Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

baiaocanal

baiaocanal

NOTA DE IMPRENSA | CDU comício cancelado

241400462_210583464456432_1515724147737101515_n.jp

 

 

Em virtude da morte do ex presidente da república Jorge Sampaio e no seguimento do luto nacional decretado pelo governo ao qual o PCP se associou, o comício da CDU de amanhã na Casa da Juventude foi cancelado.

A Comissão Concelhia de Baião do PCP lamenta o sucedido e envia os pêsames á família de Jorge Sampaio e ao Partido Socialista

Morreu Jorge Sampaio ! Recordar de uma forma diferente (Gentilmente cedido por Rui Melo Pato)

241282347_2940956619552256_3662826372312147401_n.j

 

JORGE SAMPAIO VEIO A COIMBRA PARA EMENDAR TOMÁS
(nas comemorações do 30º aniversário do 17 de Abril em 1999)
"Foi com um Presidente da República que se desencadeou a crise académica de 69. É com outro presidente, ainda que de outra República, que o episódio deve ser evocado. Esta é a tese de Hugo Capote, o actual presidente da Associação Académica de Coimbra, que interpreta a participação de Jorge Sampaio no 30º aniversário da crise, que hoje se comemora em Coimbra, como "um fechar de ciclo". Por isso, a AAC pretende que, às 15h00, durante a visita do presidente ao Departamento de Matemáticas da Universidade de Coimbra (UC), o deputado socialista Alberto Martins peça simbolicamente a Jorge Sampaio para usar da palavra, como fez há trinta anos na inauguração do edifício, enquanto presidente da AAC. Com a diferença de, ao contrário do chefe de Estado da altura, Américo Tomás, ser de esperar que Jorge Sampaio lhe conceda autorização para falar. Extensível, aliás, a Hugo CapoteOutros projectos que o actual presidente da AAC cogitou para este dia, como a realização de um mega-debate entre antigos alunos, José Hermano Saraiva e Marçal Grilo foram entretanto abandonados. Os ex-dirigentes académicos reagiram mal à ideia e as afirmações entretanto produzidas em entrevista ao PÚBLICO por Hermano Saraiva - que era o responsável pela pasta da Educação, em 1969 - sobre a crise académica e sobre o "anti-fascismo de Salazar" inviabilizaram-na definitivamente. A contestação ao actual ministro da Educação também levou a AAC a desistir do convite a Marçal Grilo. De resto, o presidente da AAC aponta para a actualidade de muitas das reinvindicações dos contestatários de 1969 - exceptuando a da democratização do acesso à Universidade, que relativiza - e defende que o tal debate confirmaria o "slogan" utilizado na última manifestação: "De Saraiva a Marçal/trinta anos, tudo igual".Esta tarde não deixará de assumir um significado especial para Jorge Sampaio que, enquanto aluno da Faculdade de Direito de Lisboa, foi secretário-geral da Reunião Inter-Associações e um dos mais destacados protagonistas da crise académica de 1962. Terá sido nesse ano que Sampaio visitou a república dos "Pyn-Guyns", onde se encontrou com Alberto Martins e Rui Namorado. Às 16h30, o Presidente da República irá regressar àquela residência estudantil, cujo livro de honra documenta a primeira visita. "Rapazes: Não há palavras. Houve foi tinto. Mas adiante: Vivam os estudantes portugueses, que bem precisam de camaradagem. Viva a República dos Pyn-Guyns", escreveu na época o jovem Sampaio. O périplo presidencial incluirá ainda a república "Ay-ó-linda", que comemora o seu 50º aniversário - ou "centenário", como se diz em Coimbra.Entre o Departamento de Matemática e a informalidade das repúblicas académicas, o presidente deslocar-se-á à Casa Municipal da Cultura, para inaugurar, às 15h30, uma exposição audiovisual sobre a revolta estudantil de 1969. Os protagonistas dos acontecimentos desse 17 de Abril de há três décadas serão ainda evocados numa placa comemorativa a descerrar por Sampaio na sede da AAC, que visitará às 17h30 e donde seguirá para uma sessão solene no Teatro Académico de Gil Vicente. De resto, Sampaio deu também um contributo para estas comemorações. Um texto seu consta de uma publicação sobre a crise de 69 que hoje será distribuída. Nesse artigo, o Presidente da República diz que a crise na academia de Coimbra também "conduziu" ao 25 de Abril. E releva a participação de alguns estudantes, compulsivamente incorporados no Exército, "em movimentações decisivas para o derrube da ditadura".Já sem o Presidente da República, um jantar na cantina do Pólo II da UC, que deverá reunir algumas centenas de pessoas, entre ex-dirigentes de Coimbra de e outras academias que com ela se solidarizaram, sem esquecer os actuais responsáveis pela Direcção Geral e secções da AAC.Serão justamente estas últimas as primeiras a intervir no programa das comemorações, logo às 10h30, em diversos palcos montados pela cidade. Enquanto as secções culturais apresentam a música e os cantares da academia, quarenta colegas distribuirão duas mil flores aos munícipes, numa alusão à "operação flor" de 1969."
 
(Notícia de Álvaro Vieira no Público de 17 de Abril de 1999 e foto de Rui Pato)

Francisco Chico da Emilinha | A BI que é ÓPSIA , mas é só uma

Roubado, pelo diretor do Baião canal, a um bom amigo Chico da Emilinha

chico da emilinha

8 h da manhã, um chã e umas Marias à maneira.

