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BAIÃO CANAL | Jornal N.º 18 - Outubro 2021

BAIÃO CANAL | Jornal N.º 18 - Outubro 2021

BAIÃO | Eça de Queiroz: População de Santa Cruz do Douro - Baião, indignada com resolução apresentada pelo deputado socialista José Luis Carneiro

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"Eça é da Nação, SANTA CRUZ DO DOURO É O SEU PANTEÃO". 

A população local tem vindo a demonstrar a sua indignação face à iniciativa parlamentar apresentada pelo Deputado Socialista, José Luís Carneiro, que visa a trasladação dos restos mortais do escritor José Maria Eça de Queiroz para o Panteão Nacional, em Lisboa.

Atentos à indignação da população local, o Executivo da União das Freguesias de Santa Cruz do Douro e S. Tomé de Covelas deliberou, por unanimidade, contestar a iniciativa de trasladação dos restos mortais de Eça de Queiroz para o Panteão Nacional, designadamente porque ninguém consultou os eleitos locais e, ainda, por considerarem ir contra a vontade do próprio Eça e contra a vontade e extraordinário exemplo de vida e dedicação da Assistente Social D.ª Maria da Graça Salema de Castro, herdeira do escritor, que muito fez para benefício de Baião e dos baionenses, tendo esta participado na OBER - Obra do Bem-Estar Rural de Baião, um movimento para o desenvolvimento local do concelho, que criou uma escola, abriu acessos rurais no concelho, realizou colónias de férias para crianças, fez um acompanhamento social e criou o primeiro centro de saúde local.

Desde que, em 1970, morreu o último filho de Eça de Queiroz, por vontade expressa da herdeira, D.ª Maria da Graça e seu marido Manuel de Castro, ainda em vida, iniciaram o processo com vista à constituição da FUNDAÇÃO EÇA DE QUEIROZ, instituição de utilidade pública sem fins lucrativos, com sede em Santa Cruz do Douro - Baião (TORMES), para a qual aceitaram doar os seus bens e o Espólio Queirosiano que haviam adquirido à família. Tendo ficado definido que, a partir da Fundação Eça de Queiroz, deverá ser dada continuidade e enquadramento institucional à divulgação e ao estudo da obra de Eça de Queiroz, bem como ao desenvolvimento de toda uma gama de iniciativas culturais, tanto de âmbito nacional, ou internacional, como de incidência mais estritamente local e regional.

António Fonseca.jpgO Presidente da Junta da União de Freguesias, António Fonseca, refere que a trasladação dos restos mortais de Eça de Queiroz para Lisboa, "vem trair a memória da Senhora D.ª Maria da Graça", que foi a responsável por trazer o escritor para Santa Cruz do Douro - Baião, tendo esta mantido sempre presente que fazia questão que os restos mortais de Eça de Queiroz permanecessem onde o escritor referia que se sentia bem e em paz, "até porque, durante cerca de 90 anos, a sepultura de Eça de Queiroz permaneceu ao abandono em Lisboa". António Fonseca critica ainda o sucedido, por causa da ambição de alguns políticos ser indigna para com a humildade de todos os baionenses.Refere António Fonseca, na rede social facebook, que, "NUNCA DOBRARÃO O ORGULHO QUE TEMOS EM DEFENDERMOS DEMOCRATICAMENTE O NOSSO DIREITO INQUESTIONAVEL , À INDIGNAÇAO". "A vontade da D. Maria da Graça deve prevalecer". "Algo me diz que alguém passou por cima de toda a gente como se em Democracia isso seja normal". "Nem pensem que aceitaremos algum pedido de desculpas...aceitaremos isso sim a reposição da situaçao herdada da D. Maria da Graça".

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António Fonseca tem dúvidas sobre se o Presidente da Câmara Municipal de Baião, Paulo Pereira, esteve ao corrente do andamento desta Resolução, sendo que referiu que "poderia ter havido uma maior articulação e envolvimento com a Junta de Freguesia e com a Câmara Municipal".
"O pontapé de saída foi dado pelo Deputado socialista José Luís Carneiro", "mas estas questões não são resolvidas e decididas do dia para a noite", tendo "havido vontade de alguém em ocultar a roubalheira que estavam a fazer ao Povo Baionense, em geral, e ao de Santa Cruz do Douro e S. Tomé de Covelas, em particular".

É já visível junto ao cemitério de Santa Cruz do Douro uma faixa a referir que "Eça é da Nação, SANTA CRUZ DO DOURO É O SEU PANTEÃO". 

