar.”

Pausa.

Choro.

Silencio.

Tomei folego, mais exausta do que se tivesse sido eu a debitar o discurso e olhei com empatia a mulher que até ali se mantivera em absoluto silencio.

Encontrou nas lágrimas da companheira uma deixa para o quebrar:

- “…parece-me…”

O general sem patente, não a deixou terminar…num evidente desperdício de decibéis e sem cerimónia cortou-lhe a palavra:

- “…escuta…vamos mas é embora que aqui não se aprende nada…isto até pode ser o paraíso, mas é uma pasmaceira…não se vê ninguém…tu, muda como um rato por causa do cão…não te metas noutra…arranja mas é um namorado rico!”

Fiquei a observa-las afastarem-se.

Abri novamente o computador que me devolveu a imagem do meu cão.

Precisava escrever.

Precisava escrever sobre ele, mas não agora.

Hoje, escrevo sobre todos os seres maravilhosos capazes de falar sem proferir uma palavra;

Capazes de escutar em absoluto silencio.

Aqueles, que têm a grandeza e generosidade de oferecer pérolas mesmo a porcos.

Com eles, o inferno é canja, duro é com os outros, aguentar o paraíso.

 
Natércia Teixeira

Histórias avulso : Froufe, o almocreve | Jaime Froufe Andrade

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(A pandemia pôs-nos à espera do futuro. Parados pelo vírus, talvez seja tempo para percebermos o que deixámos para trás. É essa a proposta de Histórias avulso)

 

Froufe, o almocreve.

António Froufe, meu avô materno, era almocreve em Trás-os-Montes. Passava os dias por caminhos e atalhos, subindo e descendo serras e montes, acompanhado por dois machos ajoujados de flanelas, serrubeco, mantas, fazendas, nastros e elásticos, botões, agulhas, dedais... 

De povoado em povoado, sempre atrás dos machos e na companhia do Segredo, um cão do tamanho de uma vitela, percorria a pé grandes distâncias. Quando regressava ao Seixo de Ansiães, a sua aldeia, dava ordem ao Segredo para estugar o passo e assim chegar primeiro a casa. Era esse o sinal de que a sua Margarida, a minha avó, necessitava para meter batatas na panela, couves e um rabo de bacalhau, a refeição preferida do tendeiro, pois também assim chamavam à sua profissão. Ele só se sentava à mesa  para cear depois de ter tratado do passadio dos seus companheiros de longas jornadas, os machos e o Segredo.

Uma vez, ao chegar ao Seixo de Ansiães, deu com o padre Amável à janela, a tomar o fresco. Nesse tempo, por ali não havia telefone nem rádio e o jornal só chegava uma vez por mês. As notícias do que ia acontecendo na região era o António Froufe quem as trazia. 

Diz-lhe o padre: Viva, senhor Froufe. Então que novidades nos traz? Para o almocreve essa era a pergunta ideal… não deixou fugir a oportunidade.  Olhe, Senhor padre Amável, vi em Coleja uma coisa... olhe, nunca vi nada igual… juro... 

O tendeiro, grande contador de histórias, sabia aguçar a curiosidade do ouvinte. E continuou: Vi uma couve tão grande, tão grande, tão grande, que de certeza chegava aí à sua janela... Vendo bem, a couve é da altura da sua casa, a passar...

O padre Amável não comentou. Não acredita senhor padre? inquieta-se o meu avô, receoso de ter ido longe demais. Se o senhor Froufe o diz..., respondeu evasivo o padre Amável. 

A seguir disse-lhe: Pois olhe, eu tive de ir às Celores dar uma extrema-unção e sabe o que vi lá, senhor Froufe? Uma dúzia de ferreiros, no adro da igreja, a fazerem um pote de ferro tão alto, tão alto, tão alto, que chegava bem à altura dos sinos da nossa igreja, a passar...