12 h, no depósito de doenças, dão-me uma cama, pelo menos disseram-me ;
- ESTA CAMA É SUA ! ( usei-a e deixei-a lá, pode alguém precisar)
Deram-me uma Farda e um Robe, dando-me indicações de esperar por quem me viria buscar
14 h  um casal de Bombeiros na enfermaria de 8 camas, diz alto o meu nome, pergunta-me umas coisitas, pra confirmar que era eu, como se alguém naquela sala, estivesse na disposição de ir fazer o que me iam fazer a mim.
Sigo o par Bombeiral e entro num TI NÓ NI, onde já estava uma senhora, era a minha companheira de viagem, ia fazer o mesmo que eu, lá seguimos em direcção ao PONTO L de laboratório
Aqui e novamente, pelo que respondi , verificaram que era mesmo eu, mesmo não me conhecendo de nenhum lado, nem tivessem sequer uma foto minha. Há pois mas já tinha uma pulseira, como nome idade e mais umas merdas, mas deram-me outra, ainda perguntei à menina se só podia tirar quando tomasse banho, delicadamente disse-me que podia tirar mal dali saísse.
Entretanto só ouvia a menina da recepção dizer para a colega AMANHÃ VOU DE FÉRIAS, AMANHÃ VOU DE FÉRIAS…..
Entra um LINGRINHAS, que disse boa tarde baixinho, vim a dar por ela que era PROFESSOR e seria quem me enfiaria uns tubos pela goela abaixo.
Nesta como noutras coisas o tempo para mim não conta, são merdas que tem de se fazer e tem, quando e se acabar, penso no tempo e oxalá não chova, mas se chover também não faz mal.
Um cubículo pequeno, duas cadeiras, média luz, uma marquesa larga, uma senhora bem apessoada de verde vestida ( bata), faz-me uma série de perguntas, enquanto me manda tirar o Robe, e eu já sem pensar em biopsias, quando ela estraga o ambiente todo, com um :
- Tem prótese dentária ?
Tenho, tenho. Então deixe-a aí em cima desse papel e cubra-a com o que está ao lado e faça o favor de entrar, metendo-me assim dentro do local criado para o sacrifício do cordeiro.
Aqui sim, luz clarinha por todo o lado, máquinas como nos filmes e sempre, sempre a marquesa, onde um senhora de verde me manda sentar, ficando ali ao meu lado, mas numa cadeira – ainda bem.
Abeira-se de mim o tal LINGRINHAS que tinha visto entrar à pouco, mas agora equipado à maneira, senta-se e pergunta-me logo, se sou sempre assim de gostar de brincar, ao que respondo que sim Sr. Dr., mas não estou a perceber?
É que juntamente com o relatório de tudo o que tem e não quereria, mais a medicação que toma, também li o que escreveu no termo de responsabilidade.
Bem Sr Dr, acho que escrevi antes de assinar – Percebi tudo perfeitamente, concordando que se algo correr mal será de minha inteira responsabilidade - - Aquela parte de que PERCEBI TUDO PERFEITAMENTE – foi mesmo na brincadeira, pois em boa verdade NÃO PERCEBI MESMO NADINHA, mas o restante era mesmo a sério.
Aqui a senhora de verde que estava ao lado, diz-me que não é Snr Dr, mas PROFESSOR !
Ao que respondi – Muito GOSTO SENHOR PROFESSOR eu sou Contabilista Certificado, desiludido com tudo o que acontece e me obrigavam a fazer, desisti de os aturar.
Aqui comecei a perceber porque estou há quatro meses à espera para fazer este exame, que diabo ia ser feito por um Exmº Sr. Professor Doutor, compreende-se, pois não há muitos.
O HOMEM, que já desde o início estava com um ar de riso, que não soube identificar se era de boa disposição ou de, espera aí que eu já te fodo , diz-me que são obrigados a dar a assinar aquele termo de responsabilidade, que tem efectivamente muitas páginas, mas tem de ser assim, pois é obrigatório, será mais ou menos como as apólices de seguro pensei eu, mas o HOMEM descansou-me pois a responsabilidade deles nunca por nunca estaria isenta de culpas ( que caralho e eu que me foda ), mas entretanto pergunta-me se tenho prótese dentária, ao que respondo que a Senhora enfermeira de verde, no cubículo anterior me tinha dito para a tirar e pousar num papel e tapá-la com outro.
Logo a – esverdeada – se fez novamente ouvir:
- Não é uma enfermeira, mas sim uma Senhora Doutora !
- Queira desculpar, mas não lhe olhei para o PEITO !
Como a mulher fizesse uma carantonha esquisita, apressei-me a dizer:
- Não reparei no crachá, desculpe!
E o LINGRINHAS a sorrir… diz à Senhora Esverdeada
( mudaram os tempos, ou agora não se engraxam os sapatos, ou os engraxadores andam com uma farda, que pode ser verde ou de outra qualquer cor )
- Ponha o spry no rapaz!
Abri a boca e à primeira esguichadela, fiz PRRRRRRRRR, e à pergunta da esverdeada do que se passava , respondi - - - num presta!
O COMANDANTE diz-me para colocar um tubo na boca, era maior do que um cigarro e mais pequeno do que um gelado e para trincar…. Mas Sr. Professor eu não tenho dentes, vou trincar como? Não tem em cima ou em baixo ? Em baixo ! Melhor dá mais jeito ainda.
NÃO ME LEMBRO DE MAIS NADA…..
Quando acordei o Sr. Professor pediu-me para me sentar; agora levante-se, dê uns passitos.. Abanei …
Veio a Sr. Drª que pensava ser enfermeira e meteu-me o braço, que de imediato me espevitou, fruto do sentir depravado, do sítio onde estava preso o crachá,- -- estou-me a armar, pois nem tal me passou pelo pensar – conduziu-me para o tal cubículo, ajudou-me a vestir o Robe, disse-lhe que já estava bem, acompanhou-me ( agora sem me meter o braço ) até ao hall da entrada, onde já estava a minha companheira de viagem na ambulância, lá me alapei e ficamos a aguardar que nos viessem buscar.
A minha companheira de andanças, diz que já tinham passado duas horas e meia, não acho disse eu, ai passaram, passaram, que eu vi as horas na televisão, quando chegamos e agora.
Pode ser minha Senhora mas olhe que eu lembro-me perfeitamente de ter entrado, como me lembro muito bem de ter saído e é impossível que entre uma coisa e outra passassem duas horas e meia….
Coitada devia ser da anestesia geral, não percebeu a brincadeira e lá fui eu a ter que dizer, não dei por ela, deve ter sido da anestesia.
Não demorou chegaram os SOLDADOS DA PAZ - - uma era SOLDADA he he lá se foi o acordo ortográfico, ou então apareceu algum serralheiro com ferro de soldar he he he
Na viagem o condutor de vez em quando começava a contar alto
11 -10-9-8-7-6……… passado mais um bocado e igual cantilena, enquanto a BOMBEIRA se ria.
Na próxima contagem, tirei o cinto de segurança, espreitei pelo vidro e dei por ela que era o gajo a contar o tempo que faltava para o sinal mudar para verde.
Chegados à base o Bombeiral deixou a malta no sítio, foi aí que reparei que a enfermaria era de oito camas e eu era o SÉTIMO, lembrei-me me que o SETE era um número fixe, nas ciências dos astros e inclusive da Bíblia e por falar em Bíblia, naqueles idos tempos o número sete tinha um TRAÇO a meio, aliás e leões, só assim é possível a teoria dos ângulos que dão o nome aos números, mas se reparem bem agora isso não se usa ( 7) foi-se o traço, mas dantes tinha traço pois o criador pediu a Moisés para repetir o sétimo mandamento
– NÃO COBIÇARÁS A MULHER DO ALHEIO – VAI daí o Criador grita :
CORTA!
Explicado o traço no sete, mais tarde foi trocado e definitivamente escrita a Tábua dos Mandamentos, sendo o SETE a ser um outro.
-- - - -
O serviço daquela gente foi impecável, só não gostei nadinha é que cada vez que se chegavam a mim era sempre a a mesma merda:
- Ora vamos lá à injecção na Barriguita !
Ma para que é isso Querida ?
- O senhor não é diabético ? Não, Não, ainda não! ! ! ! .
Fui para a uma enfermaria em que estavam os gajos todos paridos e como se não chegasse eram diabéticos.
Não me deixaram comer, ficava para o outro dia ao almoço se desse para isso.
De manhã um pão com manteiga e chã, MAI NÉRIA. e já lá iam mais de 10 horas.
Devo dizer que nunca – além da tensão e medida de temperatura, nada mais me foi feito.
MAS E A NOITE….. AI A NOITE
Se um gemia AI, outro era ÓÓ, outro chamava pela Mãe e um era mesmo estranho, há uf ui, ah ui ui …., levantei-me e pela luz de presença, foi-me permitido verificar que o homem estava sozinho na caminha, mas sonhar ainda não deve ser proibido.
FOLEIRO – Era que se um gajo tocar a campainha, aquela merda fica a tocar, até chegar a enfermeira, que ao tocar num botão vermelho na parede, diz:
QUEM CHAMOU !
Ora foda-se estava um atrapalhado e acordava toda a malta, mas note-se que este hospital tem sofrido muitas alterações e está muito bem equipado, Roma e Pavia não se fizeram num dia.
Ao meio dia foi-me dada ordem para comer, mamei a sopa, que ainda por cima era de brócolos e eu não gosto mas estava com uma galga, um pão e conduto coma o cão, era polvo – ou pota – mas parecia borracha, ficou direitinho, mais as vagens e o arroz.
Vim embora ás 14 H e à pianha, já com as cartas para o médico assistente, uma para mim, outra para o médico de família e uma capa com o relatório do LINGRINHAS ( BOA PESSOA), diz que tem uma merda qualquer de 13 por 15 mm que tem um nome esquisito, ainda estive para ir verificar à net o que aquelas merdas queriam dizer, mas às tantas ainda fico doente, que se foda prefiro esperar pela consulta do dia 27 deste mês e o rapaz que estudou estas merdas dirá de maneira que eu entenda, disso me encarregarei eu, se ele se puser com merdas .

