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BAIÃO CANAL | Jornal N.º 16 - Setembro 2021

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SOCIEDADE | Natércia Teixeira | “Quem estará nas trincheiras ao teu lado?

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“Quem estará nas trincheiras ao teu lado?

- E isso importa?
- Mais do que a própria guerra.”

Atribuída a Hemingway, a citação recorda-nos a importância de quem temos por perto em
tempos de crise…isso e a relevância de algumas escolhas, já que umas quantas, mais que caixinhas de surpresas, podem revelar-se caixas de Pandora.
Neste momento todas as relações interpessoais são importantes, no entanto são aquelas que mantemos com quem nos é próximo que são vitais, paradoxalmente, acontece com uma
frequência intrigante, serem essas em que menos se investe emocionalmente.
As justificações para isso, serão certamente tantas quantos os intervenientes…os motivos
também.
Pessoalmente atribuo esse desleixo à falsa sensação de segurança que o hábito nos incute, à preguiça que a monotonia nos induz, à mesmice das rotinas, ao cansaço das responsabilidades.
Dito isto, que tal olhar com “olhos” de ver, para quem temos connosco nas trincheiras?
Se “dormimos” com o inimigo esta pode ser a hora de chamar reforços e lutar.
Ninguém vence guerras sozinho, da mesma forma que ninguém sai delas nessa condição.
Capitular não é desistir é aceitar que não vencemos todas as batalhas e que por vezes para se ganhar a guerra, há que mudar o rumo.
Aos que têm bons companheiros de trincheira, cabe-lhes por direito e obrigação, estreitar
laços…cultivar o Amor.
A quatorze de Fevereiro do sec. III, Valentim, um bispo italiano, foi morto por desobedecer à
ordem do Imperador Claúdio II, que proibia o casamento, por entender que os soldados
solteiros eram melhores combatentes.
Condoído com a situação dos enamorados, o bispo abençoava as uniões em segredo, o que lhe valeu a execução, não sem antes na prisão, ele próprio se enamorar.
A história perdurou no tempo e chegou até nós…
Aproveitem a data e o recato forçado, desliguem os telemóveis, computadores e tv’s…esqueçam as restrições alimentares e organizem um jantar especial no próximo dia 14.
Evidente que ninguém precisa de datas ou rituais específicos para celebrar o Amor…ou se
precisam, usem-nos!
Provavelmente não se manifestarão milagres com isto, mas também não virão males maiores ao mundo…com a vantagem de ficarem mais felizes com a comidinha de conforto e com a desintoxicação de informação e redes sociais.
Se tiverem filhos envolvam-nos, nada funciona melhor que o exemplo, o futuro é deles e esse
será o vosso maior legado.

Homens, as floristas continuam abertas…em alternativa peçam aos vossos filhos, que numa
daquelas saídas rápidas para esticar as pernas, surripiem com parcimónia uns fetos e façam um bouquet para oferecer às vossas mulheres.
Mulheres… há floristas online e os homens também gostam de receber flores!
Nisto, como em tudo verdadeiramente importante na vida, conta a intenção…conta a atenção e se nada disso conta, provavelmente já não haverá nada a contar.
Como disse e muito bem o nosso ilustríssimo romancista Miguel Torga:
“A vida afetiva é a única que vale a pena.
A outra apenas serve para organizar na consciência o processo da inutilidade de tudo.”
Eu concluo: ou apelamos aos laços que nos unem e valorizamos o que temos e quem temos ao nosso lado ou acabaremos, inevitável e nada orgulhosamente… sós, ainda que rodeados de multidões mais ou menos virtuais.

Natércia Teixeira

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