O meu avô almocreve percebeu em que é que estava metido. Remeteu-se ao silêncio. Então o padre Amável, implacável, rematou: Irá servir, certamente, para cozer a couve que o senhor Froufe viu em Coleja…

Jaime Froufe Andrade, Jornalista

NO MEU PEITO | Lourdes Dos Anjos

Lourdes dos Anjos

No meu peito , cansado,
dormem os sabores dos sonhos
os desejos partilhados
os segredos guardados.
as palavras que ficaram por dizer
e a dúvida do querer e não querer


NO MEU PEITO
vive um coração em chamas
e uma cidade invicta
feita de granito e neblina
que me corre nas veias .
Ainda moram, no meu peito
uma vontade e um jeito
de ser nascente e foz
de erguer o punho e a voz
tentando construir um povo diferente
capaz de caminhar solidáriamente
entre outros pés ensanguentados


NO MEU PEITO
ainda há palavras que ficaram por dizer
há uma alma onde ainda mora a paz
ainda há medo do querer e não querer
há lágrimas com que sempre escrevo Verdade
ainda há um caminho para desbravar...
sempre, sempre, sempre em nome da Liberdade.


Lourdes dos Anjos, 2021

As Olimpíadas e a Saúde Mental

RIta Diogo é psicóloga e escreve regularmente no Baião Canal.

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Começo esta crónica por referir que não sou psicóloga do desporto, sou sim, uma apreciadora dos Jogos Olímpicos por tudo aquilo que representam em termos de superação, resiliência e competitividade. Portugal trouxe de Tóquio quatro medalhas, 15 diplomas e 35 classificações até ao 16.º lugar. Foram 92 os atletas portugueses que estiveram em competição.

Tivemos a oportunidade de seguir os Jogos Olímpicos de Tóquio, entre 23 de julho e 8 de agosto. Estes jogos foram obviamente condicionados pela pandemia. Mas, não foi apenas por isto que  tivemos umas Olimpíadas diferentes.

Nestes 17 dias de Jogos Olímpicos, a saúde mental gerou uma ampla discussão. De facto, ser “mais forte” vai muito além da força física. Simone Biles surpreendeu o mundo ao abrir mão de competir em algumas modalidades da ginástica artística, priorizando a sua saúde mental.

Se, do ponto de vista da sociedade se aposta tão pouco na psicoeducação, na prevenção e na deteção precoce de possíveis indicadores de perturbação de saúde mental, este fenómeno agiganta-se no contexto desportivo. Seja por razões de preconceito, por atribuição de uma suposta fragilidade, ou por falta de informação ou conhecimento científico, a realidade é que, a tendência para separarmos a saúde física da saúde mental, em nada ajuda aos processos de  reconhecimento da sua importância e da compreensão da sua interligação com a dimensão física. Para qualquer pessoa que não possua conhecimento em termos de literacia em saúde mental, existe uma grande dificuldade em identificar uma lesão emocional, tal como se observa uma lesão física quando se vê uma escoriação ou uma perna partida. Tudo isto dificulta a capacidade em diagnosticar atempadamente perturbações ou sintomas de disfunção psicoemocional e de saúde mental.

As questões relacionadas com a saúde mental encontram-se, demasiadas vezes, mal diagnosticadas o que conduz, inevitavelmente, a uma má gestão das mesmas. Daqui resulta frequentemente que, quando o atleta é atendido pelo especialista em saúde mental, o seu quadro clínico pode revelar já um prognóstico mais complexo e de demorada resolução.

O testemunho de Simone Biles colocou a discussão sobre a saúde mental dos atletas no centro das atenções. Ela é o resultado de uma cultura onde os atletas são encarados como verdadeiros “super-heróis”, onde a robustez e perícias físicas são confundidas com robustez e saúde mental. É fundamental normalizar o recurso à psicologia como forma de optimizar o desempenho desportivo, como área de treino que efetivamente é. A importância da psicologia nos processos de treino desportivo advém de potenciar a resiliência e a capacidade de lidar com fatores de stress acrescido, por exemplo, mas também como forma de elevar os indicadores de performance. Urge repensar o processo desportivo no que respeita à integração precoce de profissionais especialistas na área da saúde mental. É imperioso, desde tenra idade, não só trabalhar na psicoeducação para quebrar o estigma, como na dotação de competências de resiliência dos atletas e também na capacidade de deteção precoce de sinais de desajustamentos de saúde mental. Evidencia-se também a necessidade dos atletas, e das equipas que os assistem, desenvolverem desde a sua formação, as competências necessárias para lidar de forma eficiente com contextos de pressão.

A investigação científica produzida na área vem, desde há alguns anos, a demonstrar que esta visão compartimentada do ser humano, físico vs. mental, pode resultar, no contexto desportivo, num aumento de risco de lesões, num atraso no processo de recuperação da lesão e num comprometimento sério na sua capacidade de desempenho. Da mesma forma, uma performance desportiva abaixo do esperado pode despoletar o risco agravado de sintomatologia e perturbações na área da saúde mental, tais como os fenómenos de natureza ansiogénica e depressiva.

