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BAIÃO CANAL - Jornal

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ÚLTIMAS | Professores, pessoal não docente e pessoas com trissomia 21 prioritários na vacina

PROF

Lisboa, 10 mar 2021 (Lusa) – A Direção-Geral da saúde (DGS) incluiu nos grupos prioritários da fase 1 para a vacina contra a covid-19 as pessoas com trissomia 21, os professores e o pessoal não docente.

Segundo a atualização da norma da DGS, hoje divulgada, as pessoas com trissomia 21 são incluídas nos grupos prioritários “pelo risco acrescido de evolução para covid-19 grave”.

Já quanto ao pessoal docente e não docente, a DGS esclarece que estão abrangidos os que trabalham nos estabelecimentos de ensino e educação e nas respostas sociais de apoio à infância dos setores público, privado e social e cooperativo, “de acordo com o plano logístico que será implementado”.

No início do mês, a DGS já tinha manifestado abertura para "analisar outros grupos que vão sendo propostos, quer no âmbito de reduzir morbilidade e mortalidade, quer noutros âmbitos, nomeadamente, acrescentar resiliência à sociedade".

"Sendo um plano estabilizado nas suas linhas mestras, pode e deve sofrer ajustes em função das necessidades do país”, disse na altura a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

A fase 1 do Plano de Vacinação contra a Covid-19 inclui nos grupos prioritários os profissionais de saúde e de outros setores críticos e essenciais, nomeadamente Forças Armadas, forças de segurança e bombeiros, as pessoas com mais de 80 anos e as de idade superior a 50 anos e com uma das seguintes doenças: insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal ou doença respiratória.

Na fase 2, a iniciar em abril, está incluída a vacinação das pessoas entre os 50 e os 64 anos e com, pelo menos, uma das seguintes doenças: diabetes, neoplasia maligna ativa, doença renal crónica, insuficiência hepática, hipertensão arterial e obesidade.

Na terceira fase está incluída a restante população residente em Portugal.

Segundo a informação divulgada na terça-feira pela DGS, mais de 293 mil portugueses têm a vacinação contra a covid-19 completa com as duas doses. Já foram administradas um total de 1.032.907 vacinas desde 27 de dezembro.

O último relatório do processo de vacinação em Portugal continental refere que 293.245 pessoas - 3% da população - receberam até terça-feira as duas doses das vacinas da AstraZeneca e da Pfizer.

Desde o início do processo de vacinação, no passado dia 27 de dezembro, já foram administradas um total de 1.032.907 vacinas.

Até domingo, Portugal tinha recebido um total de 1.186.389 vacinas contra o vírus SARS-CoV-2, tendo sido distribuídas pelos pontos de vacinação do país 1.078.103 doses.

SO (JYGO/PC) // SB

Lusa

FIM DE SEMANA GASTRONÓMICO | Cozido à Portuguesa

Nenhuma descrição disponível.

COM ENTREGA AO DOMICÍLIO GRATUITA NOS DIAS 13 E 14 DE MARÇO

Num ano normal este seria, em Baião, um fim-de-semana de sabores tradicionais e generosos, com a realização da Feira do Fumeiro e dos Vinhos de Baião.
Em virtude da pandemia COVID-19, foram encontradas outras formas de assinalar a importância da gastronomia de Baião, e dos produtos locais, e uma delas assinala-se nos dias 13 e 14 de março: nessas datas as entregas ao domicílio do Cozido à Portuguesa serão gratuitas em Baião.
Ao todo foram 13 os restaurantes do concelho que aderiram a esta iniciativa e que vão confecionar as refeições. A entrega ao domicílio das encomendas será feita por táxis do concelho de Baião.
As encomendas devem ser efetuadas diretamente com estabelecimentos aderentes a esta iniciativa, fazendo o seu pedido e indicar a morada de entrega.

Lista dos restaurantes aderentes:
Cantinho da Vila – 255176658
Casa do Almocreve – 255551226
CMR Catering & Eventos – 910506460
Flôr de Baião – 912415666
Fonte Nova – 255541257
O Alpendre – 255551207
O Assador da Vila II – 254888095
O Naco – 254877423
Pensão Borges – 255541322
Primavera – 255542895
Tappas Lalas – 917835110
Tasca do Valado – 914304494
Tasquinha d´Otília – 917566005

Sobre ser Mulher (em pandemia) | Rita Diogo

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Esta pequena crónica é dedicada a todas as mulheres da minha vida, em particular às minhas filhas. Tenho duas filhas, de 14 e 18 anos, que levam muito a sério as questões da igualdade entre homens e mulheres, percebendo o quanto este conceito emana da liberdade e da não descriminação. Entendem que esta igualdade significa aceitar e valorizar de igual modo as diferenças de mulheres e de homens e os vários papéis que desempenham na sociedade. O caminho que fizermos será aquele que lhes permitirá, a elas e todas as raparigas e mulheres, serem livres de desenvolver as suas aptidões pessoais, de prosseguir as suas carreiras e de fazer as suas escolhas sem limitações impostas por estereótipos, preconceitos e conceções rígidas dos papeis sociais atribuídos a homens e mulheres. A igualdade entre mulheres e homens é considerada uma questão de Direitos Humanos e uma condição de justiça social, necessária para que as sociedades se tornem mais modernas e mais equitativas. É, por isto, um requisito para o desenvolvimento e uma condição para o exercício efetivo e pleno da cidadania. Infelizmente, a desigualdade existe, por isso prosseguimos num caminho de luta.

Celebrar o dia 8 de março é celebrar os direitos que as mulheres conquistaram até agora, mas também relembrar que ainda há muito por fazer. Causas como o direito ao voto, igualdade salarial, maior representação em cargos de liderança, a proteção em situações de violência física ou psicológica, ou ainda o acesso à educação continuam atuais.

A pandemia e a crise que se instalou colocou a nu as desigualdades e as injustiças sociais existentes quando se mede a sociedade em função do género, idade, religião ou orientação sexual. De facto, a pandemia está a aumentar as desigualdades e o impacto no mercado de trabalho afeta mais as mulheres.

As mulheres representam três quartos dos profissionais de saúde e outros três quartos dos profissionais de apoio social, setores fundamentais no combate à pandemia. Sou psicóloga, sendo a psicologia uma profissão maioritariamente composta por mulheres. Trabalho numa unidade de saúde com um homem e cinco mulheres. Apesar disto, o trabalho das mulheres continua a ser menos reconhecido, a diferença salarial continua a ser, em alguns casos, baseada no género. São também as mulheres que mais auferem apenas o salário mínimo e as que se encontram com vínculos laborais mais precários. Salários mais baixos, têm ainda como consequência prestações de proteção social e pensões mais baixas, condenando muitas mulheres a um maior risco de pobreza.

