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BAIÃO CANAL | Jornal N.º 8 - Maio 2021

BAIÃO CANAL | Jornal N.º 8 - Maio 2021

JAIME MILHEIRO | OBLIQUIDADES (7)

Jaime Milheiro

 De compaginação improvável na  inteligência artificial ou nas   racionalidades costumeiras,  a Arte  concebe-se no conflito e   transporta-se no conflito, numa representação  que  necessariamente  comporta algo de mágico e de infantil.

Serão   os   sentimentos contraditórios do autor que a  fazem emergir e  dão forma ao objecto, sempre mais próximo do sonho do  que da realidade  pragmática e sempre mais assente na  sua própria narrativa  do que na história do tempo que passa.

Sem interioridades em desassossego nada haveria para criar, nada haveria para  construir, nada haveria para reconstruir. Os seres humanos apenas se repetiriam…

 

                                               (Despidos da consciência

                                               da Arte e do seu infinito… )

 

em práticas comerciais ou  em delongas instrumentais.

 

Em qualquer  sistema podem   existir objectos muitíssimo bem feitos,  excelentes reproduções do externo  com  eventuais  pozinhos em cima,  que nunca serão mais do que isso. Serão apenas repetições   sem Arte que  nada mobilizam, ausências de criação e de pessoalidade, coisinhas sem  alvoroço nem sobressalto que nunca farão parte de nós nem  ficarão na História...

 

                                               (Não suscitam oposição,

                                               nem no autor nem no leitor…)

 

mesmo  porventura  apreciadas  na valorização comum e no grupo social  que as enquadra.

 

Arte também só existe quando  indicia parcelas  inconscientes do desejo, embora isso seja bastante mais singularizado  nas  partículas  visuais e auditivas, porque nelas mais facilmente ressoam as   essências da misteriosidade.

No acto fabriqueiro, no acto transmissivo,  no acto  observador,   os seres humanos   repercutem  parcerias desejadamente motivadas e motivadoras. Para além do conflito, desejam  encontros e  reencontros   na criatividade expressa, pelo que  nunca haverá Arte sem espectadores, reais ou imaginários, assentes na estética e  na beleza.…

 

                                               (Na complexa conjugação  

                                               de impulsos, emoções e trocas

                                               paulatinamente  esboçadas....)

 

vicissitudes  que apenas as mentes humanas  estão aptas a desempenhar.

Os seres humanos têm necessidade de  beleza porque a recebem e integram desde o início na sua necessária vida de relação.

Procuram-na,  inundam-se com ela sempre que podem, uma vez que só a “beleza originária” revisitada (o rosto da mãe a sorrir-lhes) os compensa da ideia de morte e dos seus  incomensuráveis negrumes. Mesmo quando na infância destroem objectos só o fazem porque os imaginam  esteticamente reinventados e com isso gostosamente se ocupam.

Viver sem  beleza, procurada e sentida, mesmo rodeado de todas as tecnologias do mundo, será  uma derrotante incumbência.

Corresponderá à depressão total,  à  impossibilidade  de regresso às magias do passado, à fixação na jazida donde provimos e para onde certamente voltamos, sem alento na partida e sem  memória na chegada.

Só   mortiferos absurdos   admitirão que os instrumentos  a possam   substituir...

                                              

                                               (Nas maquinarias

                                               a desumanidade floresce,

                                               os estragos virão depois...) 

 

como se a beleza  e os sentimentos  de beleza  não passassem de   objectos de compra e venda facturáveis nas estações de serviço.

Jaime Milheiro

 

 

Ana Gomes acusa os dirigentes do PS de "silêncio ensurdecedor", sobre o caso de José Sócrates

Ana Gomes já reagiu à entrevista que José Sócrates deu à TVI e exortou o PS a posicionar-se, já que "aquela linha do "à justiça o que é da justiça, à política o que é da política" não é mais aceitável".

Ana Gomes, em entrevista dada ao Público e à Rádio Renascença, considera que o silêncio dos dirigentes do PS é insustentável. "Este silêncio é, de facto, ensurdecedor, porque dá ideia de que, ou há comprometimento, ou há demissão de uma assunção de responsabilidades que o PS também tem de fazer, porque o PS tem de aceitar que se deixou instrumentalizar por um indivíduo que tinha muitas qualidades mas também tinha tremendos defeitos, designadamente o de se aproveitar do cargo para tirar proveito pessoal."

Ana Gomes confirma candidatura à Presidência da República

Refere Ana Gomes que há conceitos ultrapassados que já não respondem à confluência do momento. "Aquela linha do 'à justiça o que é da justiça, à política o que é da política', que tem sido utilizada por António Costa, não é mais aceitável, sobretudo a partir do momento em que já não é só o Ministério Público... É também o juiz que vem dizer que aquele indivíduo é corrupto", substancia.

Ouça as declarações de Ana Gomes.pbs.twimg.com/profile_images/775630070371287040...

Fernando Medina, disse que o comportamento de José Sócrates "corroi o funcionamento da nossa vida democrática".

Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa já tinha quebrado o silêncio no seu espaço de comentário na TVI24, dizendo que o comportamento de José Sócrates "corroi o funcionamento da nossa vida democrática" e que a acusação decidida pelo juiz de instrução é de "enorme gravidade e singularidade", apesar de que à justiça ainda ceberá avaliar se é ou não culpado, o facto é que Fernando Medina considerou que, do ponto de vista "ético e moral" estamos perante um "facto da maior gravidade e singularidade" que é o de "pela primeira vez na nossa história conhecida, termos em julgamento, por um crime no exercício de funções, um ex-primeiro-ministro", referiu Fernando Medina.