 
Consulta psicológica de crianças, jovens e adultos. Orientação vocacional. Seleção e recrutamento. Avaliação psicológica de condutores (grupo 2)

CULTURA | O Festival Altitudes marca o verão 2021 na Serra do Montemuro

Veja aqui a programação.

O Festival decorre de 14 a 21 de agosto e há espetáculos todos os dias na aldeia de Campo Benfeito.

O Festival conta 8 espetáculos e 2 concertos.

A fachada do Espaço Montemuro terá uma intervenção artística por parte da artista Tamara Alves

A abertura do festival será com o espetáculo “Futebol”, uma cocriação entre o Teatro O Bando e o Teatro do Montemuro

 

➡ Recomendamos que consulte todas as normas do festival em: https://festivalaltitudes.wordpress.com/covid-19-diretrizes/

A organização relembra que as reservas abrem no dia 9 de agosto e podem ser realizadas presencialmente no escritório junto ao Espaço Montemuro e/ou via telefónica 254689352/919518393 e/ou por email.
Este ano só poderão ter 66% da lotação, ou seja, 103 lugares, conforme as normas impostas pela DGS.
Este ano não haverá passes e os bilhetes só podem ser levantados no próprio dia do espetáculo até 30 minutos antes do espetáculo. Após os 30 minutos antes do espetáculo, a reserva fica sem efeito. Também não haverá lista de espera.
 
Pode ser uma imagem de texto que diz "TEATRO REGIONAL Dด SERRA DO MONTEMURO"

O ESPAÇO MONTEMURO TEM UM SELO CLEAN & SAFE

 

Jogos Olímpicos | Pedro Pichardo colocou Portugal no pódio mais alto do triplo salto (medalha de ouro)

Pedro Pichardo sagrou-se campeão olímpico do triplo salto em Tóquio 2020.

O atleta tem 28 anos e efetuou o melhor salto, de 17,98 metros, à terceira tentativa, e bateu o seu recorde nacional por três centímetros, impondo-se ao burquinense Fabrice Zango, com 17,47, e ao norte-americano Will Claye, com 17,44, que conquistaram as medalhas de prata e de bronze, respetivamente.

Pichardo: "Ouvir que um português não é feliz porque um estrangeiro chega  ao país e se sente feliz por representá-lo... é complicado" - Jogos  Olímpicos 2020 - SAPO Desporto

Pedro Pichardo é agora o mais recente campeão olímpico português ao vencer o ouro no triplo salto nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020.

Desde muito jovem que Pedro Pablo Pichardo deu nas vistas no triplo salto e, com o tempo, fixou-se como uma referência desta disciplina do atletismo. Em 2015 tornou-se no 5º triplista da história a ultrapassar a marca dos 18 metros..

Em abril de 2017 assinou contrato com o Benfica.

Em agosto de 2019 é integrado nas competições internacionais para representar Portugal e logo na estreia ficou em 4º nos mundiais realizados em Doha, no Catar.

Já em março deste ano venceu o primeiro grande título com a bandeira nacional - foi campeão europeu de pista coberta em Torun, na Polónia..

O pai, Jorge, é o seu treinador e segundo o próprio Pedro Pichardo "é malucpo" por é sempre muito exigente e nunca está satisfeito. Pai e filho têm estado sempre juntos neste trajeto, sempre com dois objetivos em mente: tornar Pedro Pablo campeão olímpico e fazer com que o atleta consiga bater o recorde do mundo, que está nos 18 metros e 29 centímetros.

PARABÉS ZECA AFONSO: Faria hoje 92 anos e a RTP1 vai celebrar a data do seu aniversário com espetáculo inédito

No dia 2 de agosto Zeca Afonso faria 92, um dos maiores vultos da nossa cultura e figura maior do século XX português.

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Através dos arquivos da Rádio e Televisão da RTP, entre entrevistas, atuações e reportagens, José Afonso fala-nos de si, das suas canções e de como estas refletiram as suas ideias. Juntando parceiros e nunca perdendo uma noção de rumo este é um percurso central na história da música portuguesa ainda hoje vivo e pungente tanto pelas memórias das gravações do próprio José Afonso como pelas versões que outros continuam a criar a partir da sua obra.  