Para além desta diferença no trabalho formal, as mulheres são as que gastam mais tempo com o trabalho doméstico e com os cuidados à família, acumulando o trabalho formal com este trabalho invisível e não remunerado. O teletrabalho e o encerramento das escolas e das estruturas de apoio têm um impacto negativo nas mulheres porque elas são, na sua maioria as cuidadoras principais, quer dos mais novos quer dos mais velhos, traduzindo-se numa maior carga: mais cansaço, maior dificuldade em conciliar o trabalho com a vida pessoal e familiar, logo, menor produtividade. Recordemos ainda que mais de 80% das famílias monoparentais são compostas por mulheres.

Sabemos também que a pandemia reforçou uma outra pandemia, a violência doméstica, em que cerca de 80% das vítimas são mulheres. A pandemia não só agudizou os casos de violência doméstica já existentes, como despoletou novas situações, consequência dos períodos de confinamento que forçam a convivência permanente das vítimas com os agressores, com maior dificuldade de denúncia.

As violações de direitos, as desigualdades e a violência contra as mulheres são várias, complexas, distintas e tantas vezes invisíveis. Por tudo isto, é tão importante continuar a marcar datas como o 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Por tudo isto, continua a ser fundamental combater toda e qualquer forma de discriminação, desigualdade, desrespeito, violência contra as mulheres.

Rita Diogo, 

Psicóloga especialista em Psicologia Clínica e da Saúde
Cédula Profissional: 1494 (OPP)
 
 
 
 
 
 
 

MARIA ODETE SOUTO | 8 de março, dia Internacional da Mulher

Maria Odete Souto

Como é sabido, o dia 8 de março comemora-seo Dia Internacional da Mulher. Mas porquê um dia de… se cada volta ao sol demora 365 dias e 6 horas, isto é um ano?

Vamos a um pouco da História. Já nos finais do séc. XIX, nos EUA e na Europa, alguns movimentos feministas se iam erguendo, sobretudo no seio das mulheres operárias que chegavam a ter jornas diárias de trabalho 15 /16 horas, reivindicando igualdade de direitos.

No entanto, o Dia Mundial da Mulher terá sido celebrado, pela primeira vez, nos Estados Unidos, em 1908, quando cerca de 1500 mulheres operárias saíram à rua, em manifestação e luta pela igualdade laboral, económica e política.

Diz-se, também, que em 1911, numa fábrica têxtil de Nova York, 130 mulheres morreram carbonizadas e que este facto terá sido determinante das lutas feministas. Este episódio é real, mas aconteceu a 25 de março desse ano.

Todavia, foi preciso chegar a 1945, já no final da segunda Guerra Mundial, para ser assinado, pela ONU, o primeiro acordo internacional, em que os princípios de igualdade entre homens e mulheres estão vertidos em texto e, já muito mais tarde, em 1975, o dia 8 de março passa a ser reconhecido pela ONU, como o dia Internacional da Mulher.

Sou avessa, aos dias de… porque, como atrás referi, todos os dias do ano são dias de trabalhar para o bem comum, para fazer valer os direitos humanos, sejam eles os das mulheres, os dos homens, os das crianças…

E é angustiante pensarmos que no séc. XXI a luta pelo respeito pelos direitos humanos e, neste caso concreto das mulheres, façam ainda sentido. Mas faz. E faz porque a igualdade de oportunidades e de direitos não está minimamente assegurada, porque as mentalidades são as coisas mais difíceis de mudare carregam uma carga histórica imensa. São geracionais.

Saiu recentemente um estudo que nos mostra o quanto recai o cumprimento das tarefas domésticas na mulher e o desgaste que isto provoca. Não há uma cultura de partilha. E desengane-se quem pensa que isto é um problema dos homens. Não, não é. É cultural e afeta de igual forma, homens e mulheres. Elas porque foram educadas para serem excelentes donas de casa, para além da sua vida profissional. Eles, porque mesmo quando já tendo evoluído um pouco mais, acham que ajudam as mulheres. Logo, está implícito que são deveres que não têm. Claro que em tudo isto há honrosas exceções.

Por outro lado, quando vemos e ouvimos algumas mulheres, mesmo de formação académica superior, a falar de dinâmicas familiares, de deveres de parentalidade, etc. não muito raro se assiste a responsabilizar mais a mulher pela educação e por qualquer falha que possa existir, muitas vezes, com julgamentos quase insultuosos. E estas, se lhe perguntarem se se estão a ver a um espelho, estala-se-lhes todo o verniz.

Vemos estas diferenças, desde o primeiro momento, quando se prepara a chegada de um novo rebento. O momento em que se sabe o sexo da criança, determina a cor do enxoval e, continua com os brinquedos para meninos e para meninas, sendo que elas terão, bonecas, panelinhas e afins, enquanto eles terão carros, motas, armas… estamos na gramática dos papéis sociais que lhes são atribuídos e que vão determinando desigualdades gritantes.

A afirmação dos direitos das Mulheres e dos feminismos nunca deve seguir e cometer os mesmos erros do machismo. Deve ser uma luta libertadora, até das suas próprias amarras.

Por tudo isto, faz sentido que todos os dias sejam dias de refletir e de batalhar pela igualdade de direitos, pelo respeito e pela partilha da vida, em tudo o que ela tem de bom, menos bom e mau. Que o dia 8 de março, dia Internacional da Mulher, seja mais um desses dias.

Termino esta crónica com uma nota de esperança. Parafraseando o poeta António Machado, “faz-se o caminho a andar”. E tem sido feito algum caminho.

Viva o Dia Internacional da Mulher! Vivam todas as mulheres e todos os homens que as sabem respeitar como seres diferentes, mas seus pares iguais e que fazem da vida uma caminhada livre e partilhada.

 

Maria Odete Souto

 

PÃO E ROSAS | Natércia Teixeira

 

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Enquanto marchamos, marchamos, na beleza do dia,

Um milhão de cozinhas negras, um milhar de moinhos cinzentos,
São tocados por toda a luz revelada por um sol repentino
Porque as pessoas nos ouvem cantar: Pão e Rosas! Pão e Rosas!

Enquanto marchamos, marchamos, lutamos também pelos homens,
Porque eles são as mulheres e são as crianças e são os nossos filhos outra vez
As nossas vidas não devem ser suadas desde o nascimento até ao fim
Os corações morrem de fome como os corpos; dai-nos pão, mas dai-nos rosas

Enquanto marchamos, marchamos, inúmeras mulheres morrem
Gritam através das nossas canções, o seu antigo chamamento pelo pão
É a pequena arte e amor e beleza que os seus espíritos macerados conhecem
Sim, é pelo pão que lutamos, mas lutamos igualmente pelas rosas

Enquanto marchamos, marchamos, trazemos os grandes dias,
O erguer das mulheres significa o erguer da raça.
Não mais o moinho e o tensor, os dez que labutam por um que repousa
Mas uma partilha das glórias da vida: pão e rosas, pão e rosas.

