POESIA | A chegada (José Pereira)
Eu sou aquele pardal que canta no nosso terreiro
E em frente ao teu poleiro, eu irei cantar o dia inteiro
Sem medo da gaiola, sem medo de me fazerem prisioneiro
Ando entre a Cidade e as Serras, mas não é pelo poder ou dinheiro
Neste chão onde instalaste o teu poleiro, era onde eu morava
Mas sendo atirado às águas do Douro, eu sonhava e navegava
Vivendo afastado ou emigrado, eu sempre cantava
Acreditando que quando se abrisse a gaiola, para Baião eu voltava
Tão perto ou tão longe, eu sempre regressei na madrugada
Cantando em frente ao teu poleiro, no romper da alvorada
E vou continuar a cantar, pela nossa terra e gente amada
Para que saibam que é possível sonhar e regressar à nossa morada
29/01/2021