José Afonso - Moda do Entrudo - YouTubeAssim, às 21h00, a RTP1 irá transmitir o documentário “José Afonso: Traz Outro Amigo Também”, da autoria de Nuno Galopim e Miguel Pimenta. A mesma dupla que em 2020 assinou “Eu Amália", voltou a mergulhar nos arquivos da RTP, desta vez em busca de memórias de José Afonso. Entrevistas gravadas em vários momentos e lugares, atuações ao vivo, reportagens, participações em programas de televisão, são a matéria prima das imagens e palavras que aqui nos contam uma história… na primeira pessoa.

O espetáculo será seguido de um concerto de homenagem ao cantor com direção artística de Agir.

Devemos a José Afonso um conjunto de canções e pensamentos que mudaram o curso da música em Portugal. Insatisfeito com as formas e práticas da canção de Coimbra, atento aos contextos sociais e políticos do país real, foi criando uma obra que abriu e alargou horizontes, juntando à criação musical objetivos de luta. Primeiro contra o regime, depois a favor da criação de um modelo de sociedade.  

Recorde as canções e os pensamentos de quem, até hoje, é uma figura central na história da música portuguesa em dois trabalhos inéditos numa produção da Inovação RTP, para acompanhar ao longo da noite da próxima segunda-feira na RTP1.

Celebrar José Afonso

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AJA | Associação José Afonso

As Canções Heróicas…

Tertúlia:” José Afonso e Rui Pato

Biografia de José Afonso (Zeca Afonso)

