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BAIÃO CANAL | Jornal N.º 12 - Julho 2021

BAIÃO CANAL | Jornal N.º 12 - Julho 2021

Covid-19: Vacinação de professores e auxiliares atrasada uma semana

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Lisboa, 08 abr 2021 (Lusa) – O processo de inoculação dos professores vai sofrer um atraso de uma semana, devido às restrições introduzidas na utilização da vacina da AstraZeneca, afirmou hoje o coordenador da ‘task force’ responsável pelo plano de vacinação contra a covid-19.

“Vamos adiar uma semana a vacinação dos docentes e não docentes, que serão vacinados não neste fim de semana, mas no outro, com as vacinas que forem apropriadas, seguindo a recomendação que acabou de ser emitida”, disse o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, acrescentando: "Não vai haver nenhum impacto além disto. As vacinas são suficientes para continuarmos o nosso plano".

Em conferência de imprensa realizada na sede do Infarmed, em Lisboa, que contou também com a presença da diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, e do presidente da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), Rui Ivo, o coordenador da ‘task force’ salientou que o impacto da recomendação do uso da vacina em pessoas acima de 60 anos será “pequeno” no contexto do processo em curso no país.

“Temos uma população acima dos 60 anos superior a dois milhões de habitantes, portanto, a vacina da AstraZeneca, sendo útil na vacinação dessa população, o plano não vai sofrer grandes alterações e será útil para conseguir dar proteção a uma população mais idosa. Vai ser usada precisamente para isso”, explicou, sem deixar de manifestar a expectativa de que "no fim de maio a maior parte da população com mais de 60 anos esteja praticamente toda vacinada com a primeira dose".

Já na terça-feira, o primeiro-ministro admitiu que, se fosse confirmado pela EMA a existência de um "berbicacho" com a vacina contra a covid-19 da AstraZeneca, haveria inevitáveis consequências na morosidade dos planos de vacinação da União Europeia.

"No quadro da União Europeia, consideramos que é fundamental que haja uma posição uniforme relativamente às recomendações e indicações fixadas pela EMA no que respeita a cada uma das vacinas. Se houver um berbicacho, então isso terá inevitáveis consequências no processo de vacinação", apontou o primeiro-ministro na altura.

Na quarta-feira, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) indicou uma “possível ligação” entre a vacina da farmacêutica AstraZeneca e “casos muito raros” de formação de coágulos sanguíneos, mas insistiu nos benefícios do fármaco face aos riscos de efeitos secundários, dada a gravidade da pandemia.

No mesmo dia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que essa ligação é “plausível, mas não confirmada”, considerando que são necessários estudos especializados.

Vários países já decidiram, entretanto, traçar limites e não administrar a vacina da AstraZeneca abaixo de certas idades por uma questão de segurança: 30 anos no Reino Unido, 55 anos em França, Bélgica e Canadá, 60 anos na Alemanha, Itália e nos Países Baixos ou 65 anos na Suécia e na Finlândia.

Em Portugal, morreram 16.899 pessoas dos 825.633 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

 

JYGO/PC (SCA/ANE/PMF) // HB

Lusa/Fim

Operação Marquês: presidente do Supremo diz que decisão terá repercussões na justiça e na política

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O ex-primeiro ministro José Sócrates vai saber esta sexta-feira se vai ou não a julgamento.

O presidente do Supremo Tribunal de Justiça considera que a decisão instrutória da Operação Marquês terá repercussões na justiça e na política e reconhece ser incompreensível o tempo excessivo da investigação e da instrução dos megaprocessos criminais.

No caso da Operação Marquês, cujo principal arguido é o ex-primeiro ministro José Sócrates, que na sexta-feira saberá se vai ou não a julgamento, “a decisão [instrutória] seja ela qual for, é um teste à resiliência da justiça e também da política e terá influência necessariamente”, afirmou António Joaquim Piçarra, em entrevista à agência Lusa, sublinhando que o arrastamento do processo durante longos anos é insustentável.