ACIDENTE | Campêlo - Baião

Acidente em Ponte da Várzea, Baião

Carro capotou hoje pelas 10:15. No local estiveram os Bombeiros de Baião, que procederam ao desencarceramento, e a GNR  que tomou conta da ocorrência

Uma mulher de 62 anos, natural de Santa Cruz do Douro foi assistida no local e encaminhada para o hospital. Ferimentos ligeiros, aparentando não ser uma situação grave. O transito esteve cortado cerca de 40 minutos

received_272881981318954.jpeg

received_1043244546449005.jpeg

received_542240183691267.jpeg

 

Paulo Esperança | A PROPÓSITO DE PAULO RANGEL

PAUL ESP FOTO.jpg

 

No último fim de semana a comunicação social fez parangonas com o facto de Paulo Rangel ter assumido publicamente a sua orientação homossexual.

De caminho foi lembrado que um Secretário de Estado do actual Governo é casado com um ser humano do mesmo sexo, que um antigo dirigente do CDS não permitiu que retirassem um cartaz seu onde havia uma “pichagem” que dizia que era “gay”, porque era verdade e que uma Ministra tem uma relação com outra mulher.

A barbárie da dita comunicação social, mesmo a chamada de “referência” seguiu com respeito a regra jornalística e a fórmula do Correio da Manhãe das revistas de mexericos: não interessam ideias o que conta é que este caso vai vender jornais e telejornais.

Tenho a dizer que não me agrada nada, quer seja gente vulgar ou uma qualquer figura mediática, virem a terreiro dizer que optam por isto ou aquilo quando se referem à sua vida pessoal. Isso é dar asas e potenciar essa mesma indústria instalada dos mexericos.

Eu sei que esta “rapaziada”/”raparigada” que anda na chamada vida pública precisa de exposição mediática: fazer uma cataplana no programa da Cristina Ferreira ou contar como viveu os tempos de infância com pais ausentes e avós que lhe deram o necessário colo.

Os espectadores ficam embevecidos e o ego dessa “malta” subirá ao nariz.

Até lhes pode confortar esse ego... será que essas atitudes abrirão algum caminho de futuro?

Mas Isso é com ele(a)s e não me interessa para nada! Assim como não me interessa saber se o meu Director é do Salgueiros ou se é vegetariano. Isso não conta para a verdade jornalística.

Por muito que se pense que a sociedade está mais aberta – e está – ainda há escolhos a transpor.

