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BAIÃO CANAL | Jornal N.º 19 - Novembro 2021

BAIÃO CANAL | Jornal N.º 19 - Novembro 2021

Jaime Froufe Andrade | Histórias avulso

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(A pandemia pôs-nos à espera do futuro. Parados pelo vírus, talvez seja tempo para percebermos o que deixámos para trás. É essa a proposta de Histórias avulso)

A Agustina certificou-me

Por dever de ofício, todos os dias ao fim da tarde, entrava no gabinete de Agustina Bessa-Luís para lhe mostrar a maquete da primeira página de O Primeiro de Janeiro. Desconcertante, ela não se assumia como directora, mas como alguém que tinha a oportunidade de poder ler os títulos e as notícias em primeira mão. Nunca interferia na matéria noticiosa que se lhe apresentava diante dos olhos.

De início, eu chamava-lhe a atenção para um ou outro assunto mais sensível. Depois desisti por saber antecipadamente a sua resposta: Disto sabem vocês, os jornalistas. Aqui, eu só sou a directora. Limitava-se a emprestar ao jornal o prestígio do seu nome. E a escrever o chamado artigo de fundo.

Todos sabemos como as pessoas das Letras são ciosas das palavras que escrevem. Então os escritores… Preocupado com a intrincada caligrafia de Agustina Bessa-Luís, o Adelino, chefe da Tipografia, incumbiu o mais cuidadoso dos seus teclistas para “bater” os artigos de fundo da nossa directora.

Apesar da competência desse profissional (que pena não me lembrar do seu nome) os artigos da D. Agustina andavam sempre numa roda viva entre o teclista e o Pina, o chefe da Revisão. Cirandavam, vezes sem conta, entre ambos, até não haver uma gralha. Mas um dia, nem todo esse esmero resultou. Uma palavra do artigo revelou-se indecifrável, até mesmo ao próprio Pina, revisor de muitos anos, habituado a caligrafias tão diversas como as de João Gaspar Simões (primeiro biógrafo de Fernando Pessoa), do poeta militante José Gomes Ferreira, ou do demiurgo Sant’Anna Dionísio. Perante tal dificuldade, não tive outro remédio senão telefonar-lhe. Passava já das dez da noite…

O que aconteceu, Froufe?. Pelo tom de voz fez-me saber que a estava a importunar e muito. Engasguei-me em desculpas. E ela calada. Mal refeito, pu-la então a par da razão do telefonema. D. Agustina respondeu-me com uma risada sem fim. Não um riso escarnica, mas um riso de quem o faz por gosto. Finalmente, falou: Ó Froufe, isso não tem importância nenhuma. Escolha uma palavra qualquer que lhe pareça bem. E desligou.

Sempre surpreendente, uma vez, a criadora de Sibila, certificou-me. Vindo de quem veio esse improvável certificado, dizer o quê acerca? A cerimónia da certificação ocorreu numa igreja do Porto, momentos antes de uma outra ter início, no caso um funeral de um amigo comum. Eu já não via a D. Agustina há muitos anos. Cumprimentei-a, ela rodeado de pessoas. Lembrar-se-ia ainda de mim? A resposta, desta vez, veio sem riso: Então não lembro… é o chato do Froufe…

Lourdes Dos Anjos | Recordar os tempos e as formas do verbo VIVER!

Lourdes dos Anjos

 