As nossas vidas não devem ser suadas desde o nascimento até ao fim
Os corações morrem de fome como os corpos; dai-nos pão, mas dai-nos rosas

James Oppenheim

Hoje dia 8 de Março, dia Internacional da Mulher, divulga-se a história mais conhecida sobre a origem desta comemoração, uma narrativa sobre um grupo de operárias, cerca de cento e trinta mulheres, vítimas de um incendio intencional numa fábrica têxtil.

Decorria o ano de 1857 e pelo que consta, o crime foi premeditado pelos patrões com a conivência dapolíciae terá ocorrido em retaliação a manifestações e reivindicações das operárias porcondições dignas de trabalho.

Na época, episódios de rebelião de trabalhadoras fabris, motivados pelo descontentamento generalizado, eclodiam numa sociedade alicerçada no capitalismo industrial, estruturado na subordinação e exploração feminina, com fronteiras próximas à escravatura.

Mulheres, sem estatuto e sem direitos que sustentavam com suor, lágrimas e não raras vezes com a vida um sistema económico, político e social assente no patriarcado.

A luta dessas Mulheres, que não desvincula a batalha por direitos básicos dasoperárias por melhores salários, redução dos horários abusivos de trabalho, autorizações básicas para idas à casa de banho; tem, no entanto, contornos de lutas muito mais profundas, motivos e objetivos superlativamente importantes.

A Revolução das Trabalhadoras, que se organizaram na reivindicação de direitos fundamentais, culminava num primeiro e principal objetivo: promover o direito ao voto feminino, um passo decisivo para se alcançar um sistema mais igualitário.

Estruturadas, apoiadas e suportadas por correntes vanguardistas revolucionárias lutavam também por direitos civis (divórcio p. ex) e direitos sociais (greve, equidade salarial entre outros).

Foram precisos muitos anos de duras batalhas em que muitas foram mortas, agredidas e vilipendiadas por acreditarem que seria possível um mundo mais justo, um mundo onde o género fosse apenas uma diferença, não um motivo de discriminação.

Foi graças a essas Mulheres sem medo que hoje podemos escolher o nosso destino e são respeitados princípios elementares de liberdade e igualdade, tais como votar, estudar, guiar um carro, viajar…sair do país sem autorização do pai ou marido, terminar um casamento, usufruir de um salário igual para o mesmo trabalho.

Duvido que Mulheres dessas se comovessem com comemorações mais ou menos patéticas e homenagens hipócritas com hora marcada.

Acredito que o seu propósito fosse tão simples, quanto parece ser difícil alcança-lo:

Respeito.

Respeito pela Vida.

Respeito pelo Ser Humano.

Respeito pela diferença intrínseca de ser-se Mulher.

No dia em que esse Respeito for pleno, no dia em que nenhuma Mulher sentir que precisa ter medo pelo facto de Ser Mulher…nesse dia não haverá mais lutas a serem travadas.

Até lá cabe-nos mostrar ao mundo e aos nossos parceiros homens que conseguimos engolir o medo, ultrapassar séculos de preconceitos que muitos ainda carregam, nos genes e na alma.

Que conseguimos ganhar o próprio pão e comprar as nossas rosas;

Que somos metade do mundo.

Que não existimos para caminhar um passo atrás de ninguém.

Portanto hoje…

Hoje, não quero rosas, quero Respeito.

Hoje não quero ser lembrada, quero nunca precisar de esquecer discriminações.

Hoje não quero que seja mais uma data, quero que seja menos um dia para a mudança de mentalidades e comportamentos que se impõe.

Hoje…lembro todas as minhas ancestrais que lutaram, mesmo com medo e homenageio-as porque sonharam que a nossa existência pode ser uma partilha das glórias da Vida.

Natércia Teixeira

 

 

SOCIEDADE E CULTURA | Histórias avulso | Jaime Froufe Andrade

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(A pandemia pôs-nos à espera do futuro. Parados pelo vírus, talvez seja tempo para percebermos o que deixámos para trás. É essa a proposta de Histórias avulso)

O marçano e a freira

Marcelino viu a cidade pela primeira vez aos doze anos. Na estação de S. Bento, no Porto, tinha o irmão mais velho à espera para o levar àquele que iria ser o seu patrão. Era segunda-feira. A tarde ia adiantada, mas, ainda assim, dia de trabalho. Puseram-se a caminho em passo apressado. Entretanto, a Torre dos Clérigos fez Marcelino parar de espanto. Vamos, o senhor Silva está à tua espera…

Minutos depois, chegava à mercearia onde iria trabalhar como marçano. Domingo à tarde venho buscar-te para darmos uma volta. Ao ver o irmão desaparecer, Marcelino ficou inquieto. Aos doze anos estava entregue a si próprio. 

Deixara para trás a vida tal como sempre a conhecera. E tudo aconteceu de repente. Na sexta, estivera na escola a receber o diploma da quarta classe, sábado juntara-se ao rapazio para mais uma folgança. No domingo, passara a tarde na festa da sua aldeia, de olho posto na Bina. Segunda-feira estava noutro mundo.

Adeus aldeia de Cabriz, adeus rio Távora, adeus casa paterna, adeus Bina. Apesar de tudo, Marcelino não se queixa. O patrão trata-o bem, com humanidade. E até permite convivência com os seus filhos. O senhor Silva fora estudante. É um merceeiro diferente. Lê livros e usa o cabelo comprido como os escritores. Nas horas mortas da mercearia, dá-lhe ensinamentos sobre a vida, o País, o mundo… Incentiva-o a ler o jornal.

Agora Marcelino entende bem o rasgo do seu pai, em obrigá-lo a ir à escola. Não saber ler é uma desgraça, dizia-lhe. Mestre-pedreiro, analfabeto, mas pai sábio. Se não tivesse aprendido a ler e a escrever não poderia ir a casa dos fregueses saber as ordens. E isso era o que ele mais gostava de fazer. Sempre arejava, saía de trás do balcão.

Os meses foram passando e o Inverno chegou. Gélida aquela manhã de Janeiro, mas a frios rigorosos estava ele habituado. De mãos enfiadas nos bolsos da bata do ofício, Marcelino vai ligeiro saber as ordens a uma residência de freiras. A tua mãe deve ter muitas saudades tuas, disse-lhe, certa vez, a irmã que o costuma atender. Marcelino esclarece-a: Ela morreu quando eu tinha três anos. A freira entristece, chega a puxar do lenço para enxugar os olhos. Despediram-se, ela a fazer-lhe uma festa no cabelo. A cena aproximou-os.

Durante o caminho, vai agora a pensar nessa espécie de segunda mãe. Tão boa, tão piedosa, por certo a Santa Maria Madalena, a padroeira de Cabriz, anda já de olho nela. Também ele andara de olho posto na Bina, mas por outros motivos. A Senhora dos Cabriz vai de certeza puxá-la para santa. 