O juiz conselheiro discorda da forma como se processa a fase de instrução e quer propor restrições, ficando esta etapa facultativa apenas para que um juiz avalie o arquivamento de um inquérito, após queixa e, nos casos em que há acusação, esta ficaria limitada à avaliação das provas produzidas na investigação para ponderar se havia matéria criminal para levar o caso a julgamento. “A instrução deveria ser apenas a comprovação judicial do arquivamento ou da ida ao julgamento. O juiz de instrução não é um julgador nem um investigador”, disse.

Para o presidente do Supremo Tribunal, cujo mandato termina a 18 de Maio, o excessivo tempo que alguns processos demoram até à conclusão “é inexplicável e insustentável”.

Quanto à gestão dos megaprocessos, o conselheiro concorda com a proposta do Governo sobre a possibilidade de separação dos processos, com a alteração do artigo 30 do Código Processo Penal, mas reconhece que estes grandes casos, quase todos sobre criminalidade económica e financeira, necessitam de mais tempo de investigação dada a sua complexidade. Contudo, acrescenta, “um julgamento que demore um ano é inexplicável por mais complexo que seja”.

António Joaquim Piçarra vai abandonar o cargo de presidente do STJ a 18 de Maio, quando fizer 70 anos e passar à condição de jubilado.

Em jeito de balanço sobre os quase três anos à frente do STJ e por inerência do CSM, admitiu que sente alguma frustração por não ter conseguido que os cidadãos já tivessem acesso as decisões judiciais numa linguagem mais perceptível e pela morosidade de alguns processos.

“Gostaria de deixar uma imagem de total transparência e abertura à sociedade quer na comunicação do Conselho quer na comunicação do Supremo com a sociedade civil e com a comunicação social, mas o que eu gostaria, e nesse aspecto sinto mais frustração, é que ainda não há uma democratização da linguagem nas decisões judiciais”, referiu.

O sentimento de frustração também está associado à morosidade dos processos: “Nunca me passou pela cabeça que no fim do mandato, decorridos três anos, ainda estivesse agora a conhecer as decisões instrutórias de alguns processos. Fico de facto muito frustrado com isso porque para mim já deveriam estar julgados”.

Sobre a hipótese de o lugar cimeiro do STJ vir a ser ocupado por uma mulher, depois de, pela primeira vez, uma juíza ascender à vice-presidência do Supremo, o conselheiro disse “não ter qualquer rebuço” sobre isso, mas não quis falar sobre a sucessão por estar a decorrer uma campanha eleitoral.

“Acho que já é altura de pelo menos uma mulher ocupar a vice-presidência do Conselho e ai estou perfeitamente à vontade para falar porque ainda não há candidaturas. Quando ao Supremo quero manter-me equidistante de todos os candidatos”, frisou.

Sobre a postura que vai assumir quando abandonar a judicatura, António Piçarra afirmou que será um “espectador atento e preocupado”, mas que não tenciona ter uma intervenção pública. “Entendo que os juízes não devem estar submetidos ao silêncio, muito menos quem exerce ou exerceu cargos de responsabilidade, mas devem ter algum recato na sua intervenção pública. O espaço mediático não é para os juízes, estes têm um espaço próprio que é o tribunal. A intervenção no espaço publico deve ser utilizada com parcimónia”, considerou.

A propósito de não estar agendada a cerimónia de abertura do ano judicial — inicialmente marcada para 27 de Janeiro, mas cancelada devido à pandemia de covid-19 —, o juiz acha que não se vai realizar, mas anunciou que haverá uma cerimónia pública, com personalidades do judiciário e da política, para inaugurar as renovadas instalações do Supremo Tribunal, no Terreiro do Paço, em Lisboa.

