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BAIÃO CANAL - Jornal

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Rali Terras d’Aboboreira 2024  Dois dias de pura adrenalina nos espetaculares troços de terra de   Baião, Amarante e Marco de Canaveses 

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Está tudo a postos para o Rali Terras D’Aboboreira, prova de abertura do FIA  European Rally Trophy (ERT) e terceira jornada do Campeonato de Portugal (CPR), uma  prova organizada pelo Clube Automóvel de Amarante, com o apoio em parceria tripartida  entre os Municípios de Baião, Amarante e Marco de Canaveses. 

Com partida de Baião, e composto por 7 provas especiais de classificação  (PEC’s), este rali, que é já uma referência do desporto na região, decorre nos dias 26 e  27 de abril e integra também o calendário do campeonato 2RM (duas rodas motrizes),  Júnior, de Clássicos, de Clássicos 2RM, Promo, Masters e Challenge R5/S2000, os  troféus monomarca Peugeot Rally Cup Ibérica, Peugeot Rally Cup Portugal e Toyota  Gazoo Racing Iberian Cup

PARCERIA TRIPARTIDA ENRIQUECE A COMPETIÇÃO 

O Vice-Presidente e responsável pelo pelouro do Associativismo e Desporto,  Filipe Fonseca, manifestou a convicção de que “o Rali Terras d’Aboboreira, atrairá,  mais uma vez, muitas pessoas à Serra da Aboboreira, mas, mais importante ainda,  no primeiro dia, com o arranque na vila de Baião, teremos uma significativa  adesão do público, o que, por conseguinte, dinamizará a economia local e  contribuirá para a divulgação do nosso concelho".

Referindo-se ao facto de o Rali se disputar nos três concelhos, cuja Serra  

d’Aboboreira abrange, o autarca acrescentou que “este evento, que enaltece a nossa  região, ilustra de forma excelente a colaboração e a criação de sinergias entre os  três municípios, Baião, Amarante e Marco de Canaveses, realçando ainda mais o  potencial turístico local. 

Será, certamente, um motivo para os entusiastas da velocidade explorarem  a nossa culinária, as nossas paisagens deslumbrantes e o nosso património  cultural de elevado mérito.” 

PILOTO BAIONENSE FILIPE NOGUEIRA TAMBÉM ENTRA NA DISPUTA 

O piloto baionense, Filipe Nogueira, vai também participar no Rali Terras  d’Aboboreira, a única competição automobilística que se realiza na sua terra natal. Este ano estará a bordo de um Renault Clio R.S. R3T, com o número 81, e  certamente, fará as delícias dos espetadores com a sua condução espetacular e com a  sua habilidade ao volante, prometendo uma experiência emocionante e memorável. 

RALI COM CONSCIÊNCIA AMBIENTAL 

Por se disputar numa Paisagem Protegida como é a Serra da Aboboreira e  atravessar aquele que é o primeiro concelho português a ser considerado Destino  Turístico Sustentável, como é o caso de Baião, a organização do Rali Terras  d’Aboboreira, estabeleceu uma série de medidas, para mitigar a pegada carbónica que  uma prova desta envergadura provoca. 

Para esta edição, de acordo com a organização, serão reforçadas as medidas de  sustentabilidade, incidindo em oito áreas distintas: ruído, resíduos, água e energia, 

combustíveis e proteção do solo, higiene e limpeza, sensibilização e compensação de  

carbono. 

PAISAGEM PROTEGIDA DA SERRA DA ABOBOREIRA PRESERVADA PELA AMDT A Associação de Municípios do Douro e Tâmega (AMDT) vai, conjuntamente com  os municípios que integram a Paisagem Protegida Regional da Serra da Aboboreira,  sinalizar o património natural e cultural da sua zona nuclear, nos locais das  classificativas do Rali Terras D`Aboboreira. 

A classificação de Paisagem Protegida Regional trouxe à Serra da Aboboreira  novos cuidados na usufruição do espaço, pelo que a AMDT, enquanto entidade gestora,  cumpre-lhe sensibilizar e desenvolver ações de preservação e salvaguarda, evitando  desta forma possíveis efeitos nocivos. 

Quer os municípios envolvidos, quer o clube organizador encontram-se alinhados  com os objetivos da AMDT para com a Serra da Aboboreira. 

PARTIDA E QUATRO CLASSIFICATIVAS SÃO EM BAIÃO 

Na tarde de sexta-feira, dia 26 de abril, e depois do Qualifying da manhã, no troço  localizado em Vila Boa de Quires, “Marco Rios de Emoção” (3,47 km), a prova inicia-se  com a “Especial” de “Baião Vida Natural” (16,93 km), e à noite, a partir das 21 horas, a  jornada encerra com a disputa da Super Especial “Amarante Natureza Criativa” (2 km),  no centro desta cidade. 