Escreve aí, Marcelino, para não te esqueceres: meio quilo de cevada… 

Mas as ordens são subitamente interrompidas: um pardal cai inanimado aos pés de Marcelino. Foi o frio que o matou, pensa. Pressurosa, a freira apanha a pequena ave, mete-a entre as mãos, sopra-lhe bafo quente. 

Marcelino * observa-a maravilhado. Chega a pensar em milagre ao ver o pardal agitar-se, a voltar à vida, a bater as asas. Foi então que, em lance rápido, fulminante, a freira enfiou o pardal pelas fauces do tareco, um gatarrão capado, que também ali tinha residência.

Marcelino, de nome completo Marcelino Rodrigues Andrade, era o senhor meu pai. O mestre-pedreiro, meu avô, chamava-se Manuel de Jesus Andrade.

 

BAIÃO | Assembleia Municipal | Não partilhamos...

Câmara Municipal - Câmara Municipal de Baião

Recebemos da Assembleia Municipal de Baião uma nota de imprensa, sobre a aprovação de um voto de congratulação por Honras de Panteão Nacional a Eça de Queiroz, que não iremos partilhar, por não corresponder, na integra, à informação que consideramos que deverá ser transmitida aos baionenses e aos cidadãos em geral.

O comunicado de imprensa faz apenas referência a uma das versões que foram debatidas na Assembleia Municipal, ignorando ou mesmo visando esconder dos nossos leitores  e dos baionenses, a argumentação que foi proferida por diversos intervenientes, designadamente sobre a trasladação dos restos mortais de Eça de Queiroz, que, pelo debate a que assistimos, esta matéria não era sequer clara no texto do voto de congratulação que foi apresentado pelo deputado municipal Pedro Teixeira de Sousa (líder da bancada do Partido Socialista).

Estivemos presentes na referida Assembleia Municipal e sobre a mesma iremos dar notícia e informação mais precisa, no sentido de informar devidamente os baionenses e os cidadãos em geral, como é de direito das instituiçoes e de deverer de todos.

Da nossa parte, iremos dar cumprimento ao Estatuto Editorial com que nos comprometemos com os nossos leitores e com os cidadãos em geral, designadamente porque:

O Baião Canal | Jornal procura a verdade e subordina-se aos factos. Nunca nos deixaremos condicionar por interesses partidários e económicos ou por qualquer lógica de grupo. Somos responsáveis apenas perante os nossos leitores.

O Baião Canal | Jornal  quer contribuir para uma opinião pública informada e interveniente. Valoriza a controvérsia e a discussão franca e descomplexada.

O Baião Canal | Jornal orienta-se pelo princípio da dignidade da pessoa humana e pelos valores da democracia, da liberdade e do pluralismo.

Por isso, divulgaremos a ATA e o link da gravação, na sua integra, tendo sido prestada a informação, pelo Sr. presidente da Assembleia Municipal  (José Luís Carneiro), que as gravações iriam ser disponibilizadas ao público, estando nós a aguardar que as gravações sejam disponibilizadas.

Partes avulso, que, na nossa opinião, visam omitir ou deturpar factos para justificar posições político-partidárias, reservamos-nos ao direito e dever de não partilhar.

Como os nossos leitores podem constatar, até ao dia 1/03/2021, não constava no portal de internet da Assembleia Municipal de Baião, a acta da última sessão da Assembleia, nem tão pouco as gravações Zoom que o Sr. presidente da Assembleia Municipal informou que seriam disponibilizadas ao público. Constam apenas as minutas das actas, das sessões anteriores, algumas das quais não assinadas na totalidade.

Após contacto estabelecido com o município, foi disponibilizado o link da gravação, que indica ter sido tornado público no dia 02/03/2021 e que podem aceder aqui: https://youtu.be/Ez17hzIyNzQ. Ainda não se encontra disponível a gravação da última sessão da Assembleia Municipal, que decorreu no passado dia 27 de fevereiro, pelas 14h30. Logo que tenhamos conhecimento da publicação, procederemos à sua divulgação, na integra.

Pode ser uma imagem de 18 pessoas e texto que diz "3:35:21 5:22:01 Sessão ordinária da Assembleia Municipal de Baião 41 visualizações 02/03/2021 C3 0 PARTILHAR GUARDAR... GUARDAR"

 

 

 

Carlos Magalhães, Diretor do Baião Canal | Jornal

EDUCAÇÃO | Para onde nos leva esta pandemia? | Maria Odete Souto

Odete Souto

No momento em que me sento ao computador para escrever esta crónica, assalta-me uma série de inquietações que se entrelaçam, sem que as consiga deslindar umas das outras. São as crianças. Sempre as crianças e as pessoas que as habitam e que entram pelas escolas dentro com as mochilas carregadas e reduzidas à condição de alunos/as. E que agora não entram.

Revisito Daniel Pennac e o seu livro “Mágoas da Escola” quando refere «os nossos “maus alunos” (alunos considerados sem futuro) nunca vão sozinhos para a escola. O que entra na sala de aula é uma cebola: algumas camadas de tristeza, de medo, de inquietação, de rancor, de raiva, de desejos insatisfeitos, de renúncias furiosas, acumuladas sobre um fundo de passado humilhante, de presente ameaçador, de futuro condenado. Reparem, vejam-nos chegar, o corpo em transformação e a família dentro da mochila”. E pergunto-me quando é que os nossos alunos e as nossas alunas voltam a entrar na escola. Estar presentes, partilhar vidas, correr e descarregar parte das suas mochilas.

Com John Dewey  entendo que “a educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é preparação para a vida, é a própria vida”. E a vida não é coisa que se possa suspender assim.

Este confinamento prolongado vai criando danos incomensuráveis e só o tempo nos permitirá medir a sua dimensão. Não podemos esquecer que estamos há quase um ano no meio desta pandemia, com longos períodos de confinamento e de ausência da escola presencial e, consequantemente, a muita distância das nossas crianças e dos nossos jovens. E não podemos perder de vista que o tempo da criança e da infância não é o tempo do adulto. Um mês na vida de uma criança é uma eternidade.

E neste entrelaçado de ideias que me vão inquietando, não posso deixar de referir aquilo que foi largamente noticiado sobre as cinco crianças de Bragança que estariam abandonadas por uma mãe que, supostamente, se teria ausentado para Lisboa. E volto a pensar na necessidade de reabertura das escolas, na responsabilidade social de todos e de cada um/a na proteção das crianças e dos jovens.

Está tipificado na lei que uma criança está em perigo quando: está abandonada ou vive entregue a si própria; sofre maus tratos físicos ou psíquicos ou é vítima de violência sexual; não recebe os cuidados ou afeição adequados à sua idade e situação pessoal; está obrigada a atividades ou trabalhos excessivos ou inadequados à sua idade, dignidade ou situação pessoal ou prejudiciais à sua formação e desenvolvimento; está sujeita, de forma direta ou indireta, a comportamentos que afetam gravemente a sua segurança ou o seu equilíbrio emocional; assume comportamentos ou se entrega atividades ou consumos que afetem gravemente a sua saúde, segurança, formação, educação ou desenvolvimento.