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos nasceu a 2 de Agosto de 1929, em Aveiro, filho de José Nepomuceno Afonso dos Santos, magistrado, e de Maria das Dores Dantas Cerqueira, professora primária.
Em 1930 os pais foram para Angola, onde o pai tinha sido colocado como delegado do Procurador da República em Silva Porto. José Afonso permanece em Aveiro, na casa da Fonte das Cinco Bicas, por razões de saúde, confiado à tia Gegé e ao tio Xico, um «republicano anticlerical e anti-sidonista».
Por insistência da mãe, em 1933 Zeca segue para Angola, com três anos e meio, no vapor Mouzinho, acompanhado por um tio advogado em lua-de-mel. Um missionário é a companhia de José Afonso que permanece três anos em Angola, onde inicia os estudos da instrução primária.
Em 1936 regressa a Aveiro, para casa de umas tias pelo lado materno.
Parte em 1937 para Moçambique ao encontro dos pais, com quem vive juntamente com os irmãos João e Mariazinha.
Regressa a Portugal, em 1938, desta vez para casa do tio Filomeno Afonso, notário e presidente da Câmara Municipal de Belmonte. Aqui conclui a quarta classe. O tio, salazarista convicto, fá-lo envergar a farda da Mocidade Portuguesa.
Vai para Coimbra em 1940 para prosseguir os estudos. É matriculado no Liceu D. João III e instala-se em casa da tia Avrilete, tia paterna que vivia à Av. Dias da Silva, actual nº112. No liceu conhece António Portugal e Luiz Goes.
A família parte de Moçambique para Timor, onde o pai vai exercer as funções de juiz. Mariazinha vai com eles, enquanto o seu irmão João vem para Portugal. Com a ocupação de Timor pelos Japoneses, José Afonso fica sem notícias dos pais durante três anos, até ao final da II Guerra Mundial, em 1945.
Nesse mesmo ano começa a cantar serenatas como «bicho», designação da praxe de Coimbra para os estudantes liceais (José Afonso andava no 5.º ano do liceu). Era conhecido como «bicho-cantor», o que lhe permitia não ser «rapado» pelas «trupes». Vida de boémia e fados tradicionais de Coimbra.
De 1946 a 1948 completa o curso dos liceus, após dois chumbos. Conhece Maria Amália de Oliveira, uma costureira de origem humilde, com quem vem a casar em segredo, por oposição dos pais. Faz viagens com o Orfeão e com a Tuna Académica. Joga futebol na Associação Académica de Coimbra.
Em 1949, dispensado do exame de aptidão à Universidade, inscreve-se no primeiro ano do curso de Ciências Histórico-Filosóficas da Faculdade de Letras. Vai a Angola e Moçambique integrado numa comitiva do Orfeão Académico da Universidade de Coimbra.
Em Janeiro de 1953 nasce-lhe o primeiro filho, José Manuel. Dá explicações e faz revisão no Diário de Coimbra. São editados os seus primeiros discos. Trata-se de dois discos de 78 rotações com fados de Coimbra, editados pela Alvorada, dos quais não existem hoje exemplares. Os dois discos foram gravados no Emissor Regional de Coimbra da Emissora Nacional.
De 1953 a 1955 cumpre, em Mafra, serviço militar obrigatório. Foi mobilizado para Macau, mas livrou-se por motivos de saúde. Depois é colocado num quartel em Coimbra. Tem grandes dificuldades económicas para sustentar a família, como refere em carta enviada aos pais que estão em Moçambique. A crise conjugal é muito sentida.
Após o serviço militar, já com dois filhos, José Manuel e Helena (nascida em 1954) vai dar aulas num colégio privado em Mangualde de 6 de Janeiro a 30 de Setembro de 1957, embora só venha a concluir em 1963 o curso na Faculdade de Letras de Coimbra, com uma tese sobre Jean-Paul Sartre: «Implicações substancialistas na filosofia sartriana», classificada com 11 valores.
Já na condição de estudante voluntário da Universidade, vai com frequência a Coimbra, não só para fazer exames na Faculdade de Letras, mas por continuar a ser bastante solicitado para cantar em serenatas, espectáculos e digressões dos organismos autónomos. Inicia-se o processo de separação e posterior divórcio de Amália (1 de Junho de 1963). José Afonso manterá uma névoa de silêncio em redor desta sua experiência conjugal.
Em 1956 é editado o seu primeiro EP, intitulado Fados de Coimbra. De 28 de Outubro de 1957 a 22 de Julho de 1958 foi professor provisório na Escola Industrial e Comercial de Lagos.
Por dificuldades económicas, em 1958 envia os dois filhos para Moçambique, para junto dos avós. Neste ano fica impressionado com a campanha eleitoral de Humberto Delgado. Digressão de um mês em Angola da Tuna Académica. José Afonso é o vocalista do Conjunto Ligeiro. «Actuámos vestidos com umas largas blusas de cetim, cada uma de sua cor, imitando a orquestra de “mambos” de Perez Prado, o máximo da altura», conta José Niza.
