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BAIÃO CANAL | Jornal N.º 9 - Junho 2021

BAIÃO CANAL | Jornal N.º 9 - Junho 2021

PSD | Paulo Portela apresentou a sua equipa com o lema “Com Determinação por Baião”

Pode assistir aqui ao vídeo da apresentação.

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psd 1.jpgPaulo Portela, Ancede e Ribadouro, Célia Azevedo; Campelo e Ovil; Joana Azeredo, Santa Cruz do Douro e São Tomé de Covelas; Márcio Vil, Santa Marinha do Zêzere; André Sousa, Grilo; Olívia Mendes, Campelo e Ovil; Graça Miranda, Gestaçô; Ivo da Costa, Santa Cruz do Douro e São Tomé de Covelas; Diana Rocha, Santa Marinha do Zêzere; João Carvalho, Gove; Elisabete Barbosa, Ancede e Ribadouro; Francisca Valente, Campelo e Ovil; António Correia, Teixeira e Teixeiró; Augusto Santos, Valadares; Andreia Monteiro, Ancede e Ribadouro; Bernardino Ribeiro, Santa Leocádia e Mesquinhata; Inês Carneiro, Grilo; Óscar Lúcio, Loivos da Ribeira e Tresouras; Sílvia Pinheiro, Viariz; Diogo Correia, Santa Cruz do Douro e São Tomé de Covelas e Isabel Soares, de Frende.

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ana raquel

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EMPREGABILIDADE | CANDIDATURAS ABERTAS PARA ESTÁGIOS NOS CTT

 

Por José Pereira (zedebaiao.com)

Os CTT anunciaram a abertura de candidaturas para os estágios de verão de 2021 que decorrem em julho e agosto. As candidaturas podem ser realizadas até 24 de maio, através do site da empresa.:

Os CTT desafiam os estagiários a construir o futuro já a partir dos estudos do ensino superior, dando a possibilidade de contactarem com uma das áreas de negócio da empresa. Os estagiários serão acompanhados por um tutor. 

Condições de acesso

Ter concluído pelo menos o 2.º ano da licenciatura ou, de preferência, estar a frequentar um mestrado, numa das seguintes áreas:

  • Informática | Engenharia
  • Matemática | Analytics
  • Gestão | Economia
  • Comunicação | Digital
  • Recursos Humanos

O estágio decorre durante julho e agosto.

As candidaturas encontram-se abertas. Preenche o formulário.

 Expresso | Banco CTT gastou mais €40 milhões do que o inicialmente avançado  com empresa de crédito automóvel

Sobre a empresa

Os CTT empregavam mais de 12.000 pessoas, das quais mais de 11.000 em Portugal, contando com com 2.384 Pontos CTT e cerca de 5.000 agentes Payshop. Em 2020, os correios obtiveram rendimentos operacionais de 745,2 milhões de euros, apresentando um resultado líquido de 16,7 milhões de euros. No ano de 2020 os CTT transportaram 516,9 milhões de objetos de correio endereçado, 25,9 milhões de encomendas expresso em Portugal e 24,9 milhões em Espanha.

Rita Diogo | Ainda sobre saúde mental

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Não há prevenção em saúde mental, não há promoção da saúde mental, os que precisam de acompanhamento ao nível da sua doença mental chegam em reduzido número aos cuidados de saúde. Sim, são pessoas extremamente vulneráveis, que não recorrem a consultas, que não vão ao seu centro de saúde, que não têm diagnóstico, que não conseguem cumprir um plano terapêutico e que necessitam de uma abordagem diferente, menos biomédica e mais comunitária.

As recomendações da ONU para a saúde mental, incidem sobre o combate à violência e discriminação, menos institucionalização e coerção e menos medicalização. O uso da coerção, a subjugação a intervenções farmacológicas não discutidas com os doentes, os excessivos internamentos e institucionalizações que reforçam os estigmas, as reações sociais adversas à doença mental podem manter as pessoas afastadas de locais onde podem ser tratadas. A informação dada às pessoas relativamente à sua doença mental é fundamental, é responsabilizadora, confere autonomia supervisionada, se necessário for, mas sem paternalismos. A excessiva medicalização para tratar reações adversas normais às pressões quotidianas que resultam em frustração, é uma tendência global. Casos há em que a farmacologia é imperiosa e importante, mas não substitui a psicoterapia, os laços afetivos com elementos significativos ou outras intervenções menos invasivas. Criar vínculos sociais identitários, relações saudáveis que possam evitar a excessiva medicalização, o dar oportunidade de escolha ao doente mental que tem uma condição que lho permite fazer, pode ser um caminho.