E na avaliação do perigo devem ser ponderados os fatores de proteção e os fatores de risco.

Os fatores de proteção  relativamente à criança são consubstanciados na sua capacidade de resolução de situações problemáticas, no desenvolvimento global  adequado à idade; na inserção em grupos de pares e na sua saúde. Relativamente à família, o equilíbrio económico, a organização do espaço físico, a capacidade para decidir e intervir e o sentido de responsabilidade. No contexto social e cultural, são factores de proteção a cultura de partilha, as relações sociais e comunitárias positivas, o emprego e a prosperidade económica.

Os fatores de risco da criança são: a baixa auto-estima, o historial de maus-tratos; o desenvolvimento global desadequado à idade, as separações de figuras de referência e as perturbações emocionais. Relativamente à família, as famílias numerosas, a relação disfuncional entre os pais, as sucessivas mudanças de residência, os problemas socio-económicos e/ou habitacionais, o isolamento social  e a pertença a minorias. Quanto ao contexto social e cultural são fatores de perigo o desemprego, a depressão económica, o isolamento e  a exclusão social. E este confnamento pesa negativamente a todos os níveis.

E sabemos que as esolas são os lugares onde as crianças passam mais tempo. E sabemos que quanto mais tenra a idade da criança maior a proximidade com os/as professores/as e educadores/as que são, em muitos e muitos casos, excelentes figuras de referência e que não estão lá, porque o estar lá implica espaço, tempo, privacidade e partilha. E isto não se faz entrando pela casa dentro dos/as alunos/as. E por muito esforço que os/as docentes façam, estão coartados na sua ação. E os/as funcionários/as, auxiliares da e na ação educativa, que têm um papel importantíssimo na vida das crianças e dos jovens. E tantas e tantas crianças que estão entregues a si próprias e privadas de vida. E quem consegue avaliar os perigos nestas circunstâncias?

Por último, e reportando-me à notícia das cinco crianças de Bragança e daquela mãe que já foi julgada em praça pública e que, no mínimo, também estará a contas com a justiça, há questões que se me colocam e que deixo para reflexão. Será que aquelas cinco crianças nasceram por geração espontânea e, portanto, não tinham pai(s)? Nem havia família alargada? Onde estava a comunidade e todas a instituições que a compõe? Nunca teria havido sinal nenhum?

Factos destes deveriam envergonhar-nos a todos/as enquanto sociedade. Calar aquilo que se vê, ouve e sabe pode configurar um crime de omissão.

É claro que todos lavamos a consciência ao  insurgirmo-nos contra aquela mãe porque essa está identificada. Pariu-os. Da responsabilidade de terceiros, e serão muitos, ninguém fala.

Aproxima-se a dia internacional da mulher que, normalmente, se comemora com grandes festarolas de e para mulheres e saem todos contentes e felizes porque assim se entende que se garante os direitos das mulheres. Tenho para mim que falar de dias da mulher, da criança, do deficiente… é, ainda assim, discriminar. Deveremos falar de direitos humanos, defender a igualdade de direitos e isto tem que ser feito todos os dias em cada ato da nossa vida para não nos deixarmos levar por coisas menores.

Estamos muito longe de termos consciência da nossa responsabilidade social e da assunção da igualdade de direitos, sendo que a cada direito corresponde sempre um dever. Estamos muito longe de defender as nossas crianças e de trabalharmos, a sério, para uma sociedade mais justa.

A linguagem é a expressão do pensamento e produz realidades. E a realidade é ainda profundamente discriminatória e, se calhar, estamos num momento de retrocesso. Por isso, deixo aqui um desafio. Experimentem colocar no feminino expressões como estas e percebam-lhe os sentidos:“ ele é um homem público” ;“ ele é um cortezão” ,“ele é o dono da casa”; “ aquele puto”...

Estranho, não é? A mesma palavra e os sentidos diferentes... E a escola tem um papel fundamental, também aqui.

Que se repense tudo isto, que se estabeleça um plano urgente de reabertura das escolas, com o máximo de segurança, para que estas e outras questões sociais, muito mais graves nos mais vulneráveis, não se continuem a acentuar e não continuemos a fazer vítimas inocentes, que não contam para os números da pandemia. Mas contam.

 

Maria Odete Souto

 

 

 

 

SOCIEDADE E CULTURA | O Amigo: um ser que a vida não explica. | Natércia Teixeira

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Amizade é por definição, uma relação afetiva, a princípio sem características romântico-sexuais entre duas pessoas.
Em sentido lato é um relacionamento humano baseado no conhecimento mútuo, afeição e cooperação, suportado na lealdade e altruísmo.
Surge fruto do instinto de sobrevivência.
Explanado o conceito e como nada que envolve sentimentos é linear são múltiplos os exemplos de afetos que surgem entre seres aparentemente antagónicos, cujo denominador comum será talvez e apenas a plasticidade mental e emocional.
Quanto às motivações e pressupostos que a suportam, nem as primeiras são objetivas nem os segundos estanques.
Exemplos que me lembro… “Amigos para Sempre” a narrativa de uma amizade improvável entre um homem tetraplégico rico e um ex-presidiário, que o dito Senhor escolhe para seu cuidador, apesar da total inexperiência do rapaz.
Ou a história de Madame Rosa, uma prostituta aposentada, sobrevivente de Auschwitz e um rapaz árabe de 14 anos, órfão, que a Senhora a contragosto acolhe e que acaba por se tornar
seu amigo e seu amparo no fim da vida.
Relatos enternecedores de amizades improváveis…ou apenas imponderáveis.
Explicações para o sucesso desses encontros, havê-los-á com certeza: científicos, sociológicos e psicológicos… abstratos também.
Fico-me pelo que me parece… e parece-me evidente que existe uma simbiose perfeita de fatores que conspiram para o êxito de algumas amizades… como também os há,
determinantes, para o fracasso de outras.
Idealmente uma amizade perduraria no tempo e sobreviveria à distância e às contrariedades, infelizmente não somos nem vivemos num mundo perfeito e cristalizado, a dinâmica da vida
impõe-nos mudanças para a nossa própria evolução, aceitar a impermanência das coisas parece-me ser um excelente argumento para viver o que se nos apresenta sem conflitos.
Não percebo a necessidade de grandes questionamentos ou motivos para duas pessoas nutrirem uma simpatia mútua, apreciarem a companhia uma da outra, mesmo que esporádica
e sentirem-se agradadas pelo conforto que a simples existência do outro proporciona.
Intrigam-me os que entendem a amizade como algo estático ou meramente utilitário e o “amigo” como uma coisa suscetível de ser moldada a necessidades ou caprichos motivados por uma mais ou menos obvia necessidade de afirmação de poder.
Aborrecem-me os que vivem de melindres… ora por se acharem desconsiderados, ora por se julgarem preteridos, no entanto incapazes de descer do pedestal onde se instalaram e
perceber o real significado de reciprocidade.
Dito isto meus amigos, numa amizade ou há competência para se despir a alma, expor fragilidades e aceitar diferenças ou só se conseguirá, eventualmente, um conhecido,
certamente solidário na dor…não tão certo generoso nas vitórias.