A 4 de Dezembro de 1957, José Afonso actua em Paris, no Teatro “Champs Elysées” ao lado de Fernando Rolim, voz, António Portugal e David Leandro nas guitarras de Coimbra e Sousa Rafael e Levy Baptista nas violas.
De 7 de Outubro de 1958 a 18 de Julho de 1959 é professor provisório na Escola Industrial e Comercial de Faro.
Em 1959 começa a frequentar colectividades e a cantar regularmente em meios populares.
Nos inícios do ano lectivo de 1959/60 é colocado por 10 dias num colégio em Aljustrel, transitando depois para a Escola Técnica de Alcobaça onde é professor provisório entre 3 de Outubro de 1959 e 30 de Julho de 1960.
Em 1960 é editado o quarto disco de José Afonso. Trata-se de um EP para a Rapsódia, intitulado Balada do Outono.
Em Agosto faz nova digressão com o orfeão Académico de Coimbra a Angola. Ainda em 1960 desloca-se a Paris e Genebra com Fernando Rolim, voz, António Portugal e David Leandro nas guitarras de Coimbra e Sousa Rafael e Levy Baptista nas violas. Na cidade helvética grava uma serenata para a Eurovisão.
De 1961 a 1962 segue atentamente a crise estudantil deste último ano. Convive em Faro com Luiza Neto Jorge, António Barahona, António Ramos Rosa e Pité e namora com Zélia, natural da Fuzeta, que será a sua segunda mulher.
Em 1962 é editado o álbum Coimbra Orfeon of Portugal, pela Monitor, dos Estados Unidos, com «Minha Mãe» e «Balada Aleixo», onde José Afonso rompe definitivamente com o acompanhamento das guitarras. Nestas duas baladas é acompanhado exclusivamente à viola por José Niza e Durval Moreirinhas.
Realiza digressões pela Suíça e Alemanha onde grava para a televisão e na Suécia actua na Gala dos Reais Clubes Suecos, integrado num grupo de fados e guitarras, na companhia de Adriano Correia de Oliveira, José Niza, Jorge Godinho, Durval Moreirinhas e ainda da fadista lisboeta Esmeralda Amoedo.
Em 1963 é editado outro EP de «Baladas de Coimbra». Volta a ser professor provisório na mesma escola em Faro, de 19 de Outubro de 1962 a 31 de Julho de 1963.
Em Maio de 1964, José Afonso actua na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, onde se inspira para fazer a canção «Grândola, Vila Morena», que viria a ser, no dia 25 de Abril de 1974, a senha do Movimento das Forças Armadas (MFA) para o derrube do regime ditatorial.
Nesse mesmo ano é editado o EP «Cantares de José Afonso», o único para a Valentim de Carvalho.
Também em 1964 é editado, pela Ofir, o álbum «Baladas e Canções», que virá a ser reeditado em CD pela EMI em 1996.
De 1964 a 1967, José Afonso está em Lourenço Marques com Zélia, onde reencontra os seus dois filhos. Nos últimos dois anos, dá aulas na Beira. Aqui musicou Brecht na peça «A Excepção e a Regra». Em Moçambique nasce a sua filha Joana (1965).
Em 1967 regressa a Lisboa esgotado pelo sistema colonial. Deixa o filho mais velho, José Manuel, confiado aos avós em Moçambique. Colocado como professor em Setúbal, sofre uma grave crise de saúde que o leva a ser internado durante 20 dias na Casa de Saúde de Belas. Quando sai da clínica, tinha sido expulso do ensino oficial. É publicado o livro «Cantares de José Afonso», pela Nova Realidade. O PCP convida-o a aderir ao partido, mas José Afonso recusa invocando a sua condição de classe. Assina contrato discográfico com a Orfeu, para quem grava mais de 70 por cento da sua obra.
Expulso do ensino, em 1968 dedica-se a dar explicações e a cantar com mais assiduidade nas colectividades da Margem Sul, onde é nítida a influência do PCP. Pelo Natal, edita o álbum «Cantares do Andarilho», com Rui Pato, primeiro disco para a Orfeu. O contrato é sui generis: contra o pagamento de uma mensalidade (15 contos), José Afonso é obrigado a gravar um álbum por ano.
Em 1969 a Primavera marcelista abre perspectivas de organização ao movimento sindical. José Afonso participa activamente neste movimento, assim como nas acções dos estudantes em Coimbra. Edita o álbum «Contos Velhos Rumos Novos» e o single «Menina, dos Olhos Tristes» que contém a canção popular «Canta Camarada». Recebe o prémio da Casa da Imprensa para o melhor disco, distinção que se repete em 1970 e 1971. Pela primeira vez num disco de José Afonso, aparecem outros instrumentos que não a viola ou a guitarra. Trata-se do último álbum com Rui Pato. Nasce o último filho, o quarto, Pedro.