Pedro Delgado Alves, outra voz da direção da bancada do PS, admite que o partido não fez soar a tempo as necessárias campainhas.

Refere a TSF que depois de Ana Catarina Mendes ter considerado injustas as críticas de José Sócrates, que acusou o PS de ter encomendado críticas através de Fernando MedinaPedro Delgado Alves, outra voz da direção da bancada do PS, admite que o partido não fez soar a tempo as necessárias campainhas.

"É hoje inegável que mesmo aquilo que o próprio José Sócrates dá nota que fez - dá nota que fez e confirma que fez entendendo que não foi ilícito -, mesmo isso não sendo um indício criminal, era algo que os militantes do Partido Socialista, os dirigentes do Partido Socialista, os eleitores da República portuguesa tinham o direito a saber." O socialista considera que os portugueses tinham o direito a conhecer mais cedo estes contornos, "para poderem tomar uma decisão sobre se achavam que aquela pessoa tinha idoneidade para exercer as funções que exerceu, e isso foi-lhes privado, intencional e dolosamente por parte de José Sócrates, que inviabiliza e anatemiza o Partido Socialista, queiramos ou não, gostemos ou não".

Este atraso na ação não deixa de ser, admite Pedro Delgado Alves, um elemento que permite apontar ao Partido Socialista não ter tido defesas e não ter feito "tocar alertas e campainhas suficientes para o impedir".

Na perspetiva de Pedro Delgado Alves, a defesa que José Sócrates empreende é um mau "combate" porque não vem defender as estruturas democráticas. "Isto não é um combate, daqueles que consideramos defenderem as democracias e as instituições. Isto é um mau combate. 

"Há um momento em que vão ter de responder"A Opinião de Paulo Baldaia

Paulo Baldaia, comentador de política nacional da TSF, também analisou os danos colaterais da entrevista de José Sócrates na TVI, e diz ser necessário um momento em que a "liderança do Partido Socialista, que é posta em causa por José Sócrates, mas, acima de tudo, o Partido Socialista que tem respostas para dar sobre o tempo em que Sócrates foi líder".

"Há um momento em que vão ter de responder", argumenta. "Dadas as respostas, designadamente pela líder parlamentar do PS, é um tema que estará, ou como um fantasma a pairar sobre o congresso do partido, que vai acontecer este ano, ou o Partido Socialista resolve de uma vez esse problema, não de um ponto de vista judicial, porque tem de ser a justiça a julgar os crimes que Sócrates terá praticado, mas há uma questão política que o Partido Socialista tem de resolver para si próprio e também para dar uma resposta aos que votaram Partido Socialista naquela altura e que votam Partido Socialista neste momento."

Rita Diogo | Quando perdemos alguém: o luto em pandemia.

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Todos nós já perdemos pessoas importantes na nossa vida. O luto não está exclusivamente ligado à morte, pode ser vivenciado também aquando do fim de um relacionamento, numa situação de doença grave, a perda de um emprego, uma situação extrema que resulta em alguma forma de incapacidade. Quando perdemos pessoas de quem gostamos e que têm um papel importante na nossa vida, os sentimentos que vivenciamos representam maior sofrimento quanto maior o nosso apego. Falemos, portanto, de luto enquanto a reação que temos diante da morte ou perda de um ser amado. Frente à instalação destas perdas significativas, o luto é visto como um processo mental que as designa, para o qual nunca estamos preparados, para o qual nunca fomos ensinados. A única coisa que temos como garantida no dia em que nascemos é que um dia iremos morrer e de, facto, estamos tão pouco preparados para enfrentarmos o fim da existência (nossa ou de outros). A constatação da fragilidade humana deveria ajudar-nos nesta tarefa, mas tal não acontece.

Em poucas horas após o conhecimento da perda ou morte de alguém querido, a maioria das pessoas sente uma espécie de atordoamento emocional, como se não pudesse acreditar que realmente aconteceu. Apesar de natural e comum, essa sensação de irrealidade pode tornar-se um problema se durar por muito tempo. Quando esta dormência emocional desaparece, pode ser substituída por uma terrível sensação de inquietação e sensação de querer ter a pessoa de volta, mesmo que isso seja claramente impossível. Nesta fase algumas pessoas sentem vontade de "ver" a pessoa amada onde quer que estejam - na rua, no parque, ao redor da casa, principalmente nos lugares que passaram juntos. Esta fase de inquietação e ansiedade pode trazer consigo sentimentos de raiva e/ou culpa que devem ser trabalhados. Segue-se a invasão da nossa alma por sentimentos de tristeza ou depressão. A apatia e desinteresse refletem, na verdade, pensamentos recorrentes sobre a pessoa perdida. Com o passar do tempo, o sofrimento do luto começa a dissipar-se, diminuem os sintomas depressivos e a pessoa sente ser possível começar a pensar noutras coisas, a olhar novamente para o futuro. Estas diferentes etapas do luto, muitas vezes, sobrepõem-se e mostram-se de maneiras diferentes em cada pessoa. A fase final de um processo luto é um "abrir mão" da pessoa que partiu e dar início a um novo tempo de vida. As pessoas são diferentes e diferentemente reagem à vida, tanto nos momentos bons como nos sofrimentos. O luto é uma vivência única que leva tempo, o tempo de cada um. O maior problema do luto é que tem de ser vivido e sentido. É normal chorar, ficar zangado, querer negar. É importante permitir-se sentir e chorar para poder reconstruir emoções.