Ninguém questiona se o Joaquim ou a Maria são heterossexuais – porque isso é a “norma” -  mas qualquer coisa que cheire a “fora do normal” é notícia, normalmente maliciosa.

O que me incomoda é que Paulo Rangel não irá ser combatido, com honestidade, pelas suas opções políticas mas, provavelmente, em surdina, pela sua vida pessoal. E isso é inadmissível!

A sociedade fraterna só poderá ser verdadeiramente livre quando o facto jornalístico for o ser humano e as suas ideias. E nada mais que isso.

NOTA: apesar de estar na antítese da posição política de Paulo Rangel quero dizer-lhe que não hesitarei em apoiá-lo em qualquer tentativa de o combater pelas suas orientações de vida

Última hora | Acidente violento na variante do Marco de Canaveses para a A4 (Recezinhos)

Acidente acaba de ocorrer na variante (EN 211), próximo do cruzamento de Recezinhos. O trânsito está cortado no sentido de Penafiel para o Marco de Canaveses. Os bombeiros e a GNR já estão no local.

Os feridos são todos ligeiros e foram encaminhados para o Hospital de Penafiel.

 

 

Rita Diogo | Violência Doméstica e Estatuto de Vítima

Rita Diogo_1.jpg

 

A violência doméstica produz danos graves no desenvolvimento da criança, alguns podem ser irreversíveis, perdurando por mais ou menos tempo, mesmo na vida adulta. Quem, já adulto ou adulta, foi vítima de violência doméstica em criança sabe que muitas das suas decisões ao longo da vida se devem à forma como resolveram, dentro de si, os impactos deste abuso. A violência doméstica é uma experiência que costuma ter uma série de repercussões não apenas na pessoa agredida, mas em todos os membros da família que convivem direta ou indiretamente com a violência. As consequências sofridas pela convivência em contextos familiares violentos podem ser diversas e podem apresentar-se de diferentes formas, incluindo psicopatologias. Os estudos publicados mostram que as consequências da violência doméstica nas crianças e adolescentes abrangem várias dimensões, desde as cognitivas (diminuição da concentração e da memória), às dimensões da sociabilidade e sexualidade (relações afetivas, de amizade, de relacionamento com as outras pessoas), passando pela dimensão do comportamento. Estas consequências podem variar, de acordo com o temperamento e a idade da criança, de acordo com o tipo de violência doméstica que ele/a e a sua mãe ou pai sofreram e de acordo com o tempo de duração e exposição aos maus tratos.

Apesar de sabermos tudo isto, só agora, em 2021, através da Lei 57/2021, de 16 de agosto, o Estado Português concede à criança e jovem menor de 18 anos o direito a usufruir do estatuto de vítima, isto é, a possibilidade de acesso aos direitos das vítimas, entre eles o direito à proteção e segurança ou o apoio na sua recuperação. Até há pouco tempo, pensava-se que, se a criança não fosse alvo direto da violência, isto é, se o agressor não agredisse, física, psicológica ou sexualmente a criança, esta não seria vítima de violência doméstica. Enfim... Basta pensarmos que é no seio familiar que a criança ou jovem se deveria sentir mais segura e protegida, que são os seus pais as pessoas que deveriam transmitir-lhe amor, carinho, segurança e, quando tudo isto não acontece, existe uma grande possibilidade de a violência doméstica ser normalizada, de o uso da violência ser banalizada como resposta, caso se não se faça um trabalho sólido no sentido da sua proteção, recuperação emocional e psicológica, apoio e segurança.

Assim, após tantos apelos e diversas discussões sobre o tema, esta Lei vem alargar a proteção das vítimas de violência doméstica e tornar legalmente inequívoco que a exposição das crianças e jovens à violência doméstica é, por si só, uma forma de vitimação. Se, de facto, for aplicada e no espírito dos direitos das crianças e das mulheres, estas alterações legislativas podem constituir também um avanço na prevenção da violência doméstica e do femicídio nas relações de intimidade. Porque mais vale tarde do que nunca e porque tarde é o que nunca chega, sou da opinião que nos devemos felicitar, enquanto sociedade, por esta regulamentação vertida em Lei no passado mês de agosto.

Não esqueçamos que a violência doméstica assume a natureza de crime público, o que significa que o procedimento criminal não está dependente de queixa por parte da vítima, bastando uma denúncia ou o conhecimento do crime para que o Ministério Público promova o processo.

Rita Diogo (Psicóloga)

Natércia Teixeira | "…E uma vontade de rir..."

natercia teixeira.jpg

 

“…E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder…”
In “Homem do Leme”

O silencio fazia adivinhar a madrugada.
Estender mecanicamente o braço para o telemóvel pousado na mesa de cabeceira era
o próximo passo.
3h21m
Resignei-me…longe iam os tempos em que as minhas noites eram de um só
sono…parece que com o avançar da idade precisamos de dormir menos…um
contrassenso, afinal quando somos jovens é que precisamos de estar mais tempo
despertos.
Cogitar sobre as incongruências da existência era o passaporte direto para uma noite
de insónia…tentei recordar-me de algum tema mais leve e mais monótono…nada que
envolvesse ovelhas, porque esse, de gasto, levar-me-ia para números de difícil
pronuncia, o que só serviria para me manter alerta.
Foquei-me na aura azulada das lâmpadas led do candeeiro acima de mim.
A luminosidade, apesar de ínfima e difusa, no breu da noite, parecia inundar-me o teto
do quarto que se assemelhava a uma abóbada celeste destacada pela estrela da
manhã.
Lembrei-me do desejo que tinha, quando ainda criança, de possuir um telescópio…do
fascínio que a imensidão do firmamento me provocava…também queria um fato de