Em 1970 é editado o álbum «Traz Outro Amigo Também», gravado em Londres, nos estúdios da Pye, o primeiro sem Rui Pato, impedido pela PIDE de viajar. Carlos Correia (Bóris), antigo músico de rock, dos Álamos e do Conjunto Universitário Hi-Fi, substitui Pato. A 21 de Março, por unanimidade, a Casa da Imprensa atribui a José Afonso o Prémio de Honra pela «alta qualidade da sua obra artística como autor e intérprete e pela decisiva influência que exerce em todo o movimento de renovação da música ligeira portuguesa». Participa em Cuba num Festival Internacional de Música Popular.
Pelo Natal de 1971, é lançado o álbum «Cantigas do Maio», gravado perto de Paris, nos estúdios de Herouville, um dos mais caros e afamados da Europa. O álbum é geralmente considerado o melhor disco de José Afonso. A editora Nova Realidade publica o livro «Cantar de Novo».
No ano de 1972 o álbum chama-se «Eu Vou Ser Como a Toupeira», gravado em Madrid, nos Estúdios Cellada, com a participação de Benedicto, um cantor galego amigo de Zeca, e com o apoio dos Aguaviva, de Manolo Diaz. O livro, editado pela Paisagem, tem apenas o título de «José Afonso».
Em 1973 José Afonso continua a sua «peregrinação», cantando um pouco em todo o lado. Muitas sessões foram proibidas pela PIDE/DGS. Em Abril é preso e fica 20 dias em Caxias até finais de Maio. Na prisão política, escreve o poema «Era Um Redondo Vocábulo». Pelo Natal, publica o álbum «Venham Mais Cinco», gravado em Paris, em que José Mário Branco volta a colaborar musicalmente. No tema-título, participa Janine de Waleyne, solista dos Swingle Singers, o melhor grupo vocal de jazz cantado da altura, na opinião de José Niza.
A 29 de Março de 1974, o Coliseu, em Lisboa, enche-se para ouvir José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria, Manuel Freire, José Barata Moura, Fernando Tordo e outros, que terminam a sessão com «Grândola, Vila Morena». Militares do MFA estão entre a assistência e escolhem «Grândola» para senha da Revolução. Um mês depois dá-se o 25 de Abril. No dia do espectáculo, a censura avisara a Casa da Imprensa, organizadora do evento, de que eram proibidas as representações de «Venham Mais Cinco», «Menina dos Olhos Tristes», «A Morte Saiu à Rua» e «Gastão Era Perfeito». Curiosamente, a «Grândola, Vila Morena» era autorizada. É editado o álbum «Coro dos Tribunais», gravado em Londres, novamente na Pye, com arranjos e direcção musical, pela primeira vez, de Fausto. São incluídas as canções brechtianas compostas em Moçambique no período entre 1964 e 1967, «Coro dos Tribunais» e «Eu Marchava de Dia e de Noite (Canta o Comerciante)».
De 1974 a 1975 envolve-se directamente nos movimentos populares. O PREC (Processo Revolucionário Em Curso) é a sua paixão. Cantou no dia 11 de Março de 1975 no RALIS para os soldados. Estabelece uma colaboração estreita com o movimento revolucionário LUAR, através do seu amigo Camilo Mortágua, dirigente da organização. A LUAR edita o single «Viva o Poder Popular» com «Foi na Cidade do Sado» no lado B. Em Itália, as organizações revolucionárias Lotta Continua, Il Manifesto e Vanguardia Operaria editam o álbum «República», gravado em Roma a 30 de Setembro e 1 de Outubro, nos estúdios das Santini Edizioni. As receitas do disco destinavam-se a apoiar a Comissão de Trabalhadores do jornal República ou, caso o jornal fosse extinto, como foi, o Secretariado Provisório das Cooperativas Agrícolas de Alcoentre. O álbum inclui «Para Não Dizer Que Não Falei de Flores» (Geraldo Vandré), «Se os Teus Olhos se Vendessem», «Foi no Sábado Passado», «Canta Camarada», «Eu Hei-de Ir Colher Marcela», «O Pão Que Sobra à Riqueza», «Os Vampiros», «Senhora do Almortão», «Letra para Um Hino» e «Ladainha do Arcebispo». Francisco Fanhais colaborou na gravação do disco, juntamente com músicos italianos.
Em 1976 apoia a candidatura presidencial de Otelo Saraiva de Carvalho, cérebro do 25 de Abril e ex-comandante do COPCON (Comando Operacional do Continente), apoio que reedita em 1980. Fase cronista de José Afonso que publica o álbum «Com as Minhas Tamanquinhas». O disco tem a surpreendente participação de Quim Barreiros. É, na opinião de José Niza, «um disco de combate e de denúncia, um grito de alma, um murro na mesa, sincero e exaltado, talvez exagerado se ouvido e lido ao fim de 20 anos, isto é, hoje». É a «ressaca» do PREC.
O álbum «Enquanto Há Força», editado em 1978, de novo com Fausto, representa mais um exemplo da fase cronista do cantor, ligada às suas preocupações anti-colonistas e anti-imperialistas e à sua crítica mordaz à Igreja. Inclui as participações, entre outras, de Guilherme Inês, Carlos Zíngaro, Pedro Caldeira Cabral, Rão Kyao, Luís Duarte, Adriano Correia de Oliveira e Sérgio Godinho.