Sabemos que os rituais associados à morte respondem a uma série de propósitos importantes no processo de luto: podem ajudar a tornar a morte mais real; oferecem a oportunidade de estabelecer ligações, de exprimir e partilhar pensamentos e sentimentos acerca da pessoa que faleceu e de, formalmente, dizer adeus; reúnem famílias e outros enlutados que se apoiam mutuamente. Sabemos que a vivência do luto, os rituais ligados morte foram drasticamente alterados com a pandemia: os funerais foram restritos, deixaram de ser fazer velórios, o corpo estava em caixão fechado. Estas alterações significam adiamentos nos processos de luto. Num contexto de pandemia, o abraço e a proximidade física com os outros não pode existir, há um afastamento da rede de apoio potenciando maior solidão e vulnerabilidade, podendo tornar o processo de luto mais prolongado e complicado. Viver uma crise interna (perda de alguém), dentro de uma crise pandémica pode acentuar os sintomas de ansiedade e depressão. Experienciar o luto, em simultâneo com as preocupações extremas que vivemos atualmente, pode significar que a elaboração das emoções, num processo de adaptação à perda, seja mais penosa e prolongada. O isolamento pode, pois, dificultar a elaboração do luto. Em momentos de crise, quando há um fluxo constante de atualizações da informação com características maioritariamente angustiantes, as pessoas podem não conseguir reconhecer a dimensão da sua dor, desvalorizá-la perante as circunstâncias globais e, consequentemente, não responder adequadamente às suas próprias necessidades.

Em Portugal, perto de 17 000 pessoas perderam a vida por COVID19. Se alguém morre por COVID19 ou de complicações daí resultantes, podem ocorrer situações particularmente difíceis para a família e amigos. O controlo de infeção pode implicar que os membros da família não tenham a oportunidade de acompanhar nas últimas horas e dias de vida, ou mesmo de se despedirem. Dependendo do caso, a doença pode progredir e tornar-se grave muito rapidamente, o que pode levar ao choque. Se não puderam estar presentes no momento da morte e não puderem ver o corpo, pode ser ainda mais difícil aceitar a realidade de um luto. O enquadramento social da crise faz com que as pessoas em luto estejam expostas a histórias que destacam a natureza traumática da morte. Numa situação de pandemia, inevitavelmente existe muita discussão sobre a morte e o morrer e isso pode trazer sentimentos e emoções difíceis de gerir, para pessoas com problemas de ansiedade e saúde mental. Também pode trazer lembranças de lutos passados e o medo da morte, bem como trazer sentimentos de medo acerca da sua própria morte.

É, por tudo isto, importante não sentir culpa daquilo que se sente, entender que cada um reage de uma maneira individual e muito própria, de acordo com a sua história, com a natureza da relação com o objeto da perda, com os seus recursos internos e também com o apoio e conforto social encontrado e/ou disponível. É também importante pedir ajuda quando o sofrimento se prolonga no tempo e quando a sua intensidade impede o retomar das rotinas.

Jaime Froufe Andrade | Histórias avulso

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(A pandemia pôs-nos à espera do futuro. Parados pelo vírus, talvez seja tempo para percebermos o que deixámos para trás. É essa a proposta de Histórias avulso)

Balada imperfeita

 

Ele estava ali sentado com a calma / de quem nunca fez mal a ninguém / de quem apenas tem / o seu dia-a-dia para viver / Pessoas tristes passavam em ondas / enquanto ele / pacificamente / tirava migalhas dos bolsos para dar às  pombas.

Murmurei estas palavras ao ver um sem-abrigo sentado no lancil do passeio, a socializar com o símbolo vivo da paz. Decidi destiná-las a uma canção para dedicar a esse amigo do tempo de juventude. E que agora tinha ali à minha frente, na dura condição de sem-abrigo. A canção, infelizmente, não passou desse impulso inicial. 

Quando calhava de encontrar o Alberto Abreu na baixa do Porto, conversávamos como se, para nós, não houvesse amanhã. Acabava sempre por lhe recitar esse início da letra O Alberto ria-se como só ele sabia fazer. Grande cena, meu..., comentava animado. 

Não me despedia sem deixar a promessa: Para a próxima, vais ver, já te trago a letra… Entretanto, ele partiu amortalhado pela sua paz, fazendo-me prova do que há de irremediável na morte de um amigo a quem se ficou a dever uma canção.

O Alberto não era um qualquer. Foi músico de sucesso. Percebi logo, naquela vez, em minha casa, quando lhe passei a guitarra para as mãos… Afinou-a (para mim ela estava afinadíssima) e, com encantatória desenvoltura, pôs-se a dedilhar as cordas, a cantar uma balada de uns rapazolas da nossa idade: Is there anybody going to listen to my story All about the girl who came to stay?. Foi essa a primeira vez que ouvi Girl, dos Beatles. Por obra e graça do Alberto, aquilo foi canção para toda a vida. Ainda hoje a trago no ouvido.

