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baiaocanal

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Adriano Correia de Oliveira | Familiares, amigos e colegas celebraram homenagem pelos 80 anos do seu nascimento

Decorreu no passado dia 10 de Abril, na Casa da Música do Porto, uma homenagem, organizada pelo Centro Artistico, Cultural e Desportivo Adriano Correia de Oliveiraque visou celebrar os 80 anos do nascimento de Adriano Correia de Oliveira.

Familiares, amigos e muitos colegas, entre os quais muitos músicos, marcaram presença num espetáculo que esgotou a sala. Este foi um concerto de celebração pelo legado musical e revolucionário de uma figura incontornável da cultura nacional. 

Referem os familiares e amigos que o Adriano cantou até ao fim da sua vida, tendo cantado sempre com voz firme as belas canções com que travejava a sua actividade de artista empenhado nas lutas do povo a que pertencia.

Refere uma petição pública que se encontra disponível no sítio de internet do Centro Artístico, Cultural e Desportivo Adriano Correia de Oliveira, que visa a classificação da obra de Adriano Correia de Oliveira, que "é uma obra vasta, sendo uma das mais bonitas, ricas e representativas da música popular feita no século XX no nosso país. Ela tem as palavras que descrevem vivências, lutas e aspirações de um povo que vivia sob as nuvens negras do fascismo e os sons da esperança, da alegria e da resistência do mesmo povo que por sonhar, resistir e lutar, começou a construir uma democracia que teve nos cantores de Abril a sua voz.

O Adriano cantou Abril como poucos e deixou um legado como ninguém. É uma obra que se estende no território nacional e com dimensão internacional, que não tem a projecção devida e que lhe devia ser dada, principalmente pelo pais que o viu nascer.

A classificação da obra do Adriano seria um passo essencial para a valorização, consolidação e difusão do seu legado, levando a obra ao patamar que ela merece, sendo também um passo essencial para o seu conhecimento por parte das novas gerações.

Assim foi o Adriano até ao último dia da sua vida, em 1982.

Este concerto visou celebrar a vida e a obra de Adriano Correia de Oliveira, que a 9 de Abril de 2022 completaria 80 anos.

Uma voz ímpar, de timbre e clareza notáveis, que deu corpo ao seu compromisso de vida com as lutas estudantis, camponesas e operárias, antes e depois do 25 de Abril.

A sua interpretação de “Trova do Vento que Passa”, poema de Manuel Alegre e música de António Portugal, tornou-se um símbolo das lutas democráticas.

 

 

Adriano Correia de Oliveira

ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA

Canto de intervenção

Fonte: Meloteca

Adriano Maria Correia Gomes de Oliveira (Porto, 9 de Abril de 1942 — Avintes, 16 de Outubro de 1982) foi um músico português, intérprete da canção de Coimbra e cantor de intervenção.

Filho de Joaquim Gomes de Oliveira e de sua mulher, Laura Correia, Adriano mudou-se para Avintes ainda com poucos meses de vida. Criado numa família profundamente católica, a infância de Adriano Correia de Oliveira foi marcada pelo ambiente que descreverá mais tarde como «marcadamente rural, entre videiras, cães domésticos e belas alamedas arborizadas com vista para o rio [Douro]».

Depois de concluir os estudos secundários, no Liceu Alexandre Herculano, no Porto, Adriano Correia de Oliveira matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 1959. Durante os anos passados em Coimbra, teve uma intensíssima participação no meio cultural e desportivo ligado à academia. Viveu na Real República Ras-Teparta, foi solista no Orfeon Académico, membro do Grupo Universitário de Danças e Cantares, ator no CITAC, guitarrista no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica e jogador de voleibol na Briosa.

Na década de 1960 aderiu ao Partido Comunista Português, envolvendo-se nas greves académicas de 62, contra o salazarismo. Nesse ano foi candidato à Associação Académica de Coimbra, numa lista apoiada pelo MUD.

Data de 1963 o seu primeiro EP, Fados de Coimbra. Acompanhado por António Portugal e Rui Pato, o álbum continha a interpretação de Trova do vento que passa, poema de Manuel Alegre, que se tornaria uma espécie de hino da resistência dos estudantes à ditadura. Em 1967 gravou o álbum Adriano Correia de Oliveira, que, entre outras canções, tinha Canção com lágrimas.

Em 1966 casou-se com Maria Matilde de Lemos de Figueiredo Leite, filha do médico António Manuel Vieira de Figueiredo Leite (Coimbra, Taveiro, 11 de Outubro de 1917 – Coimbra, 22 de Março de 2000) e de sua mulher Maria Margarida de Seixas Nogueira de Lemos (Salsete, São Tomé, 13 de Junho de 1923), depois casada com Carlos Acosta. O casal, que mais tarde se separaria, veio a ter dois filhos: Isabel, nascida em 1967 e José Manuel, nascido em 1971.