Baião Canal_Eça_Resolução_PS_José Luis Carneiro

O escritor Eça de Queiroz faleceu em Paris - França no dia 16 de agosto de 1900, na Avenue du Roule, às 16h35m. Em Setembro desse ano, o corpo é trasladado para Portugal, realizando-se os funerais para o cemitério do Alto de S. João em Lisboa. Em 1989, por iniciativa de D.ª Maria da Graça Salema de Castro  é trasladado para o cemitério de Santa Cruz do Douro, em Baião.

Nas redes sociais de Baião e mais propriamente em Santa Cruz do Douro, é também notório o descontentamento generalizado, estando a população local contra a iniciativa que foi aprovada pela Resolução n.º 800/XIV/2.ª, que, para além de conceder as merecidas honras ao escritor, determinou a constituição de um grupo de trabalho, com a incumbência de determinar a data e de definir e orientar o programa de trasladação de Eça de Queiroz, para Lisboa.

O leitor poderá aceder aqui ao documento da Resolução [formato DOCX] [formato PDF]

José Luis Carneiro.jpg

Autoria: José Luís Carneiro (PS) primeiro subscritor.

 
2020-12-13 |  Entrada
 
2020-12-14 |  Publicação
2020-12-15 |  Admissão
 
2020-12-15 |  Baixa comissão para discussão
Comissão de Cultura e Comunicação - Comissão competente
 

A Cidade e as Serras

A Cidade e as Serras

 
Resumo

Nesta obra, Eça sugere o tema clássico do elogio da "aurea mediocritas", quando mostra que nem é o fausto, nem o conforto, nem a ciência que fazem o homem feliz, mas sim uma vida calma, simples e natural.

A descrição que faz da vida do campo é mais uma forma de idealização à maneira de Júlio Dinis. Revela-se um extraordinário paisagista. As descrições de A Cidade e as Serras concretizam o pensamento de Fradique Mendes: "a arte é um resumo da Natureza feito pela imaginação".

É graças ao contributo dos Amigos de Tormes que a FEQ desenvolve uma actividade de promoção e divulgação da vida e obra de Eça de Queiroz e, simultaneamente, da língua e cultura portuguesas, que tem um papel relevante no desenvolvimento sócio-cultural da região onde está instalada.

CRONOLOGIA

COMO NASCEU?

Desde que, em 1970, morreu o último filho de Eça de Queiroz – Maria Eça de Queiroz de Castro – os seus herdeiros, eu própria, Maria da Graça Salema de Castro e o meu marido, Manuel Pedro Benedito de Castro, iniciámos o processo com vista à constituição da FUNDAÇÃO EÇA DE QUEIROZ. Pertencendo-nos 2/3 dos bens deixados por Eça de Queiroz, para além da Quinta e Casa de Vila Nova em Santa Cruz do Douro (TORMES), pensámos doar estes bens a uma fundação a instituir em vida, a qual teria, como principais objectivos, a continuação e o enquadramento institucional da divulgação e do estudo da obra de Eça de Queiroz, bem como o desenvolvimento de toda uma gama de iniciativas culturais, tanto de âmbito nacional, ou internacional, como de incidência mais estritamente regional. (…)

Maria da Graça Salema de Castro

… e assim começou a História da Fundação Eça de Queiroz.

Os descendentes de Eça

Escrito por: José Pereira e Carlos Magalhães

ÚLTIMAS | COVID 19


covid

218 óbitos,  novo máximo em 24 horas, e 10.455 novos casos de infeção pelo novo coronavírus, dados (DGS).

A DGS revela também que estão internadas 5.291 pessoas, mais 126 do que na segunda-feira, das quais 670 em unidades de cuidados intensivos, ou seja, mais seis, dois valores que são novos máximos.

Estão em vigilância 174.355 contactos, mais 8.120 relativamente ao dia anterior.

O boletim revela ainda que mais 10.282 pessoas foram dadas como recuperadas.

Desde o início da epidemia em Portugal, em março, já recuperaram 421.871 pessoas.

 

COVID 19 | OPINIÃO | O TABULEIRO | Mário Lima

 

Mário Lima

 

Notas finais.

Aos poucos vou recuperando a memória do que passei no hospital. Desde o meu primeiro banho de chuveiro que tão bem me soube ainda estava na UCI, dos enfermeiros Andrés (num turno eram todos André) às enfermeiras, às fisioterapeutas que me iam ajudando a fazer exercícios de recuperação tanto do andar (ia com um carrinho percorrendo toda a área da UCI), como respiratórios.