Agora aqui estamos outra vez, ambos já em fim de linha, neste que, sem o sabermos, será o nosso último encontro. A tarde move-se vagarosa, ao ritmo das nossas lentas histórias. Enquanto o ouço, faço-lhe a síntese: o Alberto é um catraio no riso, um senhor no trato, um velho precoce, devido às partidas da vida. 

Muito para trás ficou a sua carreira nos Tártaros, banda que deixou marca no Porto e até no país. Estrondosos êxitos como a Valsa da Meia Noite e Ó Rosa arredonda a saia (1) animaram programas radiofónicos de discos pedidos, festas populares em grandes recintos, ou soirées dançantes nos clubes sociais da cidade.

A sua condição de sem-abrigo obriga-me a uma constante actualização sobre o seu paradeiro. Por isso, à despedida, a inevitável pergunta: E então onde estás agora? 

Alberto, o meu amigo músico a quem fiquei a dever uma canção, irá passar a noite ao relento, - fiquei a saber - na Rua Sá da Bandeira. 

Irá dormir aos pés da Rádio Renascença que tantos êxitos dos Tártaros mandou para o ar.

 

OS TÁRTAROS - OH ROSA ARREDONDA A SAIA) (Alberto Abreu, em primeiro plano, à direita)

Jaime Froufe Andrade

 

Natércia Teixeira | “O politicamente correto..."

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“O politicamente correto, continua a ser o melhor disfarce para o intelectualmente estupido”

Guilherme Fiuza

O conceito descreve expressões, políticas e ações que evitem ofender, excluir ou marginalizar pessoas ou grupos que são vistos como diferentes ou desfavorecidos.

É indiscutível obenefício de códigos de conduta que promovam princípiosde respeito por todos, convém no meu entendimento, não nos deixarmos estrangular por regras, ao ponto de nos tornarmos obtusos.

Assisti incrédula no passado dia 1 de Abril, tradicionalmente designado por dia das “mentiras” a uma indignação bastante expressiva, tanto em número como em tom, pela supostaapologia de um comportamento, obviamente errado.

Recuando ao sec. XVI, depois da adoção do calendário gregoriano em que o início do ano ocorre a 1 de Janeiro, alguns franceses continuaram por teimosia ou convicção a comemora-lo a 1 de Abril como era tradição até 1564.

Para ridicularizar os casmurros, alguns galhofeiros,engendravam planos para os convidar nessa datapara festas que não existiam, daí se passar a designar o dia 1 de Abril como o Dia das Mentiras.

Como se percebe, a génese, da agora controversa data assenta afinal de contas em brincadeiras absolutamente inofensivas.

Não tão inócua parece-me ser a confusão instalada sobre a fronteira que separa uma ofensa de uma brincadeira…onde começa uma e termina a outra.

Contribui para esta falta de discernimento quanto aos limitesum crescente e generalizado, mais ou menos hipócrita, excesso de suscetibilidade e um não tão hipócrita e pouco abonatório,estreitamento da capacidade salutar e inteligente de nos rirmos uns com os outros e de nós mesmos.

Suponho que nisto como em tudo o bom senso é um bom fiel da balança.

Acredito também que o défice generalizado de sentido de humor se prende muito poucocom as condições adversas que vivemos globalmente ou com as que cada um carrega particularmente e muito mais se poderá atribuir ao espartilhamento mental a que somos induzidos e a que estamos sujeitos.

Somos, desde muito cedo formatados para a seriedade e chegamos à idade adulta, velhos e sem sentido de humor.

Temos a sorte de a vida nos dar oportunidade e por regra tempo para reconsiderar a postura…aprender, treinar e aprimorar…chegar à meia-idade com sabedoria suficiente para perceber que o caminho para a felicidade passa pornão nos levarmos demasiado a sério.

Partindo desse principio talvez seja de maior inteligência esquecer moralismos inúteis e brincar como se brincava no tempo em que a única preocupação era apelar à criatividade para engendrar a melhor patranha.

Pessoalmente não constatei ter havido dano no colega que há uns bons anos atrás foi mandado à papelaria comprar tinta para o selo branco, nem tenho conhecimento de trauma na colega estagiaria que foi induzida a ir ao gabinete da presidênciaporque supostamente a teriam lá chamado para a repreender por uma qualquer gafe.

Também não tenho memória de nesse tempo alguém se lembrar de considerar impróprio existir um dia dedicado à chalaça…talvez porque não existia o politicamente correcto…existia o correcto, o incorrecto, o inteligente e o estupido….sendo certo que desseultimo não há politica que nos salve.

Natércia Teixeira

DUAS DE LETRA | Lourdes dos Anjos | Nasci e cresci em duas fabulosas IPSS'S.

Lourdes dos Anjos

Na primeira, a que abrigou o meu berço, tive direito a lençóis de neblina bordados  pelas mãos da Emilinha Viúva, que vivia na ilha do Esgazeado .Nesta instituição de solidariedade , a casa dos meus pais,  havia sempre lugar para quem quisesse trabalhar e respeitar  os outros, sem perguntar o que fez ontem, mas querendo saber o que queria do dia de hoje e dos seguintes, onde se exigia respeito e se criavam os valores morais que me foram acompanhado  pela vida fora ;onde se respirava liberdade sem libertinagem e a palavra patrões tinha um  significado quase fraterno. 