Seja qual for o entendimento que se tenha; destino para os esotéricos, sorte para os crentes, conexão de almas para os espiritualistas, feromonas para a ciência… Vinícius de Moraes
parece-me ter a definição perfeita:
O Amigo: um ser que a vida não explica.

SAÚDE | Rita Diogo | A literacia em saúde mental

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A saúde mental pode ser definida como “um estado de bem-estar no qual o indivíduo desempenha as suas capacidades, pode lidar com o stress, trabalhar de forma produtiva e frutífera e é capaz de contribuir para a sua comunidade” (World Health Organization, 2001). Neste sentido, a saúde mental é o pilar para o bem-estar e funcionamento dos indivíduos e da comunidade, exercendo um papel importante nas relações interpessoais, na vida familiar, na integração social e até na participação económica. Apesar da elevada prevalência das perturbações mentais verifica-se ainda um reduzido conhecimento sobre questões de saúde mental, na população em geral, comparativamente às questões que englobam a saúde física.

O conceito de literacia em saúde mental pode ser definido como o conhecimento e crenças sobre problemas e perturbações mentais que favorecem o seu reconhecimento, gestão e prevenção. É um conceito que abrange os conhecimentos relativos aos fatores de risco das perturbações mentais, à capacidade de reconhecimento das mesmas, às intervenções de gestão em momentos de crise e o conhecimento sobre atitudes que promovam a procura de ajuda. Assim, a promoção da literacia em saúde mental constitui-se como uma estratégia fundamental de promoção da saúde mental, no âmbito da prevenção, intervenção precoce e tratamento, contribuindo para a diminuição da carga de incapacidade provocada pelos problemas de saúde mental e para a diminuição de atitudes estigmatizantes face às perturbações mentais. O reduzido nível de literacia em saúde mental, associado ao estigma e preconceito contribuem para o agudizar das perturbações mentais, na medida em que impedem o reconhecimento precoce das mesmas e influenciam o comportamento de procura de ajuda.

O estigma associado às perturbações mentais é considerado como um dos principais obstáculos à promoção da saúde mental, atuando a vários níveis (individual, familiar, laboral, escolar, nos meios de comunicação, nas comunidades e nas políticas sociais), sendo apontado como um dos fatores que explicam o atraso na procura dos serviços de saúde e sendo reconhecido como um preditor significativo da evolução e do impacto das perturbações mentais. Um dos desafios para a saúde mental prende-se com o combate ao estigma associado às perturbações mentais e tal pode ser conseguido através de uma adequada literacia em saúde mental.

Se pensarmos nos anos de existência da Psicologia como ciência, não percebemos muito bem porque ainda permanece o estigma relativamente a “ir a uma consulta de psicologia”. O que diferencia a dor física, que nos leva a um médico, da dor que emana dos nossos problemas internos? Porque razão vamos facilmente ao dentista quando nos dói um dente e adiamos a marcação de uma consulta de psicologia? Todos nós já passámos por situações destas: uma tristeza que parece não querer deixar-nos, uma sensação de frustração que nos imobiliza ou uma raiva tal que, irritantemente, nos leva a reagir contra as pessoas ou situações. Normalmente, passados uns minutos, umas horas, uns dias, já regressámos ao nosso “estado normal”. Mas e quando ficamos presos a estas emoções negativas e nada parece conseguir libertar-nos delas? Um dos grandes problemas reside no adiamento que se faz da procura de ajuda. As redes de apoio familiar e social ajudam imenso mas, na verdade, há uma enorme diferença entre uma conversa com um bom amigo, por melhor conselheiro que ele seja, e a ajuda especializada de alguém que conhece e domina várias teorias sobre o comportamento e pensamento humanos e que consegue realizar uma intervenção adequada ao problema apresentado. Muitas vezes, não conseguimos especificar o que nos deixa tensos, irritados, tristes, sem vontade de fazer nada... é também nestas situações que se torna importante pedir ajuda especializada, recorrer a alguém capaz de explicar a origem de alguns problemas através dos sintomas apresentados.

Costumo dizer a quem me procura que a marcação da consulta é, por si só, a resolução de grande parte das questões que trazem alguém até mim. De facto, reconhecer que se não se está bem, que se passa algo que perturba o quotidiano, as rotinas e as tarefas diárias ou que se pretende entender-se melhor é o primeiro grande passo para ser ajudado.

É fundamental ajudar as pessoas a perceber qual o limiar entre uma simples tristeza, nervosismo, ideia fixa e qualquer outra coisa que seja uma depressão, uma ansiedade incapacitante ou fobia, uma obsessão... e como se faz esta distinção? Os sintomas que se sentem interferem nas tarefas diárias? Há alturas em que as pessoas já não se reconhecem, não reconhecem as suas reações, pensamentos e comportamentos, nem tão pouco conseguem explicá-los. Esse é o momento de ir ao psicólogo/a. Mas também posso ir a uma consulta de psicologia para me conhecer melhor, para conseguir reconhecer os meus pontos fortes e pontos fracos, para direcionar o meu esforço para os objetivos certos. A promoção do autoconhecimento e do desenvolvimento pessoal é também um bom motivo para marcar uma consulta de psicologia.

Rita Diogo, Psicóloga  

 

 

 

PROVA DE VIDA | Arnaldo Trindade | Está-se bem em Baião

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Está-se bem em Baião

não há quem diga que não

seu grande rio cinzento

lento, porque há dias assim

porém, quando d´azul ou verde se pinta

ri-se para mim, correndo entre montanhas

tamanhas são algumas,mandam os que lá estão

sangue d´antanho corre nas minhas veias

aquecendo meu coração, um bom vinho Avesso

Estranho seria, se afeição não sentisse por Baião

o segredo mais bem guardado em PortugaL

afinal tudo o que disse, faz que se esteja bem em Baião

 

Arnaldo Trindade 

 

Nota de imprensa | PCP Baião

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No âmbito das comemorações do centenário do Partido Comunista Português, a Comissão Concelhia do PCP de Baião convida todos os camaradas e amigos a participar numa iniciativa dia 6 de Março de 2020 pelas 15 horas junto ao monumento de Soeiro Pereira Gomes na freguesia de Gestaçô 

A comissão concelhia do PCP/Baião

NOTA DE IMPRENSA | Remoção da cobertura com fibrocimento (amianto)...