Sábado, dia 27, duas passagens por Amarante (22,54 km) e Aboboreira (16,14),  que será a Power Stage, e uma por Baião (11,37 km) completam o traçado de  classificativas em piso de terra que totaliza 107,66 km ao cronómetro.

RALI COM PROJEÇÃO INTERNACIONAL 

Entre os inscritos, destaque para o piloto espanhol, Dani Sordo, da Hyunday,  quererá certamente aproveitar esta prova, para melhor preparar o Rali de Portugal, a  realizar em maio e que conta para o Campeonato do Mundo de Ralis (WRC). 

Inscrito pela Hyundai Shell Mobis World Rally Team, Sordo vai disputar a Prova  Extra, cujo itinerário é similar à prova do CPR, mas não inclui a classificativa de  Amarante (PEC 3 e PEC 5), já que os 22,54 quilómetros desta versão utilizada pelo  Clube Automóvel de Amarante são comuns ao traçado de 37,24 km da mesma  “especial” do Vodafone Rally de Portugal.  

O espanhol cumprirá as restantes classificativas nos dois dias de prova. 

Esta edição do Rali Terras D’Aboboreira apresenta, em termos qualitativos, a  melhor lista de inscritos do historial da prova, pois aos pilotos do CPR, como Kris Meeke  (Hyundai i20 N Rally2), Armindo Araújo (Skoda Fabia RS Rally2), Ricardo Teodósio  (Hyundai i20 N Rally2), José Pedro Fontes (Citroen C3 Rally2), Pedro Almeida (Skoda  Fabia Rally2 evo), Rúben Rodrigues (Skoda Fabia RS Rally2), Pedro Meireles (Hyundai  i20 N Rally2) e João Barros (VW Polo Rally2), entre outros, juntam-se mais de uma  dezena de estrangeiros da categoria Rally2.  

Entre eles, destacam-se os nomes de Yohan Rossel (Citroen C3), Pierre Louis  Loubet (Skoda Fabia RS), Josh McErlean (Skoda Fabia RS), Jan Solans (Toyota Yaris),  James Leckey (Citroen C3), Nikolay Gryazin (Citroen C3), Marco Bulacia (Citroen C3).

INFORMAÇÃO DE CORTES DE TRÂNSITO 

No dia 26 de abril, o trânsito estará cortado na avenida 25 de Abril, entre as  14h00 e as 19h00, sendo também proibido o estacionamento.  

Em alternativa, a circulação, nomeadamente de autocarros escolares, será feita  pela rua Comandante Agatão Lança.  

Face aos transtornos que a situação possa causar, a Câmara Municipal de Baião  apela à melhor compreensão, quer dos baionenses, quer dos visitantes, alertando para  que, a bem da segurança de todos, sejam escrupulosamente cumpridas todas as regras  e indicações fornecidas. 

GUIA DO RALI 

Fique a saber tudo sobre a edição 2024 do rali Terras d’Aboboreira, neste link: 

https://terrasdaboboreira.pt/spectator-guide/

 

OS TEMP(L)OS DA GENTE ARREPENDIDA | Paulo Esperança

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Estamos em Abril! O mês de todos os sonhos, o mês de todas as esperanças, o mês em que o futuro era agora!

Abril fez-nos descobrir que era possível construir a liberdade sem muros nem ameias, que poderia haver um país em que só há liberdade a sério quando houver paz, pão, habitação,saúde,educação.

Esta caminhada teve muita gente boa, generosa, intrépida lutadora contra as arbitrariedades de um regime feio, obscuro e ameaçante.

Alguma dessa gente, na bondade da sua juventude andou pela calada da noite a distribuir “panflos” contra o fascismo e a guerra colonial. Arrostaram com as agruras da Pide, da repressão, do cerceamento da liberdade de expressão, enfim da negação da condição humana.

Alguma dessa gente habitava o “Piolho”  dissertando sobre a virtudes dos amanhãs que cantam.

Alguma dessa gente andou empilhada na chaimite de Salgueiro Maia, calcorreou as rua de Lisboa na caça aos “pides”.

Alguma dessa gente ajudou a construir o “prec”. Esteve nas barricadas contra o “28 de Setembro” e o “11 de Março”. Andou pelo Palácio de Cristal em 25 de Janeiro de 1975 quando o CDS realizava o seu Congresso.

Alguma dessa gente ocupou casas vazias para que os mais desfavorecidos tivessem habitação condigna.