mergulho para ver o fundo dos oceanos…e uns patins…acabei por não concretizar
nenhum dos desejos.
Suspirei…muito mais desapontada com as distrações que me mantinham acordada,
que pela frustração dos meus sonhos juvenis.
Devia voltar às lâmpadas convencionais…a claridade distraia-me e aquele bonito tom
azulado…também. Relembrava-me de olhares que perdera.
Vieram-me à memoria os meus saudosos huskys…e inesperadamente, também o
malogrado Afonso.
Passaram cinco, seis anos desde a partida do Afonso.
O Afonso decidiu um dia, que queria partir e partiu.
Ninguém percebeu os motivos.
Provavelmente em vida, também ninguém os viu.
O choque dessa escolha, embateu noutras perdas e marcou-me…tanto que volta e
meia me lembro com carinho e saudade do Afonso.
Com a lembrança, vinha a inquietação pela falta de respostas…mas se tivesse
oportunidade de lhe falar, não lhe pediria motivos…ficava-me pelo elogio aos seus
olhos azuis…e talvez lhe perguntasse se o peso da alma são mesmo os falados 21
gramas.
Imaginei um sorriso rasgado surgir num rosto, cujos olhos falavam. Conseguia
escutar-nos a rir… e cantávamos… com um entusiasmo contagiante…vindo do fundo
da alma.
“E UMA VONTADE DE RIR…”

Um ruido estridente e fora de contexto, impeliu-me a abrir os olhos…ao meu lado o
telemóvel dava-me conta que eram 7h30m…silenciei-o, mas ainda conseguia escutar
o meu riso e o próprio canto.
A aura azul no teto, desaparecera, o meu sorriso, não.
Sentia-me agradavelmente bem-disposta, para uma noite mal dormida e pensei para
mim que talvez o propósito dos sonhos seja tornar a vida suportável e o de alguns
momentos, mesmo que inusitados, o de nos fazer crer, que a vida não é…sempre a
perder.

Natércia Teixeira

Jaime Froufe Andrade | Histórias avulso

jaime_froufe_andrade.jpg

 

(A pandemia pôs-nos à espera do futuro. Parados pelo vírus, talvez seja tempo para percebermos o que deixámos para trás. É essa a proposta de Histórias avulso)
 
 
Mais nada...

O tempo tudo leva. Só as recordações ficam. Hoje, numa caminhada pela zona da Circunvalação, fronteira de terra e mar entre Porto e Matosinhos, recordei-me de um domingo que me deixou marcas. Andava pelos 17 anos e o Verão tinha acabado. Mas o mar chamava-me. Obediente, fui ao seu encontro. Manhã cedo, estava já preparado para o primeiro mergulho. 


Não fui o primeiro a chegar à praia. Um grupo de homens preparava-se para um jogo de futebol. O número de jogadores era pernão. Eu vinha mesmo a calhar para acertar a conta. Foi assim que dei início a uma esforçada carreira de jogador de futebol de praia. Acabara de ingressar, a custo zero, no glorioso Sport Enrola na Areia. 


Outros clubes também ali jogavam. Era o caso do Inter da Circunvalação ou do Barça da Areosa, mas nenhum tinha, obviamente, a nossa classe. Talvez só o Maré Vaza Futebol Clube, por quem sentíamos justificado ciúme.


A disciplina e o trabalho são a base do sucesso de qualquer equipa. No Sport Enrola na Areia os dois quesitos abundavam. Era tudo levado muito a sério. A época ia do início do Outono ao fim da Primavera e os jogos, com a duração de duas horas, começavam pontualmente às nove da manhã. 


Em escala rotativa, quatro jogadores compareciam meia hora antes para retirar da areia o lixo trazido pelas marés, fazer as marcações do campo e montar as balizas. Era num anexo do Caninhas Verdes, restaurante popular situado junto a um canavial em frente à praia, onde a bola e as balizas ficavam guardadas.


Para mim, jogar no Sport Enrola na Areia tratava-se de assunto da máxima importância. O domingo demorava sempre a chegar, tal a ânsia de entrar em campo. Mesmo assim, não posso dizer que sentisse amor à camisola, jogava em tronco nú, tal como os outros. Isso poderá até passar por vantagem. Mas resultava em pesadelo nos domingos invernosos, quando sobre nós desabavam impiedosas cargas de granizo. (Mais apropriado seria talvez dizer que choviam picaretas) De mãos na cabeça à laia de capacete, corríamos então para o mar. Cobertos de água até ao pescoço, era esse o modo de nos abrigarmos.


Esses domingos de intempérie obrigavam-me a ir de guarda-chuva para a praia. Findo o jogo e depois de um ou dois mergulhos, - o frio da água não dava para mais - não era fácil vestir a roupa que ficara guardada em sacos de plástico, com uma pedra a fazer peso, não fosse o vento pregar uma partida. No domingo seguinte, lá estava  eu de novo para deixar tudo em campo, tal como os outros. 


Faltar a um jogo era uma vergonha. Havia multas pesadas para quem cometesse falta tão grave. No final da época, o dinheiro dos infractores ajudava a custear um almoço de confraternização. Nem a doença servia de desculpa. Só se o atleta mostrasse atestado médico. 


O regulamento interno do clube previa apenas duas situações. Assim, estava escrito no dito regulamento: Só é permitida a não comparência do atleta a um jogo por morte de homem ou casamento de filha. Mais nada.

 
Jaime froufe Andrade

DUAS DE LETRA | Lourdes dos Anjos

10847291_997387586956351_6566550614060763002_o.jpg

 

Quando a vaidade cega o juízo...

