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BAIÃO CANAL | Jornal N.º 16 - Setembro 2021

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112º Aniversário de Soeiro Pereira Gomes

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Joaquim Soeiro Pereira Gomes, escritor, intelectual, resistente anti-facista, revolucionário e dirigente do Partido Comunista Português, nasceu a 14 de Abril de 1909 aqui no concelho de Baião, mais propriamente na freguesia de Gestaçô.

Filho de agricultores, estudou na Escola de Regentes Agrícolas de Coimbra, onde tirou o curso de Regente Agrícola; mais tarde trabalhou como empregado administrativo numa fábrica de cimentos em Alhandra, onde começou a desenvolver um trabalho de dinamização cultural e revolucionária junto da classe operária; apesar de todo esse seu trabalho e intervenção, foi como escritor que Soeiro Pereira Gomes se notabilizou.

Considerado por muitos um dos maiores nomes do neo-realismo em Portugal, colaborou em diversos jornais com artigos que à época eram considerados progressistas e como tal viriam a ser censurados pelo regime fascista, que sempre perseguiu o escritor.

Foi autor de diversas obras literárias, mas tem como sua obra prima "Os Esteiros" publicada em 1941, ilustrada na sua primeira edição por Álvaro Cunhal e dedicada «aos filhos dos homens que nunca foram meninos». É uma obra que conta a história de um grupo de crianças que tiveram de abandonar a escola com tenra idade para trabalharem numa fábrica de tijolos e assim ajudar financeiramente a família.

É considerado um grito de revolta, de denúncia do trabalho infantil, da injustiça e da miséria social que se vivia naquela época, uma obra muito actual e que reflecte o mundo capitalista em que vivemos hoje.

Celebramos os 112 anos do nascimento de um homem inteligente, culto e progressista, muitas vezes esquecido não só a nível nacional, mas também na terra que o viu nascer. Deve-se provavelmente este esquecimento ao facto de ter sido militante e dirigente do Partido Comunista Português, pois tivesse Soeiro Pereira Gomes sido militante de outro partido, hoje teria centenas de homenagens, teria já uma estátua na sua terra natal e andariam alguns políticos locais "á turra e á massa" para decidirem sobre se os seus restos mortais seriam ou não merecedores de honras de Panteão Nacional.

A Comissão Concelhia de Baião do PCP