O acesso à saúde mental no nosso país é por si só, uma tormenta: poucos se lhe dirigem (as pessoas mais vulneráveis não recorrem aos cuidados de saúde, ignoram os sintomas como estratégia de evitar o estigma), poucos têm onde se dirigir (os recursos continuam concentrados em Lisboa, Porto; o interior continua sem recursos e pobre em qualificação, as novas unidades criadas fora dos grandes centros permanecem unidades fantasma, sem médicos). O estado atual da nossa saúde mental é, de facto, caótico: muita gente por tratar, muita gente afastada dos cuidados de saúde por vulnerabilidades sociais e pessoais, outra tanta tratada de forma desadequada ou condenada à institucionalização.

A principal causa de incapacidade e uma das principais causas de morbilidade, nas sociedades atuais, são as perturbações psiquiátricas e os problemas de saúde mental. Em Portugal, embora a prevalência da problemática acompanhe a tendência europeia, estudos apontam para que a situação dos grupos mais vulneráveis (mulheres, pobres e idosos) se encontra agravada. O número de pessoas em contacto com os serviços públicos mostra que apenas uma pequena parte das que têm problemas de saúde mental têm acesso a serviços públicos especializados. O internamento continua a consumir a maioria dos recursos (83%), quando toda a evidência científica mostra que as intervenções na comunidade, mais próximas das pessoas, são as mais efetivas. O recurso preferencial aos serviços de urgência e as dificuldades reportadas na marcação de consultas, sugerem a existência de problemas de acessibilidade aos cuidados especializados.
Neste contexto, urge delinear uma intervenção específica e direcionada para a área da saúde mental centrada nos eixos da avaliação, diagnóstico, tratamento e reinserção. Sem esquecer a reabilitação, redução de danos e reinserção social de pessoas em situação de isolamento/exclusão social, ao nível da saúde mental e com fatores de risco associados, nomeadamente, deficitária vinculação social; ausência de retaguarda familiar; desintegração das estruturas/redes sociais sobretudo em relação à saúde; percurso profissional inexistente ou precário; incapacidade de satisfazer as necessidades básicas por meio próprio, entre muitas outras situações. O acesso equitativo a cuidados de saúde de qualidade a todas as pessoas com problemas de saúde mental em situação social vulnerável, promovendo e protegendo os seus direitos é premente.
Permanecem fortes condicionantes que perpetuam o estado da saúde mental em Portugal, tais como forte estigma e desconhecimento face à doença mental, escassez de recursos humanos e estruturais, baixa prioridade em termos de opção política, orçamento desproporcionadamente baixo para a carga das doenças implicadas, organização desajustada dos serviços de psiquiatria, com concentração em grandes instituições centralizadas e pouco articuladas com os cuidados de saúde primários e comunitários. Colocar a pessoa no centro de toda a intervenção, respeitar os seus direitos, vontade e dignidade; trabalhar em equipa e em articulação interinstitucional, poderá ser um caminho a seguir.

Rita Diogo,
Psicóloga especialista em Psicologia Clínica e da Saúde

OBLIQUIDADES (9) | JAIME MILHEIRO

Jaime Milheiro

 

 

Neste planeta forjado nas zonas mais recônditas do universo e inadvertidamente trasladado para o subsolo do meu quintal, funcionam ainda alguns tenebrosos espantos.
Bons exemplos serão as enormes eloquências dos passarões televisivos sobre os males que hão-de vir e sobre as catastróficas pragas que estarão para surgir, desvendadas por profetisas e profetas que disso fazem iluminadas profissões.
Plenos de sapiência astrológica e de transcendência cosmológica, burlões e burlonas em jeito de bíblicas figuras estrondeiam cabotinas alarvidades, enxameando-nos de imperativas conclusões.
Sem contraditório afirmam, sem vergonha nos auguram, abrigados no dono do dinheiro e nas públicas audiências. Anunciam doenças desconhecidas, preconizam soluções encanecidas, configuram maleitas destemidas. Denunciam amores e desamores, desvendam pessoas num baralho de cartas ensebado, de forma nem sempre muito inteligente diga-se de passagem, com inúmeros seguidores...