Há alguns meses atrás, foi amplamente noticiado que um casal de idosos ficou sem cinquenta mil euros que tinha em caixas , enterradas num curral porque as mostrou a um casal de "senhores doutores médicos" que lhe bateram à porta para falar de cascas d'alho e água fria fervida...
Pois entendo muito bem que a pouca ou nenhuma confiança em bancos e cadeiras do poder, ande novamente por aí à rédea solta e o dinheiro durma no curral dos animais em paz e sossego.
Na verdade, o tempo que vivemos faz com que cada um de nós, sobretudo os mais velhos,desconfiem até da camisa que vestem Mas... claro que há sempre quem ainda acredite no pai natal e até há quem pense que as cegonhas são aviões especiais com vôos económicos entre Paris e Portugal e ...trazem bebés pendurados na ponta de um preservativo furado.
Mas, por favor...até a santa inocência tem limites...
Passo a contar mais uma "estória da carochinha": muito verdadeira...
Há uns meses atrás, estava na caixa do supermercado Intermarché de Estarreja, pacientemente esperando pela minha vez e ...logo na minha frente "um marido e esponja" bem mais velhos do que eu com meia dúzia de compras numa cesta.
O total a pagar era cerca de 40 euros e o senhor marido, abre a samarra, saca da carteira "im pele da boua" lambe o dedo e puxa por uma nota de 500 euros, muito fresquinha...
A funcionária da caixa pergunta se não tem uma nota mais pequena e a resposta foi pronta..."Não tenho não senhora. PROQUÊ!?"
Então a menina pede desculpa mas tem de chamar uma colega para ir buscar troco porque na gaveta não tem tanto dinheiro.
Aqui a porca torceu o rabo...
O senhor idoso e vaidoso fica espantado...Então uma casa destas não tem 5oo euros na gaveta?
"Ó menina olhe que na minha casa , notas como essa, de quinhentos "aéreos" é coisa que num falta ...cum catano!"
E o senhor idoso e peidoso continuou a sua telenovela perante uma funcionária caladinha e admiradinha mais uma velha do Porto aflitinha por falar...
De repente, vem o troco para o cliente que continuava a botar faladura sobre riquezas e notas de 500 euros.
Vai daí a tal senhora do PORTO que esperava e continuava mortinha por desabafar pousa as compras no tapete que anda e diz para o senhor rico:
" Muito obrigada por nos dar a saber a sua fartura de notinhas em casa.Eu tomei nota e agora posso informar que conheço uma quadrilha que rouba gente rica em conversa e pobre em juízinho e que já tem dificuldade em correr atrás de uma lambreta...
Se for assaltado logo á tardinha, foi alguém que por aqui o ouviu e portanto...prepare-se meu rico senhor."
A menina da caixa abanou a cabeça, a "esponja" do senhor marquês ralhou com ele e o homem coitado..ainda informou que não viviam sós... ele era "um home prebenido" e até tinha em casa duas caçadeiras, uma pistola carregada e uma catana ao pé da lareira...e "dois cães, treinados, de raça cara no jardinhe"
A senhora do Porto riu-se e avisou :"PRONTO MEU AMIGO, EU DIGO AO CHEFE DA QUADRILHA PARA LEVAR A METRALHADORA...FIQUE DESCANSADO"
E pronto fiquei a saber que há por aí muitos Salgadinhos encobertos mortinhos por serem assaltados...e, como diz a cantiga... pela boca morre o peixe, quem te manda amor falar!?
Santa parolice.Maldita gabarolice.Que pariu ...tanta pobreza de juízinho.

OS PEQUENOS TAMBÉM SÃO GRANDES | Aníbal Styliano

styliano.png

E tudo a memória guarda…

Ter ou não ter sapatos era indiferente. Tudo começava numa bola que até podia ser resultado de cooperativa instantânea. Depois aperfeiçoava-se com insistência e talento. Aos domingos, dia de jogos, criando rotinas únicas, hoje subvertidas pela publicidade e dependência económica dos clubes que garantem transmissões televisivas como negócio imparável de milhões.

O caminho é para a frente e assim se começa a jogar em clubes. Sempre ao domingo. Havia um tempo de trabalho, de rotinas,de obrigações e depois vinha o outro tempo, o especial, o da utopia sem prazos, o tempo do ócio e do jogo das nossas vidas. Nunca outra atividade tinha conseguido estabelecer essa ligação tão completa entre jogadores, clube e bola. E claro os adeptos, onde os mais jovens aprendiam o que significavam aqueles emblemas, aquelas cores e até o o hino do clube, ouvido antes dos jogos, com palavras simbólicas que aumentavam o ritmo cardíaco. Era inexplicável porque sentido. Os dirigentes mais antigos, eram presença notada, admirada, reconhecida. O diálogo praticava-se numa linguagem familiar e num tratamento de afeto. Por vezes, os mais idosos, contavam episódios de quando eram crianças (o que para nós era difícil de imaginar porque ainda não sabíamos as regras do tempo) e a atmosfera à nossa volta mudava completamente. Mensagem aprendida.

Assim se fundiram memórias que nos aproximavam e nos tornavam uma grande família. Depois, conhecemos jogos grandes, com os heróis das revistas antigas (Ídolos, Sport e outras publicações) e vestíamos a pele da personagem que mais admirávamos: durante a minha infância fui Hernâni Ferreira da Silva. As minhas arrancadas sem perder o controlo da bola, com passes precisos, com remates fantásticos e penáltis a enganar o guarda-redes, davam-me minutos em que a personagem estava tão ligada à realidade que só no fim do jogo, se voltava do sonho à realidade. Conseguíamos dividir o tempo às fatias e sobravam prolongamentos para outros jogo e brincadeiras ou ida sigilosa à fruta para partilha secreta.

Mas a bola estava sempre no imaginário. Quando entravamos na sede do clube, local mítico, com um ambiente especial, porque ali estava a alma do clube, pertencíamos a esse espaço. Só lá íamos acompanhados pela família ou quando já jogadores assinavam pelo clube. Essa sensação, mesmo como profissional, nunca se reduziu, pelo contrário. O tempo avança por essas memórias, pelas imagens dos amigos e dos ambientes que a urbanização, sem planos integrados, destruiu sem cuidados, para haver ruas sem saída, como espaço de preparação para se poder entrar para dentro das quatro linhas, em estádios sonhados.