Na casa onde nasci, conheci, sem nunca fazer perguntas, apenas alinhavando palavras e lágrimas e  ficando com dúvidas que a vida depois se foi encarregando de apagar, dizia eu que conheci na casa onde nasci, mulheres matriculadas, mães viúvas sem pão para dar aos filhos, moçoilas enganadas pelos magalas seus namorados antes da partida para o ultramar, senhoras que viviam por conta de doutores ou industriais importantes e as quais eram o espelho do desafogo financeiro dos seus "amos", esposas viúvas de homens vivos que as trocaram por mulatas  dos Brasis, e muitas mulheres que para levarem o filho ao "senhor doutor médico" empenhavam a aliança, a cabeça da máquina de costura, o rádio  ou o relógio de bolso  do marido.
 Sempre me ensinaram a viver com as diferenças e nunca me sentir mais ou melhor nesta roda onde girámos fazendo a vida.
Vi muitas vezes a minha mãe comer uma cabeça de carapau e dar a uma empregada um bife grelhado com batata cozida porque a doença por ali se passeava e ela queria que fosse assim.
Sempre que as minhas roupas ou as dos  meus sobrinhos deixavam de servir, iam, pela tardinha, quase escondidas, parar a algumas casas das ilhas do Bonfim onde quatro filhos dormiam numa cama ... dois para os pés e dois para a cabeceira ;mais duas raparigas que partilhavam  um divã desengonçado e estreito separado por uma cortina de "cretone" da cama do casal.
Aprendi , a olhar os carros elétricos cheios de operários pendurados nas portas para fugir ao pagamento dos 12 tostões do bilhete e percebi bem cedo que ali,dentro  daquela casa cheia dos silêncios e do amor dos meus pais, havia um muro que se saltava e dava fuga para o bairro Higiénico ou para o Canto do Rio, em Fernão de Magalhães, sempre que a PIDE aparecia fora de horas para levar alguém para o "hotel" da rua do Heroísmo. Não se diziam nomes nem razões, apenas se dava força aos homens do "reviralho" que desafiavam os poderes religioso ou político 
Foi a primeira IPSS que conheci .Foi o meu berço, o meu acordar, o abraço  firme da Nobre Gente da minha cidade.
 Lá dei os primeiros passos e aprendi a correr para uma outra IPSS, mais distante, no lugar do SENHOR DO TERÇO, em Salreu, a casa dos meus avós, do MANUEL LOBO onde os marinhões que vendiam lenha e pinhas, ou o  mendigo  João da Nanaita recebiam sempre um naco de broa e um pedacito de carne gorda  para a merenda.Onde  o carteiro, o  Alberto Antão o "CALDO QUENTE " que carinhosamente me chamava cachopa tripeira , bebia uma malga de água fresca   com uma colherada de açúcar amarelo  em tardes escaldantes   de verão.Onde as filhas do ZÉ DA SERRANA e a MARIA PEQUENA gostavam de beber o café de mistura feito numa cafeteira brilhante como prata, divorciada das brasas da lareira e apaixonada pelo senhor fogareiro a gás, enquanto ouviam,  "SIMPLESMENTE MARIA", um  rádio teatro que parava o nosso mundo de então.E  até quando o MANEL "QUERES CARNE" andava fugido da vergasta da mãe, a TI CELESTE PEQUENA, também havia para ele abrigo e mesa. Não esquecendo  também o padre ANTÓNIO FERRUGEM que aí procurava o sorriso e o abraço da minha avó ou o baralho das cartas do meu avó para jogarem à bisca dosnove  ou ao burro
 Duas casas, duas instituições de solidariedade e paz onde me fui fazendo gente  umas vezes rindo e muitas outras chorando ...mas sempre  com o sonho de conseguir ser Livre e Feliz em tempos de servidão 
Por isso gosto de vos contar coisas que vivi com as "dirigentes" dessas casas  com as portas abertas para o mundo .
 Duas ADELAIDES (mãe e filha), duas mulheres que, para mim, são imortais.
Da minha avó guardo o cheiro do cabelo, a cor dos olhos, os carinhos de uma mão áspera e doce, as palavras que me respondiam a cada pergunta que só a ela podia fazer e... ficavam entre nós , porque eram segredo só das duas.
Da minha mãe guardo,  o olhar atento, a palavra muitas vezes azeda, a voz de comando , a lucidez duma mulher que desenhou caminhos e cruzou lugares de  quase guerra para continuar a  ser o orgulho dos netos que tanto amou . 
Nos seus últimos anos de vida já não tinha a porta aberta para  quem  tinha menos que ela porque  já temia a noite e não sabia  se nasceria para ela   um novo dia mas  dizia que gostava  de estar cá  porque há muitos anos tinha feito  com o meu pai um pacto de fidelidade e amor que tinha  a certeza nunca se quebraria e portanto sabia que ele continuava  a esperá-la numa qualquer porta de uma outra vida qualquer...
 Duas casas.Duas Instituições Públicas de Solidariedade Social, que não sendo saudosista, são a minha enorme saudade.
Era na casa, na rua, com os vizinhos, com os catraios da outra rua que os novos cresciam e era com as mesmas pessoas que os velhos chegavam ao fim da linha de vida.SOCIALMENTE.SOLIDARIAMENTE.  
Na  minha casa, na casa  que me abriga  tento adormecer com paz na alma e a certeza que TODOS somos capazes de melhorar o mundo  sempre que  o nosso lar for ninho , os nossos passos seguirem pelos caminhos da fraternidade e as nossas palavras forem pedras que constroem novos caminhos para um país livre , verdadeiramente livre. 
E ainda  gosto de mim e gosto de ser este EU apesar de me desencantar este tempo badalhoco que me sufoca  e contra o qual já não tenho forças para lutar
 Os banqueiros  construiram com os políticos do mundo , enormes,moderníssimas e fraudulentas" IPSS'S" sem alicerces humanitários e sem  moral, onde se partilham os valores financeiros feitos com os dinheirinhos de quem trabalha e depois se aplicam em paraísos onde os imperadores adormecem á sombra das bananeiras, rodeados de meninos e meninas que os vão entretendo como faziam os anões das cortes do rei sol .
Como mudou o mundo entre o tempo em que poucos sabiam o significado de democracia ou solidariedade e nem sequer sabíamos escrever INSTITUIÇÃO ou CONSTITUIÇÃO porque eram palavras com  muitas sílabas... 
 Restam -nos IMPÉRIOS PORCOS  E SELVAGENS   construídos com os nossos silêncios e alguns votos onde os ditadores sem rosto, sem escrúpulos e sem nacionalidade retalham os braços daqueles que sonharam por inteiro, a LIBERDADE.
Talvez os mais jovens acordem numa madrugada dum mês qualquer e sejam capazes de semear por aí as rosas perfumadas que uma rainha escondeu no seu manto  onde havia o sonho de pão e paz para os PORTUGUESES.
Lourdes dos Anjos