Recordar os tempos e as formas do verbo VIVER!
Nasci com a proibição de fazer perguntas aos mais velhos e com muitos degraus separando o colo da minha mãe do meu corpo de menina que crescia. Ainda me lembro muito bem da vergonha que sentia de dizer à minha mãe o quanto a admirava e o muito que a amava...
Pior que a vergonha de lhe falar dos sentimentos que temos na alma, é ter uma ponta de ciúme dos abraços que os netos lhe davam.
Faltou-nos tempo para dizer palavras de mel, ficou uma força enorme de fazer diferente e colorir o retrato que guardamos de quem nos deu tudo o que lhes foi recusado.
Eram tempos de banca rota, de guerra mundial, de analfabetismo, de fome, desemprego e medo.
O meu avô materno, acompanhando o pensar do seu tempo, dizia que apenas os moços deviam ir à escola para governarem a vida em qualquer parte do mundo; as cachopas tinham era que aprender a pegar numa enxada para cavar a terra, lavar, cozinhar e fazer alguma costura porque, o ler e escrever era, para elas, o começo da desgraça.
Rompendo esta regra, a minha mãe (que se foi embora no ano
em que completou 95 anos) começou por pedir a um irmão mais velho que lhe desse os livros para ir à escola.
Depois, porque não havia abusos, no ano seguinte, foi vender pão pelas portas dos senhores ricos do lugar para ela própria comprar os livros que precisava...eram assim os tempos daquele tempo...
Duas batalhas estavam ganhas, mas a guerra ainda ia a meio.
Chegou depois a professora que se apaixonou pelo ato guerreiro da pequena em contrariar o poder paternal e resolveu o assunto dando-lhe de comer e emprestando-lhe os livros em troca de serviços mais ou menos leves, como tratar das galinhas da Índia que a professora tinha em casa.
E a minha mãe calcorreando cerca de 10 km de caminho entre pinhais e campos para chegar à escola das Laceiras lá foi conquistando a sua independência e a sua sabedoria.
E concluiu a 4ª classe com distinção com melhor desempenho que as filhas de lavradores abastados da sua terra a quem quase nada faltava, faltando também muita coisa.
Como gostava de a ouvir recordar esse seu feito heróico. Outros tempos...
Talvez por ter vivido este cenário de injustiça e estes tempos de desigualdade, de quase servidão, a minha mãe criou-nos com obrigações, muitas obrigações e ensinou-nos a lutar pelos direitos que achava lhe tinham sido negados.
Deu-nos muito mais do que podia, mas obrigou-nos a tirar boas notas nos colégios onde nos matriculou, atirou-nos à cara o sacrifício dos meninos da nossa idade que trabalhavam sem horário para terem pão e caldo, disse-nos sempre que éramos pobres...mas, diante de muitos outros tinhamos OBRIGAÇÃO de ajudar e "mostrar respeito por quem lutava para sermos mais GENTE"
Aprendemos a ter poucos luxos, poucas prendas mas soletramos respeitosamente uma palavra de ouro, a palavra HONRA.
Tudo se foi perdendo, o exemplo dos pais e o respeito pelo poder paternal, a luta pelos sonhos, o sacrifício para aprender e o gosto de saber.
Os meninos querem, podem e mandam e são todos coitadinhos, hiperativos e sobredotados... depois crescem e trazem uma carrada de problemas que nem pais, nem professores conseguem resolver e são ditadores e querem e querem e querem...e podem e mandam.
No verão querem ir aos festivais todos, no inverno querem tudo o que a televisão anuncia desde roupas a telemóveis e, nas outras duas estações do ano, querem discotecas e internet. Mas... chegaram outros novos tempos. Estão no poder os netos dos velhos ditadores.Quem trabalha não tem horário nem há leis que os protejam.Quem não gosta de "vergar a mola" faz pouco de toda a gente e vira sindicalista
Chegou o desespero, o desnorte, a desavença social e familiar. E agora?
Depois de tanto termos conseguido, desde a semana inglesa até aos subsídios, do uso de calças pelas mulheres até ao pleno direito de uma professora ou enfermeira casarem com quem quisessem, temos agora um tempo de regressão onde os que se habituaram a comprar tudo feito ou pré cozinhado, começam a ver a roda a desandar e nem sabem onde fica a esquerda ou a direita.
Todos se calam... logo que rode para o lado que lhes convém.
Foi-se quase tudo o que se conquistou ao longo de muitos anos e só espero que desta falta de valores morais e materiais em que nos afundámos, fique pelo menos, uma lição de maior e mais verdadeiro amor sem falsas e ridículas abastanças.
E que não volte a ser preciso as nossas netas irem vender pão pelas portas para comprarem os livros escolares...HAJA:
Menos prendas, mais Natal.
Menos caprichos, mais entendimento.
Menos arrogância, mais família.
Menos orgulho, mais diálogo.
Como dizia a minha mãe: HAJA mais amor e menos confiança.
Não queria morrer sem sentir novos ventos de mudança, apesar de não ter vontade, nem força para chegar aos 95 anos da minha mãe...mas queria ver este país tomar novo rumo...
Sinto um orgulho enorme na NOBRE gente portuguesa que luta e vence e atira ás bentas da EUROPA quem SOMOS e como nos distinguimos da mixórdia que por aí anda...E ainda gosto de RECORDAR ESTAS FORMAS DO VERBO VIVER

Manuel Cardoso (Paradela) | A ÓPERA | C/ vídeo

ParadelaA palavra ópera é de origem latina e significava inicialmente qualquer trecho ou composição musical. A partir de 1600, sem perder o seu sentido genérico, passaria a designar a obra por excelência do Barroco, a forma musical resultante da associação harmoniosa de duas partes, o teatro e a música, ou de três partes, a poesia o teatro e a música, ou de várias a poesia, o teatro, a dança, a música etc.