Por vezes, quer em comentários de programas de televisão, em fóruns ou sessões formais, no reencontro com antigos companheiros de meninice, além dos nomes que voltavam a ser diminutivos ou alcunhas (o linguiça, o jaburu, o orelhas, o granjola…) continuei sempre como Hernâni, quando afinal sou Aníbal. Tenho saudades com esperança de que os mais jovens de hoje mantenham essa oportunidade de fazer amizades indestrutíveis, sempre presentes para ajudar a resolver qualquer problema, de forma instantânea, que tudo supera. Hoje ouvimos muito falar em Bullying e quando conversocom mais jovens conto-lhes que no tempo em que era miúdo, não conhecíamos essa palavra, embora por vezes alguns mais velhos nos tentavam amedrontar. Nessa altura, defendíamos em equipa. Quando surgiam zangas, quem agarrasse o outro e o conseguisse prender, bastava responder à pergunta decisiva: “rendes-te?”. E o outro dizia: “Rendo-me”. Com um abraço final tudo voltava a ser como sempre. Os mais frágeis eram sempre mais protegidos. Eramos uma família construída na rua e sempre com uma bola debaixo do braço. Ainda hoje, em reencontros fugazes, usamos os apelidos e as saudações no código inesquecível. E tudo começou no primeiro pontapé na bola!

 

Aníbal Styliano (Professor e comentador)

DUAS DE LETRA | Lourdes dos Anjos

Lourdes dos Anjos

 

A JUSTIÇA JÁ FOI CEGA MAS AGORA VÊ BEM...FOI OPERADA ÁS CATARATAS
E COMO É MODA DIZER..."NESTA MATÉRIA" ESTAMOS CONVERSADOS...

Vamos ao que interessa...na Bairrada, santa terra abençoada pelo
leitãozinho assado e pelo bom vinhinho gaseificado, uma besta quadrada
com vinte unhas que até vestia calças, violou uma filha durante seis
longos anos.
Começou quando a miúda tinha dez anos e terminou  quando ela completou
dezasseis .
Terminou? Não sei se terminou.Apenas soubemos que alguém denunciou o
sofrimento desta menina escrava de seu pai, que foi selváticamente
agredida durante mais de 3650 dias.
E depois da denúncia o que decidiu o senhor juiz? O senhor juíz
decidiu que o animal de vinte unhas que até vestia calças devia
aguardar julgamento em liberdade.GRANDE JUÍZ!
Claro que o caso não é filho único .Temos tido conhecimento de muitas
decisões semelhantes e parece que pouco ou nada é feito para defender
estas crianças das garras dos seus algozes.
Se fizessem tal habilidade a uma das meninas que amo , juro que fazia
justiça sem código civil, nem penal, sem demoras nem esperas...Eu sei
bem o que fazia...ARMAVA- ME EM JUÍZA DE PLENO DIREITO
Mas, como ia dizendo ...os senhores juízes, na sua grande maioria
recorrem a esta profissão porque não entraram nos meandros dos grandes
escritórios de doutores da nossa praça e é uma chatice ser advogado e
andar a perder o seu tempo e a gastar o seu latim com processos de
merda que nem atam nem desatam e não dão azeite para o molho...
Vai daí copiam umas tretas, lêem uns livros de ficção científica bebem
umas pingas, pagam uns copos e
entram no CEJ e ...TOMA LÁ...CERTINHO E DIREITINHO...VESTE O CAPOTE
PRETO E SIGA PRA BINGO.
Este pessoal que nada sabe de vidas, é gente que se encostou a
partidos políticos ou grupos secretos que por aí andam de vento em
proa e ei-los  cheios de pujança e cagança a debitar sentenças
terrívelmente absurdas que ofendem o cidadão que lhes paga os
vencimentos mais o subsídio chorudo para a renda de casa.
C' ést la vie en rose neste Portugal cinzento que vive tempos tão
blakes no mundo da justiça , da verdade e da igualdade de direitos .
E falar de justiça é também falar de LIBERDADE ou FALTA DELA.
E falar de direitos humanos é também falar de escroques que não
merecem a sopa que comem na cadeia e que é paga por todos nós.
E falar de PAZ E FUTURO é também falar de tantos sortudos a quem
pagamos principescamente para estarem alapados na AR e nos
departamentos sociais que se dizem "da proteção de menores" para quem
todos os dias são dias de relax , descompressão laboral, de
atabalhoados telefonemas cujo teor principal é falar de caroços de
azeitona deitadas
ao lixo no último fim de semana passado na "QUINTA do VALE do ALHO"
junto da piscina onde os senhores do poder lavam os pézinhos...
E falar destas coisas, enjoa-me, enoja-me revolta-me os fígados
E já agora agradeço que me informem a direção certinha  do senhor
Rendeiro porque lhe quero mandar os parabéns  pela sua hunestidade e
amore a PURTUGALE
Enfim,para as minhas velhas maleitas eu sei que já não há remédio...e
para o meu mau feitio também não há melhoras
Nesta matéria estamos cunbersados.
VIVA PORTUGAL JUSTO E LIVRE ... e deus nos dê saúdinha da boa, carago!

Lourdes Dos Anjos

PROVA DE VIDA | Arnaldo Trindade | com video

Arnaldo Trindade.jpg

FADO DE UM RIO

Rio fogoso de Nascente vindo

fraga abaixo borbulhando fantasia

lindo destino turbilhão presente

como se não houvesse outro dia

saindo rio de seu leito

ciúme ,eterno parceiro do fado

em terra alheia ao seu jeito

companheiro do amor acabado

calmo deslizando já saciado

a duas cidades aportado

pelas pontes abraçadas

na Afurada há aves d´arribação

que só para o ano voltarão

rio d´ouro corre ... para com mar se casar

Arnaldo Trindade

"Nasci em terra de poetas"

 

OBLIQUIDADES | Jaime Milheiro

Jaime Milheiro psicanalista

No mundo das ideias repetir é  calar. É expelir ecos sem som,  gemer   carretos sem canga, dissertar  textos sem dono.

Só pensando se existe.

Fui eterno até aos 60.

Quando percebi que morreria, dei por mim a escrever:

…. a  deixar no papel as minhas próprias ideias e conteúdos, desembrulhados nas noites brancas de insónia, racionalizados na manhã seguinte, elaborados à minha maneira…

…. reformulando quanto havia conhecido e recebido

… como quem  renasce, revive e recomeça

… numa  espécie de necessidade de renovar para  sentir e de reescrever para  continuar.

