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BAIÃO CANAL | Jornal N.º 18 - Outubro 2021

BAIÃO CANAL | Jornal N.º 18 - Outubro 2021

BAIÃO | POLÍTICA E DESPORTO: Candidatura da CDU (PCP-PEV) tece duras críticas ao Executivo Municipal

Pelo terceiro ano consecutivo, Baião é distinguido pelas boas práticas na área do desporto e atividade física. No entanto, a candidatura da CDU enviou o vídeo que se segue ao Baião Canal | Jornal, referindo que não compreendem quais são as boas práticas que estiveram na base de tal distinção.

NOTA EDITORIAL: O Baião Canal | Jornal, convidou todas as forças políticas a publicar no nosso Jornal os seus Programas Eleitorais, bem como as iniciativas de campanha, sendo que visamos a democratização e manter os leitores informados. 

Ver o vídeo

 

 

Pode ser uma imagem de 2 pessoas, incluindo Manuel Abreu Vilas Boas e texto que diz "AUTARQUIAS2021 BAIÃO PCP-PEV Manuel Vilas Boas Candidata Presidência da Câmara de Baião Nuno Gomes Candidato à Assembleia Municipal de Baião CDU COLIGAÇÃO DEMOCRÁTICA UNITARIA FUTURO DE CONFIANÇA trabalho honestidade competência"

Jaime Froufe Andrade | Histórias avulso

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Manhã encantada

Vivemos próximo um do outro. Os nossos encontros são frequentes. Saudamo-nos, saudamo-nos até com vivacidade, mas nunca paramos. Ligado à cidade, a tudo, a todos, o Germano não tem tempo para conversa fiada. Tem mais que fazer. Passo rápido, andar citadino, corre entre assembleias, entrevistas, visitas guiadas, palestras.

Da última vez, não chego a saber porquê, obriguei-o a parar para um aperto de mão. Mas logo me arrependi e até me despedi: Adeus, adeus sócio, sei que estás com pressa. O Germano olhou a biqueira dos sapatos, puxou a orelha, a orelha direita, tique muito seu quanto tem de tomar decisões rápidas, e !!! propôs: Vamo-nos sentar?  

A pressa sumiu-se como água da chuva pelos bueiros do Porto. Senta-se devagar, braços estirados ao longo das costas de um banco no jardim do Marquês, cabeça reclinada para trás a mirar a copa das árvores. E vai falando. Disserta sobre o céu, os pássaros, as casas, os bichos, a gente que passa. 

Silencioso, oiço. Momento raro, para quem me conhece: afinal não é todos os dias que este vosso repórter está com um Doutor Honoris Causa da Universidade do Porto. Sinto que ele resgata a usura utilitarista dos dias de hoje, surpreende e partilha os valores essenciais da vida. Sou testemunha de como este velho mago do tripeiro burgo está a transformar uma vulgar meia manhã num tempo suspenso sem começo nem fim, uma manhã encantada. 

 

Texto publicado no livro o Homem com GENTE ATRÁS - Tributo a Germano Silva, colecção Memória Perecível, da AJHLP-Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto

OBLIQUIDADES (2) | Jaime Milheiro

Jaime Milheiro Os seres humanos rejeitam, por norma,  os portadores daquilo  que   em si próprios  pressentem mas não suportam.

Quem nega ou recalca a sua própria avareza, por exemplo, gozará de óptimas condições para rejeitar e atacar  a avareza dos outros.  No dia a dia obstinadamente a perscruta e numa  incumbente necessidade a toda a hora nos outros inventa  mesquinhices a propósito do dinheiro, transformando-se num  explícito acusador  daquilo que em si  próprio  existe mas não aceita. Sem dar por isso, remexe-se  nas intolerâncias que sempre considera rigorosamente pertinentes e louvatórias dos bons costumes, feito sacristão de si mesmo.

Se admitisse  a   sua própria avareza  suportaria  muito melhor a dos outros e reconciliar-se-ia internamente 

 

                                               (Os idênticos  vislumbram-se,

                                                num formato  pouco consciente,

                                                accionados pela inteligência  matriz … )

 

conseguindo  discernimentos muito mais adequados para os seus julgamentos e preconceitos.

 

Acentuando essa linha:

Só os incapazes de íntima reconciliação  odeiam a vida

Só eles não aceitam as perdas porque nunca no seu  imaginário  aceitarão perder, no balanceio do que foram ou  não foram, do  que fizeram ou não fizeram

São pessoas cuja subjectividade  desconstruiu os   sentimentos básicos de segurança e de esperança

 

                                               (Condição que os fez crescer,

                                               sem tais sentimentos nem  sobreviveriam...)

 

trocando-os por invejas e desconfianças.

 

Rejeitando-se  a si mesmos,  rejeitam  tudo o que à sua volta circula, numa atitude  tanto mais grave quanto mais investida. E  arrastam-se  na queda, recusando  admitir a sua  real participação no que obtiveram ou não obtiveram.

Nesse insólito estrabismo

                                              

                                               (Incapazes de uma justa avaliação

                                               incapazes de uma justa despedida...)

                                                

apenas reconhecem racionalidades utilitárias nas relações onde escorregam noite e dia

delas excluindo a  íntima  capacidade de  sussurro que todos os seres humanos  afagam desde o início  

                                              

                                               (Não  sussurrar será  desumanizar,

                                               será apenas aferir, conferir, deprimir…)

 

mas que a levada sumiu.

Jaime Milheiro

(Arquivo)