Com efeito, através da longa história da ópera do Barroco até hoje, foram diversas as soluções encontradas para a conjugação de todos esses elementos na sua expressão artística. Porém pode reduzir-se essas partes, a duas constantes predominantes, o teatro e a música. Abrindo as portas à expressão lírica, facilitada pela fluência e liberdade da monodia acompanhada (composição musical para uma só voz, uma única melodia em contradição com a polifonia).

Esta nova forma iria em simultâneo provocar e fazer desabrochar uma expressão estética e facilitar a libertação do canto e o seu virtuosismo vocal (o bel canto). O bel canto durante muito tempo foi visto como uma escola que acima de tudo destacava o mero virtuosismo vocal, em prejuízo do drama e do canto expressivo.

Podemos definir pois esta nova forma no Barroco como um espetáculo dramático, combinando monólogos, diálogos, coros, cenários e representação com música contínua, ou quase contínua acompanhando a ação.

         Manuel Cardoso (Paradela)

 

 

AUTÁRQUICAS 2021 | CDU - PCP/PEV BAIÃO: Formalização das candidaturas

A CDU (PCP/PEV) Baião já formalizou as suas candidaturas junto do Tribunal de Baião.

A lista candidata à Câmara é liderada por Manuel Vilas Boas e à Assembleia Municipal liderada por Nuno  Pinheiro Gomes.

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Pode ser uma imagem de texto que diz "CDU COLIGAÇÃO DEMOCRÁTICA UNITÁRIA FUTURO DE CONFIANÇA trabalho honestidade competência PCP-PEV CDUT 00๐"

 

CABEÇA DE LISTA DA CDU À CÂMARA MUNICIPAL DE BAIÃO

Manuel Vilas Boas

82 anos

Reformado
Membro da Comissão Concelhia do PCP de Baião
Militante do PCP
 

LISTA DA CDU À CÂMARA MUNICIPAL DE BAIÃO.

Manuel de Vilas Boas - 82 anos, Reformado, Freguesia de Ovil
José Luís Pereira - 52 anos, Ferroviário, Freguesia de Santa Marinha do Zêzere
Patrícia Smetneva - 19 anos, Estudante. Freguesia de Campelo
Miguel Pinto - 63 anos, Manobrador de Máquinas, Freguesia de São Tomé de Covelas
Alfredo Vieira - 69 anos, Reformado, Freguesia de Ancede
Arlete Pereira - 40 anos, Costureira, Freguesia de São Tomé de Covelas
Antônio Pereira - 67 anos, Agricultor, Freguesia de Gestaçô
Adelaide Cardoso - 69 anos, Reformada, Freguesia de Campelo
Adriano Lúcio - 79 anos, Redormado, Freguesia de Santa Marinha do Zêzere
Beatriz Costa - 18 anos, Estudante, Freguesia de Ovil
 

LISTA CANDATA À UNIÃO DE FREGUESIAS CAMPELO E OVIL

Nuno Gomes - 38 anos, Assistente Operacional, freguesia de Ovil
Acácio Ferreira - 49 anos, Ferroviário, freguesia de Campelo
Margarida Mendes- 18 anos, Estudante, freguesia de Campelo
João Azevedo - 25 anos, Estudante de Enfermagem, Freguesia de Ovil
Artur Rodrigues - 65 anos, Reformado, Freguesia de Campelo
Beatriz Costa - 18 anos, Estudante, Freguesia de Ovil
José Carlos Calça - 53 anos, Comercial, Freguesia de Ovil
Albino Soares - 55 anos, Pedreiro, Freguesia de Campelo
Adelaide Cardoso - 69 anos, Reformada, Freguesia de Campelo
Joaquim Cruz - 70 anos, Reformado, Freguesia de Ovil
Patrícia Smetneva - 19 anos, Estudante, Freguesia de Campelo
Albertina Vilas Boas - 79 anos, Reformada, Freguesia de Campelo
 

RESULTADOS DAS ÚLTIMAS ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS

Câmara Municipal: VOTOS: 198 votos (1.75%)

Assembleia Municipal: 243 votos (2.15%)

Assembleias de Freguesia: 158 votos (1.4%)

 

PCP | Baião | vídeo de apresentação