Em 1979 é editado o álbum «Fura Fura», com a colaboração musical de Júlio Pereira e dos Trovante. O disco inclui oito temas de música para teatro, compostos para as peças «Zé do Telhado», de A Barraca, e «Guerra do Alecrim e Manjerona», da Comuna. Actua em Bruxelas no Festival da Contra-Eurovisão.
Em 1981, após dois anos de silêncio, regressa a Coimbra com o seu álbum «Fados de Coimbra e Outras Canções». Trata-se da mais bela versão do fado de Coimbra, interpretada por Zeca Afonso em homenagem a seu pai e a Edmundo Bettencourt, a quem o disco é dedicado. Actua em Paris, no Théatre de la Ville.
Em 1982 começam a conhecer-se os primeiros sintomas da doença do cantor, uma esclerose lateral amiotrófica. Actua em Bourges no Festival de Printemps.
Em 29 de Janeiro de 1983 realiza-se o espectáculo no Coliseu com José Afonso já em dificuldades. Participam Octávio Sérgio, António Sérgio, Lopes de Almeida, Durval Moreirinhas, Rui Pato, Fausto, Júlio Pereira, Guilherme Inês, Rui Castro, Rui Júnior, Sérgio Mestre e Janita Salomé. É publicado o duplo álbum «Ao Vivo no Coliseu».
No Natal desse ano, sai «Como Se Fora Seu Filho», um testamento político. Colaboração de Júlio Pereira, Janita Salomé, Fausto e José Mário Branco. Alinhamento: «Papuça», «Utopia», «A Nau de António Faria», «Canção da Paciência», «O País Vai de Carrinho», «Canarinho», «Eu Dizia», «Canção do Medo», «Verdade e Mentira» e «Altos Altentes». Algumas das canções foram escritas para a peça «Fernão Mentes?» do grupo de teatro A Barraca. É também publicado o livro «Textos e Canções», com a chancela da Assírio e Alvim. Contra a sua vontade, é publicado pelo Foto Sonoro um maxi-single, «Zeca em Coimbra», com um espectáculo dado por Zeca no Jardim da Sereia, na Lusa Atenas, a 27 de Maio. A cidade de Coimbra atribui a José Afonso a Medalha de Ouro da cidade. «Obrigado Zeca, volta sempre, a casa é tua», disse-lhe o presidente da Câmara, Mendes Silva. «Não quero converter-me numa instituição, embora me sinta muito comovido e grato pela homenagem», respondeu José Afonso. O Presidente da República, general Ramalho Eanes, atribui a José Afonso a Ordem da Liberdade, mas o cantor recusa-se a preencher o formulário. Em 1994, o Presidente da República Mário Soares tentou de novo condecorar, postumamente, José Afonso com a Ordem da Liberdade, mas a mulher, Zélia, recusou, alegando que se José Afonso não desejou a distinção em vida, também não seria após a sua morte que seria condecorado.
Em 1983 José Afonso é reintegrado no ensino oficial, tendo sido destacado para dar aulas de História e de Português na Escola Preparatória de Azeitão. Tinha sido expulso em 1968. A doença agrava-se.
Em 1985 é editado o último álbum, «Galinhas do Mato». José Afonso já não consegue cantar todos os temas, sendo substituído por Luís Represas («Agora»), Helena Vieira («Tu Gitana»), Janita Salomé («Moda do Entrudo», «Tarkovsky» e «Alegria da Criação»), José Mário Branco («Década de Salomé», em dueto com Zeca), Né Ladeiras («Benditos») e Catarina e Marta Salomé («Galinhas do Mato»). Arranjos musicais de Júlio Pereira e Fausto. Outras canções do álbum: «Escandinávia Bar-Fuzeta» e «À Proa».
Em 1986 apoia a candidatura presidencial de Maria de Lourdes Pintassilgo, católica progressista.
José Afonso morreu no dia 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal, às 3 horas da madrugada, vítima de esclerose lateral amiotrófica, diagnosticada em 1982. O funeral realizou-se no dia seguinte, com mais de 30 mil pessoas, da Escola Secundária de S. Julião para o cemitério da Senhora da Piedade, em Setúbal, onde a urna foi depositada às 17h30 na sepultura 1606 do quadro 19. O funeral demorou duas horas a percorrer 1300 metros. Envolvida por um pano vermelho sem qualquer símbolo, como pedira, a urna foi transportada, entre outros, por Sérgio Godinho, Júlio Pereira, José Mário Branco, Luís Cília, Francisco Fanhais. A Transmédia editou o triplo álbum, o primeiro da história discográfica portuguesa, «Agora e Sempre», duas semanas depois da morte do cantor. O triplo disco é constituído pelos álbuns «Como Se Fora Seu Filho» (1983) e «Galinhas do Mato» (1985) e por um alinhamento diferente de «Ao Vivo no Coliseu» (1983).
A 18 de Novembro é criada a Associação José Afonso com o objectivo de ajudar a realizar as ideias do compositor e intérprete no campo das Artes. (Fonte: http://www.aja.pt/biografia/)