                              (Até o covid se deve sentir estupidificado,
                               com tão bruxuleantes proclamações…)

em malabarismos que ao fim de cinco minutos a si próprios se amarrotam e despachadamente se contradizem.

Levitando sobre vulgaríssimas ocorrências que transformam em epifanias... catapultando efémeras trapalhices em desinformações despudoradas…
afastando quaisquer distinções entre primarismos e construtivismos...
denegando o que naturalmente acontece e que a ninguém aquece nem arrefece...
alimentando esconsas virtudes em pesporrências trauteadas...

                                  (É espantosa a subserviência dos humanos
                                   ao temor dos afogamentos celestiais...)

decretam tontices sem nome, em arrogantes respaldos.

O que levará tanta gente a comprar as mediocridades impingidas?
O oposto…
o conhecimento, a alegria de existir, a autenticidade na troca, a ausência de ilusionismo, que corresponderá ao saudável relacionamento civilizacional e representa o melhor que somos na arte de viver e na complexidade de conviver…

                                       (Todos os antropóides
                                       cultivam a verdade na existência,
                                       todos os doentes ansiosamente a rebuscam…)

dificilmente encontra espaço em tais programações e será sempre de curta duração.

Comparativamente, lembraria que as mais tóxicas bactérias por todos corpos cirandam, mas apenas nalguns se fixam. Fazem parte de nós. Ninguém as ensina, ninguém nos ensina. Só o próprio poderá aprender a pensar-se e a governar-se, tentando ser pessoa e não caricatura de pessoa.
As bruxas da televisão sabem como se movem e porque se movem….

                                              (Afrontando a inteligência e a lucidez,
                                               no mais ignorante primitivismo...)

em plena consciência dos prejuizos que causam, nunca separando a verdade da mentira, a pessoa do pedregulho, a exploração do divertimento.

Jaime Milheiro (psiquiatra e psicanalista)

Jaime Froufe Andrade | Histórias avulso | Não se pode ter tudo

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Histórias avulso

(A pandemia pôs-nos à espera do futuro. Parados pelo vírus, talvez seja tempo para percebermos o que deixámos para trás. É essa a proposta de Histórias avulso)

Não se pode ter tudo

In illo tempore, a Primavera trazia-me sempre uma penhora. Foi assim durante uns anos. Quando o ofício da execução me caia nas mãos, a minha primeira reacção era fazer, mentalmente, um balanço aos meus bens. Começava sempre pelo inestimável: a mulher e os filhos. Como a família não é sujeito passivo de arresto, sentia-me aliviado. 

 

Depois, virava-me para o recheio do lar. Os electrodomésticos, todos em fim de linha, escapariam de certeza à justiça do fisco; os livros, pela estranha razão de serem livros, também estariam a salvo. E o inventário mental à minha riqueza prosseguia: o periquito e a tartaruga seriam um estorvo para a autoridade tributária. Havia ainda a guitarra, essa vítima indefesa dos meus maus blues. Mas, de braço empenado, também nada interessaria ao fisco, ainda por cima longe de se saber ter sido nela que o amigo Carlos Tê compôs o Chico Fininho.

 

No ofício primaveril vinham exaradas ameaças terríveis: execução, penhora, arresto…, mas eu, um infractor, era tratado por V. Excelência. Tal tratamento enchia-me os olhos.

 

Tratava então de pagar a dívida, acrescida da eloquente maquia dos juros de mora. A contragosto acabei por ir às Finanças saber o que estava afinal a acontecer. Saber o motivo que levava esses serviços a enviarem-me um ofício de execução em vez de um atempado aviso de pagamento. 

 

Vamos lá então ver o que se passa...diz o funcionário que me pareceu estar do meu lado. Ah, cá está… Pois é, no cadastro falta o seu número de contribuinte. Está a ver? E eu que visse.

 

Ao vivo, ganhei a questão, mas perdi a mordomia de ser tratado por V. Excelência. Não se pode ter tudo.

Jaime Froude Andrade