Câmara Municipal de Baião retira amianto do Jardim de Infância do Barroncal

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"A Câmara Municipal de Baião iniciou hoje, dia 3 de março, a obra de remoção da cobertura com fibrocimento (amianto) no edifício do Jardim de Infância do Barroncal, na freguesia de Valadares.

Outro edifício escolar que vai ser intervencionado brevemente, com a remoção do amianto, é o Jardim de Infância de Lordelo, na União de Freguesias de Ancede e Ribadouro.

Os dois investimentos totalizam 46 mil euros.

Estas empreitadas são cofinanciadas pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), depois da Câmara Municipal ter visto a respetiva candidatura  aprovada através da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa (CIM-TS).

Além da remoção do amianto, os dois edifícios vão ser  alvo de diversos arranjos gerais, permitindo assim aos 19 meninos e meninas que frequentam estes espaços, melhores condições de aprendizagem."

POLÍTICA | PCP Baião | Tempos de forte resistência

PCP

Muitos portugueses da minha geração sabem de cor estes versos: «A morte saiu à rua num dia assim/naquele lugar sem nome pr’a qualquer fim/Uma gota rubra sobre a calçada cai/ E um rio de sangue dum peito aberto sai».
Lembrei-me deles e da canção que ao terminar repete com angústia «o pintor morreu, o pintor morreu, o pintor morreu» referindo-se a um facto da resistência ao fascismo, eternizando a história de um assassinato ocorrido há quase 60 anos.
Em 19 de dezembro de 1961 o pintor José Dias Coelho militante comunista e funcionário do PCP a viver na clandestinidade, foi cercado por uma brigada de cinco agentes da PIDE na rua dos Lusíadas em Alcântara, Lisboa, por volta das oito horas da noite.
Na perseguição que se seguiu ao cerco, até à Rua da Creche, hoje Rua José Dias Coelho junto ao Largo do Calvário, os agentes da PIDE dispararam sobre ele dois tiros de pistola, um à queima-roupa no peito deitando-o por terra e o segundo disparado com o ferido já prostrado no chão.
Precipitadamente os agentes da polícia política do Estado Novo meteram o corpo no carro e só duas horas depois, quando José Dias Coelho agonizava, o entregaram no hospital da CUF, onde morreria pouco depois.
Tinha 38 anos, completados em 11 de Junho desse ano de 1961.
Com pouco mais de 20 anos, José Dias Coelho era estudante da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa quando aderiu ao Partido Comunista Português e em virtude da sua actividade de funcionário político do Partido, passou à clandestinidade, no entanto e apesar do seu trabalho político, não deixou o trabalho artístico e criou diversas gravuras que foram utilizadas na imprensa clandestina.
Um mês antes de ser assassinado desenhara e talhara em linóleo um desenho sobre outro assassinato cometido pela repressão salazarista: a morte do operário Cândido Martins, abatido pouco tempo antes à frente de uma manifestação de trabalhadores em Almada.
Para legenda dessa gravura José Dias Coelho escreveu esta frase: «de todas as sementes deitadas à Terra é o sangue derramado pelos mártires que faz levantar as mais copiosas searas».
José Dias Coelho era ainda muito jovem quando aderiu à Frente Académica Antifascista e mais tarde, em 1946, ao MUD Juvenil, tendo participado em várias lutas estudantis em 1947 e aderido ao Partido Comunista Português em 1949.
Foi detido pela PIDE após participar na campanha presidencial de Norton de Matos e em 1952 foi expulso da Escola Superior de Belas Artes e impedido de ingressar em qualquer faculdade do País, sendo também demitido do lugar de professor do Ensino Técnico.
Em 1955 entra para a clandestinidade, enquanto exercia funções no Partido Comunista Português, com o objetivo de criar uma oficina de falsificação de documentos para dar cobertura às atividades dos militantes clandestinos e exercia esta atividade na altura do seu assassinato pela PIDE.
Hoje os tempos são outros e outra é também a geração actual, no entanto, a luta pela transformação do mundo continua, pois o fascismo levanta de novo a cabeça e pior ainda está presente em Parlamentos de países ditos democráticos, mas em que a permissividade ao seu ideário suplantou a própria democracia.
Estamos em 26 de Fevereiro de 2021 e o dia nacional de luta arrancou com um piquete dos trabalhadores da DHL às 10h, frente à sede da empresa, na Vialonga, que contou com a presença da secretária-geral da CGTP-IN, Isabel Camarinha.
Estes trabalhadores não aceitam o que consideram ser «aumentos de miséria», colocando os salários poucos euros acima do salário mínimo nacional, ao contrário do aumento geral de 90 euros para todos que reivindicam.
Com esta paralisação, exigiram o fim da «pressão, repressão e perseguição» aos que laboram no armazém Plaza 1 de Azambuja, por terem exercido o seu direito e recusado a alteração dos seus descansos ao fim-de-semana.
Também durante a manhã, à entrada dos Hospitais da Universidade de Coimbra, os enfermeiros fizeram um protesto contra a «carência estrutural» destes profissionais e a precariedade que continua a ser uma realidade de muitos. Considerando «intolerável» que o Governo tenha, em plena pandemia, viabilizado a admissão de enfermeiros com contratos a termo certo, os enfermeiros criticam o facto da situação só ter sido revertida para aqueles que foram admitidos até dia 31 de Julho de 2020, excluindo mais de 1800 enfermeiros.
No Hospital de Sto. António, no Porto, os enfermeiros também se queixaram das «medidas de contratação precária», considerando que revelam uma «preocupação sub-reptícia de poupança».
Em dia de luta nacional, estes trabalhadores denunciam os 145 enfermeiros deste centro hospitalar que detêm contratos precários e que estarão na iminência de ficar desempregados, «mesmo fazendo tanta falta para colmatar carências estruturais do SNS».
No Algarve, os trabalhadores juntaram-se à luta em dezenas de acções para «inverter o rumo de desvalorização do trabalho» e «romper com o modelo de baixos salários». Na região mais afectada do ponto de vista económico e social em consequência da pandemia, os trabalhadores denunciam o modelo de desenvolvimento regional «afunilado num único sector de actividade, o Turismo».
Em Coimbra, os trabalhadores dos serviços hospitalares concentraram-se, de manhã, para denunciar as discriminações de que continuam a ser vítimas ao nível da falta de pessoal, condições de trabalho, e dos procedimentos e medidas de protecção e segurança e ausência de vacinação.
Mais tarde serão os trabalhadores dos refeitórios escolares a protestar junto à Câmara Municipal de Coimbra, para manifestar a difícil situação em que vivem, após o despedimento de que foram novamente alvo pela empresa ICA com o encerramento das escolas.
«Vamos ter uma grande jornada de luta, com muitos milhares de trabalhadores em protestos por todo o País, na rua ou nas empresas, mas garantindo sempre as regras de protecção da saúde, com máscaras e distanciamento», disse à agência Lusa a secretária-geral da CGTP-IN, Isabel Camarinha.

