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BAIÃO CANAL - Jornal

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Mundial de Ralis ao rubro para o 56.º Vodafone Rally de Portugal

O Campeonato do Mundo de Ralis chega a Portugal verdadeiramente ao rubro, com os quatro primeiros classificados separados por quatro pontos e Thierry Neuville a fechar o quinteto da frente, a 11 pontos do líder, Elfyn Evans. Uma discussão entre Toyota, Hyundai e M-Sport que promete animar os troços portugueses, com quase 90 equipas – a melhor lista do ano do WRC – a enfrentarem 325,35 quilómetros de classificativas disputadas ao cronómetro, entre sexta-feira e domingo. 

Palco de tantas batalhas épicas desde 1967, o WRC Vodafone Rally de Portugal volta a apresentar uma extensa lista de candidatos à vitória e vários motivos de interesse, para uma prova com partida oficial, esta quinta-feira, em Coimbra. Quinta ronda do calendário, a jornada organizada pelo ACP promete reeditar a intensa discussão entre as três equipas da categoria-rainha do Mundial, com a Toyota Gazoo a assumir, para já, o papel de favorita. Elfyn Evans, que ganhou em Portugal em 2021, reparte a liderança do campeonato com o colega de equipa Sébastien Ogier. O galês da Toyota subiu ao pódio na primeira incursão do ano pelos troços de terra, no México, e saltou para a liderança com uma emotiva vitória no asfalto da Croácia, dedicada a Craig Breen. 

Campeão do Mundo em título, Kalle Rovanperä vai tentar repetir o histórico triunfo no Vodafone Rally de Portugal no ano passado, onde se tornou o mais jovem vencedor de sempre em 55 edições da prova. Se repetir o triunfo de 2022, Rovanperä estreia-se a ganhar este ano, pois o jovem finlandês já admitiu que não conseguiu extrair todo o potencial do seu Toyota nas quatro primeiras provas do ano. Ainda assim, a maturidade de Rovanperä permitiu-lhe sair da Croácia a apenas um ponto de Evans e com três de vantagem sobre Ott Tänak.  

O estónio, que deixou a Hyundai para o ser o ponta-de-lança da M-Sport Ford, dominou no gelo da Suécia, em fevereiro, e terminou em segundo na Croácia, com queixas sobre a eficácia do seu Puma Rally1. O binómio Tänak-Ford também é um indiscutível candidato à vitória nos troços do Centro e Norte do país, onde o ex-campeão do Mundo já ganhou em 2019. 

Pressão sobre Neuville  

Thierry Neuville perdeu uma oportunidade de ouro de passar para o comando do WRC na Croácia, apesar dos 11 pontos de desvantagem para Evans (com 30 pontos em discussão em cada prova) não serem uma diferença significativa. O belga, contudo, é a grande esperança da equipa Hyundai na luta pelo título e não tem margem para novo erro num campeonato tão equilibrado, apostando em repetir a vitória de 2018, em Portugal. 

Esapekka Lappi e Dani Sordo são alternativas sólidas a Neuville na Hyundai, embora o finlandês surja algo atrasado no campeonato, no 6.º lugar, a 38 pontos da liderança. Já o veterano espanhol que, habitualmente, é muito competitivo em Portugal, esta época, apenas disputou duas provas. 

Takamoto Katsuta (Toyota Gazoo) e Pierre-Louis Loubet (M-Sport Ford) estão à espreita de uma oportunidade para brilhar, o que, no caso de ambos, significaria uma subida ao pódio final, em Matosinhos, no domingo. 

Muitos e bons no WRC2 

A impressionante lista de 44 equipas no WRC2 é um dos grandes destaques da época do Mundial dos Rally2 até ao momento. Yohan Rosell (Citroën) defende a liderança nos troços portugueses, depois de ter ganho as duas provas onde participou: Monte Carlo e Croácia. O jovem Oliver Solberg e o regressado Andreas Mikkelsen, ex-campeão do WRC2, são duas das principais ameaças ao francês, ao volante dos novos Skoda. O plantel em Portugal terá vários outros nomes que já andaram pela categoria-rainha do WRC: Teemu Suninen (Hyundai), Adrien Fourmaux (Ford), Gus Greensmith (Skoda) ou Kris Meeke, que volta a representar a Hyundai Portugal, em busca de novo triunfo também para o Campeonato de Portugal de Ralis. 

No WRC3, o duelo estará reservado a dois jovens finlandeses, ao volante dos Ford Fiesta Rally3 construídos pela M-Sport: Roope Korhonen (24 anos) e Toni Herranen (19). 

Portugueses contra Meeke no CPR 

Como é habitual, o Vodafone Rally de Portugal é também um dos pontos altos da temporada do Campeonato de Portugal de Ralis, sendo a quarta prova da época. Para já, as primeiras três rondas tiveram três vencedores diferentes, com o malogrado Craig Breen a vencer na estreia com o Team Hyundai Portugal, seguindo-se os triunfos de Ricardo Teodósio no Casinos do Algarve e Kris Meeke no Terras d’Aboboreira, também com os i20 N Rally2 oficiais. O algarvio chega, assim, à prova do ACP na frente do campeonato, mas Miguel Correia (Skoda) também é um natural candidato ao primeiro lugar. José Pedro Fontes (Citroën) surge, nesta altura, no terceiro lugar e Armindo Araújo (Skoda) também entra no lote de favoritos, estando na fase final de recuperação do acidente sofrido na abertura da época. Mas o andamento evidenciado por Meeke na Aboboreira faz do norte-irlandês o grande candidato à vitória, algo natural, visto que se trata de um piloto que já venceu cinco provas do WRC, incluindo o Vodafone Rally de Portugal, em 2016, com a Citroën. 

Esta é a prova mais dura da temporada do CPR, devido às condições do piso criadas pela passagem de tantos carros, sendo obrigatória uma gestão das mecânicas ao longo das oito classificativas que compõem a prova nacional (etapa de sexta-feira). Na etapa de sábado, teremos a prova pontuável para o Campeonato de Portugal de Ralis 2 Rodas Motrizes, que é liderado pelo campeão em título, Ernesto Cunha (Peugeot), na frente de Hugo Lopes (Peugeot). 

Esta é também a segunda jornada da Peugeot Rally Cup Ibérica, o troféu dos Peugeot 208 Rally4, que tem uma lista de 14 concorrentes liderada pelo experiente Pedro Antunes, na frente do espanhol Iago Gabeiras Fraga. 

Como é hábito, o Shakedown do WRC Vodafone Rally de Portugal é realizado nas imediações e no interior do circuito de Baltar, em Paredes, a partir das 09h01 da próxima quinta-feira, antecedendo a cerimónia de partida oficial, às 20h30, na emblemática Porta Férrea da Universidade de Coimbra. No dia seguinte, os concorrentes partem para um percurso de três etapas, 19 classificativas e 325,35 quilómetros cronometrados, num total de 1644,92 quilómetros.