Aos que com a sua palavra de apoio e incentivo me iam ajudando a suportar toda a fase de recuperação do malfadado vírus, a quem me tentou fazer a barba, quando ele já não fazia a dele há quatro anos.
A todos os que estavam na UCI com aquele vestuário de astronauta, com o suor a escorrer-lhes pelo rosto, com dificuldades respiratórias devido às máscaras que usavam que tinham muitas vezes que sair para o exterior apanhar ar antes que desmaiassem (e isso ia acontecendo com uma das minhas fisioterapeutas), a todos eles e elas, o meu muito OBRIGADO. Foram enormes!
Uma das fases más era o de tirar o sangue para análise todos os dias, a busca pelas veias até que me colocarem um cateter para o efeito, ou junto ao pulso das artérias diminutas que me doíam terrivelmente, os elétrodos pelo corpo ligados à máquina, a algália, o não dormir, o olhar e ver outros nas mesmas condições numa luta contra a morte. O prazer de ver um companheiro da desdita no tal carrinho e percorrer os caminhos da vida.
Que todos se tenham salvado e estejam todos bem.
Uma coisa que sempre tive foi apetite. Todos os dias tinha pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar. Doses pequenas mas que me sabiam bem. Enquanto estive na área Covid, o jantar trazia sempre o pequeno-almoço. Todos os dias de manhã impreterivelmente às 8:30, estava a tomar o pequeno-almoço. Depois do banho, sentava-me no cadeirão e ali ficava até ao lanche. De vez em quando lá dormitava, pois como referi, à noite era quase impossível fazê-lo pelos motivos que escrevi. Como a fruta era quase sempre maçã ou laranja, um dia perguntei à auxiliar se não arranjava uma banana. Ela saiu e pouco depois trazia uma banana para me dar. Não sei onde ela a foi desencantar mas, como o café, soube-me tão bem!...
Nos quartos tínhamos uma TV com os quatro canais. Estavam tão altas que só com uma vassoura é que se conseguia desligar aquilo o que fazíamos por volta da meia-noite, já que no turno da noite, vinham as enfermeiras para mais um retirar de sangue, ou dar comprimidos.
Último quarto, depois do segundo teste negativo, vou para a zona dos 'não Covid'. De cadeira de rodas, com a botija de oxigénio, a enfermeira lá me vai levando pelos corredores. A meio do caminho, aparece a auxiliar que leva o jantar aos quartos. Tinha lá o meu tabuleiro. E agora como fazer já que eu ia para outra zona?! Não há problema - disse eu - Levo o tabuleiro nas pernas.
E por aqueles corredores lá ia eu sentado com o tabuleiro. Entrei na zona dos não infetados. No quarto, 'A' fazia um barulho tremendo dando gritos. Tinha tido um AVC. Estava totalmente paralisado. Tudo era feito através de tubos e sondas. Rapaz novo mas com quatro filhos, ia ser mais tarde transferido para uma outra unidade hospitalar.
Dia 30 de setembro - penúltimo dia. Aguardo os resultados das análises bacterianas devido à febre que tinha tido nos dias anteriores.
Dia 1 de outubro - De manhã tive um corrupio de estudantes de medicina, do Hospital Santa Maria, a fazerem-me perguntas, a auscultar o meu corpo. Chegou depois o resultado das análises, tudo negativo. Tive alta às 15:49.
Se tive tanta gente à minha volta no período da manhã, quando vou sair do hospital, não tinha ninguém. Perplexo pergunto à enfermeira no balcão como sair dali. Vá por este corredor, vire à esquerda, depois...
Naquele momento ia uma senhora a sair do hospital em cadeira de rodas, empurrada por uma enfermeira. Olhe, aproveite e vá atrás desta senhora.
E eu que tinha só andado uns cem metros em fisioterapia, na hora da saída andei quase meio quilómetro.
Este meu testemunho não é para mim, nem para terem pena do que me aconteceu. É para todos aqueles que pensam que o vírus não existe. Que é tudo uma invenção, que não passa de uma gripezinha e eu que durante todo o período nunca tive gripe.
É para aqueles que chamam de mentira ao meu relatado, como se eu tivesse algum prazer em contar tudo isto que passei.
É para aqueles que facilitam, que pensam que a eles isto não acontece.
A todos os que duvidam que esta doença existe, que nunca passem pelo que eu e muitos outros que estiveram comigo passaram.
Que tenham sorte!
Sequelas que ficaram.
Umas demoraram cerca de um mês a curar, outras persistem embora já diluídas no tempo. Afinal já se passaram três meses que saí do hospital
Rouquidão (resolvido)
Feridas no nariz que originavam problemas respiratórios (resolvido)
Tosse seca persistente (resolvido)
Alergias nas virilhas devido ao uso de cuecas de plástico (chamava a estas cuecas de CR7. Resolvido)
Perda do olfato e paladar (a caminho de os ter)
Cansaço generalizado (continuo com problemas)
Nevralgias (tive que arrancar um dente)
Perdi 10 kg e massa muscular (quase recuperados)
Falhas de memória (vou recordando aos poucos)
Cuidem-se!
Mário Lima