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BAIÃO CANAL | Jornal N.º 18 - Outubro 2021

BAIÃO CANAL | Jornal N.º 18 - Outubro 2021

OS PEQUENOS TAMBÉM SÃO GRANDES | Aníbal Styliano | Arbitragens esquecidas

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Arbitragens na Liga II (e nos outros campeonatos) podem indiciar problemas. Há previsão de tsunamis com consequências imprevisíveis que vão crescendo sem mediatização, mas com intensidade que pode colocar em risco os alicerces do setor. Se os jogos tivessem adeptos nos estádios, eventualmente tudo seria diferente. A comunicação social não considera notícia osriscos semanais que podem originar conflitos violentos.

A formação de árbitros tem de qualificarcom condições técnicas, capacidade de liderança, autonomia e capacidades físicas excelentes, para se poder valorizar a credibilidade do setor eo próprio futebol português. Esclareçam como se classificam os árbitros e que parâmetros e critérios são usados, de que forma e por quem. As subidas ao patamar superior, além da estatura e de falar inglês, pressupõem um conjunto de capacidades técnicas, disciplinares e de personalidade, que se não forem superadas com rigor potenciam situaçõespenosas. Selecionar implica saber avaliar um conjunto de competências (não só a experiência) para decidir quem pode ou não pode subir mais degraus: sem formação de excelência, o desastre coletivo é uma forte possibilidade. Iniciem com sabedoria escolas para jovens árbitros a partir dos 14 anos, com formadores e observadores com rigor pedagógico. Quem se responsabiliza pela qualidade e condições para apitar o Campeonato de Portugal, os Distritais e os Campeonatos de jovens?A base tem de ter sustentabilidade e apoio qualificado.

A pirâmide está instável; precisa-sede gente que reforce alicerces. Não há capacidade de previsão e antecipação, só conhecem o presente. Encontrar eventuais responsáveis e penalizá-los não é suficiente nem o que se pretende. O mal feito ao futebol, por incompetência ou intenção, não pode ser área de impunidades, onde quem erra sistematicamente pode sair ileso. Impedir o descrédito nacional do futebol português é tarefa de todos nós.

Os treinadores são avaliados na Comunicação Social, aos jogadores até se atribuem notas pelo desempenho, os árbitros saem sem mossa, mesmo que os “tribunais” mediáticos dos vários jornais apontem erros mais influentes (e curiosamente há apreciações tão díspares que nos deixam inquietos perante critérios e argumentos). Notamos uma tendência para criar mais Golias e menos Davides.

Arbitragem sem qualidade afasta atletas, aumenta desistências de clubes, diretores e, muito importante, desvaloriza o desportivismo, alimentando teorias da conspiração por coincidências estranhas. Certamente que todos temosresponsabilidades, mas ou mudamos de paradigma ou ficamos num futebol menor, mesmo com raros exemplos de grande prestígio mas insuficientes para alastrar positivamente.

Os amigos que treinam na Liga II, no Campeonato de Portugal e nos Distritais (adultos e jovens) contam-me ocorrências que não podemos acreditar que a FPF desconheça.

Se de facto não conhece o que se passa, é tempo de mudar de equipa. Temos um universo de talento também para o futebol, a vários níveis e funções, e vamos permitir que, por vaidades, lóbis ou distanciamento, se perca uma herança valiosa?Não! Os clubes têm de exigir rigor e tratamento idêntico para todos, sejam quem forem.

O árbitro é essencial para um jogo de qualidade.

Aumentar para números mais elevados os praticantes e os árbitros depende muito da transparência, de planos concretos e não de estratégias artificiais e oportunistas. Felizmente há quemsirva o futebol com dedicação, com a força da razão e a certeza de que são essenciais para manter a imprevisibilidade e a magia de uma bola a rolar, que os artistas do jogo sabem transformar no maior espectáculo do mundo.

Trabalhar para evitar fanatismos é urgente para o futebol conseguir manter a sua liberdade, beleza, emoção e fantasia.

Lamento os árbitros que se dedicam, que fazem o melhor que podem e, com o tempo, se vão desencantando com os processos de evolução e acabam por abandonar. Há prioridades a manter e formas de acolher os talentos das diversas áreas do futebol: só assim a renovação possibilita um futuro positivo, bem vacinado contra “infeções”.

Felizmente, conheço árbitros que se dedicam ao setor e tudo fazem para o prestigiar.

 

Aníbal Styliano (Professor, Comentador)