Eduardo Roseira | PORTUGAL 47 ANOS DEPOIS DO 25 ABRIL

Eduardo roseira

Era eu miúdo, “obrigaram” os meus pais a partir para terras portuguesas do Império, acenando-lhes um futuro promissor.

O Estado português, “vendeu” aos meus pais, a mim e minha irmã, assim como a muitos portugueses que optaram pelas terras de áfrica em busca de melhor futuro, a defesa de uma “Pátria Una e Indivisível”, com uma guerra imposta.

Mais tarde, ofereceram-me um futuro risonho e de esperança chamado democracia, chamado 25 de Abril, era a Revolução dos Cravos, o tempo de renovada esperança e o acreditar num futuro melhor para todos os portugueses e africanos que teriam nas mãos a construção do seu próprio país. Porém, logo me abandonaram duplamente:

- 1.º - Como cidadão português, quando me devolveram ao remetente, com o carimbo de retornado;

- 2.º – Como ex-combatente, que obrigatóriamente fui, em defesa de uma causa que me diziam justa e nacional;

Eu porque sempre me guiei desinteressadamente, pelos lemas da Solidariedade e da Liberdade, apesar destese doutros abandonos, ainda acreditei nas promessas e no meu país, só que ao longo dos anos, questiono-me sobre o que é que nos deram em nome da tal democracia?!

Desemprego, corrupção e mais um sem fim de falsas promessas e constantes retiradas dos valores ganhos com a revolução, na saúde, educação, justiça e outros tantos, cuja lista é enorme.

Mas quem sou eu para estar aqui a queixar-me, perguntarão todos vós.

A minha resposta chega-vos através das palavras dum HOMEM, proferidas em 1984, ou seja, DEZ anos depois da revolução do 25 de Abril:

 

“Passados dez anos, será interessante assinalar a evolução dos comportamentos de muitos dos intervenientes, em especial os políticos e militares que conseguiram passar de um regime a outro, sempre na crista da onda, e que, com as lutas pelo Poder, ajudaram a dificultar a evolução desejada. Por outro lado, não acreditando em democracias musculadas nem no sebastianismo, resta-nos, na orgulhosa situação de implicados no 25 de Abril de 1974, criticar os muitos que pagam o idealismo e a generosidade dos Capitães de Abril com o mesmo comportamento que caracterizou o regime nascido em 28 de Maio:

- a corrupção;

- a incompetência;

- o compadrio;

- o circo do Poder.

Até quando?”

 

            Estas palavras são do saudoso Capitão de Abril, Salgueiro Maia.

 

Agora com os meus 70 anos de idade, embora muito desiludido, não me quero abster e muito menos render, mas sinto todas as liberdades e direitos ameaçados e por talpergunto:

- Valerá a pena acreditar em mais alguém?...

 

Mas eu, como sou feito de esperança e poesia, agarro-me e acredito nestes versos de José Carlos Ary dos Santos:

 

Se Abril ficar distante,

desta terra e deste povo,

a nossa força é bastante

p’ra fazer um Abril novo.

 

 

Eduardo Roseira

Abril de 2021

PROVA DE VIDA | Arnaldo Trindade

Arnaldo Trindade.jpg

UM CAFÉ HAVIA

 
um café havia
ao qual eu ia
onde importante
gente de letras
criticavam poesia
dizendo umas tretas
só os de sua mesa valiam
a esses hosanas repetiam
 
bem melhor ao domingo
lá ir namorar
ninguém lá estar
nem sequer a vaidade
no café que havia
na minha cidade
 
Arnaldo Trindade
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Anedota
 
Na  Alemanha de Hitler ,a espionagem nazi, construiu aldeias inteiras a imitar
 as britânicas, para os seus agentes treinarem no seu solo a língua e os
costumes do seu inimigo de então e serem depois lançados no Reino Unido
em paraquedas e lá viverem como verdadeiros gentlemen!
Dois dos melhores agentes recém chegados , já devidamente trajados à inglesa
foram fazer seu primeiro teste real num pub!
Lá chegados dirigiram-se ao balcão do bar, pedindo:
 
-Two Martinis ,please
--Dry?...  pergunta o bartender.
-Nein zwei! ... respondem os espiões  em uníssono.
 