Fonte: Lusa 

CANTINHO DO LEITOR | As Bengalas de Gestaçô | Arlindo Pinto

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Gestaçô – Baião terra das bengalas

É verdade que eu com 11 anos já trabalhava no Porto, assim que acabei a instrução primária comecei a trabalhar numa “oficina” das bengalas

Como miúdo era normal que fizesse os serviços mais simples como: raspar e lixar os futuros cabos de guarda-chuva e bengalas e ajudar alguns serviços, quando requeriam duas ou mais pessoas

Naquela altura, década sessenta este trabalho corria de “vento em popa”na freguesia, de certeza que haveria umas duas centenas de pequenas oficinas e, creio que todaselas possuíam pouco pessoal, até parecia que só queriam aprender para em seguida abrir mais uma oficina em sua casa, o que dava para entender que o negócio dava para todos.

Vou tentar explicar como era feito um cabo para guarda-chuva. A madeira principalmente cerejeira depois de desfiada em tábuas, com espessura de 3 cm,estas ficavam ao sol e chuva durante muito tempo, a madeira só era utilizada quando estivesse bem seca. Primeiro trabalho seria riscar as tábuas com atenção redobrada (os nós não serviam, porque os cabos ou a bengala iria partir aquele sítio), seguidamente vamos serrar as tábuas com a serra biscaia (serra enorme com as medidas de uns 2 metros de comprimento por 1,2 metro de largura, serrava bem com 2 pessoas), vamos fazer uma rima de bocadinhos, com o comprimento de uns 40 cm e 3x3cm. Seguidamente vamos ter a parte mais bonita “a verga” principalmente se estiver frio.Faz-se uma boa fogueira e num pote bastante grande de 3 pés quase cheio de água, onde são metidos os bocadinhos de madeira, há uns ferros de molde especifico  tipo¾ de lua que são metidos na mesma fogueira, depois de bem quentes são metidos num torno. Seguidamente vai-se pegando num dos bocadinhos de madeira com a ajuda de uma chapa de ferro com uns 60 cm de comprimento,4 cm de largura e uns 3 mm de espessura (a madeira bem amolecida, os ferros no torno bem quente) a madeira dobra com bastante facilidade, com a ajuda de um grampo de arame, a chapa e a madeira repousam até arrefecer completamente, a chapa só é tirada quando estiver completamente frio (normalmente no dia seguinte) e está o cabo dobrado. Seguidamente com uma enchó arredonda-se o cabo, depois vai à lima grosa (neste momento faz-se com facilidade o modelo desejado), depois vai à lima média, depois o raspador, depois lixa de vários grãos e, para terminar há os vernizes, com os tons desejados. Um cabo ou bengala, o tratamento é o mesmo, como é fácil de entender para fazer uma bengala o trabalha é imenso e moroso

Estava a acabar a década sessenta quando surgiu a primeira fábrica de cabos de plástico em Avintes – V.N.de Gaia (não sei se ainda existe?), como vendiam o cabo quase a metade do preço. a nossa indústria das bengalas começou em decadência, existindo presentemente um número muito diminuto de oficinas, fazendo cabos para guarda-chuva de luxo e, com certeza que ainda se fazem muitas bengalas (principalmente para a queima das fitas)

Também fazem bengalas personalizadas (incluem 2 ou 3 letras de preferência douradas)

Há bengalas a servir de adorno e decoração por diversos cafés e restaurantes de Baião e em muitos outros locais.

Ancede faz todos os anos a CORRIDA DA BENGALA, e todos os participantes inscritos recebem uma bengala, oferecida pela Câmara Municipal (tenho um colega de trabalho com 60 anos que participa todos os anos, tem cerca de 20 bengalas, já me disse quesão todas diferentes), no ano 2019, foi efetuada a 22ª corrida.

Está contado como se fazia antigamente (lembro-me que não existia uma única ferramenta elétrica), para comprovar existe o Museu na Casa das Bengalas, situado na Rua Soeiro Pereira Gomes, em frente à Escola EB1/JI dos Carvalhais, a escassos metros do edifício da Junta de Freguesia.

Arlindo Pinto (arlindopinto51@gmail.com)