                                               (Na eternidade ninguém sabe ler nem escrever

                                               Só escreve quem sabe que vai  morrer

                                               Escrever artigos científicos não é escrever… )

Nessa escrita  fui tomando consciência do meu próprio sentimento de percurso e percebi melhor a minha própria relação entre passado e  futuro, embora também me tenha apercebido de misteriosas lacunas de observação e de marés de desproporção, sempre que procedia como se o presente não existisse e a história não tivesse acontecido.

Analisando tal atitude, pouco consciente, apercebi-me deste estranho paradoxo: recriando sentia-me mais jovem do que realmente era, remodelando supunha-me num mundo onde o tempo não decorreria, mas situava-me em rotundas sem saída. Retrocedia ao adolescente em descoberta quando desenrolava projectos trocistas e dinamismos provocatórios como se idade  não tivesse, ou caminhos afectivos e efectivos não houvesse percorrido, nem sentisse necessidade de percorrer.

Dei-me conta, afinal, daquilo que todos sabemos mas que tendencialmente omitimos quando negamos o fim: em tudo quanto fazemos, sonhamos ou inventamos, os outros participam e o alongamento continua.

Não era para mim que eu escrevia. Eu escrevia para eles, metade de nós são os outros, sem eles nem haveria história ou memória.

Agudamente percebi que, mesmo num total silêncio e num total isolamento, só  escreve quem leitores imagina: verdadeiros ou supostos, reais ou futuristas.

                                               (Só com os outros se pensa

                                               Só com os outros se existe

                                               Só com os outros se vive...)

Na vida, como no poker, ninguém joga solitário nem apenas com as cartas de mão.

Obrigatoriamente com os outros joga e com as  cartas que neles supõe.

Baião canal jornal(Arquivo)

 

JAIME MILHEIRO, psiquiatra e psicanalista, fez a sua preparação no Porto, Lisboa e Paris.

Humanizar e valorizar os factores psicossociais na Saúde/Doença foi a grande luta da sua vida profissional. Fundou o Centro de Saúde Mental de Vila Nova de Gaia num registo de Psiquiatria Comunitária. Fundou o Instituto de Psicanálise do Porto. Criou os «Colóquios do Porto: Psicanálise e Cultura». Foi Presidente do Colégio de Psiquiatria da Ordem dos Médicos. Foi Presidente da Sociedade Portuguesa de Psicanálise. Foi Presidente do Conselho Nacional de Saúde Mental. Foi agraciado com: Medalha de Ouro do Ministério da Saúde, Medalha de Ouro do Município de V. N. de Gaia e Medalha de Mérito da Ordem dos Médicos.     

                                                                      

                                                                                                

 

Odete Souto | “Pérolas” de uma noite de Verão

21992863_ficSs.jpeg

O mês de agosto é tempo de férias. Tempo de descanso, de recarregar baterias para um novo ano letivo que se avizinha. É tempo de dar mais tempo à família, aos amigos e a nós mesmos. De banhos de sol e de mar. De pôr a leitura em dia e de usufruir de cultura e lazer. Acreditem que fiz de tudo um pouco. Não tanto quanto gostaria e precisava, mas fiz.

E cá estou, de novo, retomando a escrita e as minhas crónicas. Desta feita para falar de um episódio ocorrido nestas férias e que nos mostra a necessidade premente de agarrarmos a educação como desígnio para a promoção de uma sociedade mais justa e onde haja lugar para todos e todas.

 Gosto de música de todos os géneros, embora não tenha formação musical, nem grande ouvido. Mas gosto, também, dos textos e dos poemas ditos e cantados. Ou não. Sou atenta à mensagem que veiculam. Gosto de bom fado e fui aos fados. E aquilo que podia ter sido uma noite descontraída deixou-me profundamente inquietada pelos motivos que passo a relatar. A determinada altura, uma fadista cantava “o amor” e, no seu versejar, ia legitimando todos os comportamentos e atitudes, mesmo a violência sobre a “amada”. Fui escutando estarrecida até que, aquela mulher, termina a sua prestação dizendo “… bate naquilo que é seu, ninguém tem nada com isso”. E foi aplaudida. Como é possível?!

E não, isto não se passou no Afeganistão, na Índia ou em qualquer outro país do mundo. Passou-se em Portugal, na cidade do Porto em agosto de 2021.

O que é que temos andado a fazer para que estejamos neste ponto de desrespeito? Onde está a igualdade de direitos? Onde estão os direitos humanos? Onde estão os direitos das mulheres? E chamam a isto amor?

Não, isto não é amor! Não, as mulheres não são propriedade de ninguém, como os homens também o não são. Parafraseando João Pedro Pais, “ninguém é de ninguém…” As mulheres são seres de direitos e têm que ser respeitadas. E têm que se fazer respeitar. Em nenhuma situação uma mulher pode aceitar qualquer forma de violência, por muito que tal seja apregoado em nome do “amor”. É um enorme equívoco que tem que ser combatido por todos os meios.

Precisamos de olhar com olhos de ver para aquilo que se está a passar na Índia, no Afeganistão… em todos os países onde as mulheres são violentadas todos os dias e veem os seus direitos serem cerceados ou mesmo retirados. Nada disto acontece por acaso.

Os direitos humanos não são dados por decreto.  São uma conquista e uma luta de todos e todas e de todos os dias. E os direitos das mulheres estão longe de ser respeitados, mesmo nos países ditos civilizados e por pessoas que se consideram muito evoluídas e progressistas. É preciso educar. Educar para a igualdade, para o respeito, para o afeto, para a partilha, para a entreajuda. É preciso resistir e insurgir-se contra este tipo de atitudes. É preciso condenar e nunca aplaudir.

No momento em que me preparo para retomar o trabalho escolar considero que, mais do que nunca, precisamos de colocar estas questões na escola e na educação. E precisamos de educação para a cidadania, mais do que nunca.

Estamos num retrocesso civilizacional e não podemos deixar que isso aconteça. Por nós e pelos vindouros.

Por fim, talvez o amor seja possível, com respeito. Muito respeito e dedicação.

 Odete Souto

Pág. 2/2