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BAIÃO CANAL | Jornal N.º 18 - Outubro 2021

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Rita Diogo | O peso da imagem ou a imagem do peso?

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Chegou o verão, as idas à praia ou à piscina, o que deveria ser sinónimo de felicidade, mas nem sempre o é. A submissão a imagens estereotipadas de corpos perfeitos atinge, no verão, o seu máximo, com todo o desconforto a ela associada.

A imagem corporal é a perceção que uma pessoa tem do seu próprio corpo e os pensamentos e sentimentos que resultam desta perceção. Esses sentimentos podem ser positivos, negativos ou ambos e são influenciados por fatores individuais e ambientais. A imagem corporal é a representação mental do nosso corpo, é a forma como vemos e pensamos o nosso corpo, também é a forma como acreditamos que os outros nos veem. Nesta representação importa reter que as crenças sobre a imagem de si combinam as memórias, suposições e generalizações sobre o corpo. Como falamos de perceção, nem sempre se tem a representação correta do corpo que existe na realidade. A insatisfação com o corpo é um processo interno mas é influenciado por fatores externos, pelo meio e pelas pessoas que nos circundam, na atualidade, as redes sociais têm um forte impacto na forma como cada um de nós se vê e se sente sobre si mesmo. Claro está que em meios e situações em que a aparência é idealizada e é valorizada de forma excessiva existe um maior risco de se desenvolver uma insatisfação corporal havendo uma tentativa de a melhorar, às vezes colocando em risco a saúde mental e física, com o desenvolvimento de distúrbios alimentares e de outras patologias. Todos os dias somos bombardeados com imagens de aparência irrealistas, inatingíveis e altamente estilizadas que têm sido fabricadas através de manipulação digital e não podem ser alcançadas na vida real. Aqueles que sentem que não estão à altura, em comparação com estas imagens, podem experimentar insatisfação corporal intensa, que é prejudicial para o seu bem-estar psicológico e físico. Sempre que as pessoas internalizam um objetivo impossível de alcançar, isso leva a que se sintam inadequadas e que desenvolvam sentimentos de elevada frustração e uma auto-estima pobre.

Há cada vez mais pessoas a envergonharem-se do seu corpo e da sua imagem e que, paralelamente, fazem comentários depreciativos sobre os corpos e imagem que os outros têm (body shaming). É cada vez mais frequente o desrespeito pela liberdade individual de ter esta ou aquela caraterística física, como se devêssemos ser todos e todas iguais. Ninguém fica alheio à quantidade de filtros usados nas fotografias das redes sociais. De facto, os e as jovens parecem ser os mais permeáveis a este fenómeno, que também acontece entre os adultos.

Todos e todas nós temos dias em que nos sentimos estranhos ou desconfortáveis nos nossos corpos, mas a chave para desenvolver uma imagem corporal positiva, é reconhecer e respeitar a nossa forma natural e aprender a dominar os pensamentos e sentimentos negativos em relação ao nosso corpo. Precisamos de conviver de forma saudável com a diversidade de pessoas, de corpos e formas que nos rodeiam. Precisamos de nos erguer contra a imagem perfeita que nos entra pela casas dentro todos os dias, que vemos em anúncios e nas redes sociais, percebendo que são imagens estilizadas, estereotipadas e que não são reais. Precisamos de aprender a viver dentro e fora do nosso corpo.

Rita Diogo