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BAIÃO CANAL | Jornal - Janeiro 2022, N.º 22

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OS PEQUENOS TAMBÉM SÃO GRANDES | Aníbal Styliano | Bolas de Ouro

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O futebol indústria, negócio de milhões, atravessa uma dinâmica imparável que se afasta do essencial: o jogo.

Anualmente, surgem troféus, galas, rankings, marketing e diversas iniciativas, que aproveitando o jogo, procuram manter focos publicitários, criando novas polémicas que se tornam globais e muito lucrativas.

Talvez por isso, a FIFA e a UEFA são consideradas duas das maiores empresas à escala planetária.

Para publicitar e potenciar visibilidade mediática, não faltam estratégias e divergências (por vezes mais virtuais do que reais).

No passado esquecido, foi assim com Joseph Blattere depois comcom Michel Platini a interferirem, sem vergonha alguma, aindicar quem deveria ganhar esse troféu.

As infelizes e intencionais declarações,servem interesses empresariais, por vezes contrárias ao futebol e às regras mais elementares do desporto.

Não é de estranhar que surjam rumores e notícias sobre corrupção… a tentação deve ser muito apelativa.

É muito discutível a atribuição de troféus deste género a jogadores que atingem patamares do mais alto nível, mas ninguém joga sozinho: os lóbis fazem o seu trabalho sem dar nas vistas. Prefiro o futebol jogado ao futebol falado ou votado.

Essas escolhas, com os critérios e os processos nunca divulgados, permitem especulação, equívocos e suspeições que prejudicam o futebol eo fair play.Aquele jogo que saltou da rua para os grandes estádios sem perder a influência do talento.

No passado, houve acusações de desvios na contabilidade dos escolhidos, e também enorme polémica, que passados anos, voltou em 2021: novamente com a escolha de Messi.Atribuir um troféu individual numa modalidade coletiva, é uma contradição. Ao jogo nas quatro linhas acrescentou-se outro, fundamentalista, que desvia atenções do essencial para o acessório.

Muitos vencedores da “Bola de ouro” (à exceção da competição Lionel Messi versus Cristiano Ronaldo) perdem-se na memória coletiva, quando outros, que nunca conquistaramo troféu, perduram na eternidade...

Os grandes ídolos representam as escolhas dos adeptos com critérios especiais: qualidade de maravilhar, passes edesmarcaçõesúnicas, criativas, dribles mágicos, remates infalíveis, domínio e receção da bola perfeitos, capacidade de surpreender, genialidade.

Num mundo cada vez mais violento, o futebol mantém as condições únicas para potenciar a paz à escala global, sempre que for mais futebol e menos negócio.

Prefiro as Bolas de Berlim, mas sempre com creme!

 

Aníbal Styliano (Professor e comentador)