PCP Baião

 

POLÍTICA | JSD BAIÃO | INTERIORIZAR A RAZÃO OU ECOAR A PROMESSA?

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Já são longas as horas de discussão e a longinquidade das palavras escritas sobre promoção da interioridade, coesão territorial e igualdade de oportunidades para as regiões. No entanto, numa era em que o mutualismo europeu -em virtude das necessidades emergentes da pandemia que assolou o nosso planeta - sedimentou a sua posição enquanto pilar fundamental da construção europeia, num modelo de trabalho em rede e de cooperação recíproca, nasce uma nova vida para a esperança de um interior cada vez mais envelhecido, rural, desertificado, estagnado e associado a um secular definhamento e esquecimento, cujo dia-a-dia é mantido na tênue linha da sobrevivência.

Porquanto, as dificuldades das regiões em se debaterem de igual para igual tendem a agravar-sefaceos espinhosos efeitos do novo contexto internacional, contemplando-se assim que 30% da população portuguesa continua a sofrer diária e diretamente as consequências de uma naçãohipercentralizada,que a torna refém de um Estado obeso, labiríntico, volúvel e incapaz de potenciar uma distribuição de investimento público a nível geográfico e em função das concretas atividadeseconómicas, sociaise culturais de cada região.E, aqui chegados, encontramos o verdadeiro responsável pelo atropelo de direitos fundamentais como a saúde, a educação ou o emprego. Isto é, percebemos que é o próprio Estado o responsável, não por uma mera virtualidade, mas sim pela dura e fria realidade, onde milhares de jovens se veem limitados no acesso a um ensino de qualidade; onde o cidadão do interior é obrigado a deslocar-se durante horas para ter acesso a cuidados de saúde; e onde o pequeno empresário se vê sufocado por uma elevada carga fiscal e despido de infraestruturas que o auxiliem na hercúlea tentativa de salvar o seu negócio.

No entanto, aquando da disponibilização para consulta pública do Plano de Recuperação e Resiliência, enraíza-se a incógnita: será que contemplaremos, em primeira mão, a um ligeiro avanço nesta batalha quase secular entre dirigentes políticos, economistas, dezenas de autarcas, de empresários, de agentes da cultura e da sociedade civil, que, legitimamente, procuram inverter um ciclo vicioso de subdesenvolvimento que condena três quartos do território nacional. Vejamos que a inversão do paradigma social imposto pela crise sanitária forçou o recurso à razão, obrigando os nossos decisores políticos a interiorizar os factos que durante décadas foram colocados em cima das suas secretárias. Assim,aquela que eraapenas para alguns uma clarividência, tornou-se trivial, levando-nos a acreditar que será possível implementar umapolítica equilibrada de gestão territorial enquanto garante do nosso desenvolvimento sustentável.

Porém, não obstante, a sua imperiosa necessidade, bem como a crescente tendência de deslocalização de trabalhadores e de recurso aos mecanismos tecnológicos e digitais pelos agentes privados, na procura de minimizar custos e maximizar lucros, a desconfiança tende a não desvanecer, sob pena de cairmos uma vez mais na teia das abundantes promessas dos dirigentes políticos em vésperas eleitorais. Aliás, a título de exemplo, bastará uma ligeira leitura dos programas eleitorais do partido socialista - a nível local e nacional - para percebermos que muitas das infraestruturas hoje mencionadas no PRR, nunca passaram de meras bandeiras eleitorais, sem qualquer tentativa ou esforço evidente.

No entanto, nunca será demais reafirmar a relevânciade todos aqueles investimentos prioritários para o interior, que, para além de devidos, poderão afirmar o seu valor nocombate à sobrelotação das grandes malhas urbanas e consequentes problemas associados à habitação, mobilidade e qualidade de vida! Chegou o momento deo poder político compreender que poderá encontrar no interior, particularmente na deslocalização de empresas e de determinados setores estratégicos para as regiões de baixa densidade, o artificio necessário para construir um Portugal mais justo e equitativo. É esta a nova esperança do interior!

 

Rui Pedro Pinto

Presidente da JSD Baião

Vice-Presidente da JSD Distrital do Porto

NOTA DE IMPRENSA | CM DE BAIÃO | Programa “Património Cultural”

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Câmara Municipal de Baião assegura financiamento europeu para obras na Igreja de Santa Marinha do Zêzere

A candidatura apresentada pela Câmara Municipal de Baião aos fundos comunitários para a conservação e restauro da Igreja Paroquial de Santa Marinha do Zêzere foi aprovada.

Os fundos europeus, no âmbito do programa Património Cultural vão financiar 85% do valor da empreitada, que será lançada a concurso público pela Câmara Municipal de Baião.

Estima-se um valor base de obra de 372 mil euros, sendo a autarquia baionense responsável por suportar 15% deste valor.

De lembrar que a Igreja de Santa Marinha do Zêzereé uma das classificadas no concelho de Baião como Monumento de Interesse Público. Existe também um protocolo formalizado com a Diocese do Porto que permite que as igrejas estejam com portas abertas à visitação. Estas obras visam, portanto, não apenas melhorar as condições de utilização da igreja por parte da comunidade, como também valorizar o património cultural e artístico ali existente e inserem-se na estratégia de atração de visitas ao nosso território, condição importante para a atribuição de apoios para a obra.

Igreja_Santa_Marinha_Zezere_6_visitbaiao_portugal.IGREJA S.M. ZEZERE

TRABALHOS PREVISTOS

A intervenção vai contemplar trabalhos de construção civil e de eletricidade, entre eles revisão da cobertura, rebocos interiores, substituição de portas e pinturas.

Uma das peças mais emblemáticas deste templo, o Órgão de Tubos, será também alvo de conservação e restauro, aí serão desenvolvidos trabalhos de restauro da máquina e dos instrumentos, bem como, substituição de madeiras da caixa.

Serão feitas correções na rede elétrica e beneficiada a iluminação do altar e da nave e coro.

Serão, ainda, restaurados os retábulos e vários elementos decorativos do interior da igreja.

MAIS INFORMAÇÃO SOBRE A IGREJA PAROQUIAL DE SANTA MARINHA DO ZÊZERE

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/6691073

 

 

ÚLTIMAS NOTÍCIAS | Lousada | Mata pai à facada

Lousada

Homem, de 65 anos, foi esfaqueado pelo filho, com cerca de 30 anos, durante a noite desta quarta-feira, em Lousada, acabando por falecer

Tudo indica que, o crime ocorreu dentro de casa da vítima. As autoridades policiais avançaram  que o homem terá sido esfaqueado, pelo menos, três vezes, sendo que uma delas foi no peito.

Apesar das manobras de reanimação feitas pelos bombeiros, o óbito do homem acabou por ser declarado no local. 

Após cometer o crime, o agressor ligou e entregou-se  às autoridades . A investigação está sob alçada da Polícia Judiciária.


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