Alguma dessa gente esteve no Porto e em Lisboa, no Consulado e na Embaixada de Espanha mostrando o seu desespero e a sua repulsa pelo assassínio de cinco militantes antifranquistas em 27 de Setembro de 1975, em Espanha.

Alguma dessa gente escreveu em jornais da época de forma a transmitir ao povo que esse povo tinha voz.

Alguma dessa gente escreveu e lutou para pôr em marcha o sonho de um 25 de Abril do Povo.

Mas os tempos mudam! É verdade que não é fácil resistir à ressaca das derrotas e ao descambar de todos os projectos que inundavam o imaginário de um mundo novo.

Mas também é verdade que é muito difícil explicar o arrependimento.

Até aceitaria que essa gente viesse dizer: ok, eu era jovem, percebia pouco de política, queria mudar o mundo...mas percebi que estava enganado. Por isso optei por outra linha!

Mas não! A desfaçatez faz com que muita dessa gente afirme exactamente o contrário do que outroura defendeu como se as sua posições actuais sempre tivessem sido o pensamento nuclear de toda a sua vida.

O neo-liberalismo, o racismo e a xenofobia encapotados, a dúvida pretensamente metódica sobre qualquer causa progressista incorporam o seu pensamento(?) erigindo-os como arautos de uma chamada “nova direita” que tem tão de velha como a que  Freitas do Amaral, inventou em 1974.

Mancomunados com obscuros interesses editoriais  propagam teses defensoras do capitalismo mais bacoco como se estivessem a descobrir a pólvora.

Serventuários de quem lhe paga principescamente renegam o seu passado tentando passar pelo intervalo das gotas da chuva sem se molharem.

Não é preciso observar atentamente nem consultar as páginas dos Governos sobre quem quer ministrar educação aos cidadãos deste país para se perceber do que falo.

Expressamente destilam aberrações transforamadas em colunas de opinião que a vida comprova terem estado bem resguardadas para ajustes de contas futuras .

Andei com muita dessa gente nas guerras que eram necessárias. Tenho pena do futuro que escolheram!

Desculpem, do que fiz ...de nada me arrependo. Faria algumas coisas de forma diferente? Claro que sim. Mas ninguém pode adiantar ou atrasar a historia.

Por isso  aqui estou para o que der e vier!

Fiquem com esta:"Não me arrependo de nada do que fiz. Mais: eu sou aquilo que fiz. Embora com reservas acreditava o suficiente no que estava a fazer, e isso é que fica. Quando as pessoas param, há como que um pacto implícito com o inimigo, tanto no campo político, como no campo estético e cultural. E, por vezes, o inimigo somos nós próprios, a nossa própria consciência e os álibis de que nos servimos para justificar a modorra e o abandono dos campos de luta", José Afonso.

E já agora, também com esta:

 

Do que um homem é capaz
As coisas que ele faz
Pra chegar aonde quer

 

É capaz de dar a vida
Pra levar de vencida
Uma razão de viver

A vida é como uma estrada
Que vai sendo traçada
Sem nunca arrepiar caminho

E quem pensa estar parado
Vai no sentido errado
A caminhar sozinho

Vejo gente cuja vida
Vai sendo consumida
Por miragens de poder

Agarrados a alguns ossos
No meio dos destroços
Do que nunca vão fazer

Vão poluindo o percurso
Com as sobras do discurso
Que lhes serviu pra abrir caminho

À custa das nossas utopias
Usurpam regalias
Pra consumir sozinhos

Com políticas concretas
Impõem essas metas
Que nos entram casa adentro

Como a trilateral
Com a treta liberal
E as virtudes do centro

No lugar da consciência
A lei da concorrência
Pisando tudo pelo caminho

Pra castrar a juventude
Mascaram de virtude
O querer vencer sozinho

Ficam cínicos brutais
Descendo cada vez mais
Pra subir cada vez menos

Quanto mais o mal se expande
Mais acham que ser grande
É lixar os mais pequenos

Quem escolher ser assim
Quando chegar ao fim
Vai ver que errou o seu caminho

Quando a vida é hipotecada
No fim não sobra nada
E acaba-se sozinho

Mesmo sendo os poderosos
Tão fracos e gulosos
Que precisam do poder

Mesmo havendo tanta gente
Pra quem é indiferente
Passar a vida a morrer

Há princípios e valores
Há sonhos e amores
Que sempre irão abrir caminho

E quem viver abraçado
Na vida que há ao lado
Não vai morrer sozinho

E quem morrer abraçado
À vida que há ao lado
Não vai viver sozinho

José Mário Branco ( Do que um Homem é capaz, Álbum “Resistir é Vencer”, 2004)

 Paulo Esperança, Abril