O resto da história e como acabou, não sei
Arnaldo Trindade
 

Aníbal Styliano |OS PEQUENOS TAMBÉM SÃO GRANDES (6) | Futebol de rua

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Hoje é dia de regresso ao passado para reforçar a memória futura.                                         

De região para região, surgiram novas regras com a mesma intenção: jogar futebol.

Jogoscom fortes emoções, jogadas geniais e quando alguém consegue fintar, o aplauso é geral.

Depois, sem interferência de adultos, a liberdade do jogo. Sem transmissões televisivas, sem troféus mas com o reconhecimento e “fama interpares”, não há pais, nem treinadores, a discutir mas lideranças espontâneas… onde, apesar de poder sair de qualquer boca um palavrãozito imparável desconhecem-se palavras difíceis, como corrupção ou suspeição. Tudo é transparente.

A bola cria um mundo novo, um sonho, um tempo único que não nos sai da cabeça e provoca um sorriso diferente,com autenticidade.

As regras do futebol de rua podem servir como uma estratégiade treino nos escalões mais jovens. Uma vez por semana: por sorteio, escolhe-se um jogador; ele levará a bola para o centro; depois marcam-se as balizas com dois sapatos/chuteiras/ténis; escolhem-se dois capitães e, cada um na sua vez, escolhe um jogador, num processo que só termina quando todos estiverem escolhidos. O jogo termina quando uma equipa conseguir 10 golos, ou ao fim de 30 minutos. Se a bola for para um lugar afastado, quem a enviava era quem a teria de a ir buscar. Treinador observa e toma notas de processos e de pormenores. O jogo não tem árbitro, decorre naturalmente.

 

Regras gerais da minha infância (e de muitas outras e com testemunhos afins):

1- O Guarda-redes é quem se voluntariar; caso ninguém queira ir para a baliza, faz-se um sorteio.

2- O jogo muda aos 5 e acaba aos 10 (ou quando todos estão cansados).
3- Mesmo que uma equipa esteja a vencer por muitos, se alguém disser “quem marcar o último golo, ganha”, assim será.
4- Nunca há árbitro.
5- Só se marca falta e livre, se tiver sido um lance que todos viram, ou se alguém se magoar e chorar.
6- Não existe o fora-de-jogo.
7- Se o dono da bola se zangar, pega nela e acaba o jogo. Os outros tentam arranjar logo outra bola.
8- Os melhores jogadores, para não desequilibrarem as equipas, jogam como adversários e são eles que escolhem o resto da equipa; para isso, colocam-se frente a frente, a uma distância marcada por uma linha no solo e vão colocando um pé encostado à frente do outro, alternadamente e em linha, até se tocarem. O primeiro a tocar o pé do adversário é quem começa a escolher.
9- Os últimos a serem escolhidos são os que jogam menos bem.
10- Na marcação dos livres, a barreira fica sempre perto da bola (2 passos no mínimo)
11- O jogo interrompe-se quando passa um adulto ou uma senhora com um bebé.
12- A partida pára quando a bola entra num quintal vizinho ou parte um vidro de alguma casa, ou quando passa um camião, autocarro ou carro. Se forem motas ou bicicletas, pode seguir o jogo.
13- São “adversários ferrenhos” os jogadores do bairro mais perto (a não ser que se mude de residência e nesse caso pode acontecer “transferência”).

14- Os que não sabem dar um pontapé na bola, são suplentes, defesas ou guarda-redes.
15- Pode haver moradores que tentem impedir o jogo (ameaçando que ficam com a bola, ou que vão chamar a polícia).
17- Joga-se como uma final.
18- As balizas são duas pedras, latas, peças de roupa, sapatos e uma equipa vai sempre tentar conseguir ter uma baliza mais pequena.
19- Quando uma equipa marcar um golo por cima do guarda-redes, a equipa adversária vai gritar “FORA”(para que o golo não seja validado).
20- Os “foras” podem são marcados com o pé, ou com as mãos e é possível atirar contra um adversário, árvore ou outro qualquer objecto e seguir a jogada (só é fora se for impossível jogar nesse local).

21- Os muros, árvores e outros obstáculos, podem ser utilizados para tabelar.
22- Num penálti, o guarda-redes sai da baliza e quem vai tentar defender é o melhor jogador.

23- Durante o jogo, quando o resultado começa a ficar desequilibrado, a equipa que vence envia um jogador seu (ou mais que um) para a outra equipa (para dar “forra”, ou seja, para equilibrar o jogo).

24- Todas as bolas são autorizadas (plástico, couro, borracha, papel, meias e outros materiais) e os jogadores podem jogar descalços ou calçados.

Assim nascem sonhos únicos, amizades para a vida e talentos que encantam.

 

Aníbal Styliano (Professor e Comentador)

Manuel Cardoso (Paradela) | O Poema Sinfónico

Manuel Cardoso

Após um pequeno interregno, aqui me encontro vagueando pelos caminhos das formas musicais. Lá terei que me socorrer dos conhecimentos e dos apontamentos guardados do meu distinto professor de história da música padre Joaquim Marques da Silva.

