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BAIÃO CANAL | Jornal N.º 3 - Março 2021

BAIÃO CANAL | Jornal N.º 3 - Março 2021

BAIÃO | Eça de Queiroz: População de Santa Cruz do Douro - Baião, indignada com resolução apresentada pelo deputado socialista José Luis Carneiro

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"Eça é da Nação, SANTA CRUZ DO DOURO É O SEU PANTEÃO". 

A população local tem vindo a demonstrar a sua indignação face à iniciativa parlamentar apresentada pelo Deputado Socialista, José Luís Carneiro, que visa a trasladação dos restos mortais do escritor José Maria Eça de Queiroz para o Panteão Nacional, em Lisboa.

Atentos à indignação da população local, o Executivo da União das Freguesias de Santa Cruz do Douro e S. Tomé de Covelas deliberou, por unanimidade, contestar a iniciativa de trasladação dos restos mortais de Eça de Queiroz para o Panteão Nacional, designadamente porque ninguém consultou os eleitos locais e, ainda, por considerarem ir contra a vontade do próprio Eça e contra a vontade e extraordinário exemplo de vida e dedicação da Assistente Social D.ª Maria da Graça Salema de Castro, herdeira do escritor, que muito fez para benefício de Baião e dos baionenses, tendo esta participado na OBER - Obra do Bem-Estar Rural de Baião, um movimento para o desenvolvimento local do concelho, que criou uma escola, abriu acessos rurais no concelho, realizou colónias de férias para crianças, fez um acompanhamento social e criou o primeiro centro de saúde local.

Desde que, em 1970, morreu o último filho de Eça de Queiroz, por vontade expressa da herdeira, D.ª Maria da Graça e seu marido Manuel de Castro, ainda em vida, iniciaram o processo com vista à constituição da FUNDAÇÃO EÇA DE QUEIROZ, instituição de utilidade pública sem fins lucrativos, com sede em Santa Cruz do Douro - Baião (TORMES), para a qual aceitaram doar os seus bens e o Espólio Queirosiano que haviam adquirido à família. Tendo ficado definido que, a partir da Fundação Eça de Queiroz, deverá ser dada continuidade e enquadramento institucional à divulgação e ao estudo da obra de Eça de Queiroz, bem como ao desenvolvimento de toda uma gama de iniciativas culturais, tanto de âmbito nacional, ou internacional, como de incidência mais estritamente local e regional.

António Fonseca.jpgO Presidente da Junta da União de Freguesias, António Fonseca, refere que a trasladação dos restos mortais de Eça de Queiroz para Lisboa, "vem trair a memória da Senhora D.ª Maria da Graça", que foi a responsável por trazer o escritor para Santa Cruz do Douro - Baião, tendo esta mantido sempre presente que fazia questão que os restos mortais de Eça de Queiroz permanecessem onde o escritor referia que se sentia bem e em paz, "até porque, durante cerca de 90 anos, a sepultura de Eça de Queiroz permaneceu ao abandono em Lisboa". António Fonseca critica ainda o sucedido, por causa da ambição de alguns políticos ser indigna para com a humildade de todos os baionenses.Refere António Fonseca, na rede social facebook, que, "NUNCA DOBRARÃO O ORGULHO QUE TEMOS EM DEFENDERMOS DEMOCRATICAMENTE O NOSSO DIREITO INQUESTIONAVEL , À INDIGNAÇAO". "A vontade da D. Maria da Graça deve prevalecer". "Algo me diz que alguém passou por cima de toda a gente como se em Democracia isso seja normal". "Nem pensem que aceitaremos algum pedido de desculpas...aceitaremos isso sim a reposição da situaçao herdada da D. Maria da Graça".