Chamado a cumprir o Serviço Militar, em 1967, Adriano Correia de Oliveira ficaria a uma disciplina de se formar em Direito. Em 1970, já licenciado da tropa, decidiu trocar Coimbra por Lisboa, e foi exercer funções no Gabinete de Imprensa da FIL – Feira Industrial de Lisboa, até 1974.

Ainda em 1969 vê editado o álbum O Canto e as Armas, revelando, de novo, vários poemas de Manuel Alegre. Pela sua obra recebe, no mesmo ano, o Prémio Pozal Domingues. Lançou Cantaremos, em 1970, e Gente d’aqui e de agora, em 1971, este último com o primeiro arranjo, como maestro, de José Calvário, e composição de José Niza. Em 1973 lançou Fados de Coimbra, em disco, e fundou a Editora Edicta, com Carlos Vargas, para se tornar produtor na Orfeu, em 1974.

Com a Revolução dos Cravos, Adriano Correia de Oliveira está entre os fundadores da Cooperativa Cantabril. Em 1975 lançou Que nunca mais, onde se inclui o tema Tejo que levas as águas. A revista inglesa Music Week elegeu-o Artista do Ano. Em 1980 lançaria o seu último álbum, Cantigas Portuguesas, ingressando no ano seguinte na Cooperativa Era Nova, em ruptura com a Cantabril.

Vítima de uma hemorragia esofágica, morreu na quinta da família, em Avintes, nos braços da sua mãe.

A 24 de Setembro de 1983 foi feito Comendador da Ordem da Liberdade e a 24 de Abril de 1994 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, ambas as condecorações a título póstumo. A Câmara Municipal de Lisboa atribuiu o seu nome a uma rua em Entrecampos.

É patrono da Escola EB 2/3 que tem o seu nome, na Rua Castanheira do Ribatejo 335, 4430-784 Avintes

DISCOGRAFIA

Álbuns

1967 – Adriano Correia de Oliveira (LP, Orfeu, XYZ 104)

1969 – O Canto e as Armas (LP, Orfeu, STAT 003)

1970 – Cantaremos (LP, Orfeu, STAT 007)

1971 – Gente de aqui e de agora – LP STAT 010)

1975 – Que nunca mais (LP, Orfeu, STAT 033)

1980 – Cantigas Portuguesas (LP, Orfeu, STAT 067)

Compilações

1973 – Fados de Coimbra

1982 – Memória de Adriano

1994 – Fados e baladas de Coimbra

1994 – Obra Completa

1995 – O Melhor dos Melhores

2001 – Vinte Anos de Canções (1960-1980)

2007 – Obra Completa

Singles e EP

Noite de Coimbra (EP, Orfeu, 1960) [Fado da Mentira/Balada dos Sinos/Canta Coração/Chula] Atep 6025

Balada do Estudante (EP, 1961) [Fado da Promessa/Fado dos Olhos

Claros/Contemplação/Balada do Estudante] Atep 6033

Fados de Coimbra (EP, 1961) [Canção dos Fornos/Balada da Esperança/Trova do Amor Lusíada/Fado do Fim do Ano] Atep 6035

Fados de Coimbra (EP, 1962) [Minha Mãe/Prece/Senhora, Partem Tão Tristes/Desengano] Atep 6077

Trova do vento que Passa (EP, 1963) [Trova do Vento que

Passa/Pensamento/Capa Negra, Rosa Negra/Trova do Amor Lusíada] Atep 6097

Adriano Correia de Oliveira (EP, 1964) [Lira/Canção da Beira

Baixa/Charama/Para que Quero Eu Olhos] Atep 6274

Menina dos Olhos Tristes (EP, 1964) [Menina dos Olhos Tristes/Erguem-se

Muros/Canção com Lágrimas/Canção do Soldado] Atep 6275

Elegia (EP, 1967) [Elegia/Barcas Novas/Pátria/Pescador do Rio Triste] Atep 6175

Adriano Correia de Oliveira (EP, 1968) [Para que Quero Eu Olhos/Canção da Terceira/Sou Barco/Exílio] Atep 6197

Rosa de Sangue (EP, Orfeu, 1968) Atep 6237

Cantar de Emigração (EP, Orfeu, 1971) Atep 6400

Trova do Vento Que Passa nº2 (EP, Orfeu, 1971) Atep 6374

Lágrima de Preta (EP, Orfeu, 1972) Atep 6434

Batalha de Alcácer-Quibir (EP, Orfeu, 1972) Atep 6457

O Senhor Morgado (EP, Orfeu, 1973) Atep 6542

A Vila de Alvito (EP, Orfeu, 1974) Atep 6588

Para Rosalía (EP, Orfeu, 1976) Atep 6604

Notícias de Abril (Single, Orfeu, 1978) [Se Vossa Excelência…/Em Trás-os-Montes à Tarde] KSAT 633

Cf. Wikipédia, acesso a 07 de novembro de 2018