A orientação estético-musical romântica referente à grande forma musical instrumental teria a sua concretização mais característica no poema sinfónico.

Para melhor compreensão desta forma, torna-se oportuno fazer a distinção entre música pura e música programática.

Ora no mundo musical surge-nos frequentemente na prática musical dois mundos distintos: Um abstrato, mais subjetivo, livre de qualquer conivência com a palavra e a escrita literária e um outro concreto, mais objetivo, ligado a um texto justificativo ou a uma imagem. O primeiro estaria representado pela música puramente instrumental (camerística ou sinfónica). O segundo pela música a que chamaríamos literária (vocal ou instrumental).

Enquanto no primeiro a música se exprime por si própria, sugerindo ideias e emoções, no segundo, a música associa mais diretamente a palavra ao gesto, numa forma simples como o Lied ou como numa forma mais complexa como a ópera.

Aliás toda a música é sempre orientada por uma necessidade explicativa. Só que a puramente instrumental força o ouvinte a ler nas estrelinhas, não pode exprimir mas somente sugerir. Ao passo que a vocal ou instrumental programática, traduz essa exigência duma maneira mais evidente e concreta.

Na qualidade de arte temporal, a música não pode descrever seja o que for, mas apenas sugerir impressões momentâneas, isto é, impressionar ou emocionar enquanto se realiza, ao invés de outras artes que se prestam à descrição e à contemplação.

Pelo exposto, já é possível determinar o sentido da expressão Música Programática  a que me referirei no próximo artigo.

Hoje fico-me por aqui para não entediar quem passa o olhar pelos artigos que vou escrevendo, e os leva na leitura até ao fim.

Até ao Próximo.

Manuel Cardoso (Paradela)

JSD | Confiança. Capacidade de adaptação. Resiliência.

JSD

É cada vez mais importante que se pense nos impactos que o último ano teve no bem-estar físico e psicológico das pessoas tanto a nível pessoal como profissional. Assim sendo, é de grande significância que, agora, mais que nunca haja uma adaptação à “nova realidade” pandémica, onde a mudança afetou muitas empresas e a forma como estas funcionavam.

Destaco três características que penso serem essenciais para o bom funcionamento de uma empresa. Confiança. Capacidade de adaptação. Resiliência.

 

- Confiança -

Mostrar e transmitir confiança aos funcionários, incitará neles uma maior segurança uns nos outros, o que melhora o trabalho em equipa e consequentemente, também os resultados da empresa. Quando se trabalha num bom ambiente, em que todos tem um objetivo comum, os resultados são notórios. É também importante que no nosso local de trabalho haja um bom ambiente pois isso terá consequências positivas tanto a nível pessoal como profissional.

Os funcionários devem sentir-se confiantes e dispostos a dar o seu melhor para bem da sua equipa e da organização em que trabalham.

 

- Capacidade de adaptação –

A capacidade de adaptação é sempre importante numa empresa, seja esta de que setor for. Temos em mente, as adaptações a que as empresas se viram sujeitas com a presença da pandemia. Percebeu-se que, não há necessidade de estar num escritório para que os resultados de um funcionário sejam cumpridos, isto é, através de uma boa gestão de tempo é possível que se consiga conjugar a vida profissional e pessoal, mais uma vez, a confiança que um líder mostra para com um funcionário pode também ser importante para que este tenha mais vontade de mostrar as suas capacidades e queira mostrar que mesmo não estando a trabalhar segundo o meio presencial que os resultados podem ser iguais ou até mesmo melhores.

Perante a atual pandemia verificou-se que nem sempre a mudança era o que causava mais medo e desconforto, mas sim, o desconhecido, a incerteza de quando esta fase menos boa irá terminar.O medo de perder o emprego, causou nos trabalhadores uma maior resiliência, o querer mostrar que conseguiam ultrapassar as dificuldades, apesar das adversidades da “nova normalidade”.

 

- Resiliência –

A resiliência entende-se como a capacidade que um indivíduo tem quando tem de lidar com eventuais problemas que possam surgir no dia-a-dia, a sua capacidade de adaptação a mudanças, a superação de adversidades que possam eventualmente aparecer e a capacidade quetem em resistir à pressão de decisões que por ele tenham de ser tomadas.

Note-se que, normalmente, quanto mais alto o cargo desempenhado, maior é a probabilidade de ser resiliente, o que é muito importante pois transmite confiança aos potenciais clientes, no entanto, é importante que nunca sejam esquecidos os esforços e dedicação de todos aqueles que trabalham para que as empresas tenham bons resultados, daí que não seja esquecida a importância que a confiança que se demostra uns pelos outros, independentemente do cargo desempenhado dentro da empresa, pois todos trabalham para um bem, o sucesso da mesma. Os trabalhadores não devem ser vistos como um meio para atingir um fim, mas sim, como parte integrante do “puzzle”.

Estas características estão presentes no perfil do candidato Paulo Portela, empresário com experiência e a escolha do PSD de Baião para liderar as eleições autárquicas no próximo mês de outubro de 2021.

Vimos nele aquilo que pensamos ser o perfil de um bom líder, apaixonado por aquele que é o seu concelho, Baião, e com uma visão posta no futuro. Um futuro em que Baião será um exemplo no país. “Vamos, juntos, fazer bem e diferente”, e para tal, devemos “Pensar, planear, criar um futuro melhor”.

 

Margarida Carvalho

JSD Baião