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António Fonseca tem dúvidas sobre se o Presidente da Câmara Municipal de Baião, Paulo Pereira, esteve ao corrente do andamento desta Resolução, sendo que referiu que "poderia ter havido uma maior articulação e envolvimento com a Junta de Freguesia e com a Câmara Municipal".
"O pontapé de saída foi dado pelo Deputado socialista José Luís Carneiro", "mas estas questões não são resolvidas e decididas do dia para a noite", tendo "havido vontade de alguém em ocultar a roubalheira que estavam a fazer ao Povo Baionense, em geral, e ao de Santa Cruz do Douro e S. Tomé de Covelas, em particular".

É já visível junto ao cemitério de Santa Cruz do Douro uma faixa a referir que "Eça é da Nação, SANTA CRUZ DO DOURO É O SEU PANTEÃO". 

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O escritor Eça de Queiroz faleceu em Paris - França no dia 16 de agosto de 1900, na Avenue du Roule, às 16h35m. Em Setembro desse ano, o corpo é trasladado para Portugal, realizando-se os funerais para o cemitério do Alto de S. João em Lisboa. Em 1989, por iniciativa de D.ª Maria da Graça Salema de Castro  é trasladado para o cemitério de Santa Cruz do Douro, em Baião.

Nas redes sociais de Baião e mais propriamente em Santa Cruz do Douro, é também notório o descontentamento generalizado, estando a população local contra a iniciativa que foi aprovada pela Resolução n.º 800/XIV/2.ª, que, para além de conceder as merecidas honras ao escritor, determinou a constituição de um grupo de trabalho, com a incumbência de determinar a data e de definir e orientar o programa de trasladação de Eça de Queiroz, para Lisboa.

O leitor poderá aceder aqui ao documento da Resolução [formato DOCX] [formato PDF]

José Luis Carneiro.jpg

Autoria: José Luís Carneiro (PS) primeiro subscritor.

 
2020-12-13 |  Entrada
 
2020-12-14 |  Publicação
2020-12-15 |  Admissão
 
2020-12-15 |  Baixa comissão para discussão
Comissão de Cultura e Comunicação - Comissão competente
 

A Cidade e as Serras

A Cidade e as Serras

 
Resumo

Nesta obra, Eça sugere o tema clássico do elogio da "aurea mediocritas", quando mostra que nem é o fausto, nem o conforto, nem a ciência que fazem o homem feliz, mas sim uma vida calma, simples e natural.

A descrição que faz da vida do campo é mais uma forma de idealização à maneira de Júlio Dinis. Revela-se um extraordinário paisagista. As descrições de A Cidade e as Serras concretizam o pensamento de Fradique Mendes: "a arte é um resumo da Natureza feito pela imaginação".

É graças ao contributo dos Amigos de Tormes que a FEQ desenvolve uma actividade de promoção e divulgação da vida e obra de Eça de Queiroz e, simultaneamente, da língua e cultura portuguesas, que tem um papel relevante no desenvolvimento sócio-cultural da região onde está instalada.

CRONOLOGIA

COMO NASCEU?

Desde que, em 1970, morreu o último filho de Eça de Queiroz – Maria Eça de Queiroz de Castro – os seus herdeiros, eu própria, Maria da Graça Salema de Castro e o meu marido, Manuel Pedro Benedito de Castro, iniciámos o processo com vista à constituição da FUNDAÇÃO EÇA DE QUEIROZ. Pertencendo-nos 2/3 dos bens deixados por Eça de Queiroz, para além da Quinta e Casa de Vila Nova em Santa Cruz do Douro (TORMES), pensámos doar estes bens a uma fundação a instituir em vida, a qual teria, como principais objectivos, a continuação e o enquadramento institucional da divulgação e do estudo da obra de Eça de Queiroz, bem como o desenvolvimento de toda uma gama de iniciativas culturais, tanto de âmbito nacional, ou internacional, como de incidência mais estritamente regional. (…)

Maria da Graça Salema de Castro

… e assim começou a História da Fundação Eça de Queiroz.

Os descendentes de Eça

Escrito por: José Pereira e Carlos Magalhães

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